quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

SAUDADES DE MARCO AURÉLI0, 51 ANOS, PILOTO MUIT0 COMPETENTE E IDEALISTA




Não se falou deles tanto quanto eles mereciam, até parece que se tentou fazer uma cortina de silêncio sobre o acidente aéreo perto de uma fazenda em Jequitaí, no norte de Minas,  que  vitimou o comandante Marco Aurélio Gori de Carvalho, de 51 anos, e o copiloto Oliver Schnitzer de Oliveira, de 39 anos, que levavam num jato Cessna Citation o casal Adolfo R. Geo, titular do Grupo ARG rumo a uma de suas fazendas.

Talvez nunca se chegue à verdade final, e as mortes fiquem sem explicação. Não é um acidente aéreo comum que um jato se parta ao meio na aterrissagem, com o argumento de que tenha se acidentado - sob mãos tão gabaritadas e competentes - ao se chocar com um pivô metálico para irrigação de terras.Nas primeiras 48 horas, se especulou muito sobre possível sabotagem aérea, com o envolvimento da família Geo em suborno de R$ 1 milhão do notório Instituto Lula patrocinando o governo corrupto da Guiné Equatorial para conseguir novos contratos de estradas e viadutos.

O jato da ARG decolou da Pampulha excepcionalmente cedo, às 5h30, sob condições adversas (nevoeiro e chuva). Havia a suposição de que um dos filhos de Adolfo - Rodolfo Gianetti Geo - fosse acompanhar o pai na visita à fazenda,e ele tem delação premiada agendada na Operação Lava-Jato em Curitiba - o que explicaria a tese da sabotagem nos moldes dos acidentes aéreos do ministro do STF Teori Zavascki em Angra dos Reis e do candidato presidencial Eduardo Campos em Santos.

Que se investigue tudo, e com profundidade. A Polícia Federal não pode ficar de fora, porque certos silêncios significam cumplicidade e tentativa de encobrimento de culpados. Somos realmente um país de memória curta. A cobertura do acidente de Jequitaí foi escassa na imprensa mineira, na televisão principalmente. Os nomes do comandante e do copiloto sequer foram citados (falta de respeito). Não conheci Oliver, e registro meus pêsames à sua família (era pai de 2 meninas, com 5 e 3 anos);  mas era amigo pessoal dele, e fiz questão de  comparecer ao velório do comandante Marco Aurélio, no Memorial da Colina,onde foi posteriormente cremado. Capela superlotada, e abarrotada de coroas de flores. Dezenas de pilotos da ativa ou aposentados em volta de sua urna. E Padre Jefferson Moreira emocionou  os presentes por suas palavras (ele celebrou o casamento de Juliana e Marco Aurélio há 18 anos).

Era  uma das notícias mais importantes do dia. Não se viu sinal da Globo, Record,  Alterosa, Band e Rede Minas. A missa de 7º  dia de Marco Aurélio, no domingo, às 18h, lotou a Igreja de Santo Antônio na Contorno. Foi consagradora. Sua viúva Juliana deve ter saído de lá fortalecida por tanto apoio moral. A filhinha Anna Victória, de 10 anos, colega de minha neta Mariana na 5ª série do Colégio Sagrado Coração de Maria, ficou com parentes. Ela adorava o pai, e vice-versa.

Espero que o Grupo ARG, que é bilionário, ajude a cuidar dela, e das filhas do copiloto Oliver.


COMPETENTÍSSIMO, E APAIXONADO PELO GULFSTREAM

Na missa de 7º dia de Marco Aurélio, emocionada, Juliana chegou perto de meu neto Rafael e lhe disse: - Rafael, ele adorava você. Tinha o maior respeito pelo seu conhecimento da aviação tendo apenas 10 anos.Admirava que você conhecesse as logomarcas das maiores companhias aéreas do mundo. Ele sabia que foi o Vovô Hélio  quem despertou em você esse amor pela aviação.


Marco Aurélio sabia que  já voei por 117 companhias internacionais,e muitas delas nem existem mais,como Pan Am, Braniff, Eastern,  National, TWA, Western Airlines, Mackey, ,Aerolineas Peruanas, AeroPeru, Ladeco, Varig, Panair do Brasil, Cruzeiro do Sul, Lloyd Aéreo Brasileiro,Vasp, Transbrasil, Fly, Total, Nordeste etc. Por coincidência, uma de minhas paixões recentes foi o super jato executivo Gulfstream, cujo  modelo avançado ele pilotava para a família  Geo nas suas viagens à África.

