sábado, 27 de junho de 2015

A PARTICIPAÇÃO DA UNITED COM 5% DA AZUL, E O QUE ISSO REPRESENTA PARA O BRASIL


O Boeing 747-400 opera as principais rotas da United 

Não deixa de ser uma grande notícia para a Azul e a aviação comercial brasileira, e para a economia do nosso país: a United Airlines adquiriu, por US$ 100 milhões, 5% das ações da Azul Linhas Aéreas - negócio confirmado na sexta-feira, 26 de junho. Isso representa muito tanto para nosso transporte aéreo doméstico, como para a combalida economia nacional, num período de tantos fatos negativos e indicadores pessimistas. 

A United aposta forte na Azul e no Brasil - jamais viria aqui para perder dinheiro.


A notícia se torna ainda mais importante porque a Azul, há menos de duas semanas, oficializou a compra da TAP Portugal, através da nova empresa Gateway, presidida por David Neeleman, o fundador da Azul e presidente do Conselho. Foi ele quem conduziu as negociações com a United em Chicago (mais comentários sobre a compra da TAP logo abaixo).



Um dos gigantes do transporte aéreo mundial, a United (United Continental Holdings, Inc.) apresenta suas credenciais, como se já não fosse velha conhecida nossa:



1) Tem uma frota de mais de 700 jatos, juntamente com sua subsidiária United Express, e opera mais de 5.000 voos por dia, decolando e aterrissando em 373 aeroportos nos seis continentes.



2) Em 2014, juntas, a United e sua subsidiária para voos curtos totalizaram 2 milhões de voos e transportaram 138 milhões de passageiros.



3) A United, que já voou para BH/Confins em fins da década de 90, via Miami - mas abandonou a rota meses depois porque dava prejuízo e o apoio de MG foi muito menos do que o esperado -, está presente no Brasil desde 1992 e voa direto do Rio e Guarulhos para o Aeroporto O'Hare, em Chicago, sua base principal, onde oferece mais de 350 conexões para múltiplos destinos, e também para NYC/Newark, Washington DC  e Houston.



4) Além de Chicago, outras bases importantes da United são New York/Newark (JFK e EWR), Denver, San Francisco, Los Angeles, Washington Dulles (IAD) e Houston.

O Jumbo ainda é uma das grandes estrela da frota intercontinental da United Airlines




   PLANOS DE EXPANSÃO DE ROTAS E  PARCERIAS




Dependendo de aprovação governamental, United e Azul pretendem compartilhar mais voos dentro dos Estados Unidos e na América do Sul. Novas rotas podem ser lançadas. Haverá parcerias em seus programas de milhagem (Milleage Plus e Tudo Azul).

Grandes jatos do futuro, como os Airbus A350, são uma das apostas da Azul


Como a Lufthansa e SAS, e junto com a saudosa e eterna Varig,  a United foi uma das fundadoras da Star Alliance -  hoje reunindo 27 companhias aéreas e operando em 193 países. Assim, é possível que a Azul também se associe a elae, até para ganhar competitividade e buscar novos mercados. Como se sabe, a TAP também pertence a esta aliança (então, a Azul jamais iria para a OneWorld ou SkyTeam).

Em menos de 7 anos, a Azul transportou mais de 100 milhões de viajantes




Entre as estrelas da frota da United, estão os Boeing 787 Dreamliner (inclusive sua série 900), os Jumbo 747-400 utilizados nas rotas europeias e países da Ásia e Pacífico, e os novíssimos Boeing 737-900 ER, a geração mais avançada tecnologicamente, tendo 34 aparelhos encomendados. E comprou também 49 jatos Embraer 175 para rotas mais curtas.



Futuramente, virão mais comentários sobre os desdobramentos desta aliança e as novas rotas que surgirem, lembrando que a Azul vai voar de BH/Confins para Orlando-Flórida a partir de 16 de novembro, e de lá a United facilita conexões para todo o território norte-americano. Assim, a Azul poderia vender trechos para Atlanta, New Orleans, Las Vegas, Dallas, Los Angeles, San Francisco, Indianapolis, Detroit, Chicago, Salt Lake City, Phoenix, Memphis, Seattle, Filadelfia, Baltimore, Pittsburgh - e a United levaria seus passageiros. Uma aliança realmente estratégica. Companhia aérea norte-americana não faz filantropia.


