sábado, 4 de abril de 2015

A SEMPRE BELA E COMOVENTE SEMANA SANTA EM MINAS GERAIS

Jesus Cristo crucificado no alto do Calvário, ao lado de dois ladrões


Isto
parece tema fora de discussão: as mais belas e comoventes celebrações da Semana Santa estão em Minas Gerais, Sudeste do Brasil. Mais precisamente,em suas cidades históricas - como Ouro Preto, Mariana, São João del-Rei, Diamantina, Tiradentes, Congonhas do Campo e Sabará. E outras nem tanto citadas assim, como Santa Luzia, Serro, Conceição do Mato Dentro, Prados, Barbacena e  outras.
Os tesouros da arte barroca, as igrejas coloniais, o ouro que recobre os altares e um clima de profunda e autêntica religiosidade criam o ambiente propício para essas manifestações de fé. O mais importante aspecto é que são manifestações espontâneas da religiosidade de um povo, uma inesperada fé que enternece os mais duros corações dos visitantes.
Os brasileiros de outras regiões, que decidem visitar Minas durante a Semana Santa, justificam que fizeram esta opção porque aqui se encontra uma verdadeira autenticidade e coerência na celebração dos passos da Paixão de Cristo. Muitos deles se surpreendem ao verificar que estão com lágrimas nos olhos e um nó na garganta.
A sequência das celebrações é sempre a mesma em todas as cidades,  variando, apenas, o número de participantes  nos atos litúrgicos, e o maior ou menor grau de organização e pompa. A música também aparece como um dado revelador das tradições de cada comunidade, destacando-se as composições de autores revelados nas próprias cidades, como os de São João del-Rei.
Começando pela triunfal entrada em Jerusalém na Procissão de Ramos, domingo passado, as celebrações se prolongam por toda a Semana Santa, terminando na apoteose da Ressurreição de Cristo e a Páscoa, no domingo seguinte (este ano, em 5 de abril). Entre as cerimônias marcantes deste período, estão a Procissão do Encontro, a celebração da instituição da Eucaristia na Última Ceia, a negação de Pedro e a traição de Judas, a Via Sacra que culmina na crucifixão e morte de Jesus Cristo, o Descendimento da Cruz, a silenciosa Procissão do Senhor Morto, a Vigília Pascal e a vitória da vida sobre a morte no esplendor do Cristo Ressuscitado.
Tirando aquele problema crônico da péssima comunicação da Semana Santa, envolvendo os vários atos litúrgicos (marketing zero), e o despreparo para receber turistas que muitas cidades teimam em continuar praticando (como se nada tivesse de mudar e melhorar), o espírito e a grandiosidade das celebrações  vão continuar motivando muitos visitantes de outros Estados a viajarem a Minas nesta época do ano. Um dia, a gente vai acabar aprendendo a tratá-los como merecem. Acabar com esse amadorismo e improvisações que nos desmerecem.
A Semana Santa é o tema central deste blog, com votos de Feliz Páscoa a todos - uma Páscoa que represente claridade no meio das trevas em que o Brasil vive agora. E que seja sinônimo da alegria de viver e conviver, da paz social, da harmonia, da fraternidade e da partilha. Uma Páscoa que também signifique perdão, compaixão, reconciliação e mais amor no coração.

    OURO PRETO VIVE SEUS MOMENTOS DE GLÓRIA

Se uma cidade mineira tiver de ser escolhida como a capital da Semana Santa, só pode ser ela - Ouro Preto. Quem foi rainha jamais perde a majestade. A cada jornada da celebração da Paixão de Cristo, ela revive seus momentos de gloria e ressurge em todo o esplendor.
Em frente ao Museu da Inconfidência, a multidão que toma conta de Ouro Preto

Que ninguém jamais se imagine que aqui se procura desmerecer (ou não reconhecer) os méritos das demais cidades, pois todas são importantes e se esforçam para fazer a melhor Semana Santa possível: Diamantina, São João del-Rei, Tiradentes, Serro, Prados, Mariana, Sabará, Itapecerica,  Congonhas do Campo, Caeté, Barbacena e tantas outras. 

