sexta-feira, 26 de setembro de 2014

POLÔNIA, A GRANDE NAÇÃO DOS CAMPEÕES MUNDIAIS DE VÔLEI



Wlazly (10) enfrenta o forte bloqueio de Lucão (16) e Vissoto (6)


O país se chama Polska, como a torcida gritava a plenos pulmões na Arena Spodek, em Katowice, durante as finais do campeonato mundial de vôlei. Para os países de língua inglesa, é Poland; e para nós, é Polônia. Um país apaixonado pelo vôlei, seu esporte número 1. Se este não foi o melhor torneio mundial de todos os tempos, certamente está entre os melhores. Palavra de quem acompanha o Esporte há mais de 50 anos.

E deu Polônia como campeã, um título justíssimo. Na hora decisiva, ela se agigantou, se superou, mostrou uma garra incrível e uma técnica de altíssima qualidade. E diante de um candidato natural ao titulo, como  o Brasil, credenciado por uma campanha impecável, pois manteve longa invencibilidade e atropelou adversários fortíssimos, como a Rússia. Mas perdeu duas vezes para o melhor time, e isto serve de consolo. Brasil e Polônia disputaram  nove sets - 3 a 2 no primeiro jogo, e 3 a 1 no segundo. Dos nove, os poloneses ganharam seis.
No país onde o vôlei é o esporte número 1, uma justa comemoração do campeonato  mundial

Honra e glória, pois, a esses grandes campeões mundiais. Talentosos e bravos lutadores. Competentes o bastante para anular os pontos fortes de seu principal adversário. Já que seus nomes não saíram na maioria dos jornais brasileiros, e programas de TV, talvez por descuido de nossa jovem imprensa esportiva, vale a pena citá-los com seus respectivos números: Mariusz Wlazly, camisa 10, o melhor entre todos; Kubiak (13); Winiarski (2); Nowakowski (1); Mika (20); o líbero Zakorski (17); Kowarski (3); Klos (7); Zagamny (5) e Drzygza (11).
-"Um mar vermelho e branco" - foi o comentário dos narradores do Sportv, ao ver aquela empolgação da torcida polonesa, que deu um show de esportividade e boa educação. As câmeras mostraram gente de todas as idades agitando bandeiras ou faixas, e gritando Polska; crianças empolgadas; moças belíssimas (tradição do país); jovens e adultos, de caras pintadas e exóticas cabeleiras,  vibrando com seu time. E multidões acompanhando fora da Arena, pelos telões, cada ponto conquistado na marcha irreversível para o título.
E nosso respeito pela talentosa  seleção do Brasil, que era candidatíssima ao quarto título mundial consecutivo, mas não conseguiu  neutralizar os ataques da Polonia e a eficiência de seu bloqueio. Merecidas palmas, portanto, para Lucarelli (10), Murilo (8), Wallace (4), Sidão (5), Bruninho (1), Lucão (16), Vissoto (6), Felipe (11), o líbero Mário Júnior (19), Rafael (20) e Lipe (12). Perder para o melhor não é vergonha. Saber cair de pé dignamente, lutando até o último ponto.
Este blog é uma homenagem aos campeões e à grande nação polonesa, com quase 40 milhões de habitantes,dos quais 2 milhões na capital Varsóvia (Warsawa), Um país com grande tradição, um passado glorioso, quatro sofridas décadas sob o domínio do comunismo, colonizado pelos eslavos a partir do século X. A terra natal de Frederic Chopin e do Papa João Paulo II (agora santificado).
Uma nação com grande potencial de crescimento, e cheia de maravilhas que os turistas brasileiros precisam descobrir - e que são nossos temas de hoje: a mina de sal de Wieliczka; a importância de cidades como Wroclaw, Gdansk, Lódz, Lublin, Póznan, Czestochowa e Zielona Gora; os tesouros culturais de Cracóvia; Wadovice (terra do ex-Papa) ;e a triste memória do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau na pequena cidade de Oswiécim.
Para conhecer um pouco mais da Polônia, basta acessar www.poland.travel




   A IMPRESSIONANTE MINA DE SAL DE WIELICZKA

 

