quarta-feira, 29 de outubro de 2014

LEMBRANÇAS DE UMA INESQUECÍVEL EXCURSÃO PELAS CAPITAIS IMPERIAIS DO LESTE DA EUROPA

O Palácio Real sobre as águas, no Parque Lazienki, numa maravilosa paisagem de outono em Varsóvia (foto de Cesário Figueiredo)





São cenários e imagens que vão nos acompanhar pelo resto de nossas vidas - assim pode ser definida esta excursão de duas semanas pelas Capitais Imperiais, num programa da operadora portuguesa Abreutur. Para surpresa nossa, entre os participantes, havia  muitos mineiros de Belo Horizonte e outras regiões do Estado, como Zona da Mata. E passageiros vindos de outros pontos do Brasil, como São Paulo (capital e interior), Rio de Janeiro, Espírito Santo, Maranhão, Pernambuco e Ceará.
As fotos aqui reunidas relembram alguns momentos marcantes desta viagem por Budapeste, Viena, Bratislava, Praga, Cracóvia, Varsóvia e Berlim. O grupo teve a sorte de encontrar tempo bom e temperaturas amenas em todo o percurso, o que não é comum no outono europeu - geralmente nublado, frio e com chuvas esparsas.
Um dos fortes componentes do sucesso da viagem foi a qualidade dos programas culturais, incluindo concerto de valsas de Strauss em Viena, recital de Chopin em Varsóvia, concertos de músicas clássicas (órgão, violino e soprano)  em igrejas de Praga e visitas a lugares históricos e importantes monumentos, como a Praça dos Heróis e o Parlamento de Budapeste. 

Estátua de Chopin no Parque Lazienki, no outono de Varsóvia.
Entre os momentos mais emocionantes, uma bela manhã de sol no maravilhoso cenário (árvores amarelas e vermelhas, canteiros floridos) junto à estátua de Chopin, no  Parque Lazienki, em Varsóvia; e a visita à Mina de Sal Kopalnia Soli, de Wieliczka, nos arredores de Cracóvia, descendo a uma profundidade de 130 metros para uma foto histórica no Salão de Gala, com lustres gigantescos de puro cristal, e rodeados por grandes estátuas de santos e imagens bíblicas executadas em sal negro.
Também foram  inesquecíveis as visitas à Igreja do Menino Jesus de Praga; uma celebração religiosa no santuário de Jazna Gora, onde está a imagem da Virgem Negra, em Czestochowa; a passagem por Wadovice, a cidade natal do Papa João Paulo II, agora santo da Igreja Católica Apostólica Romana; a visita a Catedral de Santo Estêvão, em Viena; e a entrada no antigo campo de concentração nazista em Auschwitz - Birkenau, para ver de perto cenários e imagens dos horrores e  crueldades cometidos contra milhoes de judeus na II Guerra Mundial.
Ainda que rápidas, devido às características compactas do roteiro, foram muito importantes as visitas a Bratislava, capital da Eslováquia, entre Budapeste e Viena; e uma passagem por duas horas em Césky Krumlov, uma encantadora cidade medieval da República Tcheca. Coincidindo com a presença do grupo em Varsóvia, a seleção de futebol da Polônia ganhou de 2 a 0 da Alemanha, campeã mundial (aquela dos 7 a 1 no Brasil, dos quais nossos bisnetos e trinetos vão ouvir falar).
E  o fecho de ouro da excursão foi Berlim, feericamenrte iluminada (o show Berlin Lights Up, de 2 a 20 de outubro)e com fachos de raio laser - de múltiplas cores - iluminando suas construções principais, como a Catedral (Dom),  a Porta de Brandemburgo, Aleksander Platz, Potsdamer Platz, grandes magazines, igrejas históricas, prédios públicos e monumentos. E foi junto à Porta de Brandemburgo  que o grupo tirou sua última foto oficial, antes do retorno ao Brasil.
A personagem principal da excursão foi a guia húngara Dora Kovács - bonita, simpática e inteligente,  altamente profissional, e com impressionante bagagem de conhecimentos, além de falar vários idiomas. Ela soube entrosar e facilitar a convivência de pessoas que não se conheciam. Por causa dela, a viagem foi nota 10. 


