domingo, 16 de junho de 2019

FESTAS JUNINAS ALEGRAM O BRASIL E AGITAM AS PRINCIPAIS CIDADES

Os grupos de quadrilha capricham no bom gosto de seus trajes típicos.
As festas juninas se espalham por todo o Brasil, movimentam milhares de turistas e agitam as principais cidades com suas múltiplas cores, ritmos, sons e sabores. Engana-se quem pensa que elas se restringem apenas às capitais e grandes cidades do Nordeste, tendo o foco principal em Campina Grande, no interior da Paraíba, onde se transformam no principal evento econômico, social, gastronômico e turístico  do ano. Há  festas de arromba por toda parte: São Luís do Maranhão, Belém do Pará, Parintins, Fortaleza, Teresina, Maceió, Penedo, Natal, Mossoró, Salvador, Ilhéus, Itabuna, Recife, Caruaru, João Pessoa, Aracaju, Manaus etc, assim com  há agitadas e prestigiadas celebrações em Minas Gerais, Goiás, Brasília, Tocantins, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Maringá, Londrina, Foz do Iguaçu, Florianópolis, Porto Alegre, Novo Hamburgo, Bento Gonçalves, Garibaldi, Gramado, Canela e toda a Serra Gaúcha, mais Navegantes, Joinville, Vitória, Guarapari,  Cachoeiro do Itapemirim, mais São Paulo e todo o rico interior paulista, e Rio de Janeiro, Niterói, Búzios, Arraial do Cabo, Saquarema, Cabo Frio, Petrópolis, Teresópolis, Três Rios  e Região dos Lagos.

Minas Gerais é um dos fortes redutos e esteios das celebrações de junho, com concursos para escolha dos melhores grupos de quadrilha em cada região. Torna-se maior e mais empolgante,  a cada ano, o Arraial de Belo Horizonte, que começou  há mais de 40 anos com o Forró de Belô, mais tarde transformado em Arraiá de Belô. Penso que os leitores mais jovens precisam conhecer um pouco mais das festas antigas na cidade onde nasceram, ou onde vieram morar. Aliás, sem mudar de assunto, esta é uma de nossas grandes carências: o desconhecimento da cidade - que, por sinal, começa nos repórteres mais jovens que frequentam  nossas redações (jornal, revista, rádio e televisão).
 
Como menino que morava na Fazenda Santa Helena,  no Oeste de Minas, cheguei aqui para estudar interno em 1951, e vim de mudança definitiva em julho de 1953 - portanto, cheguei com 1 mês de atraso para a festa do mês anterior naquele ano. Me lembro das primeiras festas juninas na sede urbana do Cruzeiro no Barro Preto, no Clube Belo Horizonte (Rua Guarani), e nas festas dos clubes nos bairros do Prado, Calafate, Padre Eustáquio e Carlos Prates, e de festas na Floresta, Sagrada Família. Lagoinha,  Horto e Santa Tereza. Havia festa junina até na zona boêmia da Rua Guaicurus, assim como havia Carnaval também. As meninas que não eram da Tradicional  Família Mineira se divertiam a seu modo nos corredores dos Hotéis Maravilhoso e Magnífico, na cama e fora dela.

A força das comemorações juninas se baseava muito nas comunidades dos bairros da Capital mineira,  e ainda hoje, tantos anos depois, há muita empolgação nas celebrações de Santo Antônio, São João e São Pedro e em escolas e espaços comunitários dos principais bairros, como Funcionários, Barroca, Gutierrez, Lourdes, Santo Antônio, Anchieta, Serra, São Lucas, Lagoinha, Cachoeirinha, Santa Tereza, Sagrada Família, Santa Efigênia, Pompeia, Floresta, Renascença, Concórdia, Carmo-Sion, Pampulha, Mangabeiras, Bandeirantes, São Luís etc, e outras festas populares  envolvendo, principalmente,  comunidades das periferias, como Betẫnia, Salgado Filho, Glória, Venda Nova, Palmares, Santa Mônica, Planalto, Barreiro, Eldorado etc.


Ao som das sanfonas e das violas, celebrando os tradicionais casamentos na roça, com noivos e padres de mentira, os grupos de quadrilhas sempre se esmeram na confecção de seus trajes típicos -  os homens de chapéu de palha e lenços no pescoço, e as dançarinas com saias rodadas e dançando sempre de sandália, tênis branco  ou calçado confortável. As festas de junho, marcadas pela espontaneidade e alegria autêntica (nessa época de tantas encenações e falsidade) sempre conseguiram reunir a religiosidade do povo, a vontade legítima de se divertir e as manifestações culturais - e não se pode falar em festas juninas sem se lembrar das canjicas, quentões, milho cozido, pamonha assada, espeto de carne, paçoca de pilão, farofa,  pé-de-moleque, coalhada, cocada branca e escura, algodão doce e amendoim torrado. Com muito quentão e pingas da roça.

E haja cachaças de Salinas, Ponte Nova e outros conhecidos fabricantes, mais rapaduras, queijos tradicionais e doces típicos de cada região, num festival de alegria, muitas cores e aromas, transformando o visual de cada região com seu festival de bandeirinhas coloridas, onde o  verde e amarelo nunca saem de moda, ainda mais agora, com o país dividido entre nós e eles numa apaixonada disputa política.


As sombrinhas tradicionais do frevo nordestino acabam chegando às quadrilhas. 







 
DANÇANDO QUADRILHA NAS CIDADES DO INTERIOR DE MINAS

Qualquer que seja a região mineira escolhida - Zona da Mata,Vale do Rio Doce, Vale do Aço, Mucuri,  Jequitinhonha, Triângulo, Alto Paranaíba, Oeste de MG, Norte de Minas, Sudeste e Sudoeste e Circuito das Águas - o leitor em busca de novas emoções ou simples agitação e troca de ambiente  vai sentir de imediato a tradição das festas juninas tomando conta das  principais cidades. Não importa seu tamanho: a vibração é cada vez maior e a competição entre os municípios é cada vez mais acirrada.