Mas, em Ouro Preto, basta dar uma conferida nas placas dos carros para ver de onde vêm tantos visitantes: muita gente do Distrito Federal e Goiás; e também de São Paulo (capital) e do interior paulista - Campinas, Taubaté, Jundiaí, Ribeiráo Preto, São José dos Campos, Araraquara, Bauru, Presidente Prudente, Embu das Artes, São José do Rio Preto, Ubatuba, Valinhos, Baixada Santista etc.
De outros Estados vizinhos: Vitória-ES, Penha, Linhares, Nova Almeida, Serra e Cachoeiro do Itapemirim; Rio de Janeiro, Petrópolis, Macaé, Campos, Rezende, Itaguaí, Grussaí, Barra  Mansa e Niterói. E veículos com placas da Bahia, Tocantins, Paraná e Santa Catarina; e da Zona da Mata Mineira, Alto  Paranaíba, Sudoeste de Minas e Triângulo, Montes Claros, Vale do São Francisco, Noroeste do Estado, Jequitinhonha etc.
Ouro Preto fica a 107 km de BH pela BR-040 e trevo de acesso à Rodovia dos Inconfidentes; e a 402 km do Rio e 688 de São Paulo. Os visitantes costumam deixar a cidade frustrados por não poderem ver toda a beleza e riqueza de suas igrejas coloniais, com seus altares recobertos de ouro. É muita gente querendo ver tudo ao mesmo tempo. Não se permitem fotos dentro das igrejas (sábia medida).

Entre as principais jóias desta cidade, que é um museu de arte sacra a céu aberto, destaques para a Matriz de N.S. do Pilar (1711/1733), a mais rica entre todas, pois em seus altares e retábulos estão mais de 400 quilos de ouro, sendo considerada uma das mais importantes do Brasil;  e para a Matriz de N.S. da Conceição (1727/1770), projeto e execução de Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho. 

Outros templos que emocionam pela sua beleza e riqueza: Igreja de São Francisco de Assis (1765/1810), cuja fachada é obra-prima da arquitetura colonial mineira e onde acontecem importantes celebrações litúrgicas na Semana Santa, como a cerimônia do Lavapés e do Cristo crucificado entre dois ladrões (foto de abertura deste blog);
Igreja do Padre Faria, ou de N.S. do Rosário dos Brancos (1701/1704); Igreja de Santa Efigênia,  ou de N.S. do Rosário do Alto da Cruz (1733/1745); Igreja do Bom Jesus de Matosinhos (ou de São Miguel e Almas), construída entre  1761/1797; e Igreja de N.S. do Rosário dos Pretos (1765), de formas arredondadas.
Entre os detalhes marcantes das celebrações em Ouro Preto, os casarões coloniais com suas fachadas e sacadas enfeitadas por toalhas de renda e tapetes arraiolos; as crianças e jovens vestidas de anjos, em tons de branco e rosa, participando das procissões; e a Praça do Museu da Inconfidência superlotada de fiéis durante as celebrações.


    RUAS  COBERTAS POR TAPETES DE SERRAGEM

Casarões coloniais enfeitados com tolhas rendadas e tapetes arraiolos nas fachadas

Reler antigos Cadernos de Turismo do jornal "Hoje em Dia", no seu segundo e terceiro anos de existência (em 1989 e 1990), é uma espécie de duplo exercício de masoquismo e de saudosismo: constatar que as edições sobre a Semana Santa em Minas sempre foram brilhantes e completas. Às vezes, oito páginas dedicadas exclusivamente aos eventos religiosos, com informações detalhadas e guias para orientar os leitores mineiros e os visitantes.
Agora que o Caderno não existe mais (desde novembro de 2013), eu sofro duplamente - como pai da criança, que lhe dedicou amor e entusiasmo nos melhores anos de sua vida, e alguém que ficou viúvo prematuramente quando o Caderno foi extinto, pois ele era a segunda mulher que eu nunca tive.
Vejam este texto da edição de 29 de março de 1990, quinta-feira da Semana Santa:
- "Uma onda humana, movida pelo combustível da fé, traz o Cristo Ressuscitado. Lenços brancos são brandidos das janelas coloniais, cuidadosamente enfeitadas com toalhas rendadas e vasos de flores. Crianças caracterizadas como anjos libertam pombos brancos das torres das igrejas, e a revoada cobre o céu por alguns segundos. Repicam os sinos. A multidão rege os sinos com palmas ritmadas.