Marco Aurélio nunca foi  superstar, mesmo sendo  um dos mais competentes e respeitados comandantes da atual aviação mineira, instrutor de vários jovens pilotos, que o chamavam de Marcão. Estimadíssimo no  meio aéreo, ele transmitiu aos alunos essa paixão pelo conhecimento e especialização,destacando a importância  de todos evoluírem e estarem sempre atualizados.

Ele perdeu o pai há um pouco mais de um ano, mas dona Angela, sua mãe, tem dado a maior força a Juliana e Anna Victória. Marco Aurélio tinha duas irmãs e um irmão, Cristiano, que está há dois anos nos Emirados Árabes, sendo piloto da Fly Dubai, que opera uma grande frota de Boeing 737 da série Maxi.Ele veio do Oriente  Médio para o funeral do irmão e reencontrou vários amigos no Memorial da Colina. O velório  foi atrasado para o  dia seguinte à espera dele. Várias companhias de táxi aéreo e Escolas de Pilotagem enviaram coroas se despedindo do amigo  Marco Aurélio, que não será esquecido.

----------------------------------

Belo Horizonte-MG, Brasil
Dia 4 de dezembro de 2018
Editor- Helio Fraga
Postagem e edição - Ana Cristina Noce Fraga

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

GRAMADO, UMA DAS CIDADES MAIS RICAS DO BRASIL - FESTURIS, 30 ANOS DE SUCESSO

O Natal Luz 2018 promete ainda mais atrações e novidades


Um Festival de Turismo, idealizado por duas mulheres dinâmicas e idealistas - Marta Rossi e a inesquecível Silvia Zorzanello  - transformou Gramado, na Serra Gaúcha, numa das cidades mais ricas do Brasil.Começou em agosto de 1988 e está comemorando 30 anos agora, de 8 a 11 de novembro, com expectativa de recorde de presenças e fechamento de negócios.O Festuris, como é chamado, mudou para sempre a vida de Gramado e todo o seu entorno - as vizinhas Canela, Nova Petrópolis, Taquara e São Francisco de Paula.E se estendeu por Garibaldi, Carlos Barbosa, Bento Gonçalves, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Caxias do Sul. Novos e modernos hotéis, cafés coloniais, lojas de móveis finos, restaurantes, cantinas, casas de fondue s shoppings. Tudo florido e impecavelmente limpo. Talvez Gramado seja a cidade mais bem cuidada do Brasil.

Gramado, considerada a capital da Serra Gaúcha, sempre foi um dos destinos turísticos preferidos da região, no tempo das excursões de ônibus pelo Sul do Brasil, Uruguai e Argentina. O desenvolvimento de toda a região está à vista: aqui não há desemprego,nem violência urbana, nem pobres pedindo esmola nas esquinas, nem greves e manifestações populares, nem incêndios de ônibus urbanos, nem crianças abandonadas nas ruas. Respira-se  felicidade por todos os cantos do Gramado. Nem parece Brasil nesses tempos de ódio, medo e intolerância, como comprovaram as eleições de outubro. A vitória de Jair Bolsonaro foi arrasadora  no Rio Grande do Sul - teve oito em cada 10 votos.

Marta Rossi comanda o sucesso do Festival de Turismo de Gramado
Respira-se progresso por toda parte em Gramado: cidade muitíssimo bem cuidada, e com decoração de gala nas praças e ruas enfeitadas para mais um Natal Luz, recordista de visitantes - mais de 1,2 milhão de turistas de novembro a fins de janeiro. Projeções mais audaciosas estimam que pode chegar a 1 milhão e meio e 2 milhões de turistas.O Natal Luz começa em novembro, juntamente com a edição do Festuris.
Antes do início do Festuris, dia 7 de novembro, a direção da empresa Rossi & Zorzanello Feiras e Empreendimentos, com iniciativa da Câmara Municipal de Gramado,  presta uma homenagem ao jornalista Horácio Neves, natural de Portugal,um dos mais respeitados e laureados profissionais da imprensa de Turismo do Brasil. Foi editor do Caderno de Viagens Turismo da Folha de SP por 25 anos, e há mais de 35 anos edita o Brasiluris Jornal.

