quinta-feira, 17 de outubro de 2013

BAL HARBOUR


Este é um reduto de privilegiados, turistas de alto poder aquisitivo, que fazem questão do melhor e não olham preço




Collins Avenue 9700, rumo norte, bem acima de South Beach e a sucessão de hotéis de luxo frente ao mar em Miami Beach: este é o endereço do Bal Harbour Shops, considerado o mais luxuoso e sofisticado da Flórida e rivalizando com os maiores centros de compras do mundo, com 100 lojas das grifes mais conhecidas internacionalmente.

Se você pensou em Louis Vuitton, Chanel, Cartier, Rolex, Breitling, Patek Philippe, Prada,  Gucci, Giorgio Armani, Dolce & Gabbana, Ermenegildo Zegna, Versace, Valentino,  Escada, Michael Koors e outras marcas Top de linha, não se enganou: elas estão todas no Bal Harbour, rodeadas de palmeiras e jardins tropicais, com decoração impecável e garantia de privacidade. 

Esqueça, por um momento, grandes shoppings como Sawgrass Mills, Aventura Mall, The Falls, Dadeland Mall, Coconut Grove, Bayside Marketplace, Lincoln Road e outros grandes centros de compras do sul da Flórida. Bal Harbour não tem nenhuma semelhança com eles. Aliás, quer distância.  

Tudo aqui custa caro, talvez até exageradamente caro, mas há quem pague US$ 1.900 por um blazer ou US$ 2.800 por um terno Zegna ou Armani, e ainda sai rindo. Falar em desconto e pechinchar, nem pensar - aqui isto soa como ofensa. Os brasileiros estão em primeiro lugar na lista dos que gastam mais. Compram tudo que podem - uns pagando à vista, outros no cartão.

Bal Harbour, o bairro à beira-mar, se tornou um endereço privilegiado dos milionários da Flórida, e de investidores de várias partes do mundo. Não há exagero se a gente falar também daquela manjada turma do caixa 2, corrupção no serviço público, desvios de verbas, fraudes nas concorrências e da roubalheira que campeia num país muito conhecido nosso. Eles estão chegando à Flórida, em escala crescente, só que há gente honesta vindo também.

Os preços dos terrenos de Bal Harbour em frente ao mar são altíssimos, subindo à estratosfera. Recentemente, um milionário da Argentina comprou um dos poucos trechos que restavam por US$ 220 milhões, quase 460 milhões de reais, e pretende construir um condomínio de altíssimo luxo, para apenas 260 privilegiados, com áreas de lazer , piscinas, quadras de tênis , restaurantes, academia fitness etc.

Antigamente só havia aqui por perto o Sheraton Bal Harbour, por onde passou, anos atrás, o gerente geral Victor Valdez, um chileno que trabalhou antes na hotelaria brasileira. O hotel desapareceu, e surgiram empreendimentos espetaculares de frente e em volta do shopping, como o St. Regis Resort e One Bal Harbour Resort & Spa,  ambos com altas taxas de ocupação, principalmente nas férias de julho.

Esses resorts foram descobertos pelos latinos endinheirados, que antigamente se hospedavam no Fontainebleau Hilotn, Grand Hyatt, Marriott, Loews , Wyndham (antigo Doral), Eden Roc e outros hotéis da orla, e aqueles mais antigos, que ficam perto de South Beach - exatamente no começo da Collins Avenue.

O Bal Harbour pertence a um investidor, o milionário Matthew Whitman Lorenby. Este é um dos endereços mais procurados pelas grifes internacionais, apesar dos valores altíssimos para venda ou locação. Segundo Carolyn Travis, diretora de Turismo de Bal Harbour, que  veio nos visitar recentemente, o Brasil continua sendo um dos países mais visados para ações de marketing e promoções. 

Carolyn passou por BH, e participou de um almoço com representantes do turismo local e imprensa, no restaurante Vecchio Sogno. O encontro foi organizado pela Spoke, empresa que divulga Bal Harbour no mercado nacional. Honrado pelo convite, acabei não podendo comparecer.

