domingo, 14 de junho de 2015

ORLANDO, 0 REINO DA FANTASIA, A BELA SEDE DO CONGRESSO TURÍSTICO IPW 2015



As lembranças de Orlando, na Flórida Central - muito plana e cheia de lagos, rodeada de verde por todos os lados - nos acompanham pelo resto da vida, seja você criança, jovem, adulto ou vovô. Este  é o reino da fantasia, da festa que não acaba nunca, dos brinquedos fantásticos, das surpresas mirabolantes, dos shows espetaculares. Esta é a terra de Mickey Mouse, Minnie, Pato Donald, Pluto, Pateta, Cinderela, Lobo Mau e Tinkerbell; de Harry Potter, do monstro King Kong, dos dinossauros de Jurassic World, das montanhas russas que atingem 60 km por hora; a terra de baleia Shamu, dos tubarões, dos golfinhos amestrados e dos flamingos; dos tobogã aquáticos do parque Wet' n Wild; e agora da roda gigante Orlando Eye, na nova atração I-Drive 360, com 30 cabines em aço e vidro fumê, com ar condicionado, cada uma levando de 16 a 20 pessoas e chegando à altura de 125 metros, subindo e descendo bem devagar.

Pela sétima vez em 46 anos de história do maior congresso turístico dos Estados Unidos - antes foi International Pow Wow, agora apenas IPW, para simplificar - Orlando foi sede desta nova edição, com impecável organização da U.S.Travel Association e da Visit Orlando, que congrega as 1.200 empresas que integram o setor - e também com importante participação da entidade The Brand USA. Durante 4 dias, de 30 de maio a 3 de junho, o congresso reuniu mais de 6.500 delegados de 70 países, e a imprensa mundial foi representada por 550 jornalistas de 74 nações, outro recorde citado com orgulho por Roger Dow, presidente e CEO da U.S. Travel Association.

A U.S.Travel é  a maior entidade do turismo dos Estados Unidos - que mobiliza milhões de pessoas (gera 1 em cada 10 empregos) e responde por 3,5% do PIB deles. A feira de turismo aconteceu no Pavilhão Sul (South Hall) do gigantesco Orlando & Orange County Convention Center e apresentou a 1.200 delegados internacionais o que há de novo e atraente no setor de viagens e eventos, e sua impressionante estrutura para feiras, congressos e eventos de todo tipo. Foram 1.800 expositores e concretizaram-se 100 mil reuniões de negócios. Tudo muito bem executado - uma sintonia perfeita.

Mas o que acontece depois de um congresso como o IPW? - Pesquisas indicam que há expectativa de gerar receitas de mais de US$ 4,5 bilhões para a economia dos Estados Unidos e seguir multiplicando novos empregos. Significa que Orlando vai continuar poderosa, vibrante, riquíssima. Em fins de 2014, a cidade bateu o recorde de 62 milhões de visitantes nos EUA, ultrapassando definitivamente Nova York e Chicago, que passaram dos 50 milhões - marca ainda não alcançada por Miami, Los Angeles, San Francisco, Las Vegas e outras metrópoles norte-americanas.
Este blog fala de minha alegria e honra de participar, pela 33ª vez, deste congresso -  sem ser editor de um Caderno de Turismo em Belo Horizonte, e nem como colunista e consultor, mas agora reconhecido como um blogueiro de turismo lido em 47 paises, e tendo a mesma credibilidade, sendo recebido com festa pelos organizadores e colegas, depois de ficar ausente por dois anos. Isto vale muito para mim. No Brasil, em geral, quando se perde uma coluna, ou se decide extinguir um Caderno de Turismo, o profissional se sente rejeitado, desprezado, quase um leproso.
 
O IPW 2015 foi um congresso nota 1000, com louvor, nos quesitos de planejamento, logística operacional, suporte da feira, organização, eficiência, profissionalismo e competência para dar seu recado. Em 2016, será a vez de New Orleans, na Louisiana.  Que, como acontece sempre nos EUA, já começou a contagem regressiva.

   PLANEJANDO COM 10 ANOS DE ANTECEDÊNCIA
Antes de tentar resumir para vocês o que aconteceu em Orlando, é indispensável dizer que os futuros congressos IPW já estão planejados com 10 anos de antecedência· Depois de New Orleans em 2016, será a vez da capital Washington DC organizá-lo em 2017; Denver, no Colorado, se responsabiliza pelo evento de 2018, e já criou vários comitês para conseguir uma organização impecável. Os voluntários se alistam com grande antecedência também, e são milhares em cada cidade.

Depois virão,  pela  ordem: Anaheim, na Califórnia, que aceitou patrocinar o evento de 2019, para mostrar ao mundo a  cidade da Disneylândia e de Knott's Berry Farm, além de parques sensacionais; e o IPW volta a Las Vegas em 2020, e a capital das roletas está construindo várias novas atrações, e expandindo shoppings, cresendo alucinadamente e festejando os 41,1 mlhões de visitantes no ano passado. Outro retorno importante será o de Chicago (que foi sede em 2014), e se responsabilizou pelo evento  em 2021.

