sexta-feira, 19 de setembro de 2014

FONTANA DI TREVI, MULTIDÕES CHEGAM PARA ATIRAR AS TRÊS MOEDAS NA FONTE





De qualquer ângulo, a imagem da Fontana di Trevi impressiona os visitantes


Há uma explosão de turismo acontecendo na Itália, começando por Roma. Nunca a Cidade Eterna recebeu tantos visitantes estrangeiros como nesta temporada de verão. Verdadeiras multidões lotaram seus principais monumentos e atrações: Coliseu, Foro Romano, Campidoglio, Fontana di Trevi, Piazza Navona, Piazza Venezia, Trinitá dei Monti (Piazza di Spagna), Pantheon, Arcos de Tito e Constantino, Mercado de Trajano,etc.
A ocupação da hotelaria romana bate sucessivos recordes, principalmente às quartas-feiras e domingos, quando o Papa Francisco abençoa as multidões na Praça de São Pedro. Essa avalanche de turistas é sentida por todas as partes no Vaticano. Nunca na Itália se viu tanta gente agitando bandeiras nacionais e lenços brancos para saudar um Papa. Nem mesmo nos tempos gloriosos de João Paulo II (agora santo da Igreja Católica Apostólica Romana).
A Fontana di Trevi é um bom termômetro deste "boom" do turismo internacional. Está lotada durante todo o dia, até altas horas da noite, nos sete dias da semana, 365 dias por ano. As ruas de acesso, já muito estreitas, estão sempre congestionadas. É impossível fotografar alguém sem que apareçam rostos, nucas e perfis de pessoas desconhecidas - são, involuntariamente, aquilo que se chama de papagaios de pirata,

Não há estatísticas oficiais disponíveis, mas a avalanche de visitantes estrangeiros começou em março do ano passado, com a eleição do Papa Francisco, o responsável direto por essas multidões, com seu extraordinário carisma. A Itália vai acabar superando a França, líder disparada no número de visitantes estrangeiros (mais de 70 milhões por ano).

E esses estrangeiros, que deixam milhões de euros na economia e indústria turística de Roma, acabam se espalhando por outras cidades italianas, como Milão, Florença, Veneza, Turim, Siena, Verona, Padova,  Bolonha, Bérgamo e Nápoles. E superlotando os portos de Savona, Genova e Veneza, de onde partem os cruzeiros marítimos.

E para que esses estrangeiros voltem um dia à Itália, o segredo vem desde os saudosos anos 50/60, quando a Fontana di Trevi despontou para o turismo mundial: basta ficar de costas para as águas que correm nas fontes, fechar os olhos e atirar 3 moedas, pois elas são uma garantia de retorno à Cidade Eterna num futuro próximo ou distante. Milhares de moedas são recolhidas semanalmente pela Prefeitura de Roma.
Multidões ocupam todos os espaços, dia e noite,. 365 dias por ano

Antigamente, eram liras italianas, francos franceses ou suíços, marcos alemães, pesetas espanholas e escudos portugueses. Hoje, são euros em moedas de 1 e 2, ou parcelas em cêntimos. E moedas vindas de outros países, como coroas escandinavas, dólares americanos ou canadenses, e  ienes japoneses. Reais brasileiros também, e claro. Vamos passear um pouco pela Fontana di Trevi.

     UM MUNDO DE GENTE DIANTE DAS FONTES
Há dezenas de fontes em Roma. Só para citar algumas; fonte do Pantheon, del Tritone, da Praça de São Pedro, da Piazza del Popolo, fonte nas Naiades e de Netuno, fonte da Piazza Santa Maria de Trastevere, fontes belíssimas da Piazza Navona, fonte dos Rios e das Quatro Tiaras, fonte das Tartarugas etc. Mas nenhuma pode competir, em prestígio, com a Fontana di Trevi. Campeoníssima da preferência popular - gente de todas as idades e procedências.

