segunda-feira, 26 de maio de 2014

FIORDE DE GEIRANGER, NA NORUEGA, A MAIS BELA E EMOCIONANTE PAISAGEM




Quantos de vocês, que acompanham este blog desde seu nascimento, em janeiro de 2013, já me perguntaram qual a paisagem mais bela e emocionante que vi nesses 50 anos de viagens? - Eu sempre respondi que o mais extraordinário conjunto de belezas naturais - mesmo com a séria concorrência da Polinésia Francesa, e das paisagens da Áustria, Suíça e Canadá, - foi a maravilhosa visão da costa oeste da Noruega, onde fica o Fiorde de Geiranger, o mais famoso mundialmente dos 200 que o país escandinavo tem.
Chegou então o dia apropriado para apresentá- lo a vocês. Podem estar certos de que tudo o que já escrevi sobre ele foi pouco, diante do impacto de suas imagens. Minha única experiência nesta região foi durante um cruzeiro de 14 noites pelo navio Costa Classica, em junho de 2007, quando Ana Maria e eu tivemos a companhia de dois amigos - um médico carioca, dr. Eduardo Malcher, ortopedista famoso, e um economista argentino, Luís Melián Vanderland; e a surpresa de encontrar outro casal de Belo Horizonte a bordo.
 Vamos então à  descrição do que representam as belezas do fiorde de Geiranger, tudo isso em meio a um silêncio absoluto. Aqui jamais se ouviu qualquer barulho, nem o tradicional apito do navio anunciando que é hora de partir. Chegou caladinho, e assim vai embora.

Em Geiranger, onde até no verão sopra o vento frio das montanhas, você fica extasiado com este conjunto de céu  azul, mar sem ondas, o canal estreito por onde o navio passa, as  cascatas de águas cristalinas descendo do alto das montanhas, o verde estonteante que o rodeia até onde a vista alcança. Paisagens realmente de tirar o fôlego. Você fica boquiaberto,  quase petrificado e em transe, embasbacado, completamente mudo. O que dizer numa hora dessas? Faltam palavras, elas parecem insignificantes diante de tanta grandiosidade, neste cenário que nem o cinema, em tela gigante, é capaz de reproduzir.
Lermbro-me desta cena como se fosse hoje, sete anos depois: Ana Maria e eu de mãos dadas, e sem dizer uma palavra, imaginando que o gesto mais coerente e apropriado é ajoelhar-se nessas pedras, levantar as duas mãos, olhar atentamente para o céu e render graças a Deus, capaz de criar maravilhas da natureza como esta.  Talvez um lugar que a gente veja apenas uma vez na vida,  mas sair daqui com esperança de voltar um dia, trazendo os netinhos.
Deixemo-nos todos, portanto, abrir nosso coração para sentir o que os fiordes da Noruega representam.


        CRUZEIROS APENAS DE JUNHO A AGOSTO,
          POIS AQUI O VERÃO É MUITO CURTO
Dependendo de onde o navio parte, o cruzeiro aos fiordes da Noruega podem durar de 10 dias a duas  semanas.O embarque, além de Kiel, Hamburgo e Amsterdam, podem ser feitos também em Copenhague, Estocolmo, Gotemburgo ou outro porto do Mar do Norte. A época do ano que permite tais viagens é entre junho e fins de agosto, pois aqui o verão é muito curto e passa a galope.No resto do ano, há muito frio e neve, ventos fortes e chuvas - o que faz a grama verde desaparecer.
No verão escandinavo, é comum haver luz intensa durante 23 horas contínuas, confundindo o dia com a noite. Quem acorda no navio, noite alta, para ir ao banheiro, se espanta com tanta claridade e imagina que já é hora do café da manhã.Mas olha o relógio e verifica que são 3h da madrugada.

As escalas dos navios em Geiranger são muito curtas, máximo de 9 horas - e a estreita faixa de mar não permite mais do que 2 ou 3 de cada vez. Os roteiros sempre incluem lugares muito bonitos, como Gravdal, Trondheim, Leknés e ilhas Lofoten, navegando depois na direção do Cabo Norte (Nordkaap), o ponto mais setentrional da Europa. Nossa vigem no Costa Classica incluiu também duas travessias do Círculo Polar Ártico, e depois passou pela Islândia (Akureyri e Reykjavik), e ilhas  Orkney e Shetland, no norte da Escócia, antes do retorno a Kiel. Volta ao Brasil via Paris, no tempo em que eu ainda voava de Air France.
Os navios que operam a rota de Geiranger são da Costa Cruzeiros, MSC, Celebrity, Princess, Viking Line, NCL, Holland America, Royal Caribbean e outras empresas -,e você vai achar em seus sites mais detalhes. Esteja certo, a viagem marítima é muito cara por essas bandas. Comprar com antecedência lhe dá garantia do preço mais baixo.

A rota dos fordes vem sendo descoberta, a cada ano, por centenas de visitantes internacionais. Geiranger se tornou reconhecido pela Unesco como patrimônio da humanidade, e isso ainda é pouco.
Os navios deixam o mar aberto e entram nos canais marítimos, que vão serpenteando entre as montanhas, algumas  com neve no topo. São esses canais que levam aos fiordes. Não há ondas, o mar se assemelha a uma tranquila lagoa em tons de azul profundo, às vezes esverdeado. Do mar aberto a Geiranger são 30 km de extensão, com profundidade média de 250 metros, permitindo navegação calma, bem devagar.
O povoado de Geiranger tem apenas 300 felizardos moradores, rodeado de maravilhas por todos os cantos. No auge do verão, chega a receber 120 navios de cruzeiros, responsáveis pela presença - rápida e rentável - de 600 mil visitantes. Esse fluxo turístico já exigiu a abertura de 2 hotéis, ambos com diária de casal a 150 euros (os países da Escandinavia têm sua própria moeda, e não aderiram ao euro - aqui vale a coroa norueguesa).


                       OS AMBIENTALISTAS QUEREM
                     REDUZIR PRESENÇA DOS NAVIOS


Há um movimento entre os ambientalistas da Noruega, tentando criar restrições quanto ao tamanho dos navios e diminuição da oferta de viagens aos fiordes. Ficou estabelecido que a velocidade nos canais não pode passar de 20 km por hora. Poluição, nem pensar. Muito menos apitos e sirenes, o silêncio é absoluto nesta travessia. Os navios passam tão devagar que parecem estar pedindo desculpas por essa intromissão indevida num reino encantado.
De um lado e do outro, os passageiros se concentram nos decks mais altos para ver o máximo possível desta região. Há muito verde, principalmente dos pinheiros recém-saídos da primavera e já exuberantes. Há pequenas casas brancas que parecem dependuradas nos morros, cheias de flores nas janelas, e um desfile quase interminável, por 30 km de canais, mostrando impressionantes paredões de pedras, e por elas escorrem dezenas de cascatas incrivelmente brancas. São as águas do degelo nas montanhas.
Por essas bandas, jamais se ouviu falar de poluição atmosférica, aquecimento global e efeito estuda. Se não houvesse algumas antenas parabólicas por aqui, pode-se imaginar que os moradores jamais iriam saber dos estádios superfaturados para a Copa do Mundo no Brasil, as greves e protestos, os acidentes nos metrôs e mortes nas estradas, o desaparecimento do Boeing 777-200 da Malaysia Airlines no Oceano Indico, os atentados suicidas que matam tantos inocentes, o tráfico de drogas numa escala jamais imaginada - o chamado mundo "civilizado" em que vivemos.
Obrigado pela atenção de vocês e até o próximo blog.
Com estima e um abraço, Hélio Fraga.

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