sábado, 4 de janeiro de 2014

O MUNDO INTEIRO DE OLHO EM COPACABANA




O espetáculo da queima de fogos na orla de Copacabana, na virada do ano, vem ganhando exposição mundial, prestígio e intensidade com o passar dos anos - e a empolgação da festa acaba neutralizando o efeito de muitos fatos negativos, que os turistas estrangeiros conhecem bem.
Agora que a Copa do Mundo se aproxima, e daqui a 2 anos será a Olimpíada, é justo e natural que o Rio de Janeiro mereça um destaque maior da grande imprensa mundial - para o bem e para o mal.
Primeiro, o maravilhoso espetáculo de fogos em si, com duração de 16 minutos, do Caminho dos Pescadores, no Leme, ao Forte de Copacabana, no Posto 6. Somos um país de estatísticas pouco confiáveis (começando pelas do governo), mas calcula-se que foram mais de 2 milhões de pessoas em toda a orla e invadindo as areias da praia.

Milhares de policiais estiveram em serviço, uniformizados ou não, mas não deram conta de inibir os assaltos e os exploradores em geral (como se verá adiante). Foram espalhadas 32 torres de som pela orla, e armados palcos monumentais - um deles em frente ao Copacabana Palace e outro diante da Rua Santa Clara, no Posto 4. Foram instaladas 30 torres de observação na orla.


Foram 24 toneladas de fogos, detonados de 20 balsas a 400 metros da areia. Explosão de fogos em seis etapas, ao som da trilha sonora de Rio-2, que vem por aí (Disney). Em matéria de grandiosidade, as imagens da Rede Globo foram definitivas: não há  nada que se compare a este espetáculo de Copacabana, monumental e belíssimo.

Basta compará-las com as imagens mostradas dos fogos em Auckland, na Nova Zelândia; em Taipé, em Formosa; em Sydney, Austrália; nos Emirados Árabes; em Times Square, Nova York, e por outros lugares neste vasto mundo de Deus. Paris, Roma, Berlim, Milão, Madri e Londres chegam a ficar ofuscadas

Havia uma expectativa de 767 mil turistas, que penaram de várias formas - desde a espera de 4 horas pelas vans que levam ao topo do Corcovado, sob calor de 34 graus, até a fila de 3 horas e meia para o bondinho do Pão de Açúcar. Calcula-se que esses visitantes tenham deixado US$ 614 milhões espalhados entre os vários prestadores de serviços (hotéis, restaurantes, quiosques, taxistas, guias, vans etc), mas isso não representa nem 1/3 dos US$ 2,1 bilhões que os turistas brasileiros esbanjam no exterior, a cada 30 dias.
O grande desafio do Brasil, agora e nos anos futuros, é fazer um espetáculo ainda mais longo e monumental, mas sem tantas ocorrências policiais, tiros disparados a esmo, briga de casal na Rua República do Peru com Av. N.S. de Copacabana (12 feridos),pessoas acidentadas, verdadeiras gangues extorquindo os visitantes, taxistas desabusados, exploração generalizada.
Por enquanto, fiquemos com as imagens da bela festa da virada do ano nos 4.500m de extensão da Av. Atlântica, já disponíveis na internet nas primeiras horas da manhã de 1° de janeiro.


   TUDO AQUILO QUE PODIA SER EVITADO NO RIO
Terminada a festa em Copacabana, quem chegasse à areia ia pensar que aconteceu uma revolução, motim, batalha campal ou guerra civil carioca na noite anterior, tal o volume de detritos deixados na praia. Havia uma previsão de estatal Comlurb recolher 400 toneladas de lixo, mas foram "apenas" 361 mil.
Claro que havia lixeiras em quantidade suficiente mas, por falta de civilidade e educação, as pessoas foram deixando tudo na areia: garrafas de champanhe e vinho, copos de vidro, garrafas pet, latas vazias, embalagens de papelão e plástico, restos de flores, chinelos e sandálias,  e todo tipo de detritos que se possa imaginar.
Falar em coleta reciclável é utopia, mas havia 120 garis responsáveis por ela. A Comlurb mobilizou 600 homens com macacões amarelos e a operação-limpeza começou, em toda a Av. Atlântica, a partir das seis da manhã, durando mais de 4 horas. Caminhões faziam longas filas para recolher os detritos. As cenas da sujeira de Copacabana correram o mundo, mais uma péssima propaganda para nosso país.
De todas as cenas vistas, e espalhadas pelo mundo, a mais deprimente foi aquela dos turistas estrangeiros engatinhando no chão da delegacia do 12° BP, à procura de seus documentos furtados para poderem voltar para casa. O problema dos cartões de crédito furtados, câmeras, filmadoras, celulares etc era de menor importância.

Podemos bem imaginar o que esses visitantes enfrentaram, começando pela burocracia policial. Resta saber se algum deles vai voltar daqui a 12 meses. Você aposta 1 centavo nisso?

   O RÉVEILLON DO MINAS II, MANGABEIRAS

Claro que todo mundo entende a preferência da Rede Globo pelos réveillons de Salvador, Recife, Fortaleza, Florianópolis, Brasília e outras cidades. Talvez para agradar a patrocinadores locais, ou fazer média com governos e prefeituras generosos. Mas nossa Belo Horizonte vem sendo ignorada há vários anos - nem ao menos 10 segundos de imagens.
Não se debite isso ao espetáculo de fogos do SBT, na Pampulha, pelo seu alcance limitado em função da baixa audiência do canal. Mas a Globo faz questão de ignorar o maravilhoso Réveillon do Minas II, nas Mangabeiras, melhor a cada ano, em clima de verdadeira empolgação.
O espetáculo de fogos é belíssimo, para honra e glória de Santo Antônio do Monte, minha querida terra, maior produtora nacional de fogos de artifício. A festa do Minas II é tão bem organizada que a montagem dos pavilhões em estrutura de aço, e cobertura de plástico, começa na primeira semana de dezembro. Tudo impecável e de muito bom gosto.