Se você for escolher uma cidade onde participar das celebrações,  há uma fartura de opções - basta pesquisar na internet: Ouro Preto, Tiradentes, São João del-Rei, Barbacena, Carandaí, Juiz de Fora, Governador Valadares, Ipatinga, Acesita, Coronel Fabriciano, João Monlevade, Viçosa, Nova Era, São Domingos do Prata, Ponte Nova, Diamantina, Serro, Bocaiúva, Gouveia, Curvelo, Três Marias, Paracatu, Caetanópolis, Cordisburgo e Paraopeba.

Outra lista de cidades bem sugestivas: Montes Claros, Teófilo Otoni, Caratinga, Cataguases, Leopoldina, Muriaé, Ubá, Itapeva, Paula Cândido, Araguari, Ituiutaba,Tupaciguara, (terra de meu amigo, o saudoso goleiro Marcial),  Lavras, Alpinópolis, Araxá, Patos de Minas, Patrocínio, São Gotardo, Ibiá, Uberaba, Uberlândia, Unaí, João Pinheiro, Sacramento, Campos Altos, Lagoa da Prata, Dores do Indaiá, Moema, Arcos, Bom Despacho, Araújos, Saúde (Perdigão)  - e não posso esquecer minha terra querida, Santo Antônio do Monte, sempre festeira e emérita fogueteira, cujos rojões enfeitam as noites juninas em todos os Estados do Brasil.

Por falar em foguetes, aquele conselho de sempre: atenção redobrada ao manusear esses produtos, respeitando as regras de segurança. Muito cuidado com as crianças por perto e a proximidade com as fogueiras acesas e faiscas. As festas juninas nunca podem ser um risco e um fator de insegurança para as pessoas.

             O SUCESSO DO ARRAIAL DE BELO HORIZONTE
 
O entusiasmo dos jovens garante o sucesso do concurso de quadrilhas.

Organizada todos os anos pela Belotur, a festa junina de Belo Horizonte se tornou uma das principais comemorações do nosso calendário turístico, só perdendo em prestígio para o Carnaval-  que melhora a cada ano, visivelmente. O festival de gastronomia se torna cada vez maior e melhor,  também.  Assim, ao lado das tradicionais comidas típicas,  doces  e caldos das festas juninas, um grupo de restaurantes e o Mercado Central de BH tratam de oferecer vários tipos de pratos tradicionais mineiros, sem estagnar no feijão tropeiro, frango ao molho pardo, costelinha com canjiquinha, frango com quiabo e angu e ora-pro-nobis. Será grande, nas  celebrações juninas, a competição entre as cervejas comuns e as  artesanais - disputa acirrada por mais prestígio e busca de dinheiro.

A Praça da Estação estará lotada e com policiamento especial nos dias 28 e 29 e 30 de junho, e continuando na disputa final dos melhores grupos de quadrilhas dias  6 e 7 de julho. Se houvesse uma divulgação mais intensiva, criativa e eficiente, feita por gente que trabalha com prazer e alegria, os jornais, rádios e TVs já estariam mostrando reportagens dos ensaios nos bairros e matérias especiais com nomes e imagens e fotos dos jovens que concorrem no Grupo Especial,e dos que ficam no Grupo de Acesso. Cada quadrilha participa com 30 dançarinos, no mínimo, com lindos vestidos rodados de chita, algodão comum, sedas e outros tecidos mais caros. Um vestido desses custa acima de R$ 200. Os rapazes  vão de tênis, jeans, calça de brim e camisa quadriculada.

Esses grupos de quadrilha nascem nas associações de bairros e são apoiados por lideranças comunitárias. A maioria dos jovens estuda e trabalha, mas alguns estão desempregados. Fazem rifas e sorteios para juntar dinheiro e cada um compra sua fantasia. Não é como nas escolas de samba do Rio, que vivem do dinheiro da contravenção, milícias e traficantes de drogas - todos bandidos.

Em BH, tais grupos de jovens se exibem dançando quadrilha nos clubes sociais, como no Campestre, Olímpico, Iate, PIC Pampulha, Jaraguá, Serra del Rei e outros - e sempre com grande sucesso. Para aumentar a presença de turistas no Arraial de Belo Horizonte, os principais hotéis da Capital de Minas deviam oferecer (e divulgar) pacotes especiais de hospedagem no período. Tudo  é questão de melhor organização e planejamento. Saber promover e comercializar.

Vários desfiles estão previstos, saindo do Parque Municipal e chegando à Praça da Estação (Ruy Barbosa), onde as grandes festas populares acontecem. Haverá também uma mistura de sons e ritmos, e o território sagrado dos baiões e forrós será invadido por grupos de rock, música axé e ritmos baianos, frevo pernambucano, violeiros e sanfoneiros avulsos tocando por esporte ou em busca de alguns trocados.  A maioria dos grupos de quadrilha tem sua própria banda  ou recorre às gravações. E a música junina mais tocada é aquela que fala: - "Com a filha de João, Antônio ia se casar /mas Pedro fugiu com a noiva, na hora de ir pro altar".

Algumas barracas e espaços de lazer do Mercado Central vão estar enfeitados, e no Mercado Distrital do Cruzeiro vai desfilar o grupo carnavalesco Baianas Ozadas. Outras atrações previstas são o Forró do Girassol, no trevo das Seis Pistas. Santa Tereza, o mais festeiro de nossos bairros, vai botar pra quebrar nas festas juninas, movimentando clubes e bares da região. E algumas das festas vão se estender ao mễs de julho, como a tradicional junina no Clube Campestre de BH, prevista para 12 de julho, sexta-feira, e o tradicional Forró do Capão, numa fazenda em Sabará,  confirmado para 6 de julho, sábado, a partir das 20h, com dupla caipira e DJ.

Além da Capital, haverá bailes e quadrilhas em clubes de Contagem, Betim, Lagoa Santa, Sabará, Sete Lagoas, Pará de Minas, Divinópolis, Esmeraldas, Nova Serrana e outras cidades próximas. Haja caipirinha, quentão, canjica, leitão assado, torresmo à pururuca e churrasquinhos de boi, porco e queijo de coalho.



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NOTA: para quem vai viajar dentro de Minas ou Estados vizinhos no feriado de Corpus  Christi, na próxima quinta-feira, dia 20, nunca é demais fazer um alerta: cuidado cada vez maior com as traiçoeiras estradas de Minas,estaduais ou federais, todas mal sinalizadas, com faixas de informação cobertas pelo mato à beira das rodovias, muitas pontes sem grades protetoras. O desgoverno do sumido Fernando Pimentel conseguiu piorar o que já era muito ruim. Estamos entregues à nossa própria sorte. Extremo cuidado, pois. Beber e dirigir, nunca.Ultrapassar em faixa dupla contínua, jamais.