As figuras esculpidas em sal são vistas por 700 mil turistas a cada ano

Meu primeiro conselho a quem pretende visitar a Polônia: se tiver chance de conhecer a mina de sal de Wieliczka, não perca esta oportunidade. Não pelo fato de ser patrimõnio cultural da humanidade pela Unesco, embora isso sempre pese muito na escolha - tanto assim que por ela passam 700 mil visitantes por ano. Mas Wieliczka é mesmo impressionante. Um asombro.
A obra da natureza, a partir do século XIII, foram o sal acumulado e seus cristais; e a obra do homem foi esculpir, no fundo da terra - onde há alguns pequenos lagos de águas verdes -, essas impressionantes figuras de santos e cenas bíblicas, além de altares, capelas, galerias e salões que se tornaram uma jóia  da cultura universal.
Para fazer este passeio em tal dimensão, é preciso descer  de elevador ou por longas escadas de madeira e concreto, até uma profundidade de 135m, onde funciona um restaurante com ótima comida típica; e percorrer, em cerca de 2 quilômetros, os labirintos e trechos desta cidade subterrânea, cuja profundidade "trabalhada" começa 60 metros abaixo do nível do solo. Aqui se encontra a obra principal, que é a capela de Santa Cunegunda, padroeira dos que trabalham em minas de sal. E com este sal foi esculpida toda a sua estrutura.
Um impressionante salão de recepções com lustres de cristal no fundo da mina

Caminhando por estreitas passarelas de madeira, com proteção lateral, os turistas podem visitar a sala de Erasmo Barqcz e de Sielek e a sala Janowice. As figuras de santos e cenas bíblicas são impressionantes, com imagens de até 3 metros de altura. É como se Aleijadinho tivesse vindo aqui, descido ao fundo da mina e esculpido algumas peças de sua arte  barroca  imortal.
No mais visitado de todos os salões, enfeitado com gigantescos lustres de cristal (com velas brancas acesas), e com chão de pedra,  é possível organizar concertos de música clássica, festas de casamento, bailes de formatura  eventos corporativos ou celebrações religiosas. Já pensou receber um diploma ou medalha de mérito a 100 metros de profundidade?
Os hotéís de Cracóvia vendem excursões de duas horas a Wieliczka, em van ou carro, ao custo médio de 45 a 50 euros por pessoa. Vale muito mais do que isso. Estive aqui uma única vez, em outubro de 2007, numa viagem cultural organizada por Piotr Maj, adido da Embaixada da Polônia no Brasil. Deixou saudades.

O visitante pode caminhar por estes subterrâneos, onde há pequenos lagos de águas verdes





      O PESO CULTURAL DA MEDIEVAL CRACÓVIA
Se você me perguntar - Varsóvia ou Cracóvia? - eu respondo: as duas, pois cada uma tem suas peculiaridades e seus encantos. Cracóvia, ao sul do país, se destaca pela sua rica herança cultural, valor histórico como sede do reino dos Wawel e antiga capital do país, e sua proximidade com pelo menos três grandes atrações - como a mina de Wielitzka, o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau e a cidade de Wadowice, terra de São João Paulo II e sede do museu sobre sua vida.

Vista noturna de Cracóvia, uma jóia do período medieval

Hoje a gente vai falar mais de Cracóvia. Varsóvia fica para o próximo blog, daqui a seis ou sete dias, pois o tema central serão as Capitais Imperiais, e Varsóvia integra este trio maravilhoso, juntamente com Budapeste e Praga. E a elas se juntam a austríaca Viena e a alemã Berlim.
Cracóvia consta da primeira lista do patrimõnio mundial da Unesco. Até hoje, nenhuma cidade conseguiu superá-la como centro cultural e intelectual do país, após ter perdido seu estatuto político de capital da Polônia. Aqui nasceram e continuam a nascer, segundo guias turísticos, as idéias dos melhores artistas e autores polacos, como Wislawa Szymborska, vencedora do Prêmio Nobel.
Em Cracóvia estão os museus mais preciosos da Polônia, tendo raridades como obras de Leonardo da Vinci ou Rembrandt. Mas a metrópole medieval se destaca ainda por suas bibliotecas, constantemente enriquecidas desde a Idade Média - como a Jaggiellónski, a segunda universidade mais antiga na Europa Central, depois da Universidade de Praga. Entre tantos ilustres ex-alunos, o astrônomo Mikolaj Kopernik (Copérnico) e o arcebispo Karol Wojtyla, hoje São João Paulo II.
A Catedral de Cracóvia domina a paisagem do centro histórico
Os visitantes de Cracóvia têm muito a conhecer: a igreja gótica de Kosciól Mariacki, onde se encontra o suntuoso altar de madeira esculpido por Wit Stwosz (nome de um charmoso hotel próximo) ; as antigas galerias comerciais conhecidas por Sukiennice; e a maior praça central medieval da Europa, dominada pelas duas torres da Catedral.
Cracóvia deu mais sorte do que Varsóvia, que teve 82% de suas construções destruídas na II Guerra Mundial, e levou mais de 15 aos para reconstruir sua paisagem urbana. Mas Cracóvia também sofreu danos com os ataques aéreos e as bombas incendiárias. Por favor, não imagine que seja uma cidade sisuda  demais ou avessa à diversão. No famoso bairro de Kazimiersz e arredores, ao lado de construções históricas e marcos da cultura judaica, há uma profusão de pubs e restaurantes em catacumbas subterrâneas, em claustros palacianos e em prédios antigos, onde pode-se escutar boa música e provar delicias da comida polonesa.