Carolyn Travis confirmou que um balanço recente revelou crescimento de 18% no número de brasileiros frequentando Bal Harbour, e as vendas nas lojas cresceram 12,4% em um mês, se comparadas com o ano anterior. O gerente geral do St. Regis, Marco Selva, contou que os brasileiros tiveram presença recorde nas férias de julho. Foi o melhor desempenho nos últimos anos. Mais detalhes no site www.balharbourflorida.com


ALMOÇAR NO BAL HARBOUR, PARA VER E SER VISTO

Os restaurantes do Bal Harbour são o tipo do lugar exclusivo, para ver e ser visto


Com lojas de tal categoria, e com frequência tão selecionada, o Bal Harbour se tornou também um endereço preferido para quem gosta de se exibir, dee ver e ser visto, como artistas de cinema, cantores e personagens das séries de televisão que têm Miami como tema - como CSI Miami. Então, almoçar num dos restaurantes, como o Carpaccio, é uma chance de ser reconhecido e fotografado pelos fãs.

Muitos investimentos foram feitos na área gastronômica, tanto no shopping como nos hotéis vizinhos. No St. Regis Resort, destaque para o restaurante J+G Grill, onde pontifica o chef Jean-Georges Vongerichten. Pratos finos e inovadores num ambiente refinado e acolhedor, no pátio em frente à piscina, com vista para o mar azul turqueza. Tornou-se u m dos locais favoritos para almoço e jantar em Bal Harbour (www.jggrill.miami.com)

O restaurante francês La Gouklue (www.lagouliebalharbour.com) é um dos templos nas gastronomia européia na área, também com frequência acostumada ao melhor. Apesar dos anos, o  Carpaccio (www.carpacciobalharbour.com) continua sendo um dos campeões da preferência, e reduto de brasileiros abonados, acompanhados de amigos. Destaque para as massas, saladas e pizzas ao forno, tudo num ambiente alegre e distinto. Difícil imaginar aqui, neste silêncio, a barulheira de algumas churrascarias tupiniquins.

O restaurante Mister Collins se tornou um dos ícones do exclusivo One Bal Harbour Resort & Spa,  5 estrelas, outro reduto de milionários. E o japonês Makoto, do chef Makoto Okama, pertence à rede de Stephen Starr, empresário de restaurantes também em Nova York (www.starr-restauranbt.com).

Os restaurantes dos hotéis em volta do Bal Harbour, e também no shopping, têm feito constantes inovações em seus cardápios, e oferecem cartas de vinhos diferenciadas e globais, com produtos de vários países. Muitos restaurantes pedem reserva antecipada de mesas, para facilitar o atendimento, principalmente quando se trata de festas e grupos maiores. 

Então, pode anotar aí: subindo pela Collins Avenue no rumo norte, na direção de Sunny Isles, Turnberry Isle e Aventura, ao chegar no quarteirão 9700, você está no Bal Harbour. Bom proveito.

Em volta do Bal Harbour, novos condomínios de luxo, reduto de milionários


EM PORTUGAL, TOSTÃO PERCORRE OS CAMINHOS DE FERNANDO PESSOA


 
Eduardo Gonçalves Andrade, o ex-craque Tostão, sempre foi apaixonado pela literatura portuguesa e brasileira

Muitos de vocês sabem que, antes do Turismo, tenho um passado do qual muito me orgulho: o de ter sido, por  quase 25 anos, um imparcial Editor de Esportes,  colunista e produtor de programas como o inesquecível "Bola na Área" na extinta TV Itacolomy (1966/1973). Tão imparcial que, quando a Holanda derrotou o Brasil por 2 a 0, em Dortmund, na semifinal da Copa do Mundo de 1974, embora aquele placar estivesse doendo no meu coração, voltei ao hotel, encarei as duras teclas do aparelho de telex (não havia fax na época, muito menos internet), e escrevi que "foi de 2 a 0, e devemos dar graças a Deus, porque podia ter sido de 4 ou 5 a 0, já que a Holanda esbanjou categoria e dominou amplamente".