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Belo Horizonte/Minas Gerais - Brasil
16 de junho de 2019
Editor - Hélio Fraga
Postagem e edição - Ana Cristina Noce Fraga

segunda-feira, 27 de maio de 2019

BRASIL NÃO ESTÁ PREPARADO PARA 100% DE ESTRANGEIROS NA AVIAÇÃO COMERCIAL

Vai aumentar a presença de companhias estrangeiras no Aeroporto de Guarulhos, o maior do Brasil

Agora que tudo está  decidido, com a aprovação dos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal - permitindo que haja participação de 100% de capital estrangeiro na aviação comercial brasileira -, continuo pensando aquilo que sempre pensei, sem mudar uma vírgula (e já escrevi tanto sobre isso nas edições do falecido Caderno de Turismo do "Hoje em Dia"): o Brasil não está preparado para essa grande reviravolta. Significa abrir as pernas para a aviação estrangeira (leia-se norte-americana, canadense e talvez europeia) , quando as companhias nacionais estão frágeis, descapitalizadas e vulneráveis - a Azul é a honrosa exceção, como sempre. Ela própria, que se diz brasileira, com forte participação de fundos de investimentos americanos.

Não se trata de privatizar a Latam, Gol, Azul e o que restou da Avianca moribunda. As companhias consideradas nacionais já têm forte influência estrangeira, pois a Latam é chilena da cabeça aos pés e a Gol ficará  como órfã abandonada se a Delta bater em retirada. As companhias ditas brasileiras carecem de dólares para renovar suas frotas, reforçar seu  caixa e aumentar investimentos em novas tecnologias e melhoria dos processos de manutenção. Esses aportes de capital são necessários, mas não a ponto de descaracterizar nossas empresas e entregá-las na bandeja aos pesos-pesados do transporte aéreo mundial.

O Brasil não pode renunciar à sua autonomia sobre a aviação comercial, protegendo-se através de salvaguardas  - mas não  consigo imaginar uma American, United-Continental, USAir, Delta, Southwest, Air Canada e outras grandes companhias internacionais (petulantes, arrogantes e impositivas) curvando-se humildemente submissas à autoridade (?) da Anac e cumprindo o que ela determinar. Elas já chegam botando banca, com imposições e dispostas a não negociar. Isso aqui não passa, para elas,  de uma nova terra de Marlboro. As companhias aéreas inernacionais sabem tanto que a corrupção impera no Brasil, em todos os níveis, que a Irlandesa Ryanair fez um plano
de crescimento na América Latina, começando pela Colômbia, mas o Brasil foi excluído de propósito
A Latam  é cada vez mais chilena, e controla a antiga TAM
Eu poderia imaginar, no Latim de meus tempos de seminarista, começo dos anos 50, na aurora de meus 15 anos: Consumatum Est - está tudo decidido, isto é fato consumado. Mas espero que o Brasil seja capaz de proceder, neste episódio, com a altivez e o pioneirismo de um país que teve o orgulho de possuir uma Varig, uma Panair do Brasil, uma Sadia, uma Cruzeiro do Sul, uma Vasp e uma Transbrasil. Não pode ser refém das estrangeiras. Não deve renunciar à sua soberania. Não se deixar vender.

Já imaginaram a tragédia de o Inglês ser a língua oficial a bordo de voos com destino a Caruaru, Mossoró, Juazeiro do Norte, Canavieiras, Itabuna, Jericoacoara, Campina Grande, Maragogipe, Corumbá e Lençóis Maranhenses? 


         O VERGONHOSO SUBORNO DO DIRETOR DA GOL

O fato mais deprimente e vergonhoso da aprovação dos 100% de participação do capital estrangeiro nas companhias aéreas brasileiras foi a compra de apoio de governantes, senadores, deputados, ministros e pessoas influentes, para remover todos os obstáculos à medida - e mais grave ainda é o fato de uma das subornadas ser a Abear (Associação Brasileira de Empresas Aéreas) -  logo ela, que tem a missão patriótica de defender o transporte aéreo nacional.

Que a Gol Linhas Aéreas sempre foi uma das financiadoras dos governos petistas, já se sabia há muitos anos, pelo relacionamento de seu presidente Nenem Constantino (de Patrocínio-MG), amigo do peito do hoje presidiário Lula. Desta vez, quem representou a Gol foi seu diretor Henrique Constantino, filho do dono e hoje presidente. A confissão dos subornos consta da delação premiada de Henrique, já homologada pela Justiça, através do juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília. Todos os jornais noticiaram isso,e não se leu um editorial defendendo a soberania da aviação nacional. Jornal gosta de dinheiro, não importa de onde venha.

O intermediário de parte das verbas foi o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM), que teria agido em parceria com o empresário Eduardo Sanowicz,  presidente da Abear, e a propina foi considerada como "beneficio financeiro" para remover os obstáculos à aprovação da entrega da aviação civil brasileira ao capital estrangeiro. Outros beneficiários foram o ex-governador mineiro Fernando Pimentel, cada vez mais enrolado em corrupção, que fez a administração mais desastrosa que Minas já viu, e sua obra se completa com o desmoronamento das barragens assassinas da Vale- que o digam Mariana, Brumadinho e Barão de Cocais. Vergonha nacional.

Estão também envolvidos na delação premiada o ex-presidente Michel Temer,  ex-ministro Geddel Vieira Lima, o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o ex-ministro Henrique Alves, todos do MDB. O aeroduto da Gol Linhas Aéreas beneficiou ainda um filho de Lula (Luiz Cláudio), o ex-senador Romero Jucá (MDB), o senador Ciro Nogueira (PP) e os deputados Vicente Candido (PT), Marco Maia (PT),Otávio Leite (PSDB) e Bruno Araujo (PSDB).

Já que o filho de Lula foi citado, os pagadores de impostos brasileiros gostariam muito de saber quantas vezes ele e seus irmãos já foram investigados pelo Coaf - perguntar não ofende.