Espera-se, nos próximos anos, que a Globo dê mais atenção ao Minas II, e também à passagem de ano comemorada nos principais clubes sociais e associações recreativas - como Pic, Jaraguá, Iate, AABB, Sede Campestre do Cruzeiro, Clube Belo Horizonte, Mackenzie, Recreativo Mineiro etc.
Já não termos mais a Batalha Real, nem o corso dos calhambeques pela Av. Afonso Pena, nem as matinês dançantes no Cine Brasil, ou no auditório da Rádio  Inconfidência na Feira de Amostras (hoje Terminal Rodoviário), e bailes espalhados por toda a cidade - Santa Tereza, Lagoinha, Carlos Prates, Calafate, Padre Eustáquio, Progresso, Prado, Barro Preto, Barroca, Nova Suíça, Gameleira etc.

Na próxima edição, daqui a 5 ou 6 dias - a história do Réveillon na Ilha da Madeira, que teve a presença de mais de 120 mineiros em excursão organizada pela St.Germain Turismo. Maioria de associados do Minas Tênis Clube. O grupo embarcou em 28 de dezembro e retorna em 7 de janeiro.


CADERNO DE TURISMO DO 'HOJE': A FALTA QUE ELE FAZ
Outro assunto que já devia ter sido abordado antes, e que feriu profundamente meu combalido coração: a decisão da cúpula do jornal "Hoje em Dia" em extinguir  o Caderno de Turismo, após 25 anos e meio de vitoriosa existência. Sempre foi um dos sustentáculos da credibilidade do HD, responsável pela maioria das assinaturas e esteio nas vendas avulsas. Um Caderno que recebeu 25 prêmios e troféus no exterior, número que nenhum outro atingiu no país.
Não tenho vocação para coveiro - ainda bem que me afastei do jornal em dezembro de 2012, depois de notar que a empresa estava desgovernada, pessimamente administrada, cheia de mazelas, e com pessoal alarmado e temeroso de ondas de demissões (como esta que afastou 25 nomes top da Redação há dois meses).
Como fundador e editor do Caderno por 18 anos, e tendo o privilégio de indicar o sucessor, fiz desta publicação um Caderno respeitado nacionalmente, e reconhecido em mais de 30 países. Produzimos edições memoráveis, que muitos leitores guardaram: Fiordes da Noruega, Saudosa Mallorca, Sol da Meia Noite, Polinésia Francesa, Vale do Loire, Salzburg, Moscou, Tallin, Dubvrovnik, Kiev, Istambul, Atenas, Ephesus, San Francisco, New York, Dallas, Las Vegas, Orlando, Disney, Key West, Fort Lauderdale, Naples, Veneza, Florença, Pompéia, Capri, Praga, Varsóvia, Budapeste, Porto e Vila Nova de Gaia, Lisboa, Ilha da Madeira, Óbidos, Fátima etc.
Muitos de vocês sabem, e os outros ficam sabendo agora: paguei todas essas viagens de meu bolso - passagens aéreas em classe econômica, hotéis, alimentação, transfers, entradas em museus, compras de livros e guias. O jornal não contribuiu com 1 dólar ou 1 euro, mas fez bonito perante o leitor. Então, paguei para trabalhar. O jornal sabia que eu era um feliz aposentado pela Cemig
O Caderno poderia ter sido um tremendo sucesso comercial, desde que tivesse diretores à altura desse desafio - mas foi sempre menosprezado e sabotado. O jornal perdeu vultosas receitas por incompetência. Noventa por cento dos anúncios que entraram foram conseguidos às custas de meu prestígio, e não tive participação de 1 centavo.

Dei ao Caderno 1/3 de minha existência, e não é hora de arrependimentos ou chorar as mágoas. Fiz o que considerava minha obrigação profissional, movido por puro idealismo. Mas tenho o direito de lamentar, publicamente, que a atual direção do "Hoje em Dia" - que considero competente e bem intencionada - não devia tomar uma atitude tão radical. Que se reestruturasse o Caderno, fizesse as alterações necessárias, e garantisse sua continuidade partindo da premissa básica de ter o respaldo de uma Diretoria Comercial inteligente e competente.
Estes são meus votos ardentes neste 1° blog de 2014: que o Caderno de Turismo volte ao longo do ano, fortalecido e renovado. Estarei aqui de longe torcendo e batendo palmas. Espero que o atual presidente da Ediminas S.A., sr. Flávio Carneiro - que carrega no sobrenome o prestígio e respeitabilidade da família de Marco Aurélio  Jarjour Carneiro, e de seu avô Edésio Carneiro - dê esta alegria aos seus leitores, assinantes e amigos. O turismo mineiro precisa deste Caderno. Aliás, não fez por merecê-lo e não esteve à altura dele nos anos em que circulou.


Feliz 2014 para todos - sempre é tempo. Hélio Fraga.

Um comentário:

  1. Olá Hélio,
    Foi com surpresa e consternação que li sobre o final do caderno de turismo do HOJE EM DIA. Entretanto, é bom dizer que um caderno não vive sem a sua alma, que neste caso era você.

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