Em Ouro Preto, o ponto culminante da Semana Santa é a Procissão da Ressurreição, cujo cortejo desfila pelas estreitas e íngremes ruas calçadas de pedras - que foram pacientemente cobertas com pó de serragem colorida, formando desenhos artísticos. Todo este trabalho foi feito por mãos desconhecidas, durante a madrugada de sábado de Aleluia para a manhã de domingo, envolvendo artistas e artesãos, e gente dedicada, paciente, esforçada e anônima.
A serragem, de várias cores, reproduz sobre as pedras os desenhos que foram idealizados e confeccionados pelos próprios moradores, envolvendo gente de todas as profissões - desde lavadeiras e modestas costureiras a professores do ensino médio e superior. Um trabalho artesanal  longo, tenso e dedicado, nas madrugadas frias da antiga capital de Minas. Ninguém recebe 1 centavo, tudo por amor.
A procissão do Cristo Ressuscitado representa a vitória da vida sobre a morte, e do bem sobre o mal, e não pode haver cenário mais adequado com que essas estreitas e sinuosas ruas ouropretanas, centenárias, testemunhas vivas da história de Minas - e por elas agora passam os celebrantes (sob um toldo dourado) e os fiéis, rodeados de anjos, pisando as pedras com cuidado, para não desmanchar aquilo que foi pacientemente executado pelos artesãos madrugadores.
Junto à serragem colorida encontram-se pétalas de flores. A procissão passa em silêncio, só interrompido pelos instrumentos da banda de música  e as orações dos fiéis em voz alta. A procissão é tão emocionante que muitos começam a chorar. Espremidas nas calçadas, aqui estão centenas de pessoas de várias partes do Brasil, e todas devem sentir um arrepio no corpo e um nó na garganta. A cada Semana Santa, a alma de Minas fica aqui exposta - brilhando como o ouro dos altares barrocos e enternecendo os corações com este sopro de fé, que tanto nos ajuda e fortalece nas horas difíceis.


  A RELIGIOSIDADE AUTÊNTICA DA GENTE MINEIRA

Sob um pálio dourado, a gloriosa procissão da Ressurreição

A Semana Santa em Minas Gerais comprova, a cada ano, a autenticidade da religiosidade do nosso povo, e o envolvimento das comunidades em torno das paróquias. As cidades cresceram muito. Hoje, dá um grande trabalho interditar uma pequena rua de bairro para a passagem de uma procissão matinal, como no Domingo de Ramos. Imagine-se então a dificuldade de interditar todo o centro histórico, por 3 ou 4 dias,  como em Ouro Preto.

É essa religiosidade que garante o brilho e conteúdo de dezenas de celebrações litúrgicas, e isso acontece por todo o Estado, como na Zona da Mata, Oeste de MG, Triângulo, Alto Paranaíba, Vale do Rio Doce, Vale do Aço, Vale do Mucuri, Jequitinhonha, Cerrado, Norte de Minas, Noroeste, Sudoeste, Sul do Estado, estâncias hidrominerais etc.
Em Belo Horizonte, ao longo da Semana Santa, aconteceram muitas celebrações na maioria das paróquias - como São José, Boa Viagem, Lourdes, Santíssima Trindade, Carmo-Sion, Santana da Serra, São João Evangelista, São Judas Tadeu, Carlos Prates, São José do Calafate, Padre Eustáquio, N.S. Rainha (Belvedere), Senhora Mãe da Igreja, Santa Efigênia, Santa Tereza, Horto, Sagrada Família, Cidade Nova, Lagoinha, Pampulha, Planalto, Santa Mônica, Cachoeirinha, Renascença etc.
A cobertura do que acontece nos municípios mineiros é a mais precária possível na Imprensa de Belo Horizonte - ela própria envolvida numa série de problemas até para jornais antes considerados fortes e imbatíveis. O interior vive abandonado e esquecido. O máximo que consegue é dar o nome do time e a cidade a que pertence na disputa do Campeonato Mineiro, que não dura mais do  que um trimestre, e depois se apaga.
Isto reforça a necessidade de as cidades de maior projeção turística se sentirem na obrigação de - elas próprias, e do seu jeito, por maior que seja a precariedade de recursos - criarem uma maneira de divulgar previamente suas celebrações litúrgicas, e dar o programa das missas, encenações bíblicas, sermões e procissões, utilizando principalmente as redes sociais e as emissoras locais. A Rádio Itatiaia, por sua força e penetração, pode dar também uma  grande ajuda aos municípios turísticos.
Esse fluxo anual de visitantes, na Semana Santa, é produto de uma boa experiência anterior. Eles vieram, viram, gostaram, e decidiram voltar, apesar de toda a precariedade dos serviços e do atendimento nas cidades históricas. A Semana Santa, em si, vende sozinha - porque conta com a mais eficiente de todas as propagandas (boca a boca).

