quinta-feira, 17 de julho de 2014

ALEMANHA, TETRACAMPEÃ MUNDIAL, PARECE PRONTA PARA 2018 NA RÚSSIA

O capitão Philip Lahn com a taça de ouro da FIFA na mão.eSchweinsteger atrás dele




Não se trata de bola de cristal, jogo de búzios, cartomante, videntes e milagreiras, nem um exercício de  futurologia. Pela maneira como a Alemanha ganhou este tetracampeonato mundial de futebol em terras brasileiras, humilhando o país anfitrião diante de uma torcida atônita pelo que via em campo, numa goleada histórica de 7 a 1, e derrotando a Argentina por 1 a 0 na final, gol de Göetze, a sete minutos do encerramento da prorrogação (o empate resuktaria em pênaltis), o forte time do técnico Joachin Löw parece já estar pronto para a Copa de 2018, na Rússia. Basta manter e/ou melhorar a estrutura atual.

Além de ter jogadores de altissima qualidade, jovens talentosos formando uma equipe de verdade (e não um ajuntamento de pessoas presunçosas e despreparadas, como em outras seleções), a Alemanha tem um conjunto de razões para ser considerada favorita antecipadamente: Possui um time realmente poderoso, ciente de sua capacidade, muito bem
treinado, e com todo o suporte técnico e material possível - e isso sem se deixar contaminar pelo otimismo excessivo (caso do Brasil), Com toda essa grandeza, a Alemanha parece humilde, sensata, respeitadora e cumpridora de suas obrigações.

As grandes comemorações na Alemanha sempre acontecem na esplanada da
Porta de Brandemburgo, em Berlim




Parece que a Alemanha está dando um alerta antecipado a seus futuros adversários: se cuidem desde agora, e tratem de evoluir muito, senão podemos ganhar com facilidade ainda maior o pentacampeonato mundial em Moscou, daqui a 4 anos. O Brasil, já penta e falhando mais uma vez na tentativa do hexacampeonato, deve ter coragem para fazer todas as mudanças necessárias, a começar pela estrutura e tipo de comportamento da CBF e das Federações estaduais.

A Argentina,  vicecampeã mundial, deve se cuidar e se preparar melhor, sem depender tanto de Messi e Di Maria. E o mesmo alerta chega para as seleções da Espanha (tão carente de renovação), Portugal, Itália, Uruguai, Bélgica, Croácia, Inglaterra e outros concorrentes. E para os latinos também, e os africanos: Costa Rica, Chile, México, Colômbia, Argélia, Gana, Costa do Marfim, Nigéria, Camarões e outros menos votados. Japão, EUA e Coréia tambem deve ficar atentos. E a Rússia, por ser a organizadora da festa de 2018 em 11 cidades da parte ocidental do país.






GLÓRIA E APOTEOSE NA PORTA DE BRANDEMBURGO



É mais do que justa a euforia dos torcedores alemães - e 400 mil ou mais foram receber os tetracampeões mundiais na Porta de Brandemburgo, em Berlim, na tarde de terça-feira, 15 de julho. A taça dourada foi exibida, com orgulho, pelo capitão Philip Lahn e seus colegas. Um
desfile em carro aberto percorreu o caminho até o palco, onde a grande conquista foi celebrada, para delírio dos torcedores presentes.


O povo alemão se orgulha de sua seleção vitoriosa, mas há outras torcidas vivendo o contraponto de toda essa alegria. São os times que prometeram ganhar a Copa mas ficaram no meio da estrada.  Em vez de alegria incontida, as lágrimas da decepção e da revolta - triste estágio vivido agora pela torcida brasileira. Que, num gesto bonito, torceu pelos alemães na final do Maracanã, gritou olé e bateu palmas para eles. Saber aceitar uma decepção deste tamanho é para poucos, e a torcida do Brasil foi nota 10 na Copa.
O futebol   do time da CBF foi nota 4 ou 5, no máximo.

