terça-feira, 27 de janeiro de 2015

UM GRAVE PROBLEMA: FALTA PROMOÇÃO DE MINAS GERAIS, DENTRO E FORA DO BRASIL



As celebrações da Semana Santa em Ouro Preto, retratada nas páginas do Caderno de Turismo do "Hoje em Dia"


No meio de tantos problemas que atormentam o Brasil e o povo brasileiro, neste início de 2015, pode parecer desperdício de tempo falar na urgente e real necessidade de uma competente promoção de Minas Gerais em escala nacional, a partir dos Estados vizinhos (Espírito Santo, São Paulo, Rio, Bahia, Goiás e Distrito Federal), sem esquecer os mercados emissores no exterior, começando pelos principais países da América do Sul.

Há muito o que divulgar sobre nosso Estado: as cidades históricas e o ciclo do ouro; os tesouros do barroco e as obras de Aleijadinho e Mestre Athayde em Ouro Preto, Mariana, Sabará, Tiradentes, Congonhas do Campo, São João del-Rei etc;  as estâncias hidrominerais do Circuito das Águas; as grutas de Maquiné, Lapinha, Sumidouro e Rei do Mato; nossos rios e lagos; toda a beleza da Semana Santa, suas procissões e tapetes florais; os bailes de Carnaval nos clubes de Belo Horizonte e nas cidades do interior; as Vesperatas de Diamantina; o concerto Sinfonia das Águas em Poços de Caldas; alguns eventos tradicionais, como a Festa das Rosas em Barbacena (sempre mal divulgada); as festas regionais, como a do Milho em Patos de Minas e do Pequi em Montes Claros; as  corredeiras de Pirapora, quando o Rio São Francisco está no nível normal - pelo tamanho da crise, isto vai demorar a acontecer, pois até parece que o Velho Chico está secando.

Sobram atrações nas terras mineiras: o Mercado Central de Belo Horizonte e a Feira de Artesanato (erradamente chamada de feira hippie); as Festas do Rosário e congados em cidades do interior; as romarias em Congonhas do Campo; a Festa de São Geraldo em Curvelo; o Festival da Jabuticaba em Sabará; os queijos do Serro e Montalvânia; os festivais de gastronomia e cinema em Tiradentes; as termas de Araxá, Poços de Caldas e outros balneários; os doces cristalizados e compotas em Caxambu, Lambari, Cambuquira e São Lourenço; os doces de ambrosia de Dona Joaninha em Araxá.

A tradicional procissão do Domingo da Ressurreição, em Ouro Preto.


Nesta lista de atrações pouco conhecidas e mal divulgadas, também não podem faltar: a Serra do  Cipó; as paisagens da Serra da Mantiqueira em Monte Verde e Camanducaia; o santuário do Caraça; as cachoeiras de Biri Biri; as pratas de Tiradentes e o couro de Prados; os cristais e lojas de murano em Poços de Caldas (como a Cristaleria São Marcos, que os exporta para mais de 60 países));  os passeios de lancha no Lago de Furnas (quando há água suficiente); as malhas, tricôs e bordados de Jacutinga; a variedade de hotéis fazenda e pousadas nos arredores de BH;  as feiras de pedras preciosas em Governador Valadares e Teófilo Otoni.
Continua o desfile de atrações mal divulgadas ou esquecidas: os eventos esportivos no Mineirão e Mineirinho; o show de fogos na orla da Pampulha celebrando o Ano Novo; a tradicional gastronomia mineira; os barzinhos da Savassi e casas noturnas; a Igreja de São Francisco, o Museu de Arte e a Casa do Baile; os concertos e shows no Palácio das Artes; as exposições e feiras no Minascentro e Expominas; as feiras de moda em Divinópolis; as lojas de estanho em Sao João del-Rei; a alta qualidade dos shoppings Diamond Mall, Pátio Savassi, BH Shopping, Del-Rey, Minas Shopping etc; o entusiasmo das danças juninas no Arraiá de Belô; o desfile da Banda Mole etc..

A Igreja de São Francisco, na Pampulha, um eterno postal de Belo Horizonte e sua atração mais fotografada



São muitas as faces de Minas, e há múltiplas atrações em Juiz de Fora, Ubá, Ipatinga, Viçosa, Araxá, Sete Lagoas, Paracatu, Lagoa da Prata, Campos Altos, Patrocínio, Ibiá, São Gotardo, Uberaba, Uberlândia, Araguari, Pouso Alegre, Itajubá, Santa Rita do Sapucaí, Passa Quatro, Jacutinga, Campanha, Caldas, Baependi,  Varginha, Alfenas, Andradas, Januária, Almenara, Bom Despacho  e outros municípios. Não esquecer o Festival de Foguetes, em novembro, na minha querida Santo Antônio do Mointe.
Se Belo Horizonte quer mesmo pertencer ao seleto clube das cidades capacitadas para receber congressos, feiras e grandes eventos, precisa reorganizar completamente sua promoção turística, num tremendo esforço de recuperação de tantos anos perdidos  - para isso, somando-se os esforços da Secretaria de Estado do Turismo, BH Convention Bureau, Belotur e todas as entidades que integram o chamado trade turístico, como  Abav/MG, Abih/MG, Skal Club, Afeet/MG,  Sindetur/MG etc. É indispensável também contar com o apoio e colaboração financeira de entidades como Fecomércio, Fiemg, Sesc/MG, Senac/MG, CDL/MG etc.