É importante que se ressalte: este ano, como nos anteriores, ninguém de fora veio a Minas porque foi atraído por uma matértia ou reportagem produzida por órgãos estaduais ou municipais ligados ao turismo. Temos uma porção de Secretarias fictícias, que não fazem nada e fingem que trabalham. Uma enciclopédia de omissão e incompetência.

 A FALTA QUE UM BOM CADERNO DE TURISMO FAZ
Na Semana Santa, diante da magnitude e impacto das celebrações nas cidades históricas mineiras, a gente sente muita falta do extinto Caderno de Turismo do jornal "Hoje em Dia" - e eu mais ainda, por ter sido seu idealizador e editor por quase 18 anos, e mais seis anos como consultor e colunista, responsável por inesquecíveis matérias de capa, coberturas especiais e comentários e análises que o leitor nunca esqueceu. 
Nós sempre tratamos a Semana Santa como um dos temas de maior relevância ao longo do ano. Foram edições históricas - para mim, inesquecíveis - sobre o Domingo de Ramos, Ofício das Trevas, Via Sacra, Procissão do Encontro, Última Ceia, Vigília Pascal e Cristo crucificado entre dois ladrões no alto do Calvário. E o suicídio de Judas e a glória da Ressurreição. Maria aos pés da cruz, com o apóstolo João ao seu lado. E as figuras emblemáticas de Verônica, Madalena, Simão Cirineu, Anás, Caifás e Pôncio Pilatos.
Essa cobertura  abrangente, em quantidade e qualidade, deu um grande destaque nacional às cidades históricas mineiras. Além do primeiro time, formado por Ouro Preto, Mariana, Sabará, Tiradentes, São João del-Rei, Congonhas do Campo e Diamantina, várias outras cidades foram lembradas durante as celebrações, como Serro, Gouveia, Datas, Barão de Cocais, Itabira, Itabirito, Sete Lagoas, Esmeraldas, Conselheiro Lafaiete, Santos Dumont, Carandaí, Itapecerica, Barbacena, João Monlevade etc.
Todos os anos, era aquela dificuldade para conseguir das paróquias o programa completo das celebrações litúrgicas - cuja ampla divulgação, em nível nacional, sempre foi obrigação elementar da Secretaria de Estado de Turismo. Mas a gente conseguia, após grande esforço, dar pelo menos um resumo com datas e horários das procissões, e detalhes das celebrações e procissão do Senhor Morto e sermão do descendimento da Cruz.
Falo deste Caderno de Turismo com respeito e saudade, e sentindo-me vítima da decisão sobre sua extinção sumária (como se fosse imprestável). Pedaços da minha vida e meu ideal ficaram lá dentro, na Rua Padre Rolim 652. Não era um simples amontoado de folhas de papel, pois elas ajudaram a escrever capítulos importantes da história do Turismo de Minas - que, através deles, descobriu diretrizes de gestão mais profissional (menos amadora), e trabalhar com mais planejamento, organização, competência e seriedade. A custo zero - sempre é bom ressaltar isso -, nós demos dezenas de ideias que  poderiam mudar a face do turismo em nosso Estado. Se não se fez nada, a culpa não é nossa.
Sou um idealista confesso e inveterado. Não entreguei os pontos ainda, nem vou desanimar. Espero, firmemente, que a nova direção do jornal "Hoje em Dia", que possui pessoas qualificadas, competentes, de formação universitária, e comprovada experiência empresarial - bem diferentes dos despreparados, ambiciosos e incompetentes representantes da Igreja Universal, que dirigiram o jornal por muitos anos. Sei que esses executivos da Ediminas S.A., que edita o jornal, podem reavaliar a situação e encontrar meios para voltar a editar um Caderno de Turismo normal, com o mínimo de 8 páginas semanais, e não essas 2 ou 3 melancólicas páginas atuais.
Com a mesma firmeza e disposição de quem teve competência para contratar Bóris Feldman, um dos profissionais mais emblemáticos e caros da imprensa mineira, espero que o Grupo BEL coloque como uma de suas prioridades para este ano  a volta do Caderno de Turismo do "Hoje em Dia", melhor estruturado, mais encorpado, melhor editado, preocupado em trabalhar em parceria com agências de viagens e operadoras de excursões (como faz brilhantemente o jornalista Paulo Campos, nos jornais O Tempo e Pampulha, dando um show de bola a cada semana), e com o indispensável suporte da publicidade de grandes anunciantes - como CVC Viagens, Abreutur, Visual Turismo, Viagens Master, Primus, Belvitur, Interpool, Tia Eliane, Greentours, Nascimento Operadora, Azul Linhas Aéreas, Gol, TAM, American, Copa Airlines, Aerolineas Argentinas, TAP, Raidho, Agaxtur, Travel Ace etc.
O "Hoje em Dia" tem um importante papel no contexto da Imprensa de MG, e creio que esta nova diretoria tem estrutura administrativa,  suporte financeiro, práticas de gestão empresarial e plena condição de recuperar o tempo e espaço perdidos. A volta do  Caderno de Turismo é indispensável em qualquer projeto de expansão editorial e aumento de assinaturas.