Na festa da Porta de Brandemburgo, vi a taça de ouro passando de mão em mão: o melhor goleiro da Copa, Manoel Neuer; o Boeteng de tantos desarmes sem fazer faitas; Hummels, o verdadeiro xerife da defesa, que ganhou todas as disputas diretas  com os argentinos na final do Maracanã; o herói desta decisão, Mario Götze, autor de um belo gol, com raro senso de oportunismo (o goleiro Romero não pôde fazer nada); o gigante Schweinsteiger, que mostrou um importante arsenal de jogadas, e enfrentou um verdadeira caçada dos colegas de Messi. Bateram à vontade.

Outros heróis do tetra vão levantando a taça:  o artilheiro absoluto das Copas (16 gols), Miroslav Klose, que merecia ter marcado mais um; o atacante Thomas Müller, seguido por todos os lados por Zabaleta ou Garay;  o brilhante  Kroos, que podia ter-se apresentado de forma mais convincente nesta decisão, e também Özil, que  terminou devendo 1 gol feito; Höwedes, que teve chance de decidir o jogo no segundo tempo; Schürrle, que sempre entra bem nas partidas e convence os críticos . E lá estão também Kramer (levou uma pancada e teve de ser substituído), o eficiente Mertesacker e outros colegas do banco de reservas. Festa
geral, pois a taça é de todos.

Bandeiras da Alemnha e Brasil juntas na cabine do Airbus A340-600 da imprensa

BOEING 747 PARA O TIME E A340-600 PARA  IMPRENSA

Dois superjatos da Lufthansa foram utilizados neste retorno triunfal : os tetracampeões voaram num Boeing 747/800 novinho em folha, enquanto a imprensa e outros convidados foram num Airbus A340-600. Neste jato, apareceram as bandeiras da Alemanha e Brasil juntas na cabine do piloto. Uma homenagem para não se esquecer, como aquela dança dos índios pataxós em volta da taça, ainda no Maracanã.

 
 Jornais e revistas alemães destacam as principais qualidades do time de Löw na final contra os argentinos: inteligência, paciẽncia e sangue frio para lidar com as pressões do  adversário; muito controle emocional e aplicação tática; e a preocupação de cobrir todos os setores do gramado. 

Em lua-de-mel com a taça de ouro, a imprensa alemã destaca as chances de gol perdidas por Özil e Höwedes, e argumenta  que o placar dafina lpoderia ser diferente se Higuain e Palácio não jogassem fora as duas oportunidades de gol que tiveram.

Fala-se pouco em Messi na imprensa alemã .  A maioria concorda que o troféu como melhor jogador da Copa foi uma espécie de consolo (basta ver a cara feia dele). Esta taça devia ser de Arjen Robben, da Holanda. Há elogios também para Alejandro Sabella, técnico da Argentina, que montou um time bem fechado para suportar a pressão dos alemães.

E a festa continua por muitas horas na Porta de Brandemburgo.



TÉCNICO CAMPEÃO NÃO É GAROTO PROPAGANDA

Joachin Löw, o competente técnico da Alemanha, foi o mais discreto possível nas celebrações da Porta de Brandemburgo. Deixou que os tetracampeões mundiais fossem o centro das atenções e os mais focalizados pelas câmeras. Durante as sete partidas da Copa no Brasil, Löw sempre manteve uma postura discreta, evitando aparecer ou ser focalizado. Nada de alegria exagerada,   braços erguidos triunfalmente, ou cara de sofrimento ao levar um gol. Não sabe fazer show·

Essa discrição é bem diferente de outros treinadores que abusam das cenas patéticas - abrindo os braços, gesticulando, pressionando o 4º árbitro, questionando impedimentos bem marcados (culpa dos atacantes que não sabem se colocar). Querendo justificar os seguidos erros do seu time, há todo tipo de apelações para ficar bem com a torcida, que cobra mais garra e um futebol mais convincente -  não é, Felipão?

Espera-se que Löw, que parece ser inteligente e ter bom senso,  não entre nessa onda de treinadores que aceitam todo tipo de comerciais da televisão, em busca de dinheiro fácil, fazendo a profissão ainda mais rentável. O perfil de um técnico carismático, competente e vencedor não se baseia em número de comerciais que foi gravou e encheu os bolsos - já sendo muito rico. E muitos jogadores do time da CBF gravaram alguns comerciais que podem ser classificados de enganosos e oportunistas, ou espertalhões, porque suas mensagens visaram manipular os sentimentos dos torcedores.

Diante de tantas estrelas nos comerciais gravados pelo técnico e jogadores do Brasil, senti falta de alguns segmentos do mercado que também poderiam ter contratado seus serviços fora do gramado - como leiite integral, sorvetes. pasta dental, sabonetes, loção hidratante, creme para barba, óleo de soja, granola, ovos de codorna, vitaminas e energéticos, azeites evinagres,sabão em barra, desinfetante, talvez até Viagra, preservativos e absorventes femininos.
Chega!

 

 FINAL APOTEÓTICO DA COPA DE 1970 NO MÉXICO
A cada final de Copa doMundo, seja onde for, a entrega da taça ao novo campeão me  transporta imediatamente á capital do México, numa tarde de céu azul e sol forte, após a goleada de 4 a 1 do Brasil contra a Itália. Foi uma das mais belas festas a que assisti dentro de um estádio. O Azteca estava superlotado, bem enfeitado, torcida animada e barulhenta, apoiando ostensivamente o time do Brasil.

Naquele tempo, não havia nada disso que se viu nos 12 estádios brasileiros nesta Copa. Hoje, a torcida já é um espetáculo à parte, componente vital para este clima  de explosão de alegria e entusiasmo. No México, não havia máscaras, nem cabeleiras exóticas, nem tatuagens, nem milhares de rostos pintados com as cores de cada país.

Dentro de campo, no México, um show completo de Pelé, Tostão, Jairzinho, Clodoaldo, Rivelino, Gerson, Wilson Piazza , Carlos Alberto e seus colegas. O técnico era Zagallo.

O momento mais emocionante foi o recebimento da Taça Jules Rimet pelo capitão Carlos Alberto Torres - este mesmo que brilhou nas telas do Sportv. Foi aquele mesmo gesto triunfal que imortalizou Hideraldo Luíz Bellini (falecido recentemente), na Copa de 58, na Suécia, erguendo a taça sobre sua cabeça, e repetido por Mauro Ramos de Oliveira, quatro anos depois, na consagração do Brasil como bicampeão mundial no Estádio Nacional de Santiago do Chlie. Um gesto emblemático, que a torcida esperava ver o time da CBF  repetir agora, mas ficou só na promessa.

Nesta tarde gloriosa no México, há 44 anos, eu já era jornalista e colunista de Esportes desde os anos 60. Aqui aconteceu a maior emoção que o futebol me deu. Então, consegui escrever aquela que considero a mais bela de todas as colunas, e mais marcante, dedicada ao meu 1º
filho, que havia nascido em fevereiro daquele ano.

Aqui está o trecho final:

-  "Luiz Otávio, meu filho, você é pequeno demais para entender certas coisas. Mas se algum dia alguém lhe disser que um homem não  chora, diga-lhe por favor, meu filho, que no dia 21 de junho de 1970, no Estádio Azteca, na Cidade do México, enquanto Gérson chorava de joelhos na grama, centenas de brasileiros, homens tarimbados, veteranos de várias Copas, vacinados  contra todas as emoções, choravam também.

Entre eles, o seu pai - orgulhoso de ser brasileiro e explodindo de felicidade"



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(Para quem  não conhece esta parte de minha vida, e os novos leitores que me acompanham agora neste blog, o Luiz Otávio ficou conosco até novembro de 1982, quando, aos 12  anos, morreu vítima de um tumor cerebral -  meduloblastoma --depois de esgotados todos os esforços para salvá-lo. Ficou conhecido como o Menino Valente, tema central de meu 1° livro, e é nome de uma praça junto ao Palácio das Mangabeiras, em Belo  Horizonte).

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Hélio Fraga - Editor
Trabalhos de postagem e edição: Ana Cristina Noce Fraga
Postado em 17 de julho de 2014

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