Não há melhor passeio noturno em Roma do que visitar a Fontana di Trevi

Segundo o excelente e sempre útil Dicionário Histórico de Roma, do jornalista e escritor  José Maria Couto Moreira (ex-diretor da Imprensa Oficial de MG), a Fontana di Trevi é abastecida pelo Canal de Água Virgem, construído por Marco Agripa, genro do imperador Augusto, no ano 19 antes de Cristo. A água jorra na boca de gigantescas figuras espalhadas pela fonte. 
A fonte foi idealizada e construída pelo Papa  Clemente XII Corsini, porém foi Benedito XIV Lambertini o responsável por sua feição definitiva, por volta de 1751. Seu nome deve-se a uma corruptela de tre via (três ruas), pois ela fica realmente no encontro de três pequenas ruas, por onde alguns carros com motoristas afoitos se atrevem a passar, espremendo os pedestres contra as paredes.
O filme La Dolce Vita, de Federico Fellini, teve suas principais cenas filmadas na Fontana di Trevi, e ganhou vários prêmios internacionais. Transformou instantaneamente Anita Eckberg em grande estrela e foi assim que a fonte se tornou conhecida mundialmente. Símbolo de amor e paixão.
Caminhando, a melhor maneira de se chegar à Fontana di Trevi é pela Via del Tritone. Vindo de metrô, melhor descer na estação Barberini, na praça do mesmo nome, não muito distante. Depois de uma série de vielas estreitas, que há 30 ou 40 anos eram muito mal iluminadas à noite, e nem sempre com cheio agradável (fezes de cavalos das charretes e carruagens), chega-se finalmente à fonte. A luta, a partir de então, é para conseguir um lugar, por mais espremido que seja.
Em volta da Fontana di Trevi, há casas muito velhas (de 2 andares), lanchonetes, sorveterias, pizzarias e trattorias e um comércio variado, além de vendedores nas ruas (orientais, quase sempre). Existe um Hotel Fontana, de pequena capacidade, e caríssimo, pois fica de frente para ela. Há também sapatarias masculinas e femininas, lojas de gravatas e moda esportiva.
Nem sempre as 3 moedas atiradas na Fontana di Trevi significam apenas o pedido de voltar a Roma. Parece mais que seja encontrar o amor de alguém, a volta de quem partiu, o reencontro com quem se ama. Roma é incrivelmente romântica. O amor está por toda parte e  um de  seus endereços favoritos é a Fontana di Trevi - agitada, superlotada, fotografada milhares de vezes todos os dias. Nesta era de "selfies", então..., 

   ROMA, CIDADE ETERNA - VERDADE HISTÓRICA


Trechos de um capítulo de meu livro "Andanças", escrito em 1987, demonstram essa antiga paixão pela Itália, que sempre me acompanhou - e tenho a honra da descendência italiana, da família Noce, nos nomes de meus 3 netinhos:
-"Roma, Cidade Eterna; aqui os arrepios de emoção se sucedem, a cada monumento que se visita (são mais de 500 obras de arte), lembrando os primeiros tempos do Cristianismo, os doze Césares, o apogeu e decadência do Império Romano (dono de mais da metade do mundo), o incêndio promovido pelo alucinado imperador Nero (Nerone), as invasões e guerras, as influências de outros povos, a sedimentação da Itália como nação unificada, a experiência do fascismo a partir de 1922 com Mussolini , à volta da democracia após a II Guerra Mundial.
Roma Eterna,  mesmo - na sedução de suas ruas estreitas, nas águas mansas que correm no Rio Tevere (Tibre ou Tigre), na beleza e imponência de seus monumentos, no esplendor de seu passado e na agitação do seu presente - um fabuloso destino turístico mundial.
Não se consegue descrever, assim de repente, a emoção de entrar no Coliseum (Collosseo), sabendo que ali, naquele anfiteatro em forma circular, parcialmente em ruínas, centenas de cristãos foram queimados vivos ou devorados por leões famintos, após saírem das catacumbas onde estavam aprisionados. E, com o corpo em chamas, eles seguiam louvando a Deus e cantando sua fé - quem não se lembra dessas cenas no filme Quo Vadis?
Haja fôlego, pois Roma tem de ser vista assim devagar, a pé. Caminhando por suas vielas, ruas e avenidas, a gente vai descobrindo as mil Romas que existem, cada qual com um pedaço de história: a Piazza Reppublica, a Via Ápia Antiga, os imensos jardins da Villa Borghese, a imponência do Palácio Quirinale, a estátua de Moisés na igreja de San Pietro in Vincoli, as Termas de Deocleciano, os Arcos de Tito e Constantino, as impressionantes ruínas do Foro Romano na Via dei Fori Imperiali, a Boca da Verdade, os concertos de verão na escadaria do Campidoglio, o Museu Nacional e sua coleção de antiguidades.
Roma é um museu de arte a céu aberto, com as majestosas estátuas de Bernini, para ficar só nelas. Melhor nem falar no Pantheon, Altar da Pátria (monumento em honra de Vittório Emanuele II), as Termas de Caracala e os banhos públicos, a Estação Termini - que é o centro vital de comunicações de Roma com toda a Itália e o resto da Europa. Andando pelos modernos trens da Trenitália, não há a menor saudade dos antigos vagões de  passageiros e as vagarosas locomotivas da ferrovia estatal FS.

