domingo, 27 de abril de 2014

TURISMO DO CHILE RECUPERA VISITANTES, APESAR DE GRAVES ACIDENTES RECENTES

Santiago impressiona por suas belas construções



O prestígio do Chile como um dos principais destinos turísticos da América do Sul foi duramente testado, recentemente - e em vez de terminar abalado e desgastado, o país vizinho saiu de duas tragédias revigorado e fortalecido. Como se não bastasse aquele terremoto  que atingiu a costa norte e provocou tantos danos materiais e sociais, aconteceram também os incêndios nas encostas de Valparaíso, segunda maior cidade do país e um dos principais portos do continente.
Diante de duas tragédias em curto espaço de tempo, e ambas testando duramente o novo governo da presidente Michele Bachelet, resolvi fazer uma dupla pesquisa para este blog: entre os amigos que vão ao Chile regularmente em suas férias, e as principais operadoras de excursões, responsáveis pelas viagens de milhares de brasileiros, todos os anos. A maioria continuou colocando o Chile entre suas prioridades.
Claro que devem ter ocorrido algumas desistências, pelo temor natural de novos tremores de terra, mas a pronta ação do poder central e da Defesa Civil tratou de abrigar as famílias retiradas de suas casas, enquanto os incêndios de Valparaíso, apesar de sua intensidade, acabaram sendo controlados e reduziram-se os riscos. Isso comprovou que o Chile tem governo ativo e competente, e isso é o que mais interessa - a até nos dá uma certa inveja.
Está chegando uma nova temporada de inverno, e o Chile é um dos destinos naturais dos esquiadores brasileiros, pela fama de seus centros de esporte na neve - como Portillo, Farrelones, Valle Nevado e Torres del Paine. As principais operadoras brasileiras mantiveram suas reservas de hotéis e passagens aéreas, para alegria das transportadoras LAN  e TAM.  Muitos mineiros estarão lá em junho e julho. apesar da Copa do Mundo. Talvez, até por causa dela (para não passar vergonha com tantos vexames).
O Chile tem uma impressionante capacidade de resistência, por mais que o país seja testado por graves problemas. acidentes geológicos e naturais, ou imprevistos de outra natureza. A sociedade parece estar permanentemente mobilizada. Os serviços públicos respondem, com eficiência, a todo tipo de demandas. Isso faz o turista se sentir mais seguro.E confiar na pronta resposta de setores vitais, como policiamento, segurança, rede hospitalar etc. Para quem está acostumado ao descalabro da saúde pública no Brasil, e à insegurança generalizada, é reconfortante saber que no país vizinho tudo funciona.
Nesta edição, prestando uma homenagem ao bravo povo chileno, e a seu espírito de luta e tenacidade, vou contar uma história entre muitas - a viagem de um casal amigo, que foi nosso vizinho na Rua Caetano Dias, na Serra, na década de 90: o médico otorrino José Carlos Lassi Caldeira e sua esposa Laura Cunha, e os casais Eduardo e Ana Dias, e Magda e Marcelo Pirfio.  Eles atravessaram a Cordilheira dos Andes, desde Mendoza até Santiago, conhecendo paisagens maravilhosas do interior da Argentina e Chile. Ao final do passeio, a conclusão de todos: viagem nota 10, valeu a pena.
José Carlos resume suas impressões da capital Santiago: uma cidade impecavelmente limpa, com um metrõ organizado e eficiente; segurança absoluta, com 2 ou 3 soldados uniformizados e armados em cada quarteirão central; serviços públicos impecáveis; população educada e cordial, e bem vestida. E alunos dos colégios e escolas vestidos com uniformes que lembram a Europa: os meninos de terno e gravata, e sapatos em vez de tênis; e as meninas com saia plissada e blusa, e usando meias 3/4. E todos lhe pareceram educados e treinados para serem bons cidadãos. Aliás, este é um caminho natural do Chile. Mais detalhes a seguir;
A Catedral visitada por milharea de turistas

            BONS VINHOS, COMIDA EXCELENTE E
           OS TURISTAS NÃO SÃO EXPLORADOS
Os três casais de Belo Horizonte fizeram um circuito de bons vinhos e comidas típicas, tanto em Mendoza como em Santiago (4 noites em cada). Destaque para os vinhos das vinícolas Zuccardi e Andaluna Cellars, na Argentina, e o tinto vinho Trapiche Gran Reserva nos restaurantes do bairro Providencia em Santiago. Provaram de tudo: boas carnes, grelhados em geral, saladas, salmão, camarões gigantes (king crab), peixes congrio e merluza, frutos do mar e paellas. E as tradicionais empanadas chilenas.
A travessia da Cordilheira dos Andes foi numa excelente van alugada através do site Booking.com. Entre os destaques, o Parque Aconcágua,  com cenários deslumbrantes e um almoço em Portillo. José Carlos destacou a organização , seriedade e profissionalismo do pessoal da Alfandega e da Polícia Federal na fronteira: todos uniformizados e armados; as bagagens tiveram de passar pelo raio-X; os viajantes foram tratados com educação e cortesia; e havia até cães farejadores para detectar drogas.  Corrupção zero.
Ao contrário de tantas cidades brasileiras, começando pelas capitais, o asfalto é impecável e não há buracos nas ruas de Santiago; jardins e parques públicos limpos e impecáveis; as pistas para veículos, muito bem sinalizadas e conservadas; todos os sinais sincronizados; e o trânsito não 'aquela bagunça que vivenciamos nesta Terra de Santa Cruz.
Câmbio que os turistas vão encontrar: 1 dólar vale 550 pesos chilenos (já esteve a mais de 750; e 1 real vale 235 pesos. O grupo achou os preços razoáveis e um bom serviço nos hotéis e restaurantes. As peixarias do Marcado Central foram elogiadas pela limpeza, qualidade e baixo custo. Outro destaque foram os almoços junto aos vinhedos, com obras de arte nas sedes. Material informativo de boa qualidade e em várfios idiomas.  Resumindo: o Chile parece não padecer dos males  que afligem as populações de certos países da América do Sul. Está muito adiantado em relação a eles.
O casal José Carlos e Laura em recente passeio pelo Chile