Faço este preâmbulo para prestar, hoje, uma homenagem singela e sincera a um dos maiores jogadores do futebol brasileiro em todos os tempos, o maior craque na história do Cruzeiro E.C. em seus 82 anos de vida, e um atacante reconhecido mundialmente pela sua categoria e talento. Mas muitos que o admiraram e aplaudiram nos estádios de futebol nunca souberam de suas características principais: um ser humano excepcional, um cidadão exemplar, um ser humano dotado de grande sensibilidade social e carisma. Um modelo para as atuais e futuras gerações, nesse triste tempo de tantos desatinos e tamanha desesperança no Brasil.

Por que falar do ex-craque Tostão num blog turístico, que já é acompanhado em quase 50 países? Por que recordar aspectos de sua carreira e personalidade, se nenhum grande fato o envolveu ultimamente? De que forma se pode ligar Tostão ao Turismo?

No dia 5 passado, primeiro sábado de outubro, eu estava com minha mulher no Aeroporto Internacional de Lisboa, no portão 144, com aquele desconforto e falta de assentos que caracterizam muitas salas de embarque. Estávamos à espera da chamada para o voo 051, da TAP, de Lisboa até Belo Horizonte/Confins, assentos 17AB na classe econômica. Foi quando ouvi o passageiro ao lado dizer para sua mulher: - Ali está o maior jogador do Cruzeiro em todos os tempos".

Claro que me virei imediatamente, e vi que era Tostão, que ia embarcar no mesmo voo - que bela coincidência. Era o passageiro mais ilustre a bordo do Airbus A330-200 de prefixo CS-TOF, batizado com o nome do Infante Dom Henrique.  Eu não via Tostão de perto há mais de 25 anos, talvez 30. Fui até ele e  chamei de Eduardo, como gosta. Ele demonstrou alegria ao me ver, e me apresentou a namorada, Rachel, simpática e elegante, cuja família tem raízes em Luxemburgo. Deve ser poliglota, e muito viajada, assim como o namorado. Jogando pelo Brasil ou Cruzeiro, ele conheceu dezenas de países nos anos 60 e 70. Depois, seguiu viajando como colunista esportivo. 

Como atacante do Cruzeiro e Seleção do Brasil, Tostão ergueu muitas taças e troféus na sua carreira


Tostão dispensa apresentações. Quem lê a "Folha de S. Paulo" e o jornal "O Tempo" conhece de sobra sua facilidade em escrever, o conteúdo de seus comentários, a clareza das definições, o poder de síntese. Ele já lia muito quando era jogador, e também foi personagem do "Livro de Tostão", escrito nos anos 70 por Canôr Simões Coelho, jornalista mineiro radicado no Rio, natural de São João del-Rei. Tive a honra de fazer o prefácio, a convite dele - sempre a custo zero.

Enquanto há alguns colunistas (minoria, graças a Deus) dependurados nos favores das federações e clubes, e sem coragem para escrever ou falar o que pensam, defendendo até interesses comerciais (como os patrocinadores de seus programas), Tostão vai direto ao ponto crucial, doa a quem doer. Sua isenção diante dos resultados dos jogos e seus personagens (heróis ou vilões) é exemplar. Fala daquilo que aconteceu realmente, sem deixar dúvidas no ar.

Enquanto se aguardava a chamada do voo 051 (ele veio na classe executiva, poltronas 2HJ), Tostão me contou que fez um giro de duas semanas por Portugal, acompanhado de Rachel, percorrendo os principais caminhos de Fernando Pessoa, seu ídolo literário. Foi atrás dos cafés que frequentava, suas origens, sua presença marcante na cultura portuguesa. Tostão e Rachel andaram por Lisboa, Cascais, Estoril, Coimbra, O Porto, Vila Nova de Gaia, Óbidos, Alcobaça, Braga, Guimarães, Évora e outros lugares.