Outra lembrança inesquecível: no fundo da Mina de Sal de Wieliczka, a 130m de profundidade, no Salão de Cristal, mostrando orgulhosamente a Bandeira do Brasil


Dora recebeu a missão de comandar o grupo quando o guia titular escalado, o português João Félix, se acidentou gravemente numa autoestrada, a caminho do Aeroporto de Budapeste, daí resultando quatro fraturas e a necessidade de sua volta imediata a Lisboa. 


Mesmo hospitalizado, teve a educação de se dirigir (por e-mail)  a membros do grupo, desejando sucesso na viagem. Somos nós quem deseja boa sorte a ele e breve retorno às suas funções. Mais um gol para Abreutur.

  UM FESTIVAL DE CERVEJAS  E COMIDAS TÍPICAS

Um importante detalhe, que me impressionou muito nesta viagem: em vez de optarem por pizzas, caldos e massas em geral, ou omeletes, os passageiros procuraram conhecer e experimentar os principais sabores das cozinhas húngara, tcheca, polonesa, austríaca e alemã. E como era tempo de Oktoberfest na maioria das cidades, foi redobrado o interesse pelas cervejas de cada país.



Em Czestochowa, Ana Maria Noce Fraga, Adriana Leomil, Luzia Figueiredo, Rosa Barros, Telmo Milagre de Barros e Eliane de Oliveira
A dificuldade dos idiomas atrapalhou muito as escolhas dos pratos, e nem sempre os atendentes falavam inglês (português, italiano ou espanhol, quase impossível), mas, no final, os brasileiros acabavam  escolhendo goulash, joelho de porco, carne de cordeiro ou de pato, e pratos à base de carne de porco, de boi, frango etc, Muito raro encontrar um filé grelhado com fritas. Então, comia-se salsicha assada, sopa de legumes ou cogumelo, saladas variadas, repolho, muita batata e vegetais em geral.

O interesse pelas cervejas já começou em Budapeste, onde as cervejas húngaras foram muito elogiadas, mas havia também marcas austríacas, alemãs, tchecas etc. Entre as austríacas, destaque para as cervejas Gôsser, Stiegl (de Salzburg), Puntigamer  e Reininghaus.
Em cada capital, fazia-se um verdadeiro vestibular  das principais marcas, como a tcheca Pilsner Urquell (uma das mais famosas do mundo). No Leste Europeu, a Budweiser se chama Budvar.

Outras marcas muito elogiadas durante o roteiro: Zyviec, Gambrinus, Tyskie, Okocim etc; as escandinavas Tuborg e Carlsberg; a belga Stella Artois; a francesa Kronembourg; e as alemãs (em disparada), como Berliner Pils, Spaten, Paulaner,  Lowenbrau, Rex Pils, Dinkel Acker, Beck's, Henninger, Augustiner, Pschorr, St.  Pauli, Dortmunder Union,  Franziskaner etc.

   ENTRE 43 PASSAGEIROS, 41 VOTOS PARA AÉCIO

Excursões assim, com passageiros de bom nível intelectual e social, geralmente se tornam muito agradáveis, pela boa convivência, considerando-se os longos trechos em ônibus, as paradas "técnicas" para ir ao banheiro ou lanchar, e os vários passeios opcionais programados. 


Ana Maria e Luzia examinando os cristais da Boêmia numa loja de Praga, a caminho do Palácio Real


Convive-se muito, conversa-se muito também. Mas respeita-se o direito de ficar calado o tempo todo, se esta for sua opção - como aconteceu com o passageiro João Paço, de Lisboa, um estranho no ninho. Parece detestar o Brasil, e foi cair logo num ônibus cheio de pessoas alegres, extrovertidas, de bem com a vida, que sabem conviver educada e civilizadamente.