AZUL, 1ª LATINA A RECEBER O  AIRBUS A330-900 NEO
 
O pouso histórico do primeiro Airbus A330-900 neo da Azul no Aeroporto de BH/Confins


Já está em solo brasileiro - começando pelo BH/Airport de Confins -, o primeiro Airbus A330-900 neo com a bandeira da Azul, que é a primeira companhia aérea da América Latina a receber este tipo de avião ultramoderno. Tem o prefixo PR-ANZ e capacidade para transportar 298 passageiros, em três classes: a executiva, com 34 lugares; a Econômica Extra, com 108 poltronas (mais espaço); e a Econômica simples, com os restantes 156 lugares. Como a Azul  faz em cada avião referência ao seu nome, e a esta cor,este foi batizado como "O Mundo é Azul".

Vindo diretamente da linha de montagem em Toulouse, no sul da França, o superjato  pousou em Confins na segunda semana de maio, sendo recebido por esguichos de água (como é tradição) ao se aproximar do terminal, indo depois para o pátio da Gol (Centro de Manutenção). Após passar por formalidades legais, vai entrar em ação nas rotas mais longas da Azul, decolando de Viracopos, devendo operar o novo voo para O Porto, no norte de Portugal, na primeira semana de junho. Deve voar também para Lisboa  - por sinal, a TAP retorna em 27 de junho seus A330-900 neo nos voos para BH/Confins.

Segundo o presidente da Azul, John Rodgerson,o novo jato é a última palavra em eficiência e economia de combustível (redução de 14% em relação ao A330 normal). Com ele,a Azul parte para mais um programa de expansão da frota. Já possui 26 Airbus A320neo.




 
INTERESSE EM COMPRAR PARTE DA AVIANCA


Em 31 de março passado,a Azul tinha 220 rotas em operação, e um total de 820 voos diários para 118 destinos, com uma frota de 125 aeronaves e 11 mil empregados. A companhia vem acumulando uma série de prêmios internacionais. Há 8 anos consecutivos, é considerada a melhor companhia regional da América do Sul, além de ser a mais pontual do Brasil.
Mais  duas notícias da Azul:

1) A empresa se desfiliou da Abear, por não concordar com o procedimento da  Associação na condução do processo de divisão do espólio da semifalida Avianca entre Gol e Latam, aumentando a concentração de mercado. Embora sem falar claro, a empresa fundada por David Neeleman sentiu-se preterida, sabendo que estava disputando um jogo desonesto. E a Abear se desmoralizou com a propina da Gol - pena que grande parte da Imprensa não caiu de pau em cima dela.

2) Embora a Justiça seja contra, preferindo decretar a falência da companhia dos Efromovich, a Azul continua disposta a pagar R$ 145 milhões para comprar da Avianca 19 de seus "slots" para voos da ponte aérea entre os Aeroportos centrais de São Paulo e Rio - respectivamente, Congonhas e Santos Dumont. Este é o grande filé da aviação civil brasileira. Claro que Latam e Gol fazem de tudo para não deixar  a Azul entrar. Querem continuar mamando nas tetas da Vaca Dourada.


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PS: Numa homenagem à Itália,  cuja data nacional se comemora em junho, este blog fará uma edição exclusiva sobre Roma e o Vaticano, Milão, Florença, Napoles, Veneza, Siena, Turim, Pisa, Livorno, Padova, Bologna, Genova, San Remo, Portofino,  Capri, Sardenha, Civitavecchia, ruínas de Pompéia etc. Será um guia completo para levar num futura viagem à Itália, com informações atualizadas e dicas de gastronomia e hotéis. A sra. Fernanda  Morici Longobardo,que há anos representa o Enit no escritório de São Paulo,  escreveu um excelente livro sobre as maravilhas da Itália. Ela é minha amiga dos tempos das saudosas festas de premiação da Comissão Europeia de Turismo e sempre representou o Enit como órgão oficial do Turismo italiano nas viagens e premiações. Uma delas aconteceu no Pallazzo Ducale de Gênova.

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Belo Horizonte/MG - Brasil
27 de maio de 2019
Editor - Hélio Fraga
Postagem e edição- Ana Cristina Noce Fraga

Fone: (31) 3282-3377

domingo, 12 de maio de 2019

VETERANOS DA CEMIG EM ÁGUAS DE LINDOIA, MAS SEM PODER PUBLICAR SEUS NOMES

O Hotel Mantovani, com 96 apartamentos em 3 andares,mais do que um 3 estrelas comum


Pela primeira vez como aposentado na Cemig (desde setembro de 1991, após 16 anos de dedicação), tive a oportunidade de participar de um Encontrão dos empregados da maior empresa de Minas - a turma da Velha Guarda, os carregadores de piano, que ajudaram a construir a grandeza da companhia em suas usinas, subestações, linhas de transmissão, redes de distribuição urbanas e rurais, redes subterrâneas alagadas e postes encobertos pelas águas das enchentes e grandes catástrofes. Uma turma de abnegados servidores, pelos quais tenho o maior respeito - muito mais do  que por qualquer ex-presidente, ex-diretores e ex-superintendentes. Os Encontrões são organizados pela AEA/MG,  Associação dos Eletricitários Aposentados e Pensionistas da Cemig em Minas Gerais.

São pessoas movidas por um grande amor à Empresa, verdadeira devoção. Nunca imaginaram que a Cemig, verdadeiro patrimônio e glória de Minas, além de bastante lucrativa, ia passar pelo vexame de ser ameaçada de privatização por um Governo de MG desnorteado e sem diálogo com a sociedade. A grande estrela do programa de palestras em Águas de Lindóia, durante o Encontrão, foi Vanderlei Toledo, DRP dos empregados da Cemig junto à Forluz e à cúpula da Empresa. Muitíssimo bem informado, com um passado de lutas em defesa dos colegas,  e bem assessorado por  Edi Angelo, diretor da AEA/MG, ele mostrou aos aposentados a real situação política face à possibilidade de privatização, que tem de ser aprovada em votação da Assembleia Legislativa de MG.