O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO AUSCHWITZ-BIRKENAU
Aqui, no campo de concentração, cometeram-se crimes horrendos e atrocidades


Nos arredores de Cracóvia, na cidade industrial de Oswiecin, milhares de turistas chegam de trem ou carro para visitar aquele que foi o campo de concentração nazista responsável pelas maiores atrocidades no período da II Guerra Mundial. O Museu Nacional de Auschwitz-Birkenau, fundado em 1947, ajuda a contar detalhes da crueldade humana e das atrocidades que resultaram no Holocausto. Negar sua existência é um ato de insanidade.
Aqui ocorreu o maior genocídio de que se tem conhecimento na história. Oswiécin era uma modesta cidade entre Cracóvia e a Silésia, então anexada ao território do III Reich pelos ocupantes alemães. Este foi o lugar escolhido, às margens de uma ferrovia, para a abertura de um campo de concentração destinado ao extermínio em massa de milhares de judeus.
O campo de concentração foi inaugurado em 14 de junho de 1940, com a chegada de prisioneiros políticos trazidos da cidade polaca de Tarnów. Posteriormente, com o campo em constante expansão, para aqui foram reconduzidos prisioneiros de guerra russos, ciganos e representantes de outras nacionalidades. Mas, em 1942, o governo de Hitler pôs em ação seu plano de extermínio de judeus. Transportados em vagões de carga, prisioneiros  famintos, eles eram animalescamente conduzidos da rampa do comboio para as câmaras de gás letal e seus cadáveres eram imediatamente levados aos fornos crematórios.
No portão de acesso a Auschwitz-Birkenau, ainda se lê em alemão: "O trabalho dignifica o homem". Muitos judeus imaginavam que estavam chegando ali para trabalhar. Em vários pavilhões do Museu Nacional, implantado aqui em 1947, estão depositadas suas malas com os nomes escritos à mão, seus calçados e peças de suas vestes - milhares de roupas de homens, mulheres e crianças, pesados casacos de lã, chapéus e botas. Para alguns, a morte foi quase imediata. Para outros, a angustiosa espera levou dias e semanas. E eles tinham de assistir, nos pátios, ao fuzilamento sumário de centenas de prisioneiros.
Dispostos em fila, e protegidos por cercas de arame farpado (hoje, telas apoiadas por marcos de madeira), os velhos prédios de cor marrom, a maioria com dois andares, mostram como eram, nos horrores do nazismo, as salas de tortura, os dormitórios, banheiros coletivos  e alojamentos dos prisioneiros - sempre com um pátio por perto e uma área de fuzilamento, ou forca. Filmes como A Lista de Schindler nos dão pálida ideia de como era.

A gente sai de Auschwitz com um misto de repugnância e perplexidade, mas com dois pensamentos dominantes: não há maneira de descrever as crueldades  praticadas pelos nazistas contra os judeus; nem dá para imaginar todas as torturas mentais, medos e castigos físicos enfrentados por essas vítimas. Outro pensamento que nos acompanha: até que ponto pode chegar o ódio cego de bestas humanas?
Então, ficamos combinados: daqui a uma semana, a história das Capitais Imperiais da Europa, e vamos trazer detalhes interessantes de Varsóvia, Budapeste, Praga, Viena e Berlim.

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Hélio Fraga - Editor
Trabalhos de postagem e edição: Ana Cristina Noce Fraga
Belo Horizonte-MG / Brasil
25 de setembro de 2014

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