Os cristais de murano (da São Marcos) são exportados de Poços de Caldas para mais de 60 países

 Sou realista o bastante para esperar pouco ou quase nada do Poder Público, cujas escolhas para gerir órgãos ligados ao Turismo quase sempre são equivocadas. Temos assistido a um festival de incompetência e despreparo. O papel preponderante será sempre da iniciativa privada, ainda que asfixiada por uma carga brutal de impostos.
É dentro desta complicada realidade atual - caracterizada por despreparo e inação, falta de políticas específicas, mau uso ou dispersão de recursos, desvio de verbas, contratos sem licitação, falta de planejamento, guerra de vaidades e (infelizmente) muita incompetência junta - que julgo oportuno destacar a carência de mais jornais e revistas que editem páginas ou Cadernos de Turismo, que podem ser valiosos instrumentos nessa guinada de 180 graus e mudança de políticas.
Precisamos de colunas sérias, comprometidas com a verdade, e desvinculadas de interesses comerciais ou busca de vantagens pessoais. Gente nova ou experiente, mas que tenha entusiasmo e idealismo - procurando servir ao turismo de MG, sem servir-se dele.

A Fonte dos Amores, uma das maiores atrações turísticas de Poços de |Caldas, no sul de Minas


Para isso,  insistindo na abordagem do tema, vou contar mais adiante, em fevereiro,  um pouco sobre a história de 26 anos do Caderno de Turismo do jornal "Hoje em Dia", extinto em fins de 2013 - e ao qual dediquei o melhor de meu esforço e ideal por 24 anos e meio. Tentei sair dele sem mágoas e com elegância, dando a impressão de que era uma saída normal, e em alto nível - por isso não quís contar aos leitores que, durante anos, enfrentei pressões, injustiças, imposições, maldades, verdadeira coação moral. Dei tudo ao jornal: fidelidade, dedicação total, entusiasmo, empolgação e alegria de servir. Mas o troco que recebi foram agressões  e pressões.


Por que, nas colunas de saída da Editoria e despedida do jornal, eu dei a impressão de que estava tudo certo? - Para não denegrir a imagem do jornal, que já era um tanto precária. Infelizmente, o "Hoje em, Dia" já não tinha bom conceito perante seus leitores, pelo fato de pertencer a uma igreja manipuladora, cujos diretores não eram mineiros nem tinham qualquer compromisso com nossa terra e nossa gente. Estavam aqui de passagem, não iam criar raízes. E nem entendiam de jornal.

O Caderno de Turismo ajudou a construir o prestígio do jornal. Por volta de 2005, tinha circulação diária de 44 mil exemplares, e o dia de maior venda em bancas era a quinta-feira, por causa do Turismo. O Caderno era bem aceito e respeitado, não tinha inimigos, não extorquia ninguém (anunciava quem precisava e podia, não havia pressão). Para tentar me desqualificar (eu tinha a confiança do leitor), prejudicaram o Caderno e quase o destruíram. Houve até sabotagem da Diretoria Comercial. Mesmo injustiçado, permaneci calado. E, dando uma de São Francisco, escrevi na despedida agradecendo a meus carrascos. Como dizia na coluna esportiva, brinquei de Tudo Bem F.C..

Por tudo que fiz na Rua Padre Rolim 652, eu merecia sair por cima, respeitado, reconhecido e valorizado, levando uma placa de gratidão pela conduta exemplar, depois de lhe dar quase 25 anos de minha vida, e uma  coleção de mais de 20 prêmios e diplomas internacionais. 

Não se humilha assim um ser humano, e estranham-se essas ações moralmente agressivas contra um profissonal digno e honesto - e ainda mais partindo de pastores que se dizem mensageiros do Senhor Jesus.

Com a  morte súbita do Caderno de Turismo do "Hoje em Dia" - prefiro imaginar que foi fria e planejada, em claro desrespeito aos leitores -, calou-se uma importante voz em defesa do turismo de MG, pedindo menos amadorismo e mais competência.  Em vez de novas portas se abrirem, há risco de que outros Cadernos também sejam desativados, nessa onda de má gestão, demissões e insegurança profissional. O Turismo nunca precisou tanto de ajuda, pois está definhando. A taxa de ocupação de janeiro, na rede hoteleira de Belo Horizonte, é uma das mais baixas do Brasil.
Mas não é hora de entregar os pontos, deixar-se contaminar pelo pessimismo, e dar adeus às armas. Quero deixar uma mensagem aos jovens profissionais de Comunicação Social  que agora  chegam aos jornais, revistas e emissoras de rádio e TV: não deixem que destruam seus sonhos e ideais, e lutem o mais que puderem pela honra e dignidade de nossa profissão. Vocês são a esperança de um futuro melhor. São maiores do que mensalões e petrolões. 

E quanto mais gigantescas forem as dificuldades, mais nós devemos nos sentir convocados a ajudar e participar, lutando honestamente por dias menos tenebrosos. Se não fosse essa esperança, o que seria de nós - e de Minas e do Brasil?

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Hélio Fraga - Editor
Postagem e edição - Ana Cristina Noce Fraga
Belo Horizonte/MG - Brasil
29 de janeiro de 2015 







  

2 comentários:

  1. Você falou grandes verdades. A beleza das Minas Gerais são caladinhas, faceiras, escondidas, mas ao mesmo tempo na cara de quem quiser ver. Gostei do que eu li e penso como você.

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    1. Muito obrigado, Laura Milton. Sua mensagem é muito importante. A gente, que engole tantas mentiras pela Imprensa, tem de acreditar naquilo que lê. Agradeço seu apoio. Seguiremos juntos, se Deus quiser (tomara que queira mesmo). Abraço cordial, Hélio.

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