Mas, a despeito das questões políticas, o clima da viagem foi de bastante descontração e companheirismo. Claro que qualquer casal participante gostaria de guardar cópia deste Blog, visto em 47 países, para mostrar aos filhos e netos, mas num flagrante desrespeito à liberdade de informação, o acesso à lista de nomes dos aposentados foi vetado por ordens superiores, como se a viagem fosse tão secreta que nem o FBI e a CIA poderiam saber.  Foi o predomínio da burocracia e da ignorância sobre a sensatez. Ou uma questão de inveja e despeito. Isto tem de ser contado aqui. Eu me recuso a discutir em baixo nível.


O café da manhã é farto e atende todos os paladares.

Todos os anos, os veteranos fazem um Encontrão, com camiseta alusiva. A escolhida de 2019 foi a acolhedora Águas de Lindoia, de apenas 18 mil habitantes, a menos de 10 km de Monte Sião, com suas porcelanas azuis e suas malhas e bordados.  Este ano, foram sete ônibus levando participantes de quase todas as regiões de Minas, como Zona da Mata, Triângulo, Alto Paranaíba, Sul de Minas, Vale do Rio Doce, Vale do Aço, Oeste de Minas e Belo Horizonte e sua Região Metropolitana, num total de 368 pessoas,  ficando 200 no Hotel Mantovani (que superou as expectativas para um 3 estrelas) e as demais 168 no Hotel Guarany.  Durante as viagens,  duas paragens nos restaurantes da rede Graal, com os banheiros bem cuidados e os preços quase sempre caros.

Cada ônibus  teve uma Coordenadora. Só posso falar daquele no qual viajei, que foi o de Governador Valadares, cujo Coordenador foi Carlos Neri Pimenta, que demonstrou atenção, competência, presença e eficiência. Entre os passageiros, estavam 22 "Cemiguianos" de Valadares, 4 de Ipatinga, dois  de João Monlevade e os demais "agregados" de Belo Horizonte. Embarque com atraso superior a 2 horas, no Domingo de Páscoa, em frente ao Ed. Júlio Soares, Av. Barbacena 1200, no Santo Agostinho. A demora no embarque foi tanta (passando das 23h30) que um dos participantes desistiu e voltou para casa (Milton Sacramento, de BH)

Falei aos ex-colegas que pretendia publicar todos os 368  nomes, ainda que demandassem tanto espaço - mas seria uma homenagem -, porém os guias da excursão criaram todo tipo de dificuldades. O diretor do Hotel Mantovani, Rodrigo, se prontificou a me passar a relação dos hóspedes de cada ônibus, e providenciou um xerox, que me foi subtraído (apropriação indébita) por  uma "Coordenadora" incompetente e prepotente, para rimar. Eu não tinha nada tratar com tal figura inexpressiva. Ela e suas colegas se comportaram como se estivessem de férias, sem obrigações a cuidar. Não fizeram praticamente nada a não ser aproveitar o hotel. Mas ressalto a importância da participação do Cemig Saúde com algumas ações promocionais.

Vendo que as mínimas providências relacionadas com boa educação, civilidade  e bom-senso não seriam tomadas por nenhuma das tais "Coordenadoras", no último dia de viagem (sexta, 26 de abril) fui ao restaurante do hotel, pedi para chamarem o chef de cozinha Marquinhos e cumprimentei-o, juntamente com seus colegas, agradecendo o esforço da equipe de cozinha, que serviu todos os cafés da manhã, almoços e jantares de 22 a 26 de abril. Agradeci aos garçons Lucas, Giovani, Leonardo, João Paulo, Caio, Marcão, Mateus,  Valdemar, Rogério e Serginho. Escrevi de graça, por muitos anos, uma coluna assinada e com foto na página 2 do Caderno Viagem, de "O Estado de São Paulo". Eles sabiam quem sou e o que represento para a Imprensa de Turismo brasileira.

Fui também à Recepção, cuja equipe não recebeu qualquer palavra de gratidão, e lhes dei este recado, já que as "Coordenadoras" não haviam se manifestado. Aliás, elas nem devem saber que são normais, nas excursões, esses gestos de gratidão às pessoas que se desdobraram nos serviços. (Nos navios de cruzeiros, as equipes de cozinha desfilam nos restaurantes  sob aplausos de centenas de passageiros, ao som de Ó Sole Mio).

Voltando ao Hotel Mantovani: havia fotógrafo escalado para a cobertura, inclusive da missa na Igreja de N.S. das Graças, com todos vestindo suas camisetas amarelas,  mas também se esqueceu de montar nos corredores ou na Recepção um mural com suas fotos. Ou, pelo menos, deixar seu nome, endereço e telefones. Falta geral de comunicação- que era obrigação elementar das tais "Coordenadoras". Tudo feito de improviso.

Chegando a BH, esperei a AEA/MG reabrir na segunda-feira, 29 de abril, data da postagem do prometido Blog, mas ocorreu mesmo um  surto de burocracia galopante. Argumentaram que publicar nomes de ex-colegas INVADE  sua privacidade - uma  aberração colossal, burrice,  desculpa esfarrapada. Não sei lidar com pessoas incompetentes e complicadas. Tenho um nome e um conceito a zelar. Pena que só alguns nomes vão sair e começo por Aarão Levcovitz, veterano de várias viagens internacionais (inclusive um cruzeiro de barco pelo Rio Volga, na Rússia), e meus companheiros de ônibus, os também internacionais José Cesário Alvim Figueiredo e Luzia Duarte Figueiredo, já de malas prontas para viajar à Turquia e fazer voos de balão na Capadócia.


     OS POUCOS NOMES QUE FOI POSSÍVEL  ANOTAR
Acabei reencontrando nesta viagem a Águas de Lindoia José Fortunato Mendes, que foi meu ex-colega nos anos dourados do INDI - Instituto de Desenvolvimento Industrial de MG (o órgão está tão ignorado pela Imprensa mineira que até parece que foi extinto). Ao final de tantas administrações estaduais vergonhosas e  desastrosas, Minas Gerais parece estar vivendo um retrocesso interminável, um descalabro generalizado.  As tragédias nas barragens, esse crime da Vale contra o Estado e a população indefesa, são uma espécie de castigo à nossa inoperância.


