sexta-feira, 27 de junho de 2014

O CHILE NO CAMINHO DO BRASIL

Santiago, ao pé da Cordilheira dos Andes, concentra 1/3 da população chilena



Neste dia 27 de junho, sexta-feira, véspera de Brasil x Chile - a primeira partida das oitavas de final - pode-se dizer que as duas seleções estão confiantes, e as duas torcidas parecem eufóricas e entusiasmadas. Mas isso só dura até o apito final do juiz, amanhã, antes das sete da noite, quando uma delas se despede da Copa do Mundo e a outra vai enfrentar o vencedor de Colômbia x Uruguai.

A festa das torcidas, a alegria espontânea, e o entusiasmo contagiante nas arquibancadas são compatíveis com o bom futebol apresentado por alguns concorrentes, superando as expectativas mais otimistas. Mas houve incríveis surpresas, pois esperava-se muito mais de
Itália, Inglaterra, Espanha, Portugal e Rússia, já eliminadas nas oitavas. E esperava-se muito menos de certos  concorrentes,  como Costa Rica, Colômbia, Equador, EUA  e Chile.

As seleções do Brasil e Chile já se enfrentaram 3 vezes em Copas, e o Brasil venceu todas. Desta vez, os chilenos parecem estar mais entrosados e mais conscientes de que podem avançar, ainda que enfrentando o país anfitrião, na casa dele, e com um atacante que desequilibra - Neymar, camisa 10 do Brasil. Mas os chilenos apostam até a alma em seu camisa 7, Alexis Sánchez. Eles ganharam e convenceram.


Tonara que este mata-mata de amanhã, no Mineirão, seja um momento de confraternização entre dois países que se respeitam. Que não haja ofensas nem violência, dentro e fora do gramado; que o juiz seja honesto e imparcial; e que ganhe o melhor futebol. Que as duas torcidas cantem os Hinos Nacionais com a mesma vibração e entusiasmo das rodadas anteriores. São estas atitudes que elevaram o nível cívico, esportivo e técnico desta Copa.




       O LONGO CAMINHO ATÉ O TÍTULO MUNDIAL

A Copa é longa, e ainda faltam muitas partidas até a definição dos 2 finalistas. Acredita-se em duas possíveis finais: Brasil x Argentina, ou Holanda x Alemanha. Mas não se pode ignorar que a França está no páreo, e que o Uruguai, mesmo sem Luís Suárez (a suspensão da FIFA devia ser de 4 partidas, no máximo, e foi extremamente rigorosa) se agiganta nessas decisões.

Se o Brasil não levar o Chile a sério, amanhã, pode se dar mal. E vai ter que jogar um futebol mais convincente do que apresentou nos 270 minutos até agora.

Mas a maioria da torcida verde-amarela acredita que o Brasil é favorito nas oitavas, porém é preciso considerar que caiu num dos grupos mais fáceis, enquanto outros foram verdadeiras pedreiras. O time de Felipão ganhou da Croácia e de Camarões (este, o mais fraco e desorganizado entre os africanos), e empatou com o  México. O Chile se classificou em 2º lugar no Grupo B, depois  da Holanda, numa chave que ainda tinha Espanha e Austrália. Ganhou duas e perdeu uma.

Saindo do futebol, vamos falar um pouco, hoje, deste nosso adversário de amanhã - um Chile que é considerado a nação mais desenvolvida da América do Sul. Tem índice de alfabetização de 94,3% dos adultos. Área de 756.626 km2, com crescimento demográfico de 1,7% ao ano. Santiago, sua capital, ao pé da Cordilheira dos Antes, concentra 1/3 da população nacional.

Vamos conhecer outras faces do Chile das minas de cobre próximas do deserto de Atacama; os terremotos e vulcões em atividade; os belíssimos Lagos Andinos e  Estreito de  Magalhães; e que tem o Pico Aconcágua, o mais alto do Hemisfério Ocidental, com 6.959m, na fronteira com a Argentina (perto de Mendoza).

Santiago fica a 4 horas de voo saindo do Rio ou São Paulo. Não há ligações diretas desde BH, mas precisamos delas. A TAM não se lembrou disso até hoje, nem a LAN, sua dona. Tomara que a Azul pense nisso quando iniciar suas operações internacionais.



UMA LONGA RELAÇÃO QUE COMEÇOU EM 1968

Visitar o Chile é sempre um prazer e alegria, mas esses dois sentimentos foram ainda maiores em janeiro de 1968, quando Ana Maria e eu fomos comemorar nosso 1º aniversário de  casamento com os amigos Guy de Almeida e Clélia, e seus filhos pequenos.  Guy, que seria nosso padrinho de casamento mas não pôde comparecer,  era exilado politico e morava no bairro Nuñoa (Calle Los Cipreses 554). Os filhos eram  muito novos. Artur Almeida, que hoje brilha na Rede Globo (editor geral do MG TV) tinha 8 anos na época.

Aprendi a amar e respeitar o Chile com  Guy e Clélia. Lá estavam, como exilados, muitos brasileiros - entre eles os mineiros José Maria Rabelo (Binômio), Edmur Fonseca e Antõnio Romanelli. Guy trabalhava  na agência italiana de notícias Interpress Service, e mais tarde atuou no Grupo Andino (Acordo de Cartagena). Ficou no Chile desde 1964 até meados dos anos 70, quando se mudou para o vizinho Peru.

Foi Guy quem nos levou à Catedral Metropolitana na Plaza de Armas, aos cerros San Cristóbal e Santa Lucia; ao Paseo Ahumada, tradicional via de pedestres, com seus famosos cafés; à Igreja de San Francisco e Av. Bernardo O'Higgins; ao Vale do Curacavi, Valparaíso e Viña del Mar.


