quarta-feira, 12 de março de 2014

CARTÕES DE MILHAGEM: COMPANHIAS AÉREAS, TENHAM MAIS RESPEITO PELOS PASSAGEIROS

O aeroporto internacional de Guarulhos e suas habituais longas filas de espera



Com 40 mil milhas ou pontos acumulados, pode-se comprar uma passagem de ida e volta, tipo BH/Miami/BH ou BH/Nova York/BH, na maior parte do ano. E se forem 70 mil milhas, trocam-se  esses pontos por bilhetes de ida e volta entre BH e Paris, ou Londres, Roma, Lisboa, Amsterdam, Madri, Frankfurt, Milão etc.

Um voo até Miami dura 8h15, com jantar e café da manhã completo; se for para Lisboa, são 8h40; e para as principais capitais europeias, são mais de 10h, sempre com jantar e café. Portanto, o passageiro brasileiro não vai entender nunca que em voos domésticos, que duram menos da metade, e com um mísero lanche (ou pacotinho de amendoim), ele vai gastar o mesmo número de pontos. Verdadeira extorsão.

Foi isso que aconteceu um mês antes da Semana Santa: algumas  companhias aéreas nacionais exigiram até 45 mil pontos  em troca de uma passagem de BH para Fortaleza ou Natal, quando pode-se viajar a Miami ou NYC com menos milhas. Um tapa ns cara desse iniocente útil chamado cliente constante.

A explicação é aquela de sempre, entre marota e abusada: os preços sobem automaticamente em função do aumento da demanda, e isso faz parte do regulamento do mercado. É a velha tese de que o viajante deve ser esfolado por todos os meios, principalmente nos feriados prolongados, quando sobe tudo de uma vez: bilhetes aéreos, diárias de hotéis, restaurantes, cerveja, refri, até o coco e o picolé na praia. 

Pelos depoimentos de quem foi ao Rio, Cabo Frio, Búzios e outros lugares do litoral fluminense no verão, houve uma exploração desenfreada (e, como e, impune)..Nas praias do Nordeste, abusos iguais. Dá´para imaginar a roubalheira que vai acontecer na Copa do Mundo - que tem todosos ingredientes básicos para ser a mais desorganizada entre  todas::aeroportos inacabados, segurança pública inexistente, mobilidade urbana (?); protestos e arruaças, depredações.de lojas, incêndios de ônibus urbanos (esporte preferido dos bandidos) - e por ai vai.



Não é pedir muito, e faço isso generalizadamente a todas as companhias aéreas, tenham um pouco mais de respeito e consideração para com seus passageiros. Se eles têm tantas milhas acumuladas, é porque são clientes fieis, e ajudam a sustentar essas empresas e pagar os uniformes de seus comandantes, tripulantes e pessoal de terra.
O cliente constante responde por 65% dos negócios no mundo, estatisticamente comprovado.


Há procedimentos que chegam a ser vergonhosos:

1) Cobram-se taxas pesadas, em euro ou dólar, fora as taxas normais de emissão, de embarque (em aeroportos cada vez piores) e de segurança..

2) Para os titulares dos cartões, reserva-se um mínimo de poltronas em cada voo, quando deviam ser em torno de 30 a 40 num jato cm capacidade para 250 a 260 pessoas.

3) Em cada cabine, os melhores assentos teriam de ser destinados aos titulares das milhas, mas eles são obrigados a se contentar com os piores, nas últimas fileiras (e há companhias estrangeiras ampliando o número de fileiras, encurtando os espaços entre as poltronas - outro desrespeito e ânsia de aumentar lucros em detrimento do conforto dos viajantes).

4) O passageiro é obrigado (ou coagido) a partir ou regressar não no dia de sua preferência, mas na data e hora que a empresa sugerir ou consentir. Não há escolha livre e democrática, o que existe é imposição de datas - quase sempre, aquelas em  que o passageiro não pode, e nas quais não pretende embarcar ou regressar.
5) Em razão das imposições das transportadoras aéreas, as famílias têm de alterar seus roteiros planejados, com acréscimo de custos. E se o bilhete aéreo tiver de ser mudado, cobra-se uma multa de US$ 75 cada.

É uma situação injusta, verdadeira anomalia, e os passageiros têm de se unir em defesa de seus direitos. Procon nelas! E ações judiciais em série.


      ENVIEM SUAS QUEIXAS, QUE ESTE BLOG
      VAI DENUNCIAR OS ABUSOS PRATICADOS

Uma das razões da existência deste blog  é ser uma permanente tribuna em defesa dos direitos dos usuários do transporte aéreo e terrestre, e rigoroso e atento fiscal dos serviços prestados em todos os níveis no setor turístico. É nossa vocação natural, exatamente como se fez nos muitos anos editando um Caderno de Turismo que, para nossa frustração e desencanto, nem existe mais.


Por ter o hábito salutar de pagar todas as passagens aéreas domésticas ou para o exterior, minhas e da família, assim como pagamos hotéis, locadoras, restaurantes, excursões, transfers e até entradas em parques e em museus, eu me sinto muito à vontade para sugerir a todos aqueles que têm queixas contra companhias aéreas: podem enviar suas reclamações para meu e-mail (hfraga.rmj@gmail.com) com informações precisas sobre abusos, exigências descabidas, trocas de datas, taxas excessivas cobradas, que o blog vai divulgar tudo em futuras edições, na medida em que os desmandos  forem sendo comprovados. (Por favor, não se esqueçam de colocar nome, RG, endereço e telefones de contato).


Detalhe importante: a queixa pode ser contra qualquer empresa, nacional ou estrangeira, sejam elas gigantescas/riquíssimas ou de tamanho razoável. Todas, sem exceção. O titular do blog não lhes deve absolutamente nada e não se vê obrigado moralmente a se omitir e ficar caladinho por amizade ou "gratidão" - palavras que não se aplicam a estes casos.

Com tempo, mais adiante, vou lhes contar minhas próprias experiências com cartões de milhagem, pois temos 26 (13 do marido e 13 da mulher). Algumas foram constrangedoras e desastrosas. Ana Maria e eu já demos, como esmola, 39 mil milhas cada um a uma companhia européia, quando decidimos nunca mais viajar em seus jatos, ao ver que ela desrespeitou acintosamente as famílias dos 228 passageiros e tripulantes que morreram na queda de um Airbus A330-200 no Atlântico, voo AF-447, entre o Rio e Paris, há 5 anos.

A companhia se julgou no direito de mentiir e abusar da inteligência das pessoas, ,ignorando a dor das famílias das vítimas  e de seus dedicados tripulantes. Mesmo com tantas evidências de falhas em componentes vitais do aparelho, culpar publicamente o comandante e o copiloto como responsáveis pela tragédia foi um ato desumano e covarde. Os mortos não falam.

Hélio Fraga - Editor
Março de 2014

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