        PAPA FRANCISCO, O REI DAS MULTIDÕES
Ele esbanja simplicidade, bondade e um impressionante carisma

O Papa Francisco é um fenômeno mundial, é impossível ficar indiferente a ele. Em poucos dias de pontificado, tornou-se a figura mais carismática e respeitada sobre a face da Terra. Ninguém consegue superá-lo - nem reis e rainhas, nem cantores e artistas de cinema, nem políticos famosos. O Papa encanta a todos pela mansidão, serenidade, atitudes de desprendimento,  coerência daquilo que prega com o estilo de vida que adotou no Vaticano - mesmo tendo um ex-Papa vaidoso aposentado perto dele.
Francesco, como chamam os italianos, cativa as pessoas desde o primeiro instante. Inimigo da formalidade, e das vestes suntuosas,  ele passa sempre uma ideia de simplicidade, de humildade,  e comprova que está trabalhando para os humildes, os deserdados, os excluídos - mais do que sem comida  e sem teto, aqueles seres humanos sem esperanças, famintos de amor.
A Praça de São Pedro vive dias de puro êxtase com o Papa Francisco. As multidões ocupam todos os espaços disponíveis, e são milhares de lugares. Dois telões gigantes, nas laterais da praça, aproximam o Papa dos fiéis, quando ele aparece naquela tradicional janela do Vaticano, para dar sua bênção aos domingos, ao meio-dia, após breve homilia.
Os peregrinos vêm de todas as partes do mundo. Os vários grupos são identificados pelas bandeiras dos países ali representados. Há também faixas em profusão, e milhares de lenços brancos agitados.  Nunca se venderam tantos postais, quadros, gravuras, folhinhas, crucifixos, medalhas e terços. As lembranças do Vaticano incluem ainda imagens, medalhas e artigos religiosos em geral.  Vendedores avulsos, em barracas de lona, se espalham pela parte final da praça, pois a melhor hora para vender é depois de terminada a solenidade com a bênção papal.
Praça de São Pedro superlotada, a rotina das quartas-feiras e domingos

Nas ruas próximas, congestionadas, há quiosques, restaurantes, lanchonetes e pizzarias. Os passageiros que vêm e voltam de metrô descem e embarcam na estação Ottaviano. O Rio Tevere passa bem próximo ao Vaticano, e é preciso cruzá-lo para chegar ao Castelo de Santo Ângelo, obra do imperador Adriano no ano 135 e túmulo de vários descendentes dos 12 Césares. Esta construção circular, em tom marrom, é uma das mais visitadas de Roma, com quase 90 metros de altura. Impressiona pelas formas e o tamanho.
Saindo do Vaticano pela Via de la Conciliazione, e tendo bom preparo físico, é possível caminhar até a Piazza Navona, e depois seguir para o Pantheon, a Piazza di Spagna (Trinitá dei Monti) e a Fontana de Trevi. Foi o que Ana Maria e eu fizemos no dia 13 de maio deste ano, um domingo festivo e ensolarado, Dia das Mães. A bênção do Papa Francisco foi mais do que emocionante.