Como a viagem coincidiu com o 1º turno da eleição presidencial brasileira, a primeira coisa a fazer foi descobrir a preferência dos eleitores.  Eram 43 passageiros, e Aécio Neves teve 41 votos. Pode-se então tirar a precipitada e errada conclusão de que o grupo era formado por membros dessa "burguesia elitista," dessa imprensa manipulada e golpista, desses partidos de oposição que deviam ser banidos porque são contra os pobres - resumindo, que têm aversão às minorias, querem tirar a comida da mesa dos mendigos, querem entregar o Brasil à sanha do capitalismo selvagem, tentam destruir o programa Minha Casa Minha Vida, querem acabar com o Bolsa Família etc. Entretanto, são  apenas cidadãos brasileiros que pagam impostos e sonham com um país melhor e menos corrupto.
Mas havia um retrato do Brasil dentro daquele ônibus branco e azul que rodou mais de 2.200 km em poucos dias. Eram brasileiros de várias partes do Nordeste, do Sudeste, do Sul e Centro-Oeste. Havia maranhenses, cariocas, paulistas, muitos mineiros, capixabas, cearenses, pernambucanos etc.
Sabendo que muitos estão à espera desse blog, aí vão seus nomes: os mineiros Telmo Milagre de Barros e Rosa, e sua irmã Ângela Leomil; José Cesário Alvim Figueiredo e Maria Luzia; Antonia Souza e Simone Silva; Adib Dib e Alba Dib; Vera Moreira e seus filhos Bernardo e Alexandre Moreira; Augusta Maria Costa e Penha Costa; Edson Wander Michio e Eliane de Oliveira; Terezinha Souza e Diva Couto; Maria do Carmo Franco e Jonira França; Antônia Souza e Simone Silva; Albertina Reis e Francisca Teixeira.
A lista dos passageiros se completa com Antônio Luiz Gonçalves e Eliana; Waldemar Lemos e Maria Denise Schmidt; Marco Antônio Ribeiro e Hilci; Sinval e Maria Aparecida Oliveira; Valentina Albuquerque e Marilia Costa; Perseu Testa e Maria Helena Bailão; José Orlando e Sônia Maria Melo; Simone Silva; Gerardo Abreu Filho e Marli Abreu; e Ana Maria Noce Fraga e este amigo de vocês.

O custo médio da excursão foi de R$ 25 mil por casal, com parte terrestre a mais de R$ 16 mil e o restante de passagens aéreas e trechos alternativos. A maioria viajou pela TAP, mas alguns optaram por outra empresa - os paulistas voando de KLM, Lufthansa e British Airways; e os cariocas, de Air France e KLM. Os casos de malas estragadas ou extraviadas (um casal esperou suas duas malas por 3 dias) foram todos com a companhia portuguesa. 

Na despedida de Berlim, o grupo reunido em frente à Porta de Brandemburgo, antes do retorno ao Brasil no dia 15 de outubro


             UMA ANÁLISE DOS SERVIÇOS ABREUTUR
Ao final da excursão, a Abreutur pediu  aos passageiros para avaliar seus serviços, da forma que deve ser. Enquanto, nos países subdesenvolvidos; as pesquisas começam sempre com Excelente/Ótimo ou Muito Bom/ Bom / Regular e Ruim, a operadora  faz exatamente o contrário, começando com Ruim ou Péssimo/Regular/Bom/Muito Bom e Excelente. Explicando: ela quer saber primeiro os defeitos ou falhas, para depois avaliar os acertos.
Minha avaliação: guia Dora Kovács, nota máxima, excelente mesmo. Deu show de simpatia. Sua dedicação pode ser até considerada excessiva. Ficou o tempo todo à disposição, praticamente não descansou.
Os dois motoristas, bons e atenciosos. O ônibus utilizado, confortável e em boas condições.
Entre os hotéis escolhidos, o único realmente excelente foi o InterContinental de Viena, disparado. O pior de todos, o Hotel President, de Praga, com serviços fracos, embora com razoáveis instalações. Não merece a classificação de 5 estrelas (senão o InterContinental de Viena devia ter 7 ou 8 estrelas).
Avaliação de Bom para os hotéis Novotel Budapest Centrum, Holiday Inn de Cracóvia, Radisson Blu Centrum de Varsóvia e Eurostars de Berlim. Pelo alto custo da excursão, na capital alemã os grupos podiam ficar no Swissôtel, mais luxuoso e melhor localizado (Av. Unter der Linden).
Análise dos guias locais: todos bons, competentes e bem informados (os melhores guias foram os de Auschwitz-Birkenau e de Berlim).
Passeios opcionais: sempre bons, bem  organizados e a custo razoável, variando dos 40 aos 65 euros por pessoa,  pagamento cash. Dora foi a tesoureira da excursão.
Recepção aos passageiros nos aeroportos, excelente; serviço de entrega de malas nos hotéis (eram mais de 90 malas pesadas), muito rápido e competente, sem reclamações.