    LIVRE COMÉRCIO COM VÁRIAS NAÇÕES E
     ARTIGOS IMPORTADOS POR TODA PARTE
Há de tudo para se comprar nos shoppings e hipermercados de Santiago, que se assemelha a um entreposto internacional: queijos, bebidas, enlatados e artigos procedentes de mais de 40 países - como Estados Unidos, México, Canadá, Portugal, Espanha, Itáiia, França, Reino Unido, Alemanha, Suíça, Noruega, Suécia,  Grécia, Turquia, Bélgica, Holanda etc. Os acordos comerciais com varias nações, como os EUA, explicam a atual prosperidade do povo chileno.

Nota-se um surto geral de desenvolvimento e gestão coerente na área econômica. A riqueza do país não  deriva apenas da exportação de frutas e bons vinhos para o mundo inteiro, mas também das minas de cobre em vários lugares do deserto de Atacama e na região de Concepción.
Os turistas chegam pelo Aeroporto Internacional Arturo Merino Benitez (nada que lembre o antigo Pudahuel dos anos 60), ou pelo porto de Valparaiso. Há cruzeiros marítimos de 14 noites entre Valparaiso e Buenos Aires, passando por Puerto Montt, Estreito de Magalhães, fiordes chilenos e Punta Arenas, e descendo pela costa do Pacífico na direção do Cabo Horn, Puerto Madryn, Punta del Este e Buenos Aires.
O Chile tem uma extensão territorial de 756.626 km2, com popúlação de 15 milhões de habitantes. Índice de 94,3% de alfabetização de adultos, e expectativa média de vida acima dos 75 anos.
Além de Santiago, Valparaiso e Viña del Mar (os incêndios aconteceram a 4 km dos hotéis e regiões turisticas de Viña), o país oferece ainda destinos interessantes como Arica, Rancágua, Arequipa, Temuco, Valdivia, Iquique, Tacna, Arequipa, Concepción,  La Serena, Coquimbo etc.
Entre os passeios preferidos, estão Puerto Montt, Puerto Varas, corredeiras do rio Petrohue, lago Llanquihue e vulcões Osorno e Villarica. Navios menores, como os da frota Skorpios,  fazem cruzeiros regulares pela região dos Lagos Andinos, onde o prato típico é o curanto - uma seleção de mariscos variados, com lagostas gigantes, caranguejos e camarões graúdos. A gastronomia é um dos pontos fortes do Chile, com a boa companhia dos vinhos Concha yToro, Undurraga, Santa Helena, San Pedro, Casa Rivas, Santa Carolina etc. Outros detalhes em futuros blogs, pois o tema é vasto.


      TAPUMES NO AEROPORTO DE CONFINS
      PARA ESCONDER NOSSA INCOMPETẼNCIA

A menos de 50 dias do início da Copa do Mundo, não há razões para otimismo - a realidade dos fatos comprova que tudo pode sair ainda mais desastrado do que se previa. O Aeroporto Internacional de Confins pode se transformar numa das vergonhas da Copa, e não adianta terem colocado aqueles tapumes, porque eles servem apenas para tapear os desinformados e trouxas, tentando clamuflar o real estado das obras e esconder nossa incompetência.
Em praticamente todas as 12 cidades sedes da Copa (quando deviam ser oito no máximo, com 4 seleções em cada uma), os aeroportos vão se transformar na face mais visível de nossa desorganização, falta de planejamento e péssima gestão, apesar  das obras superfaturadas e dos estádios megalomaníacos - como os de Manaus e Cuiabá.
Por mais tapumes que se coloquem nos aeroportos, as falhas gritantes continuarão bem visíveis: as esteiras de bagagem em número reduzido, a demora nos procedimentos de embarque e desembarque, o desconforto das salas de espera, a gritaria na hora das chamadas dos voos (concurso diário para ver quem berra mais alto), a falta de estacionamento, os abusos de preços nas lanchonetes, as filas em frente aos poucos guichês existentes, as deficiências no sistema de transporte, a falta de atendentes qualificados. Ainda bem que o número de estrangeiros será muito inferior ao que se prometeu antes. Seiscentos mil? - Isso é manipulação, mistificação, engodo.
Nós tivemos sete anos para uma preparação adequada, deixando todos os aeroportos bem estruturados e com todas as obras de ampliação executadas - até com sobras. A Copa, em verdade, não nos pega desprevenidos - nós jogamos fora todas as oportunidades para fazer tudo direito e no tempo certo, pelo menor custo. Preparem-se todos para o festival de amadorismo, improvisações e despreparo que se anuncia. 

Um comentário:

  1. Olá! Chegamos nesta semana de Santiago e temos um ALERTA. Não recomendamos a Agência MITUR, com escritório no Mercado Municipal de Santiago (ponto turístico importante no Centro da capital chilena). Diferentemente do combinado, eles não compareceram na hora do serviço de transfer para o aeroporto. Tivemos de arrumar outro serviço às pressas, senão perderíamos o voo. No mais, o país é maravilhoso e vale a pena conhecê-lo.

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