Tive a oportunidade de rever no Encontrão os diretores da Alpino Turismo, Madelene Salomão Ramos e seu marido Márcio Ramos, que estão organizando uma excursão à Andaluzia, voando com a TAP de 28 de setembro a 9 de outubro, com parte  terrestre a 2.055 euros financiados, incluindo passeios e 10 refeições, e parte aérea a US$ 900 mais US$ 120 de taxas, financiados com 20% de sinal mais onze parcelas sem juros. Inscrições já abertas. Informações na Alpino, Av. Contorno 9215, sala 904, fone (31) 3215-1803. Mais detalhes em futuros Blogs.

Foi um prazer conhecer Almir Guimarães e sua esposa Leia, donos de uma cobertura bem  equipada em Cabo Frio, que alugam por temporada, recebendo inclusive outros colegas da Cemig. Tive ainda a alegria de encontrar João Cesar Nogueira e Wany de Lima; José Geraldo Diniz e Bernadete, de Sete Lagoas; João Vasco Velasco, de Uberaba; Maria Célia Guedes de Oliveira; Leonardo R. de Andrade; Antônio Afonso de Oliveira. Na turma de Uberlândia, destaque para Ivanilde Aleixo Rodrigues, José Agostinho de Souza, José Barbosa Policarpo e Elisa Cândida de Jesus. A se registrar, também, a presença marcante e encorajadora de José Humberto   e Maria Aparecida, de Uberlândia - ele em sua cadeira de rodas.

Apesar de vetada, aqui está a lista de viajantes no ônibus de Gov. Valadares, com os respectivos nomes e números das poltronas: 1) Tereza; 2) Maria Lúcia; 3) Rosimary; 4) Eunice (todas de Ipatinga); 5) Rita Magda; 6) Ivo; 7) Dirley; 8) Guiomar; 10) Maria da Glória; 11) Ruth; 12) Dilson Araujo; 14) Dorotéia; 15/16, Girano e Cristina; 17/18), Helio e Ana Maria; 19) Zuleika; 20) Marislane; 21/22), Cesário e Luzia; 25/26), Paulino e Raika; 24) o guia Carlos Néri; 29/30), João Fidélis e Ângela: 27/28), João Batista e Vera; 31/32), Geraldo e Deise; 37/38), João Luís e Elisabeth; 39/40), Hélio Ricardo e Beatriz; 41/42), Luíza Maria e Maria Leonor;  e 43, Fernando.


Aproveitando a presença da Velha Guarda da Cemig na estação termal paulista, circulou entre os visitantes um abaixo-assinado ao prefeito Gil Helou, pedindo providências imediatas para a instalação de um teleférico do centro da cidade  ao Cristo Rei, num dos pontos mais altos de Águas de Lindoía. O turismo na região  só tem a ganhar com isso. A cidade possui um Balneário bem equipado,com banhos medicinais a R$ 50, metade do que custam nas estâncias hidrominerais de Minas.


  CEMIG, VERDADEIRO PATRIMÔNIO DOS MINEIROS

 

Na Av. Barbacena 1200, em Santo Agostinho, a sede da Cemig - o Ed. Júlio Soares


Nós, veteranos da Cemig,  não conseguimos sequer assimilar essa obsessão pela privatização da Cemig, sendo tão respeitada mundialmente e tão lucrativa, e ainda (e acima de tudo) empresa-modelo do combalido setor elétrico brasileiro após o furacão Dilma, que nos levou ao fundo do poço. Imaginamos que podem ser privatizadas, de preferência, as empresas deficitárias, desorganizadas e ineficientes. Graças à sua produtividade e decantada  competência, a Cemig soube resistir a todos terremotos, vendavais e tufões, principalmente os que teve de enfrentar nos governos Lula e na calamitosa gestão Dilma, que causou prejuízos de bilhões de reais ou dólares à empresa, e praticamente lhe tomou quatro usinas que o povo mineiro ajudou a construir com sacrifícios, pagando inclusive com empréstimos do BID-Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Banco Mundial. Dilma conseguiu - com sua ignorância, despreparo e incompetência - o desmoronamento e destruição do setor elétrico brasileiro, que ficou irreconhecível, quando a gente se lembra da pioneira Cemig de JK, da Companhia Força e Luz de Minas Gerais,  e de Itaipu, Furnas, Eletrobrás, Cesp, Eletropaulo, Cia. Paulista de Força e Luz, Copel, Coelce, Coelba e todas as tantas empresas arrasadas.

A Cemig é nossa, patrimônio e glória de gerações de mineiros. Reparem que, em cada cidade, a primeira presença da civilização foi do poste da Cemig, em cada loteamento,  antes mesmo da rede de água e abertura das ruas através de suas redes urbanas e rurais,e de seus programas sociais. Tudo que se entende por progresso em Minas começou pelos postes de madeira ou concreto da Cemig. Nunca imaginamos ver a Cemig loteada entre políticos e tendo uma folha paralela de protegidos petistas ganhando muito sem fazer nada. Nem nos piores pesadelos vimos a manjadíssima  Andrade Gutierrez como uma de suas donas - ela que ganhava  concorrências para construir suas usinas.
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Senti, nas conversas  com os  colegas aposentados "Cemiguianos", que eles consideram a privatização um desrespeito ao povo das Alterosas, já tão roubado pelas mineradoras. Muitos deles  são favoráveis a que os empregados se unam e se candidatem à compra da Empresa. Eles imaginam, por exemplo,que a aquisição da Cemig por investidores chineses (seu valor patrimonial é de R$ 22 bilhões) significa a perda daquilo que temos de mais valioso na Empresa - que são a Forluz e o Cemig Saúde. Ou seja, tudo aquilo que representa e assiste aos 12 mil aposentados e pensionistas, e os 5,5 mil empregados ativos. Ficaremos totalmente desassistidos - nós e nossos filhos,  netos e bisnetos.

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PS: Como decidi não preencher o formulário de avaliação do Encontrão, registro apenas que o Hotel Mantovani, com seus 96 apartamentos em 3 andares, oferece mais do que um 3 estrelas comum - com bela decoração, jardins muito bem cuidados (um show de paisagismo e bom gosto), comida muito boa e serviço de boa qualidade. Senti no diretor Rodrigo Mantovani uma grande vontade de acertar. Ele espera aumentar a presença de grupos mineiros nas estâncias paulistas - como Águas de Lindoia e Serra Negra. Os preços de roupas na região são tão baixos que a gente custa a acreditar.