Cesáreo Figueiredo, Maria Luzia e Ana Maria em Varsóvia


       MUITAS FALHAS NOS SERVIÇOS DA TAP
Quanto à avaliação dos serviços da TAP, no caso dos passageiros de Belo Horizonte, são muitas as reclamações: demora no check-in em Confins; marcação errada de assentos, previamente escolhidos; má comida a bordo no voo de ida, TP-056, em 30 de setembro (o escondidinho estava horrível, com gosto de queimado), e os sucos e água foram servidos sem gelo; entretenimento a bordo, de boa qualidade; avisos dos tripulantes num Inglês de baixa qualidade, confundindo falar depressa com falar certo. Muitos não sabem  pronunciar corretamente as palavras.
 Serviços nos voos internos: Lisboa/ Budapeste, TP-714,  dia 1º de outubro, viagem num Airbus A320 fretado pela TAP junto à empresa White, prefixo CS-TRO, com péssimo espaço interno e comida ruim num voo de 3h40. Reclamação de passageiros também sobre a comida servida em outros trechos europeus: um prato quente de baixa qualidade, um pão escuro minúsculo (que acabava antes da manteiga Mimosa) e um copinho com pedaços de pera.
A falha mais grave de todas: no retorno de Berlim a Lisboa, voo TP-537, partindo do Aeroporto Schönnefeld, a atendente alemã do balcão da TAP se recusou a fazer o duplo check-in para quem teria  conexão com o voo TP-051, de Lisboa a Confins, na manhã seguinte. Ela insistiu em etiquetar as malas primeiro para Berlim, em vez de mandá-las diretamente para BH (TP-537/051). Era o que tinha de ser feito, pelos regulamentos. Ela exorbitou e decidiu erradamente.
 Resultado: problemas e transtornos para os passageiros, que tiveram de recolher suas malas em Lisboa, colocar no táxi, levá-las para o hotel (sem abrir, porque tinham roupa de troca  em sacolas), e depois voltar com as malas para reetiquetar e fazer novo check-in no aeroporto (mais filas e esperas). A falha foi considerada inadmissível. A atendente alemã tinha obrigação de falar português e ser educada, mas foi ríspida e grosseira. Estava errada e não admitiu isso.
Quanto às malas estragadas ou avariadas, inclusive uma nossa (perda da alça lateral), isso pode ser considerado "normal" e parte da rotina. Já foi reparada por uma oficina de consertos e devolvida. Nos casos mais graves, quando não há reparos adequados, reembolso ou indenização, muitos passageiros descontentes ou prejudicados financeiramente entram com ações judiciais, que representam mais tensão e desgaste. Eis um assunto que merece mais atenção da companhia portuguesa. O fato de a TAP estar sozinha no mercado para a Europa não pode acomodá-la.

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Hélio Fraga - Editor
Postagem e Edição: Ana Cristina Noce Fraga
Belo Horizonte-MG/ Brasil
29 de Outubro de 2014


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