A Serra Gaúcha lhe agradece seu apoio e ele vai receber o Troféu Silvia Zorzanello, em sessão solene na Câmara de Vereadores de Gramado, às 18 horas. O troféu foi criado para ser dado a profissionais e empresários que ajudaram a promover e valorizar Gramado. O Turismo foi o alicerce do progresso da região. Sem Marta e Silvia juntas, com sua energia e idealismo, nada disso teria sido possível nessas 3 últimas décadas.
Horácio Neves foi um dos grandes apoiadores da expansão do Turismo em Gamado
        UM FESTIVAL CADA VEZ MAIS INTERNACIONAL

De tão bem estruturado no final dos anos 80, o Festival de Turismo de Gramado rapidamente se transformou na segunda maior feira de viagens do turismo brasileiro, atraindo países vizinhos do Cone Sul e depois se estendendo a toda a América do Sul, América Central, Caribe, América do Norte e atraindo as atenções dos principais países da Europa, África, Emirados Árabes, Austrália, Nova Zelândia e regiões da Ásia e Pacífico. Atualmente, mais de 60 nações são representadas na feira de turismo aberta no Serra Park,utilizando área de exposições de 22.500 m2.

Desde os primeiros anos, o Festuris sempre teve apoio dos países que integram a Comissão Europeia de Turismo, como Portugal, França, Itália, Espanha, Alemanha, Turquia, Suíça, Grécia, Bélgica, Holanda, Áustria, Luxemburgo, Mônaco e toda a Escandinávia.A feira de turismo fica aberta de 14h às 20h, na sexta e sábado, dias 9 e 10 de novembro. A sessão solene de abertura será no Palácio dos Festivais, dia 8, às 20h, com a presença de autoridades e lideranças do turismo brasileiro, entidades de classe, prefeitos da região e representantes  dos Três Poderes. (Por questão de linha editorial, já que não deve nada a ninguém, este blog não cita os nomes de ministros, secretários de Estado, prefeitos, deputados e presidentes de entidades ligadas ao Turismo).
São dois dias de muita movimentação no Serra Park de Gramado
Haverá sessões técnicas, com a presença de cerca de 100 palestrando, abordando vários temas vinculados ao turismo brasileiro  mundial. Está confirmada a presença de delegações de representantes dos EUA, Canadá, Japão, Tailândia,Singapura; diretores de companhias aéreas brasileiras e internacionais (como Azul, Emirates, Qatar Airwayss, Etihad, Copa Airlines, Turkish, Latam, Avianca e Gol -esta, uma das parceiras principais do Festuris. Estarão presentes também diretores e representantes de empresas marítimas, com Norwegiian-NCL, MSC, Royal Caribbean, Princess Cruises, Holland America, Costa, Pullmantur, Carnival, Celebrity Cruises e  outras.


Entre os países e atrações com estandes no Serra Park: Mônaco, Califórnia, Flórida, Nova York, Los Angeles, ilhas de Aruba e St. Maarten, Israel, Emirados Árabes,Cuba, Itália, India, Rota da Bairrada (Portugal), Catalunha, Uruguai, Chile, Argentina, Peru,Paraguai, Colômbia, Equador, México, Galícia, ilhas Turks e Caicos, Las Vegas, Noruega, Marrocos, África do Sul, Panamá, Costa Rica, Guatemala, Riviera Mexcana,San Francisco, Chicago, Boston, Filadélfia, Nova Jérsey, Atlanta, Miami Beach,Orlando, Disney World, Sea World, Busch Gardens e dezenas de outras atrações mundiais.


Decoração de Natal no quarteirão do Hotel Serra Azul de Gramado

O 30º Festuris terá cobertura de 300 jornalistas brasileiros e estrangeiros.Um das novidades deste ano são voos de helicóptero sobre a Serra Gaúcha, a baixo custo. Estudantes de jornalismo e turismo serão admitidos na feira, da qual devem participar  14 mil profissionais de operadoras e agências de viagens.Se alguma empresa mineira vai participar, se esqueceu de nos informar.