Sua linda cidade, com ótimo comércio, fica a 190 km da capital de São Paulo. Estradas ótimas e bem conservadas e asfalto novo, ao contrário de Minas. Partindo de BH, o acesso é por Pouso Alegre, via Fernão Dias. Diárias a R$ 330  nos dias úteis e R$  470 nos finais de semana. Não há taxa de 10% nem ISS. Um dos destaques do hotel é seu conjunto de piscinas aquecidas, com quatro hidromassagens interligadas à piscina principal. A portaria oferece passeios a Serra Negra a R$ 20 por pessoa, e um giro pela cidade num trenzinho a R$ 15. De hora em hora, há ônibus a apenas R$ 2 para Monte Sião, cidade linda, que vale a pena conhecer.


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Belo Horizonte/MG - Brasil
12 de maio de 2019

quinta-feira, 2 de maio de 2019

AYRTON SENNA DO BRASIL: 25 ANOS DEPOIS, RESTA UMA GRANDE SAUDADE



Passados 25 anos  depois da tragédia que tomou de assalto os nossos corações,  num domingo de céu azul, dia 1º  de maio de 1994, no Circuito de Imola, em San Marino, é como se essas duas décadas e meia no relógio do tempo não tenham acontecido, porque o povo brasileiro não esqueceu Ayrton Senna do Brasil, nem as alegrias que ele lhes deu nas corridas de Fórmula 1. O legado do grande Senna, tricampeão mundial de automobilismo -  por muitos considerado o maior piloto de todos os tempos -, persiste de maneira intensa, e ele continua vivo na memória e no coração dos brasileiros. Feliz de quem o viu no auge de sua carreira, feliz de quem chorou por ele - porque são  lágrimas abençoadas.

Tenho de falar dele hoje, é um imperativo de consciência, pois vivi tudo isso de uma maneira intensa por circunstâncias da minha profissão. Tenho orgulho deste passado. Nunca reneguei o Esporte, ou o considerei uma tarefa  secundária. Fui colunista e editor de Esportes por quase 3 décadas em jornais de Minas, inclusive por 17 anos no maior deles (Estado de Minas), respeitado nacionalmente. Assinei colunas e matérias esportivas nos jornais "Diário de Minas", "Correio de Minas" e revista "3 Tempos", semanários "Binômio" e "Jornal de Domingo", e fui responsável por programas esportivos na TV Itacolomy, canal 4 (Bola na Área), TV Alterosa, canal 2 (Esporte, Urgente); e TV Belo Horizonte, canal 12 (As Duas Faces do Esporte)  na futura Rede Globo. 



No jornal "Hoje em Dia", além do Caderno de Turismo por 26 anos, fui editor (sem salário) de um Caderno de Veículos, onde participei de lançamentos de automóveis no Brasil e exterior, a convite de montadoras brasileiras e internacionais, quase sempre com participação de Leonardo Senna, irmão de Ayrton, muito ligado à Audi. Minha admiração por Ayrton Senna não teve limites, sempre o considerei o maior cidadão brasileiro de todos os tempos, acima de Pelé.

Senna deu aos brasileiros, e ao esporte mundial, reiterados exemplos de dedicação, responsabilidade, superação dos próprios limites e perfeccionista nos mínimos detalhes. Corajoso ao extremo, frio e  calculista nas decisões mais difíceis - como fazer uma ultrapassagem considerada impossível no mais perigoso circuito do mundo, que é o GP de Mônaco, em Monte Carlo. Senna tentava superar a si próprio, um eterno insaciável. Essa gana de vencer, superando-se, foi sua marca registrada e sua herança.

              O MAIOR PILOTO DE TODOS OS TEMPOS

Não vi o argentino Juan Manuel Fangio correr, e o que sei dele é aquilo que  imprensa publicou  - foi realmente um  grande piloto, e elevou o nome de seu país às alturas, mas são escassas as imagens de suas corridas e os carros eram menos potentes. Mas, nesses anos todos de carreira, acompanhando a Fórmula 1 pela imprensa  desde 1956, e como jornalista desde 1960, assisti a diversos GPs disputados por Jim Clark, Jackie Stewart, Jack Brabham, Nicl Lauda, Alain Prost,  Nigel Mansell, Michael Schumacher, Ronnie Petterson, Kimi Haikkonen, Jean Alesi, Riccardo Patrese, Graham Hill, o belga Thierry Boutsen (o maior amigo de Senna nas pistas, Gehrard Berger (outro amigo íntimo), Ivan Capelli, Jos Verstappen, David Coulthard, Alessandro Nannini, Derek Warwick, Mika Haikkonen, René Arnoux,  Andrea de Cesaris, Aguri Suzuki, Satoru Nakajima, François Cevert, Jochen Rindt, Jo Siffert, Michele Alboretto, Clay Regazzoni, Niki Lauda, José Carlos Pace,  Maurício Gugelmin, Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Roberto Pupo Moreno  e tantos outros, até chegar aos tempos modernos de Fernando Alonso, Felipe Massa, Rubens Barrichello e a geração atual, onde o inglês Lewis Hamilton é disparado o melhor de todos (por sinal, grande fã de Senna e nele se inspirou).

Ayrton Senna do Brasil, para mim, foi o maior de todos, chegando ao máximo de perfeição que um ser humano pode atingir - pois a perfeição absoluta está em Deus. Seus números na Fórmula 1 são difíceis de alcançar, embora já tenham sido superados. Ao morrer tão violentamente, ao vivo e a cores na TV, naquele fatídico 1º de maio de 1994, na curva Tamburello do autódromo de Imola, em San Marino, ele contabilizava 161 GPs disputados, 65 pole positions (largar em 1º lugar), 2.982 voltas na liderança e 41 vitórias, conquistando 3 títulos mundiais, todos com a escuderia McLaren e motor Honda. E Senna com seu tradicional capacete verde e amarelo, com o escudo azul do Banco Nacional, mineiro de origem (família Magalhães Pinto).

A trajetória do mito Senna é impressionante: primeiro título brasileiro de kart em 1978; vice-campeão mundial de kart em 1979; novamente vice-campeão em 1980; campeão inglês de Fórmula Ford 1600 em 1981; campeão inglês de Fórmula Ford 2000 em 1982 e campeão inglês de Fórmula 3 em 1983 com recorde de vitórias - já nesta época tinha admiradores no cenário internacional, pois era uma realidade e não mais uma promessa. A Fórmula 1 já o esperava, num patamar mais alto.

