domingo, 24 de março de 2013

Gramado recebe milhares de turistas na 18ª Chocofest

Nesta Semana Santa, Gramado e toda a Serra Gaucha revivem aquele clima de magia e encantamento, com mais uma edição da tradicional Chocofest, próxima de completar duas décadas de sucesso. Iniciada no último dia 14, e com duração de 18 dias, a Chocofest termina oficialmente no Domingo da Ressurreição, celebrando  mais uma Páscoa.


Não haveria Chocofest, nem esta avalanche de visitantes na Serra Gaúcha, a 135 km de Porto Alegre, se não houvesse a empresa Marta & Silvia Feiras e Empreendimentos Turísticos, sua criadora. Foi a ótica avançada das empresárias Marta Rossi e Sílvia Zorzanello (esta, morta prematuramente e sempre lembrada com saudade)  que vislumbrou esta chance de valorizar os chocolates caseirose artesanais, uma das vocações naturais e riquezas da região.


a Chocofest cumpriu nestes 18 anos uma trajetória de sucesso, garantindo altas taxas de ocupação para a rede hoteleira


Marta e Sílvia despertaram a Prefeitura de Gramado e os empresários do setor - através das marcas Planalto, Caracol, Lugano e outras que surgiram mais tarde - para promover este festival anual do chocolate, com desfiles de carros alegóricos, bandas e fanfarras, coelhinhos estilizados e com personagens especialmente criados, como o Conde Guloseima.

Modestos a princípio, os desfiles foram crescendo em tamanho, organização e esmero na sua produção artística. E novas atrações foram se agregando à Chocofest, como as peças de teatro, as oficinas de culinária, a feira de artesanato, festival de comidas regionais e as sessões educativas para crianças, com contadores de histórias e lançamento de livros. 

Como tudo que Marta e Sílvia idealizaram, a Chocofest cumpriu nestes 18 anos uma trajetória de sucesso, garantindo altas taxas de ocupação para a rede hoteleira, embora sem rivalizar com a fama e prestígio do Natal Luz, uma maravilhosa celebração que atrai mais de 1 milhão de visitantes por ano, e que devia ser levada, num formato compacto, aos maiores anfiteatros e centros de convenções brasileiros, para mostrar às mais ricas metrópoles do país como é que se celebra o Natal de verdade. 

Acesse o site www.chocofest.com.br para se inteirar dos detalhes da festa, roteiro dos desfiles e outros pormenores que atestam o nível de sua organização, começando pela emissão eletrônica dos bilhetes. Os principais cenários da Chocofest são a Av. Borges de Medeiros, Praça Major Nicoletti  e a Rua Coberta, em frente ao Palácio dos Festivais.




A organização impecável dos eventos em Gramado, com aqueles toques hollywoodianos e montagens que parecem ter sido criadas nos estúdios da Disney, transformou a Serra Gaúcha numa das regiões mais prósperas do Brasil, e participam da divisão deste bolo milionário a vizinha Canela, com acesso em pista dupla pela Rodovia das Hortênsias, e também alguns municípios um pouco mais distantes, como Nova Petrópolis, São Francisco de Paula e Taquara (do qual Gramado foi apenas um distrito em décadas passadas).

Embora as fábricas de chocolate tenham um grande faturamento ao longo do ano, na época da Chocofest suas vendas triplicam e milhares de visitantes invadem as lojas em busca de ovos de Páscoa, caixas de bombons, trufas, barras de chocolates com vários recheios e figuras de coelhos em todos os tamanhos. 

Há uma  competição de qualidade, criatividade e bom gosto  na montagem das vitrines e nos espaços no interior das lojas. Há explicações sobre o processo de fabricação e excursões às zonas de produção. O visitante fica até sem saber quem fez mais ou melhor  este ano, examinando as criações da Lugano, Caracol, Prawer, Planalto e outras fábricas menos divulgadas, mas produzindo chocolates de qualidade. Gramado está cheia de novidades. Os bombons e trufas convivem bem com as malhas finas, casacos de couro, estolas de peles e artigos de lã em geral.