    DIA 13, ALMOÇO DO INDI NO HOLIDAY INN DA SAVASSI

Veteranos do INDI, Instituto de Desenvolvimento Industrial de Minas Gerais - órgão criado e mantido pela Cemig e BDMG - vão se reunir no dia 13 de novembro, no restaurante do Holiday Inn da Savassi, na Rua Professor Morais 600, num almoço de confraternização  para comemorar os 50 anos da entidade, lembrando os que se foram (como os saudosos Luiz Aníbal de Lima Fernandes e Sérgio Márcio de Almeida) e aqueles que ficaram e estão na fila, como Togo Nogueira de Paula, Abílio dos Santos, Francisco Afonso Noronha, Marco Paulo Dani, Luiz André Rico Vicente, José Ribeiro Penna Neto, José Daniel Machado, Moacir José Moreno Lopes, Aloísio Vasconcelos, Joanito Campos Jr, Márcia Fernandes, Dalva Lúcia Ribeiro, Cláudio Margueron, Alan Kardeck Gomes, Mário Lúcio Caixeta,  Aloísio Rolim, Júlio Alvarenga Diniz, Rubélio Queiroz, Nilseu Ferreira Martins, Lélio Fabiano dos Santos, Otávio Ferraz, Eduardo Costa Cruz, João Luiz Senra de Vilhena, Ayres Mascarenhas, Dennis Ayres, Otávio Elísio A. Brito, Alfredo Salgado Monteiro, Alberto Luiz França Chagas  e tantos outros colegas. A memória, um tanto cansada, já não me permite recordar outros nomes. Desculpem-me aqueles involuntariamente esquecidos. Nos vemos lá.

----------------------

Belo  Horizonte, Sudeste do  Brasil
03 de novembro de 2018
Editor - Hélio Fraga
Edição - Ana Cristina Noce Fraga


terça-feira, 4 de setembro de 2018

ILHÉUS NÃO ESTÁ PREPARADA PARA RECEBER ESSES NAVIOS GIGANTESCOS

Catedral de São Sebastião domina o centro histórico de Ilhéus


Tudo que se relaciona com cruzeiros marítimos sempre interessa a Minas Gerais, porque nosso mercado, mesmo em épocas desfavoráveis como agora -retração generalizada dos negócios, classe média altamente endividada, desvalorização acelerada do real frente ao dólar e economia rodeada de riscos e perigos nas eleições presidenciais e parlamentares de 7 de outubro - é considerado um dos períodos de maior movimento no quesito de viagens maritimas de verão. E o movimento de vendas só não é maior porque as grandes armadoras estrangeiras – como MSC Cruzeiros, Pullmantur, Costa Cruzeiros, Royal Caribbean, Carnival e NCL – não dão maior atenção ao nosso mercado. E, por extensão,pelas deficiências de muitas operadoras de excursões e agências de viagens. Os cruzeiros são uma mina de dinheiro, pena que o turismo brasileiro, generalizadamente, não acredite nisso, tal a falta de profissionalismo.

O porto de Ilhéus sempre foi depósito para exportação de cacau

Como faltam quatro meses para o início da temporada de cruzeiros de verão, a situação dos portos brasileiros continua na mesma. Não há nenhuma obra aparente de melhoria, a começar pelo porto de Ilhéus, na Bahia. Nada mudou. Aquele imenso galpão serve mais para exportar cacau e grãos para mercados europeus. Não é um porto para atendimento a turistas nacionais em férias. Talvez não haja nem banheiros químicos para quebrar o galho. E,todas as semanas,um meganavio de 323,3m de comprimento vai chegar a Ilhéus, despejando no porto 5.331 passageiros com pressa, doidos por uma praia, somando-se a eles alguns dos 1.413 tipulantes. Em geral, uma escala na capital do cacau, a caminho de Salvador, dura de cinco a sete horas.

O navio é o MSC Seaview, que chega na primeira quinzena de dezembro e fica no Atlântico Sul até março. Se tudo correr bem, pode-se comemorar o sucesso da empreitada. Mas,se correr mal, será um fracasso operacional,significando que a temporada foi mal planejada. E pelo menos um dos portos escolhidos (no caso,Ilhéus) não estava à altura das responsabilidades que teve de assumir.

Então,a escala fica cancelada pelo menos na próxima temporada porque queimou o filme. Ilhéus já teve cerca de 40 navios escalando lá em determinados anos, mas o número de embarcações foi-se reduzindo progressivamente – o que é um sinal de alerta para a cidade,significando que suas instalações foram reprovadas.