Vocês devem saber que sempre paguei, de meu bolso, todas as despesas de viagem a serviço do jornal: passagens aéreas, cruzeiros marítimos, hotéis, locadoras, refeições, táxis, trens, percursos rodoviários e até entradas em museus e compras de postais, revistas  e guias. A Ediminas S.A. jamais contribuiu com 1 centavo de dólar ou euro. Tenho todos os comprovantes de despesas debitadas nos cartões internacionais Visa e Mastercard, nos últimos 10 anos, à disposição da Justiça.


Pelo meu passado neste jornal, e por tudo que lhe dei em termos de dedicação, entusiasmo, idealismo, até desprendimento financeiro e renúncia a dezenas de horas extras e diversos direitos trabalhistas, devo ser o primeiro a sonhar com a volta de um Caderno de Turismo de verdade, editado às quintas-feiras, como aconteceu na maior parte de sua existência.
Nunca vou me esquecer de que foi este Caderno que abriu, a mais de 40 colegas da Redação do "Hoje em Dia", entre 1990 e 2016, a oportunidade de sua primeira viagem ao exterior. Todos os convites (pessoais e intransferíveis) que me chegaram foram convertidos em transferíveis e encaminhados à diretoria do jornal, para, em conjunto com a chefia da Redação, decidir quem seriam os premiados com uma excursão ao exterior, geralmente de 7 dias, com tudo pago. 

A única obrigação dos escolhidos era, na volta, produzir uma matéria de capa, honesta e imparcial, contando tudo o que viram, sem qualquer obrigação de elogiar ou enaltecer os anfitriões (Ministérios do Turismo, redes hoteleiras e companhias aéreas). E, quando os colegas embarcaram, fiquei mais feliz do que qualquer um deles, por saber que estavam entrando num mundo novo e desconhecido, e voltariam melhores como profissionais de Imprensa e como cidadãos. Viajar é aprender, enriquecer-se culturalmente, descortinar novos horizontes, alargar suas fronteiras antes confinadas às montanhas de Minas.


---------
PS: Uma feliz Semana Santa para todos,  e que a Páscoa de cada um seja um momento de renovadas alegrias, paz, harmonia, partilha, reconciliação e fraternidade. Para quem vai viajar, aquele conselho de sempre: cuidado redobrado nessas estradas mal cuidadas, mal sinalizadas, mal policiadas, onde se morre por atacado.
----------
Belo Horizonte/MG - Brasil
Abril de 2015
Hélio Fraga - Editor
Postagem e edição: Ana Cristina Noce Fraga
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário