quinta-feira, 11 de setembro de 2014

11 DE SETEMBRO DE 2001, UM DIA QUE ENTROU PARA A HISTÓRIA E MUDOU O MUNDO

As Torres Gêmeas já em chamas, prenunciando seu inevitável desabamento



O tempo voa mesmo. Já se passaram 13 anos, mas milhões de pessoas, em todo o mundo, nunca se esqueceram dos atentados terroristas que provocaram o colapso das Torres Gêmeas do WTC-World Trade Center, com 110 andares cada uma, no coração financeiro de New York. Uma tragédia gigantesca, de uma audácia inimaginável, que resultou na perda de 2.296 vidas humanas, incluindo os 19 terroristas fanáticos nela envolvidos. autores do sequestro de quatro jatos de grande porte (Boeings 767 e 757 da American Airlines e United - dois dos quais foram atirados contra o WTC.
Já se escrevia, naquela época - início do 3º milênio - que o mundo jamais seria o mesmo depois desta tragédia.  E não foi. Os desdobramentos resultaram numa verdadeira paranóia orientando os sistemas de vigilância nos aeroportos em todos os continentes. Viajar ficou muito mais difícil e complicado. Os constrangimentos se sucedem, milhares de vezes por dia. Todos são suspeitos, até prova em contrário.

As inspecções de passageiros e bagagens são rigorosíssimas. Até idosos tetraplégicos, com mais de 80 anos, têm de ser retirados das cadeiras de roda para passar pela verificação nos aparelhos de  raios-X, cada vz mais potentes e sofisticados. E obrigados a retirar seus sapatos ou botas, para ver se não estão escondendo alguma arma.
Inofensivos carrinhos de bebês são revirados de todas as formas, à procura de armas escondidas, bombas, líquidos suspeitos  ou outros artefatos explosivos. Inocentes canivetes e tesouras pequenas são confiscados e colocados no lixo. As quantidades de líquidos permitidos nas bolsas de viagem são ínfimas. Os maiores exageros são cometidos, obrigando os passageiros dos 2 sexos a retirarem seus sapatos, cintos e relógios. E nada indica que isso vai mudar - ao contrário, a tendência é apertar o cerco mais ainda, sempre em busca de terroristas islâmicos radicais e fanáticos.
A arrogância  e rispidez já "normais" de muitos fiscais de aeroportos, ou encarregados da segurança, acabam sendo responsáveis por ações agressivas e truculência. e atitudes intolerantes que não combinam com gentileza, cordialidade e boa educação - a que todos os turistas e visitantes têm direito. Mas muitos recebem coices.
Como muitos jovens que acompanham este blog eram crianças quando explodiram as duas Torres Gêmeas do WTC, deixando a nação mais poderosa sobre a face da Terra aturdida e desorientada nas primeiras horas de 11 de setembro de 2001, um breve relato será feito aqui e agora, sobre as circunstâncias e amplitude dos atentados terroristas da rede Al Qaeda. Meus dois primeiros netinhos só nasceram em 2008, sete anos depois.
   O SEQUESTRO SIMULTÂNEO DE QUATRO JATOS
Vista da Estátua da Liberdade e da fumaça que sai das Torres Gêmeas

A ação desse grupo de 19 terroristas islâmicos radicais (e suicidas)  abalou o conceito dos sistemas de vigilância e inspecção de passageiros nos aeroportos norte-americanos. Ninguém jamais imaginou que isso pudesse acontecer, com inimigos dos EUA entrando a bordo com estiletes e facas escondidos nos sapatos (tese mais provável). Sabe-se que os pilotos das aeronaves sequestradas foram esfaqueados ou sedados antes de perderem o controle dos quatro jatos. Fala-se também em uso de gases venenosos e spray de pimenta.
O sequestro dos aparelhos resultou em 246 mortos, mas podiam ser mais de 1 mil, já que os jatos têm capacidade de transportar cerca de 260 passageiros. Estavam com menos de 30% de ocupação. Foram estes os Boeings envolvidos:
1) Boeing 767 da American Airlines, executando o voo AA-11, de Boston para San Francisco. Decolou do Aeroporto Logan International  às 7h59 da manhã, com 11 tripulantes e 76 passageiros, entre eles 5 terroristas escondidos. O jato explodiu contra a Torre Norte do WTC às 8h46, provocando um gigantesco incêndio. As nuvens de fumaça escura eram vistas a quilômetros de distância.
2) Boeing 767 da United Airlines, voo UA-175, decolando de Boston para Los Angeles às 8h14, com nove tripulantes, 51 passageiros e 5 terroristas. Foi desviado de sua rota normal e atingiu a Torre Sul às 9h03.
3) Boeing 767 da American, voo AA-73, decolando de Washington-Dulles (IAD) às 8h20 para Los Angeles, com 6 tripulantes e 51 passageiros, mais 5 sequestradores. Foi desviado da rota prevista e atirado contra o edifício do Pentágono às 9h37. É considerado o prédio mais seguro do mundo, e com tecnologia mais sofisticada.
4) Boeing 757 da United Airlines, voo UA-93, cuja história acabou se transformando num filme de grande repercussão. Decolou de Liberty International, o aeroporto de Newark-New Jersey, com destino a San Francisco, levando 7 tripulantes, 33 passageiros mais quatro terroristas. O objetivo era atingir o Capitólio, sede do Congresso dos EUA, na capital (e não a Casa Branca, como se falou). Alguns passageiros souberam, pelo celular,  o que estava acontecendo nas Torres Gêmeas e decidiram enfrentar os terroristas, seguindo-se luta a bordo. O avião acabou explodindo no chão de Shanksville, condado de Sommerset, na Pensilvânia.  Todos morreram.
Segundo a pesquisa do amigo José Cesário Alvim Figueiredo - administrador de empresas, ex-colega aposentado da Cemig e companheiro de viagens - entre aterrorizadas e chocadas, milhões de pessoas acompanharam, em transmissão direta da rede CNN, os incêndios nas Torres Gêmeas a partir das 8h46 da manhã. Apesar do gigantismo dos 2 edifícios, já se podia imaginar que eles não resistiriam ao impacto de dois jatos contra eles, com os tanques cheios, explodindo e incendiando as duas torres.
Nem o mais alucinado filme de terror produzido em Hollywood podia imaginar um roteiro prevendo o que aconteceu naquela manhã de 11 de setembro, para eles 9/11 (nine eleven). De propósito, certamente,  e não por coincidência,  o número 911 é o telefone de emergẽncia nos EUA: a Torre Sul queimou por 56 minutos e desmoronou às 9h59. A Torre Norte desabou às 10h28,  após um incêndio que durou 102 minutos.
Após o colapso  das Torres Gêmeas, o Distrito Financeiro de New York foi invadido por uma gigantesca nuvem tóxica, atingindo tudo que havia nos quarteirões próximos do WTC e milhares de pessoas atônitas nas ruas. Centenas  delas foram intoxicadas e tiveram sérios problemas pulmonares. O sistema de transporte público entrou em caos, paralisando trens e ônibus. Foi um dia para nunca mais esquecer.

  O HEROÍSMO DOS BOMBEIROS DE NEW YORK
New York, Big Apple (Grande Maçã), considerada capital do mundo, tem duas instituições sagradas: o FDNY, Corpo de Bombeiros (Fire Department of NY) e o NYPD (Departamento de Polícia). As duas forças policiais e de salvamento e resgate mobilizaram todos os recursos disponíveis para enfrentar a tragédia do WTC e tentar reO imponente WTC se transformou numa montanha de fduzir seus efeitos catastróficos.
Isso foi o que restou das imponentes Torres Gêmeas do WTC

Os bombeiros acionaram 200 unidades, inclusive vários companheiros de folga chamados com urgência em suas casas. Fizeram todos os esforços possíveis para retirar as vítimas dos escombros, e tentativas de resgate de pessoas presas ou encurraladas nos andares inferiores do WTC. Considerados heróis nacionais, os membros do FDNY pagaram um alto preço: 341 deles morreram no combate às chamas, mais 2 paramédicos.
Já o Departamento de Polícia, que mobilizou dezenas de viaturas azuis e brancas, incluindo ambulâncias vermelhas para transporte de  mortos e feridos, acabaram perdendo 23 colegas nesta tragédia. Fizeram tudo o que era possível, naquelas dramáticas circunstâncias. O desespero tomou conta da capital do mundo.
Dos 2.296 mortos, 1.900 estavam nos andares mais altos do World Trade Center, a partir do 89º, e muitos deles se suicidaram, quebrando as janelas de aço e vidro e saltando no espaço. As perdas podiam ter sido muito maiores. Segundo estimativa da NY Port Authority, entidade que cuida dos aeroportos de New York (La Guardia e JFK) e de New Jersey (Newark), havia 14.154 pessoas nas Torres Gêmeas no momento do impacto do primeiro avião, às 8h46. Já o NIST, Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, calculou que eram 17.400 civis no WTC. Todos eles, condenados à morte, acabaram vivendo de novo, e carregam  essas fortes imagens pelo resto de suas vidas.

Com o sistema de elevadores em colapso, e vários andares ardendo em chamas, centenas de pessoas escaparam a morte descendo em desabalada carreira os degraus das escadas de emergência. Chegar à rua foi um alívio, e todas foram imediatamente afastadas, na iminência do colapso das torres.

E SURGIU A FREEDOM TOWER, COM 112 ANDARES 

As Torres Gêmeas já têm substituta: a Torre da Liberdade (Freedom Tower), chamada oficialmente de One World Trade Center (WTC-1). Tem 112  andares, mais uma gigantesca antena, a 415 metros do solo. Com formas arrojadas, parecendo um bunker de aço e concreto, com fachada em vidro azul espelhado, ela se tornou o edifício mais alto da cidade. A construção foi iniciada em abril de 2006, coincidindo com o 75º aniversário da abertura do Empire State Building, de 89 andares,  na esquina de Rua 34 com a 5ª Avenida.

Dos 112 andares, 82 são designados para ocupação por escritórios, bancos e sedes de empresas multinacionais. A área total construída é de 241.542 m2. Enquanto o vazio das antigas Torres Gêmeas foi ocupado por um espaço público, com os nomes das vítimas dos atentados, e tendo anexo o Memorial 9/11, para exposição da história do WTC em filmes, vídeos e livros, e venda de artigos relacionados com o World Trade Center (há forte oposição contra essa mercantilização, considerada um desrespeito à memória  das vítimas), o prédio da Freedom Tower ocupa um trecho importante do  complexo do antigo WTC, com acesso pelas ruas Vesey e West.
O sistema de metrô e trens urbanos ligando New York a seus principais subúrbios, e a todos os pontos importantes da ilha de Manhattan, tem uma gigantesca estação subterrânea na sede da Freedom Tower, Não faltam lanchonetes, bancas de jornais e revistas, livrarias, cafeterias, floras e um shopping center, tudo no estilo de New York, a cidade que nunca dorme, como já cantava Frank Sinatra. É a vida que segue.
  
            TORRES GÊMEAS, CINCO ANOS ANTES





Esta fotofoi batida por um jovem desconhecido, a meu pedido, numa tarde quente e ensolarada de julho de 1996, no 110º andar do World Trade Center. O turista que estava no alto da torre registrou - ele não sabia, nem nós - que aquela simples cena de um casal brasileiro com sua filha, seria uma eterna lembrança de um momento marcante em nossas vidas. Ana Maria, Ana Cristina (então solteira e com 19 anos) e eu não ficamos mais do que 15 minutos no Observation Deck, no topo das Torres Gêmeas, com a melhor vista da cidade nas direções norte/sul/leste/oeste.

Como é que aquele turista desconhecido, e nós três, poderíamos imaginar que dali a cinco anos aquelas duas torres de aço e concreto não existiriam mais? Nem nos piores filmes de ficção e terror.

A foto acabou sendo histórica para nossa família. A gente chega a pensar o que seria de nós, se nossa visita coincidisse com a manhã de 11 de setembro de 2001. Estaríamos todos mortos, e no maior grau de sofrimento possível. Ninguém se salvou no dia do ataque terrorista, estando acima do 89º andar, o ponto onde a primeira torre foi atingida pelo primeiro jato.

As imponentes Torres Gêmeas antes do atentado

Como os dois Boeing 767 estavam com os tanques cheios, pois iam supostamente fazer um voo de quase cinco horas, ligando New York a Los Angeles e San Franisco, o impacto contra a primeira torre provocou imediata explosão, matando todos instantaneamente. Mas a morte de todas as pessoas  que estavam nos andares superiores ao 89º foi muito mais sofrida, lenta, angustiante.

O fogo se alastrou rapidamente, por todos os lados. As escadas das saídas de emergência ficaram todas bloqueadas, já transformadas em escombros. As labaredas tomaram conta de todos os andares superiores. Sufocadas pela fumaça negra, muitas pessoas quebraram as janelas de vidro e se lançaram no espaço, desesperadas, vendo no suicídio a única forma de apressar sua morte, em vez de serem  queimadas vivas.

 
Assim como as impressões desta primeira e única visita nossa ao observatório do World Trade Center, a agenda de anotações da viagem registra que a entrada custou US$ 18 para cada adulto; que os horários de visita, no verão, eram de i8h30 às 17h30; e que os turistas desciam do elevador no 109º andar, subindo ao topo por uma larga escada de acesso ao Observation Deck.

Com duas moedas de quarter (25 centavos de dólar), nessas máquinas com lente de aproximação (uma delas bem à nossa frente) era possível ver de mais perto ainda cenários como Brooklyn, Queens, o Aeroporto La Guardia, o Aeroporto JFK bem mais distante, o coração da ilha de Manhattan, o  Central Park lá longe, o Harlem, Staten Island, Roosevelt Island e o Aeroporto Liberty  de Newark, no vizinho estado de New Jersey do outro lado do Rio Hudson.


O que a gente jamais podia imaginar era que, doze anos depois deste dia histórico, Ana Cristina, já casada com o eng. Cássio Santos Mol, seria mãe dos gêmeos Rafael e Mariana Noce Fraga Mol, nossos primeiros netos, nascidos no Hospital Vila da Serra em março de 2008. E que Rafael, já aos 3 anos, seria um apaixonado pela história das Torres Gêmeas.

(Eu, Ana Cristina, filha desse brilhante jornalista que é meu pai, postei essa foto sem permissão dele. como forma de declarar todo o nosso amor e gratidão ao melhor pai e avô do mundo).

Hoje, aos 6 anos e seis meses, o Rafa recebe esta homenagem simbólica de Vovô Hélio. Este blog é dedicado a ele e Mariana, e à sua prima Larissa (quase 3 anos), que mora com os pais em Brasília-DF.

Ao contrário da coluna semanal de um Caderno de Turismo - que nem existe mais -, que pode ser feita com o máximo de dedicação, amor e paixão (mas tende a parecer uma página de papel fria e distante), o blog  tem esta vantagem de a gente poder compartilhar com milhares de pessoas, de uma forma quase íntima, esses pedaços de vida,  momentos únicos que se transformam em parte de nossa existência.

E isso me torna ainda mais agradecido - pelo apoio e confiança - a cada um de vocês. Amor nunca faltou aqui, e nem vai faltar. Vamos caminhar juntos por muitos anos ainda, se o bom Deus o permitir. Aquele abraço!

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Hélio Fraga - Editor
Trabalhos de edição e postagem: Ana Cristina Noce Fraga
Belo Horizone-MG /  Brasil
11 de setembro de 2013










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