O MSC Seaview é o maior navio de cruzeiros que já veio ao Brasil

Nunca um navio tão gigantesco atracou nos nossos portos. Ele transporta pelo menos o dobro da lotação de um grande navio – como o Soberano,Costa Fascinosa, MSC Preziosa etc. As demandas de um meganavio como o MSC Seaview são muito maores. Exemplo: em vez de 40 ônibus de luxo enfileirados no porto, à espera dos passageiros que vão fazer excursões, terão de ser 80 ou 100. Para muitos observadores, a MSC está apostando alto e isto pode ser uma temeridade. Significa que,em cada 3 passageiros, um paga o valor integral da passagem,o outro tem 50% de desconto e o menor viaja grátis, pagando só as taxas.

Enfim, resta torcer para que, aproveitando o embalo da eleição de 7 de outubro – Ilhéus capriche no seu visual,e cause boa impressão aos visitantes. E cuide melhor da sinalização da cidade, da limpeza urbana, da educação de seus taxistas e do bom atendimento no comércio. Os preços do cacau caseiro estão muito elevados e podem baixar.

Os tobogãs aquáticos ficam a 100 metros do nível do mar

              A INESPERADA PERDA DO GOLEIRO MARCIAL

Marcial encurtou sua carreira esportiva por amor à medicina


Não podia imaginar que a viagem a Ilhéus, por 3 dias, tivesse esse inesperado desfecho de coincidir com a morte de meu maior amigo no futebol, aos 77 anos: o doutor Marcial de Melo Castro, ex-goleiro do Atlético, Flamengo, Corínthians Paulista e seleção nacional. Para mim, ele foi em seu tempo o maior camisa 1 do Brasil. Aliás, naquela época as camisas utilizadas pelos goleiros eram a número 1 para o titular e 12 para os reservas. Hoje não, virou um circo, e surgem goleiros com as camisas 25, 23, 21, 18, 23, 33, 38, 55, 69, 99 etc.

Por causa de Marcial, procurei compará-lo sempre com os melhores que eu via nas Copas. 

O futebol me deu, de presente, a oportunidade de ver - ao vivo -, alguns dos melhores goleiros do mundo: o russo Lev Yashin, o alemão Sepp Mayer,o britânico Gordon Banks, o uruguaio e atleticano Mazurkievsky, e o espanhol Zamora , o português Costa Pereira, o holandês Jongbloed. Sou do tempo de Gilmar no Santos, Leão no Palmeiras, Castilho no Fluminense, Manga no Botafogo, Andrada no Vasco, Pompeia no América do Rio, Ubirajara no Bangu, Waldir no Grêmio, Zeca e Luís Perez no gol do Galo, Tonho no América mineiro e Geraldo II, Mussula,Genivaldo e antigo Fábio (cunhado do cardeal Dom Serafim) no Cruzeiro; Carivaldo no Valério e Sparta de Campo Belo; Arizona e Dick no Villa Nova.
Marcial foi herói de muitos Fla-Flu com suas defesas arrojadas
 Acompanhei, durante anos, bons goleiros do interior de Minas, nos jogos do São Bento e União de Itapecerica, Athletic de São João del Rey, Vila do Carmo de Barbacena, Flamengo de Santo Antonio do Monte(na época de Zizinho do Beraldino), Ferroviário e Guarani de Divinópolis, Siderúrgica de Sabará, Metalusina de Barão de Cocais, Santa Cruz de Santa Luzia, Meridional de Conselheiro Lafaiete; e ainda Sport, Tupi e Tupinambás de Juiz de Fora, Dorense, Cassimiro deAbreu de Montes Claros, Curvelo E.C., Carmo da Mata, Corinto,Diamantina, Serro,Sete Lagoas,Januária, Jequitinhonha, Paracatu, João Pinheiro, Lagoa da Prata, Pirapora etc. E ainda Araxá, Poços de Caldas, Pouso Alegre, Caxambu, Lambari,São Lourenço, Campanha, Ituiutaba, Varginha,Três Corações (terra do Rei Pelé), Uberaba, Uberlândia, Araguari, Patos de Minas, Sacramento, Tupaciguara...