Foi assim que Senna fez sua primeira pole position no GP de Portugal, disputado no circuito de Estoril,onde conseguiu sua primeira vitória pela Lotus. Os brasileiros despertaram para Senna e rapidamente o transformaram em ídolo, e as manhãs de domingo se tornaram um encontro das famílias dos torcedores com o piloto. Senna firmou seu conceito com sucessivas vitórias, fruto de sua competência e com sobras de dedicação, comprometimento, persistência, idealismo e coragem (muita coragem). Aí começou também sua rivalidade com o piloto francês Alain Prost, porque, a bordo de uma McLaren vermelha e branca, igual tecnicamente à de Senna,ele nunca conseguia tempos iguais aos do  brasileiro nas pistas. Uma rivalidade que ganhou repercussão mundial através das grandes revistas esportivas inglesas, francesas e alemãs.

Pilotando as McLaren de números 1,  8 e 12, e impondo seu talento em cada circuito da F-1, Senna esbanjou talento e categoria, e colocou sua vida em risco em cada prova disputada em Monte Carlo, Monza, Spa-Francorchamps, Barcelona, Jerez de la Frfotera, Hungria, Hockenheim, Nurburgring, Melbourne, Montreal, Paul Ricard (Le Castelet), Zandvoort,  Cidade do México, Estoril, Silverstone, Phoenix-EUA, Zeltweg etc. 

A cada domingo de festa na Fórmula 1, os brasileiros vibravam e se emocionavam ao ver Senna segurando a Bandeira Nacional ao dar sua volta triunfal, após mais uma vitória. Naquela época, o Brasil estava no fundo do poço: moeda desvalorizada, inflação de 85%, desmoralização da classe política, greves de metalúrgicos, invasões de terras etc. Senna era nosso antídoto contra esses flagelos. Suas vitórias eram nossa alegria e conforto moral. Ele fez mais pelo Brasil do que todos os nossos governantes, em todos os níveis.

Enquanto a imagem política e econômica do Brasil era péssima (inclusive terra sem lei, explorador de turismo sexual no Nordeste, mau pagador e país caloteiro), Senna mostrava ao mundo um Brasil diferente -  forte, respeitado e vencedor. Merecia ter seu nome em cada cidade média deste país: Praças Senna, Avenidas Senna, Ruas Senna. Muito melhor do que ter avenidas e praças com os nomes de governantes ladrões, corruptos e desmoralizados, ditadores, interventores, exploradores do povo, gangsters da política mais baixa que se pode imaginar. Ainda há tempo para se corrigir essa injustiça que já dura 25 anos. Eu me espanto que Belo Horizonte nunca tenha colocado Ayrton Senna como patrono de uma de suas avenidas principais. Alguns dos nomes escolhidos como patronos de ruas e avenidas em BH nos envergonham.


               O MAIOR ENTERRO QUE O BRASIL JÁ VIU 

Acredito que Senna já estava morto na pista quando seu corpo foi levado,numa maca, ao helicóptero vermelho e branco número 118, que o transportou ao Hospital Maggiore de Bologna. Aquelas declarações de "nessuna speranza" (nenhuma esperança) pelo corpo médico do hospital foram uma forma de ganhar tempo para confirmar oficialmente  sua morte. Com a violência do choque a 350 km por hora, um braço da transmissão do Williams nº  2 perfurou seu capacete e atingiu em cheio sua cabeça. Aquela era a maior notícia do mundo em 1994.

Uma colossal comoção popular  cercou a morte de Senna. Parece que o Brasil inteiro  ficou órfão: crianças em pranto, pessoas chorando nas ruas, uma tristeza profunda,  luto nacional. Quatro dias depois da tragédia de Imola, o corpo do piloto tricampeão mundial foi trazido de Milano-Malpensa, na Itália, ao Aeroporto de Guarulhos, dia 5 de maio, pelo MD-11 da Varig, prefixo PP-VOQ. Era tanta gente ao longo do percurso até o centro de São Paulo que o Brasil inteiro parecia reunido na cidade natal dele para lhe prestar esta última homenagem. Eram milhares de pessoas, de todas as classes sociais, unidas na mesma dor. Milhares de bandeiras verde e amarelas. As aulas nas escolas paulistas foram suspensas. Parte do comércio cerrou as portas.


Durante horas, os órfãos desamparados de Senna desfilaram ao redor da urna, com filas gigantescas protegida por cordões de isolamento. Havia de tudo ali: duas viúvas extra-oficiais (Xuxa e Adriane Galisteu), presidente da República (Itamar), governadores, embaixadores, ministros, prefeitos, autoridades em todos os níveis, nomes famosos das artes e, principalmente, gente comum, sem títulos e sem pompas, operários e estudantes, mães de família, cuja dor certamente era mais sincera. Alain Prost veio de Paris para segurar a alça do caixão, ao lado de gente do mundo do automobilismo - e não houve qualquer reação à sua presença. Ainda em vida, ele e Senna resolveram suas diferenças.

Em caminhão vermelho do Corpo de Bombeiros, precedido por baterias de policiais motorizados e tropas da Cavalaria - e seguido por milhares de pessoas -, o corpo de Senna foi levado para sepultamento no cemitério do Morumbi. Seu túmulo, visitado ainda hoje por dezenas de pessoas, e cheio de flores, está coberto pela placa dourada:  "Nada pode me separar do amor de Deus". QUE GRANDE FINAL!!!

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PS: Um aviso aos veteranos "Cemiguianos" que participaram do último Encontrão da Velha Guarda da AEA/MG, na semana passada, na estância paulista de Águas de Lindóia: o prometido Blog sobre esta viagem sai no próximo final de semana,  podem ficar atentos. Querem nos tomar nossa Cemig, que é poderosa, organizada e muito lucrativa. Ela tem de ser tratada como patrimônio de cada cidadão mineiro. Fora com os aproveitadores, que já roubaram muito dela, impunemente.



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Belo Horizonte/MG - Brasil
Dia 1º de maio de 2019
Editor -Hélio Fraga
Postagem - Ana Cristina Noce Fraga