  ESTREITANDO RELAÇÕES ENTRE BRASIL E ITÁLIA

Na exposição do barroco italiano, na Casa Fiat de Cultura, a cônsul Aurora Russi com diretores da empresa e membros da colônia italiana


Em pouco  tempo, considerando-se que assumiu o cargo há menos de seis meses, a cônsul da Itália em Minas Gerais, sra. Aurora Russi- a quem este blog é dedicado, já mostrou a que veio: trabalhar muito para estreitar cada vez mais os laços fraternos que unem os mineiros e a Itália, em todos os segmentos: arte e cultura, música, ciência, design industrial, relações comerciais,  intercâmbio cultural, turismo,  gastronomia etc.
A Festa Nacional da Itália, em 2 de junho, tende a ser maior a cada ano. A Casa Fiat de Cultura (agora no Palácio dos Despachos)  vai trazer exposições cada vez mais importantes, como esta recente, reunindo peças valiosíssimas do barroco italiano, que foram vistas por milhares de pessoas.
Ainda não a conheci pessoalmente, pois faltou oportunidade, mas tenho dela, assim à distância, uma ótima impressão. Ela parece educada, gentil e acessível, quando muitos cônsules se julgam superiores aos seres humanos comuns e se tornam inacessíveis e distantes, fechados em redomas de vidro. Ela parece gostar de conviver com as pessoas, sem se apegar à liturgia do seu posto diplomático.
Nota-se uma preocupação da cônsul Aurora Russi em reduzir o tempo de espera pelo passaporte italiano. A equipe de agentes consulares foi reforçada. As entrevistas são feitas às segundas, quartas e sextas-feiras, entre 9h e meio-dia. Antes das nove, uma pequena fila  se forma em frente à sede do Consulado, à Rua Inconfidentes 600, esquina de Av. Getúlio Vargas, na Savassi.
As pessoas, ao sairem do Consulado, elogiam a rapidez do serviço e a cortesia dos atendentes, a começar pelo porteiro Francisco, que distribui as senhas para o atendimento. Em geral, são 3 a 5 guichês disponíveis. Em vez de encontrar burocratas grosseiros e arrogantes, especializados em criar dificuldades, os candidatos ao passaporte vermelho são entrevistados  por funcionários gentis, prestativos, atenciosos e eficientes no seu trabalho.
Paga-se uma taxa de cerca de R$ 350 para emissão do documento. Tem de ser à vista e em banco, não se aceitando cheque ou cartão. Um passaporte comum brasileiro, válido por apenas 5 anos, leva pelo menos 6 a 8 dias úteis para ser expedido. O passaporte europeu, válido por 10 anos,  pode sair em menos de 2 horas, no mesmo dia. Informação de quem foi lá, apresentou o formulário e comprovante de residência, entregou 2 fotos 3 x 4, passou pela entrevista e saiu com o documento. Tudo aconteceu entre 9h e 10h30, incluindo uma saída para pagar a taxa no banco Santander. O agente consular  responsável pelo atendimeto foi Luca Morano, que causou ótima impressão.
Sabe-se que o Consulado tem a sra. Rosário Raciti como vice-cônsul. E que a cônsul Aurora Russi tem, em sua equipe, esses colegas de trabalho, responsáveis pelo atendimento: Mirella Gianturco Resende, Marco Talento, Joana Lima, Cristiano Bezerra, Wagner Dantas Duarte e Fernanda de Araújo Lima Carvalho.
Há centenas  de pessoas, já com a cidadania italiana reconhecida (cittadinanza), mas muitas delas não sabem que é preciso pedir a emissão do passaporte e apresentar os documentos. Existem tradutores e escritórios especializados na assistência para agilizar esses procedimentos. A Despachatur, de Aldo d' Vale, que há mais de 40 anos trabalha na emissão de vistos para quase 50 países, atua também junto ao Consulado da Itália, o muita gente desconhece.
E-mail da secretaria do Consulado Italiano: segreteriabh@esteri.it. Endereço e telefone da Despachatur: Av. Brasil 1312, perto da Praça Tiradentes,  fone (31) 3218-9000.
Parabéns à cônsul Aurora Russi pela preocupação em agilizar os passaportes, eliminar a burocracia e atender cada cidadão de forma rápida e eficiente, com boa educação e gentileza. Está prestando um grande serviço à comunidade mineira e engrandecendo a Itália. Tomara que fique muitos anos conosco. Receba com carinho esta modesta homenagem.


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Hélio Fraga - Editor
Trabalhos de postagem e edição: Ana Cristina Noce Fraga
Belo Horizonte-MG

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