                MINEIRO ILUSTRE DE TUPACIGUARA


Apaixonado pelo Atlético, ele sempre sonhou em ganhar o Galo de Prata


Foi no futebol amador de Tupaciguara,no Triângulo Mineiro, que surgiu o goleiro Marcial de Melo Castro, filho de seu Bolivar Crisóstomo e de dona Custódia de Melo Castro. Como tantas famílias do Alto Paranaíba, os Melo Castro se mudaram para Belo Horizonte e foram morar na Rua Aquiles Lobo, na divisa da Floresta com Santa Teresa, dois grandes rivais no Carnaval e no futebol . Marlene foi a filha mais velha, médica. Paulo Roberto fez carreira bancária e se aposentou no Banco Central e José Leopoldo é cardiologista. O coração de Marcial sempre balançou entre a bola e a medicina. Mas podia ter uma carreira longa. Morou 3 anos em Pitangui e depois voltou a BH.Preferia as cidades pequenas do interior. Gostava de um cigarrinho de palha e de pescar.


O Brasil descobriu Marcial no gol da Seleção Mineira, que ganhou o Campeonato Brasileiro de 1963 no velho Estádio Independência. Tinha um timaço, com Marcial, William, Procópio, Ilton Chaves,Amaury Horta, Luiz Carlos, Rosssi, Marco Antônio e Ari Souza. Mario Celso de Abreu foi o técnico, e os treinos na Colônia de Férias do Sesc em Venda Nova.Com defesas monumentais, Marcial carregou o time nas costas.


Quando passava férias em Minas, Marcial sempre trazia um colega do Flamengo para experimentar os pratos mineiros feitos por dona Custódia. O volante Carlinhos era um dos jogadores cariocas sempre convidados. Outra vez, veio o goleiro Joélcio. Marcial gostava muito de peixe assado, frango ao molho pardo, feijão tropeiro e feijoada. Sua marca de cerveja preferida sempre foi Brahma. Gostava de ver filmes caipiras de Mazzaropi e ouvir música sertaneja de Sérgio Reis.

Podia ter havido mais goleiros na família Melo Castro,se seus filhos Alexandre (hoje com 48 anos),Marcelo (46) e Rodrigo (43) levassem o futebol a sério. A família inteira sempre torceu pelo Galo. Nem devia contar isso agora, porque se trata de uma falha do clube: Marcial revelou aos 4 filhos e 4 netos (Pedro e Francisco, de 16 e 18 anos,e Marcela,de 9 anos, eDaniel, de 5) sua mágoa por nunca ter recebido um Galo de Prata, com que o Atlético homenageia seus heróis. Uma das ganhadoras foi a cantora Cássia Kiss.Não se sabe quais os “relevantes serviços” que ela pode ter prestado ao clube.

Pelos depoimentos de amigos da família, seus quatro filhos (a única mulher é Márcia, caçula de 38 anos), entre vários colegas de profissão,estiveram no velório do Parque da Colina, dia 3 de agosto,   ex-jogadores como Procopio Cardoso Neto, Buião,Evaldo, Amarelinho, Helinho Gomes, Pedro Grazziani, Amaury Horta, Jair Bala, Jardel, Marcelino e outros craques do passado. Também estiveram presentes vários frequentadores do Bar do Xumba, na Rua Salinas com Jaspe, onde Marcial viu pela TV alguns jogos da Copa da Rússia. Outros foram à missa da ressurreição,ao sétimo dia,na Igreja de N. S.das Dores,na Floresta.O casal Marcial e Hilda ia comemorar Bodas de Ouro em 14 de dezembro próximo.Eles se casaram na Boa Viagem em 1968.

Pena que Marcial de Melo Castro não tenha vivido o bastante até ver seu neto Daniel, de 5 anos, cumprir sua promessa de ser goleiro titular do Atlético por volta do ano 2030. E encantando a Massa atleticana e as torcidas adversárias com as defesas de mão trocada, com a mesma perfeição com que o vovô Marcial fazia.
------