   A NOVELA DA PRIVATIZAÇÃO DA TAP PORTUGAL
Com alguma demora, em função da viagem a Orlando para participar do congresso IPW 2015, surge hoje a oportunidade de comentar a confirmação da compra da TAP Portugal pelo grupo Gateway, idealizada pela Azul Linhas Aéreas em associação com o conglomerado português Barranqueiro. Pela Gateway, coube ao fundador da Azul e presidente do Conselho, David Neeleman, conduzir o negócio - ele, muito reconhecido pela sua capacidade empreendedora e experiência na aviação internacional. 
Pela fato de o conhecer pessoalmente, ter participado de várias coletivas de imprensa e ter visitado as instalações da Azul em Campinas e Barueri (inclusive simuladores de voo) - tudo de primeiríssimo mundo -, posso acrescentar que David Neeleman é tudo isso ao mesmo tempo: empreendedor capacitado, arrojado, obstinado, detalhista e perfeccionista.

Os Airbus A340-300 da TAP precisam ser substituídos


 A aviação mundial o respeita muito, pelo talento e audácia que revelou na fundação da JetBlue, hoje uma empresa brilhante, consolidada e respeitada, concorrendo no maior mercado do mundo. Pode-se lembrar ainda sua participação na fundação da West Jet e Morris Air, que também competem no transporte aéreo dos Estados Unidos e Canadá.

A revista Veja, na edição da semana passada, embora sem se aprofundar muito no assunto, lembrou que a privatização da TAP levou alguns anos, pois já se falava nisso em 1997 - e lá se foram 28 anos. Criaram-se obstáculos de todos os tipos e tamanhos. Os políticos portugueses complicaram até onde foi possível. Deram verdadeiros nós cegos.


Tudo parecia combinado para ela ficar com a Swissair, mas a empresa da Suíça se afundou em dívidas. Foi o primeiro negócio que gorou, mas viriam outros, na sequência. A Swssair quebrou, surgindo em seu lugar a Swiss International, apoiada pelas maiores corporações financeiras do país. Não se falou mais nisso.


... E O DESFECHO DO CASO ENTROU  NO SÉCULO 21...


J

á no começo do novo século, a Lufthansa era uma candidata forte e poderosa, até para enfrentar a aliança entre Air France e KLM, ou da British Airways. Mas não demonstrou vontade firme de fechar negócio, e cuidou de outros interesses europeus. Depois, a audaciosa Qatar Airways, embalada pelos seus petrodólares (não confundir com a criminosa roubalheira na Petrobras), mostrou ter poder de fogo para fechar o negócio. mas não foi adiante. Houve também um tentativa (pouco convincente) da Gol Linhas Aéreas, que, desde o início, parecia não ter a menor chance - como ficou comprovado. Um blefe.
A Portugalia, subsidiária da TAP, ainda usa os veteranos Fokker 100


A seguir, veio a candidatura do grupo Synergy, liderado pela família Efromovich, dona da Avianca. Com toda franqueza, e a experiência de quem acompanha a aviação internacional há mais de 45 anos, voando por 117 companhias IATA como passageiro e jornalista, nunca acreditei muito nela - e dizia isso aos comissários de bordo da TAP, naquelas longas conversas no meio da madrugada, já perto do final da travessia oceânica rumo a Lisboa. 

A Avianca não parecia ter cacife para tanto, nem experiência para gerir uma empresa do porte da TAP, fortemente endividada. A não ser que se usasse, exclusivamente, recursos do contribuinte brasileiro, via generosidade do BNDES.

O fechamento da compra da TAP pelo grupo Gateway -  a Azul esta fortemente capitalizada por poderosos grupos de investidores norte-americanos e nacionais - acabou sendo uma surpresa. O processo de privatização empre foi difícil, complicado e complexo, e se arrastou por quase duas décadas, tais os entraves burocráticos e as pressões políticas. 

Já se sabe que, se o Partido Socialista português ganhar as eleições legislativas, no final deste ano, uma das promessas de campanha é cancelar esta venda. Melhor aguardar e depois conferir. Espera-se que prevaleçam a lei e os direitos ds cidadãos. E se respeitem os termos de acordos internacionais.