Se você ainda estáem dúvida se vale a pena visitar a 18ª Chocofest deste ano, a resposta é encorajadora: vale sim. De preferência, voando pela Azul, a única companhia aérea brasileira que tem voos diretos de BH/Confins a Porto Alegre  em jatos Embraer das séries 190 e 195.

Serra Gaúcha, exemplo de admirável organização turística

Ao contrário da maioria dos destinos turísticos brasileiros, que só têm grande movimento no auge do verão, em dezembro e janeiro, e depois no Carnaval, Semana Santa, férias de julho e feriados prolongados, Gramado sempre trabalhou com tanta organização, planejamento e profissionalismo que consegue receber visitantes em todas as 52 semanas de cada ano. Mas no período de março a maio, e depois nos meses de setembro e outubro, a cidade fica menos lotada.

Os profissionais do turismo brasileiro podem discordar de muitas coisas, em vários aspectos desta atividade econômica, mas sempre ressaltam que Gramado e a Serra Gaúcha são o melhor  exempo do planejamento turístico levado a sério e com crescimento ordenado, respeitando as condições das cidades. Gramado jamais iria alterar suas construções no estilo bávaro e enxaimel, que lhe dão este clima de permanente encantamento.

Para mim, numa visita que se repete a cada ano, por ocasião do Festuris, o tradicional Festival de Turismo de Gramado, a cidade se transformou numa ilha de prosperidade - sem desemprego, sem mendigos na rua, e com um nível de segurança que nos deixa morrendo de inveja, nós que vivemos nas grandes metrópoles e somos prisioneiros do medo, das cercas elétricas e das câmeras de vigilância.

A cidade conta com uma das melhores estruturas de hospedagem do Brasil, rivalizando com grandes capitais. Há hotéris e pousadas de todos os níveis e faixas de preço. Entre os hotéis principais, destaque para o Saint Andrews, Varanda das Bromélias, Serrano Resort, Casa da Montanha, Pousada La Hacienda, Estalagem St. Hubertus, Alpestre, Villa Bella Gramado, Alpenhaus, Gramado Master Palace, Rita Höppner, Laghetto Premium, Pousada Florença, Serra Azul, Pousada Le Chateau  etc. O Kurotel continua sendo  o melhor spa, disparado.

As pousadas disputam um campeonato à parte em matéria de boas instalações, ambiente familiar, boa comida e serviço de qualidade, aliados à privacidade. São boas indicações, sempre: Pousada Vovó Carolina, Toscana, Giardino di Pietra, Canto Verde, Águas Claras, Ares da Serra, Casa Branca, Alameda Paradiso, Brisa da Serra, Colina de Pedra, Sulla Colina, Pousada Belluno e outras mais, passando de cem as opções disponíveis - basta consultar o Guia 4 Rodas.

O rodízio de fondues é uma das tradições de Gramado, e as principais indicações são Le Chalet de La Fondue, D'Alpes Verdes e Maison de La Fondue. Os melhores restaurantes estão enfileirados na Av. Borges de Medeiros e Av. das Hortênsias. Há excelentes cantinas e pizzarias, restaurantes franceses e alemães, churrascarias e casas especializadas em rodízio de galetos. 

Não se esqueça de experimentar os sabores de um autêntico café colonial gaúcho, com mais de 40 variedades de pratos quentes e frios, além de saladas, pudins, compotas, doces e tortas. Boa viagem e bom proveito.

A Semana Santa nas cidades históricas mineiras

Este ano vai ser igualzinho àquele que passou. Mais uma vez, as cidades históricas mineiras - com suas maravilhosas igrejas barrocas e monumentais altares recobertos com ouro  - terão nesta Semana Santa um público muto aquém do que elas realmente poderiam receber. Claro que haverá muita gente de fora, e carros com placas de vários Estados, mas se as estradas mineiras fossem melhores e mais seguras, e os programas das celebrações tivessem uma divulgação prévia maciça e competente, elas iam atrair verdadeiras multidões.

A Semana Santa, historicamente, nunca foi tratada pelas autoridades responsáveis pelo Turismo em Minas como nosso principal produto, e o maior evento anual. Erradamente, os órgãos responsáveis por essa promoção e divulgação acreditam que ela vende sozinha, e não carece de qualquer esforço de marketing. Mas estão redondamente enganados. Quanto mais os atos litúrgicos forem bem divulgados, mais as pessoas que moram fora vão se esforçar para poder assisti-los. Vai dar aquela vontade de colocar o carro na estrada, mesmo sabendo dos riscos de trafegar por essas BRs inseguras, mal conservadas e pessimamente policiadas.

Esta é uma ladainha que  já venho repetindo há décadas. As paróquias de Ouro Preto, Congonhas do Campo, Sabará, Mariana, Diaantina, São João del-Rei, Serro, Tiradentes e outras cidades têm a obrigação de divulgar o roteiro da celebrações e atos litúrgicos pelo menos com 60 dias de antecedência. Utilizar largamente a internet para isso, pelo seu poder e imediato alcance. Recorrer a outros tipos de divulgação, como matérias especiais encaminhadas diretamente às grandes revistas e aos principais Cadernos de Turismo e blogs do Brasil. Mas ninguém recebe nada.

Da mesma forma, mandar afixar esses programas no comércio local, e disseminar este trabalho nas cidades vizinhas, para que mais gente fique sabendo. A propaganda é a alma do negócio mas, a rigor, a Semana Sats não precisa de anúncios, nem mesmo institucionais. O que pode e deve haver é um reforço na divulgação, pelos jornais e emissoras de rádio, das tarifas dos hotéis  médios e das pousadas, e dos principais eventos religiosos: Procissão de Ramos, Ofício das Trevas, Procissão do Encontro, Última Ceia, Prisão e Morte de Jesus, Procissão do Enterro, Vigília Pscal e celebração da Ressurreição.

Sempre reclamei - mesmo sabendo que estava  pregando no deserto - contra essa omissão das Prefeituras e Secretarias Municipais de Cultura e Turismo, que teimam em adotar uma postura indiferente em relação à Semana Santa, como se o problema não fosse delas, mas é. Transformar essas celebrações em instrumentos para o desenvolvimento dos municípios - a indústria sem chaminés e sem transformar nossas montanhas em crateras.

Mais visitantes na Semana Santa geram mais empregos, mais arrecadação, mais trabalho para os prestadores de serviços - como taxistas, manobristas, frentistas e guias. Mais faturamento para os restaurantes, lanchonetes, padarias e bares; mais vendas para o comércio - papelarias, lojas, farmácias, confeitarias, sorveterias, lojas de artesanato etc; mais clientes para os postos de gasolina e borracheiros; mais visitantes para as igrejas e museus; e gente com dinheiro para comprar pedras preciosas, como o topázio imperial.

Tapetes florais produzidos por mãos anônimas


Os tapetes florais produzidos com serragem, pela noite adentro, nas ladeiras de nossas cidades históricas, são uma obra-prima de bom gosto, capricho e criatividade, confeccionada por mãos anônimas. Cada cidade do Ciclo do Ouro já devia ter, há muito tempo, um museu mostrando - em vídeos, documentários e fotos -  a habilidade e sensibilidade artística de seus tapeceiros, das mais diversas profissões, mais mulheres do que homens: educadoras, atendentes, telefonistas, tecelãs, cantoras, instrumentistas, cozinheiras e bordadeiras. Gente desconhecida que contribui, a cada ano, para a beleza deste período mágico que se chama Semana Santa.

Ainda há tempo para se corrigir essa grande injustiça e, de certa forma, esse menosprezo oficial ao talento e capacidade de nossos tapeceiros nas ruas calçadas de pedras, no frio das madrugadas, envoltos pelas brumas que costumam cobrir as ladeiras de Ouro Preto.

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