PS: Espero que na próxima edição doTroféu Guará, a Rádio Itatiaia - a maior festa do Esporte mineiro – o competentíssimo jornalista e diretor Emanuel Carneiro consiga acrescentar ao programa uma justa homenagem póstuma a dois grandes vultos do nosso futebol que perdemos em 2018: o volante e armador José Carlos Bernardo,ex-Cruzeiro e Guarani de Campinas,e o atleticano roxo Marcial, das defesas épicas. Eles serão sempre lembrados pelas alegrias que deram às duas maiores torcidas de Minas. São oportunidades que a Rádio Itatiaia não deve perder, até para reconhecer e relembrar tantos ex-craques que morreram pobres, abandonados e esquecidos. Se não for o Emanuel, quem vai fazer? - Só ele mesmo.
-------------
PS2:Desculpem o atraso de um mês para fazer este blog. Estou com a mão esquerda engessada há mais de 4 semanas, daí o atraso na preparação do texto, catando as letras do computador. Não vou esquecer Marcial nunca. Assim como Dirceu Lopes, ele foi meu ídolo também.

–--------

Belo Horizonte-MG/Sudeste do Brasil
03 de Setembro de 2018
Hélio Fraga - Editor
Postagem e edição - Ana Cristina Noce Fraga

(www.hfraga.rmj@gmail.com)

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

PARA O MEU FILHO LUIZ OTÁVIO, ESTE TRI MUNDIAL NO MÉXICO 70

A Taça Jules Rimet

Esta foi a íntegra da minha crônica publicada pelo jornal Estado de Minas, em Belo Horizonte-MG, com a data da final da Copa do Mundo de 1970 - Brasil 4 x 1 Itália, no Estádio Azteca, da Cidade do México, no dia 21 de junho. Esta foi a segunda Copa que eu cobri,desta vez como Editor Geral dos Diários e Emissoras Associados de Minas Gerais - cobertura para 34 jornais do grupo,23 emissoras de rádio e 14 estações de TV (Rede Tupi). O comando da equipe de 25 profissionais foi de José de Oliveira Vaz, diretor  da TV Itacolomy, canal 4, e TV Alterosa, canal 2, em MG. Luiz Otávio, meu 1º filho,havia nascido em 5 de fevereiro deste ano, no Hospital São Lucas, na capital de Minas.
Tri, tri, tri - a torcida brasileira festeja no Estádio Azteca, da Cidade do México
-"Luiz Otávio, meu filho:

Você nem completou cinco meses ainda, e parece um predestinado. Nasceu em 1970, o ano do tri. Não ganhou ainda sua primeira bola, e os reis do futebol já conquistaram para você e o Brasil o maior troféu do futebol mundial para o Brasil.

Você deve ter acordado assustado com o barulho de foguetes que vinha da rua, da gente em festa, do povo feliz que celebra a conquista imortal, tão esperada por 90 milhões de brasileiros em ação. O tricampeonato mundial  que o Brasil ganhou com toda a honra, todo merecimento, toda a dignidade e toda a consciência  coletiva que um time pode ter.

O ano do tri vai marcar sua vida. Foi no México 70 que o Brasil teve a consagração definitiva do seu futebol no plano mundial. Destruiu tabus. Varreu lendas e superstições, Não empatou nos seu segundo jogo na Copa.
Marcou o primeiro gol da decisão e, ainda assim, não perdeu o título, como as outras seleções que marcaram primeiro e perderam as últimas cinco Copas. 

O Brasil foi um furacão que liquidou todos os azares. catimbas e manobras. Aqui está o campeão mais digno de toda a história de 40  Taças Jules Rimet. O Brasil liquidou a fria técnica da Tchecoslováquia, a prepotência da Inglaterra,os impulsos latinos da Romênia, as jovens feras do Peru, a irritante maldade do Uruguai nas semifinais e, para completar, liquidou também a forte Itália e suas pernas de ouro. Ganhou sempre com sobras.

           *  *  *

O México está em festa, meu filho.Os mexicanos ganharam a Copa conosco. Nunca faltaram ao Brasil com seu entusiasmo e solidariedade nas cinco vitórias em Guadalajara. Há chuvas que são maldição e outras que são bênção da natureza. Esta chuvarada que caiu sobre a Cidade do México, durante toda a tarde e noite de hoje, veio regar como uma bênção não apenas a grama verdinha que há pouco glorificou os campeões definitivos da Copa,mas também as bandeiras  e a festa da torcida nas ruas - como regou, há quatro dias, no Estádio El Jalisco, de Guadalajara,  a nossa heróica vingança contra o Uruguai. Vitória de 3 a 1 na semifinal, mas podia ser de 5 ou 6.