O QUE SE ESPERA,  COM  TUDO  NAS MÃOS DA AZUL?
David Neeleman, um empreendedor com visão de futuro, preside o Conselho da Azul

Com seu dinamismo, David Neeleman pode conduzir a TAP Portugal a um novo patamar, pela sua visão de futuro e sua capacidade de bom  negociador. Espera-se dele muita habilidade para tomar as decisões junto com os sócios portugueses, pois o Grupo Barranqueiro ficou com 50,1% das ações da empresa, e o Gateway com 49,9%, atendendo a exigências da legislação europeia. 

Trata-se de uma parceria que envolve muito dinheiro. O governo de Portugal só vendeu 61% das ações da TAP, pelo valor de 354 milhões de euros, mais de R$ 1,2 bi. É preciso que se faça justiça aos brasileiros Fernando Pinto e Luiz da Gama Mór, presidente e vice-presidente da TAP por vários  anos. Foi duríssimo o trabalho de recuperação da empresa, e eles merecem o respeito e gratidão do povo português.
Um dos sérios problemas da TAP é a renovação de sua frota, substituindo  os quatro Airbus A340-300 por modelos  mais novos, mais econômicos e avançados tecnologicamente. Há urgência de compra ou aluguel de novos A330-200 utilizados nas rotas internacionais - pelo menos mais 4 ou 6 jatos, pois há planos de extensão das rotas tanto no Brasil e América do Sul como nos Estados Unidos. 

Espera-se a compra de novos modelos de A321 para as melhores rotas europeias, e aquisição de novos A320 e A319 . A partir de 2017, acredita-se que a TAP possa voar com os novos equipamentos Embraer 195 da série E2, de última geração. 
A Azul, com menos de sete anos de vida, tem o triplo da frota da TAP, que está fazendo 70 anos (fundada em 1945). As rotas internacionais da TAP precisam ser ampliadas, pois atualmente atende a dois aeroportos norte-americanos (Newark Liberty e Miami International), além de voar para 15 aeroportos na América do Sul, sendo 12 no Brasil.  Há também ligações para 14 cidades da Africa.
Os novos donos da TAP vão precisar de muita paciência e habilidade para negociar com os sindicatos de aeronautas e aeroviários portugueses, lembrando que eles agrupam os que trabalham na sua subsidiária Portugalia, cuja frota  conta com jatos Fokker 100 e Jet Class 145 da Embraer. No total, são mais de 4.500 empregados, muito exigentes e politizados.  
UM AMPLO SISTEMA COM MAIS DE 100 CONEXÕES DOMÉSTICAS

A  TAP vai se beneficiar, largamente, das mais de 100 conexões que o sistema da Azul oferece em território brasileiro. A malha interna da Azul é muito abrangente, praticamente com conexões imediatas para quem desembarca em Guarulhos, Rio-Tom Jobim, Viracopos-Campinas, BH/Confins, Porto Alegre, Brasília, Salvador, Recife, Natal, Fortaleza, Belém e Manaus.

A Azul tem números mais expressivos do que a TAP,  que transportou 11,4 milhões de passageiros no ano passado, contra  15,5 milhões da brasileira. 
A TAP pode se beneficiar, ainda, das rotas internacionais regulares que a Azul mantém, voando diariamente de Viracopos para Fort Lauderdale (a 45 de Miami pela autoestrada I-95 South) e Orlando. No dia 16 de novembro, começam os voos diretos para Orlando, na Flórida Central, partindo de BH/Confins, com jatos A330-200 reconfigurados e com mais opções de gastronomia, entretenimento e conforto. 
Abrem-se novos e belos horizontes para a TAP e a Azul, ao mesmo tempo. Tomara que elas somem energia, talento  e esforços para dar conta dos grandes desafios à sua frente - ainda mais com a economia brasileira tão combalida.

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Ao final desta edição, a melhor notícia que eu poderia dar, pois vai facilitar muito: vocês terão de acessar apenas www.blogdohelio.com.br

Já podem até anotar os próximos temas: os 78 anos da Ponte Golden Gate, em San Francisco, uma das paixões de minha vida; preciosas dicas de compras e gastronomia em Orlando; a falta que fazem os cartões de descontos para turistas estrangeiros e nacionais nas grandes cidades brasileiras; e o desencanto dos portadores de cartões de milhagens, tantas são as dificuldades criadas pelas companhias aéreas, generalizadamente.

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Belo Horizonte - MG - Brasil
27 de junho de 2015
Helio Fraga - Editor
Postagem e Edição - Ana Cristina Noce Fraga


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