Como avisou antes de deixar BH, sua coluna deixaria de ser publicada por alguns dias, pois ele ia atrás de Fernando Pessoa. Embarcou no dia 22 de setembro e fez referência a Portugal e ao poeta no seu regresso. E já brindou seus leitores com três pérolas recentes: 

1) Comentando as 2 derrotas do Cruzeiro, frente ao São Paulo (2 a 0) e Atlético (1 a 0): -"Contra o Atlético, Borges não pegou na bola, porque ela não chegava nem ele se movimentava. Borges só joga se a bola chegar a ele, pronta, para finalizar. Assim, até eu, com quase 70 anos".

2) Sobre Paulo Henrique Ganso, do São Paulo F.C.: -"Continuo em dúvida se Ganso tinha ou tem condições de se tornar um craque ou se ele é apenas um ótimo jogador, que foi excessivamente endeusado".

3) Sobre Alexandre Pato, após os 2 a 0 do Brasil contra Zâmbia: -"Pato só tem pose e fama". 

Você leu isso em algum outro jornal, ou ouviu nas rádios e programas de TV? 



TOSTÃO RECUSOU CONVITE PARA SER "EMBAIXADOR DA FIFA NA COPA"

Mas a postura de Tostão é muito mais importante do que ele diz ou escreve - ele se revela e se destaca nas atitudes que toma, nos posicionamentos firmes que assume, quando seria mais cômodo elogiar e ganhar dinheiro fácil sem fazer força. Dois exemplos: 

1) Quando o governo do Brasil decidiu dar um prêmio de R$ 100 mil a mais de 35 ex-jogadores que disputaram as Copas já conquistadas, ele foi O ÚNICO que se recusou a receber o dinheiro. E fez isso sem alarde, sem autopromoção, demonstrando que tem caráter e não endossa essas farras com o dinheiro do contribuinte brasileiro. Alguém aí viu o mais famoso de todos os jogadores, milionário há décadas, garoto propaganda de múltiplos produtos, doar seus R$100 mil a algum hospital público, creche, asilo ou orfanato?

2) Logo após retornar de Portugal, Tostão recebeu um "honroso" convite da FIFA para ser Embaixador de Belo Horizonte na Copa do Mundo de 2014. A decisão dele foi imediata: não aceitar, porque isso fere sua ética e dignidade. Mas explicou em outras palavras, na coluna de "O Tempo", publicada no domingo passado, 13 de outubro: -"Recusei porque, como colunista, preciso ser totalmente isento e independente. Pela mesma razão, não participo de muitos outros eventos esportivos. Repito, não me vejo como um ex-atleta que se tornou colunista esportivo, e sim um colunista esportivo que foi atleta. Muitos não entendem".

E Tostão completou, como se fosse mais um dos muitos gols de placa que ele marcou em sua esplêndida carreira:  "... Além do mais, já imaginou participar dessas solenidades formais da FIFA e de outros eventos, com um sorriso servil à la Bebeto, dizendo que está tudo emocionante e maravilhoso? Quero distância também do FIFA Club".

Durante muitos anos, ele acompanhou minha coluna diária (Por dentro do futebol) e as do saudoso Roberto Drummond (Bola na Marca) no jornal "Estado de Minas". Agora, sou eu quem o lê duas vezes por semana em "O Tempo" e na Folha, mas deviam ser pelo menos 3 colunas semanais, dia sim e dia não.
 - concordando na íntegra com suas opiniões e análises técnicas e táticas. E seu comportamento moral, tão acima da bandalheira que nos rodeia.

São atitudes assim que fazem  o Brasil inteiro admirar Tostão cada vez mais. Ele merece ser lido, respeitado, reconhecido, amado e glorificado - como se dizia antigamente, do Oiapoque ao Chuí. Deus lhe dê longa vida, exemplar cidadão Eduardo Gonçalves Andrade.

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