Foi ele, também, que nos apresentou ao vinho Santa Rita e à cerveja Cristal, tradicional patrocinadora do futebol chileno. Naquela época, o aeroporto de Santiago ainda se chamava Cerrillos, depois tornou-se Pudahuel, e nas últimas décadas passou a ser Aeroporto Internacional Arturo Merino Benitez, considerado o mais organizado da América doSul.

Também com Guy e Clélia, foi possível conhecer o Mercado Central, onde se come o côngrio (sea bass), considerado o mais famoso dos peixes chilenos, mas outros acham que é o salmão. E o amigo distante também nos falou do Estreito de Magalhães (Magallanes), das minas de cobre no Atacama, dos vulcões em atividade ou aposentados, dos fiordes chilenos
e da belíssima região dos Lagos Andinos, com dezenas de ilhas - melhor dizer centenas.

Quando Guy, Clélia e os filhos Arnaldo, Beatriz,  Artur, Guilherme e Guy Afonso voltaram ao Brasil, com a redemocratização do país após 25 anos de chumbo, a gente continuou indo ao Chile por essa forte razão sentimental. Aprendemos a amar o Chile e a sentir uma certa inveja de seu grau de civilidade, educação, desenvolvimento econômico  e plena cidadania. Instituições que funcionam num país que dá certo. Uma nação que resistiu aos 17 anos de ditadura de Pinochet.



   O CHILE, FAMOSO PELAS SUAS EMPANADAS
Se for ao Chile, nunca deixe de exoerimentar a empanada - é campeã
 

Indo além do bom futebol desta Copa, que o credencia a sonhar mais alto, o Chile se destaca também em outros segmentos importantes: a estabilidade das instituições; o grau  de sua educação, em todos os níveis; a qualidade de vida de seu povo, apesar de tantos desastres
naturais, como os terremotos; a capacidade de resistência e reconstrução demonstrada por seus cidadãos, como naquele resgate heróico dos mineiros no fundo da mina; e a segurança dada aos visitantes, em todas as regiões do país.


A gastronomia é outro importante instrumento de valorização e promoção do  Chile, e começa por suas famosas empanadas - que muitos tentam copiar mas não conseguem desvendar todos os detalhes de sua preparação. Confundi-las com esfihas ou pastéis de carne moída é
uma ofensa nacional. Nem com os calzones de inspiração italiana.

As empanadas chilenas - robustas, parrudas, bem crocantes - são as mais deliciosas da América do Sul. A carne é macia e saborosa, e o tempero no ponto exato, sem exagero nos condimentos, é muito bom também. Pode-se  entrar em qualquer restaurante, padaria ou lanchonete, em qualquer cidade - Santiago, Antofagasta, Temuco, Concepción,  Punta Arenas, Viña del Mar, Valparaiso, Puerto Montt etc - e pedir uma, pois não vai se decepcionar.
Há muitos lugares para se conhecer e comer empanadas no Chile, como Valdivia, La Serena, Coihaique, Puerto Natales, Iquique etc. No inverno, os brasileiros se divertem nas estações de esqui em Valle Nevado, Portillo, Farellones  e Torres del Paine. No verão e primavera, pode-se visitar o  Golfo de Ancud, Lago Llanquihue, Cerro Tronador  (3.491m), Volcán Corcovado (2.300m) etc.

O curanto, um enorme prato com mariscos gigantes, é outra tradição
nacional, principalmente nas regiões dos vulcões Osorno e Villa Rica - Puerto Varas, Frutillar, Puerto Montt, Rio Petrohue etc. Os frutos do mar, lagostas e pescados diversos fazem a alegria dos turistas que
frequentam os restaurantes do Mercado Central, em  Santiago.


SEUS VINHOS SÃO EXPORTADOS PARA 80 PAÍSES




O Chile se tornou respeitado internacionalmente porque produz os melhores vinhos da América do  Sul, por mais que o Brasil,  Uruguai  e Argentina possam argumentar sua superioridade. As exportações falam mais alto. Os chilenos são vendidos em mais de 80 nações. Estão presentes nas cartas de vinhos de praticamente todas as companhias de
cruzeiros marítimos (mais de 120 navios)  e nos restaurantes finos de todos os países desenvolvidos.

Os chilenos concorrem com os famosos vinhos franceses, italianos e portugueses, considerados os melhores da Europa; e também disputam mercado com grandes produtos da Califórnia, Espanha, Alemanha, Áustria, Grécia, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e outras nações produtoras.

Quem for a qualquer supermercado de Belo Horizonte - como Verdemar, Super Nosso, Mart Plus,  e outros - encontra vinhos chilenos - tintos, brancos, rosées ou espumantes - da melhor qualidade e a preços razoáveis. Eles vêm das regiões onde o clima e o solo são mais favoráveis, como no Valle Central, Maipo, Valle do Curacavi, Colchágua, Casablanca,  Elqui Valley, Andes Vineyards etc.

Há vinhos de todos os tipos e faixas de preço.  Entre os rótulos mais conhecidos pela classe média, destaques para o Concha y Toro, Taparacá, Undurraga, Casillero del Diablo (da Concha y Toro), Antakari, Don Luís, Cousiño Macul, Santa Helena, Santa Rita, San Pedro, Santa Carolina, Santa Ana, Doña Dominga, Veramonte, Casa Rivas, Santa Ema,  Casas del Bosque, Ritual etc.


Hélio Fraga- Editor
27/06/14 

 


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