Campeão admirável - o Brasil.Um time com alma e coração.Com brio e decência. Com jogadores disciplinados e decentes,com espírito de luta - como Jairzinho,Rivelino,Clodoaldo, Brito, Wilson Piazza, o  capitão Carlos Alberto, Everaldo, Fontana e Gérson Nunes; como Pelé, que sacrificou sua glória pessoal e se tornou modesto abridor de defesas,ou como Tostão,cujos pais - seu Osvaldo e dona Osvaldina- acabam de assistir à sua maior tarde de glória aqui no Estádio Azteca.

      *  *  * 

Filho, quando crescer você saberá, no futuro, o valor deste time fabuloso que ganhou esta Copa. Que capacidade! Que soma de talentos! Que valentia! Numa época de tantos ferrolhos e retrancas, o Brasil ganhou a taça e salvou o que estava ameaçado no futebol: a graça e o gosto pelo gol; a beleza e a espontaneidade; a criatividade e encanto dos dribles; aquela ginga que desconcerta. Os europeus vão ter de aprender que não adianta marcar Pelé, Jairzinho, Rivelino, Gérson e Tostão. Eles parecem monopolizar a bola.

Acabou  a Copa dos 95 gols, contra os 89 de quatro anos atrás, na decisão em Wembley, Inglaterra. O Brasil tem o ataque mais positivo. Bastou que não houvesse violência para o Brasil jogar o fino do futebol, como dizia Mestre Didi.A partida mais fácil foi esta final,quando o Brasil não rendeu 50 por cento do que pode e sabe.Se jogasse tudo, ia humilhar a Itália, a quem faltou, na hora decisiva,o que sobrou em nós: o espírito de luta somado ao talento.


O Brasil sai daqui engrandecido. Foi prejudicado por dois juízes e não protestou. Sofreu faltas violentas e não revidou. Foi insultado e não reagiu. A Taça Jules Rimet ficou com o país que mais a mereceu, mais lutou por ela (posse permanente na terceira conquista). O Brasil a levou com sobras de talento.

Aí está a taça, meu filho, nas mãos dos campeões que voltam. Para o Brasil, as conquistas no futebol significam estabilidade politica, tranquilidade financeira e paz social. Apesar de tantas divisões e esse tremendo fosso social que tende a aumentar, .as Copas ainda nos unem e nos irmanam. Pena que sejam usadas politicamente. Não é obrigatória a passagem dos campeões mundiais por Brasília.

A sequência lógica deste tri no México é a largada para uma nova disputa nacional: colocar uma quarta estrela verde na camisa amarela, com os exageros de sempre. Então, que venham novas Copas e taças, de 4 em 4 anos, com outros nomes e sistemas de disputa. Estamos prontos, com o mesmo amor e dedicação. Mas precisamos melhorar em 2 quesitos: saber reconhecer o valor dos concorrentes e ter um pouco de humildade.
       *   *   *
Luiz Otávio, meu Tatá, você é pequeno demais para entender certas coisas. Mas, se um dia alguém lhe disser que um homem de verdade não chora, diga-lhe por favor, meu filho, que no dia 21 de junho de 1970, no superlotado Estádio Azteca, da Cidade do México, enquanto Gérson chorava de joelhos na grama, e o capitão Carlos Alberto Torres levantava gloriosamente a  Taça Jules Rimet  na Tribuna de Honra, dezenas de jornalistas esportivos brasileiros, homens tarimbados, vacinados contra todas as emoções da vida e da profissão, choravam também.

Entre eles,seu pai (hoje com  33 anos), orgulhoso de ser brasileiro e explodindo de felicidade.
----------------------------

PS: Luiz Otávio Noce Fraga  morreu aos 12 anos, em 6 de novembro de 1982, vitima do tumor cerebral meduloblastoma, depois de tentar a cura impossível na Inglaterra e nos Estados Unidos. Em sua memória, o pai escreveu o livro "O Menino Valente", com renda para as crianças cancerosas indigentes do Hospital Mário Penna, em BH-MG. Várias edições estão esgotadas.

-------------------------------

Belo Horizonte-MG, Brasil
Dia 06 de agosto de 2018
Editor - Hélio Fraga
Postagem e edição--Ana Cristina Noce Fraga