Foram confirmadas as escolhas de Orlando (pela oitava vez) em 2022, San Antonio-Texas em 2023 e Los Angeles em 2024. O congresso sempre acontece nos meses de maio ou junho.

Entre os destaques desta vez, em Orlando, os espetaculares trechos de shows apresentados por Nova York (Broadway Inbound), Kissimmee e Disney Destinations. E as festas noturnas, ao ar livre, no Magic Kingdom (Disney World), Sea World e Universal Studios.

 
  MIAMI E ORLANDO SÃO OS DESTINOS PRINCIPAIS
As estatísticas nos EUA são altamente confiáveis, e sempre acompanhadas de projeções que revelam tendências de mercado em todos os setores da economia norte-americana e internacional - e os números do Departamento de Comercio dos EUA, que equivale ao nosso Ministério da Fazenda, revelam que Miami e Orlando continuam sendo os destinos principais dos turistas brasileiros no país. As duas cidades seguem imbatíveis, mas Orlando recebe mais visitantes internacionais do Brasil e toda a America Latina do que Miami. As 62 milhões de chegadas no ano passado bateram recorde no solo norte-americano. Apenas 3 cidades dos EUA conseguiram romper a barreira dos 50 milhões de turistas - pela ordem, Orlando, Nova York e Chicago.

A verdade dos números mostra que Orlando disparou à frente de Miami, principalmente em função de vários voos operados pela American (com conexão imediata desde Miami), Copa Airlines (via Panamá), TAM, Gol, Azul (esta partindo de Campinas-Viracopos)  e outras companhias. A tendência é de que aumentem os voos sem escala  decolando de várias cidades brasileiras. No caso de Belo Horizonte, a Azul  inicia a operação de voos diretos a partir de outubro deste ano, com Airbus A330-200 - rota já confirmada mesmo num quadro de recessão da economia nacional.

Depois de Miami e Orlando, a preferência dos turistas brasileiros é Nova York, em função das compras (sempre elas),e qualidade e variedade de museus e os shows da Broadway. A Califórnia é a terceira opção, por causa de Los Angeles e San Francisco, e isso beneficia também San Diego, Long Beach, Monterey, Carmel, Anaheim etc. 


Mas também estão na lista dos latinos lugares como Dallas, Atlanta, Washington DC, Chicago, Detroit, Las Vegas e New Orleans. Muita gente viaja a Cleveland, Houston, Boston e Pittsburgh por razões médicas, como cirurgias de alto risco. É possível encontrar brasileiros em outras cidades, como Atlantic City, San Antonio, Memphis, Nashville, Seattle e Phoenix.

Há excesso de motivação para a escola da Flórida como destino preferencial: os preços muito mais baixos que os nossos na maioria dos artigos, mesmo com a grande valorização do dólar desde o ano passado; os grandes parques temáticos, bastando citar os de Orlando (os quatro parques do complexo de Disney World), Estúdios da Universal, Sea World, as montanhas russas de Busch Gardens, o parque aquático Wet'n Wild e agora a roda gigante Orlando Eye, que promete ser a nova sensação; a comida barata nos restaurantes e lanchonetes; as promoções e descontos nos maiores shoppings, principalmente nos Outlets; e as facilidades na locação de carros de passeio e vans equipados com GPS,  para circular por estradas muito bem sinalizadas, altamente policiadas e conservação impecável.

Ainda na Flórida, não podem ser esquecidas as cidades de Fort Lauderdale, Boca Raton, Palm Beach, Pompano Beach, St. Petersburg, Tampa, Clearwater, Naples, Jacksonville, St.Augustine, Ocala, Ft. Meyers e Key West, onde fica o Southernmost Point, o marco inicial do território norte-americano. 


   PREVISÃO: MAIS CHINESES DO QUE BRASILEIROS
Há vários anos, o Brasil detém a posição de quinto país que mais enviou turistas aos Estados Unidos. Segundo as estatísticas do Departamento de Comércio, reveladas neste IPW 2015, foram 2,26 milhões de visitantes no ano passado. Nos últimos ans, o crescimento médio foi de 22%. Mas uma perversa combinaçao de inflação alta com elevação do preço do dólar frente ao real, resultou numa previsão de que os chineses possam ultrapassar os brasileiros ao final deste ano, pois eles atingiram 2,19 milhões de visitantes no ano passado, ficando em sexto lugar. É possível  que as posições sejam invertidas.
Há muitas incertezas quanto ao 5º lugar do Brasi em função do explosivo crescimento da China. As expectativas mais otimistas estimam que, com inflação e tudo, nosso país ainda cresça pelo menos 4% de um ano para outro na balança do turismo norte-americano. Mas os pessimistas prevêem que a queda possa chegar a 5%. E os realistas pensam que pode ser de 3%. Comparando-se os últimos anos, o número de visitantes cresceu 10% em 2014 contra 2013. 
Historicamente, o Canadá lidera o número de entradas nos EUA, com 23 milhões de turistas no ano passado; e o México, sempre em segundo lugar, contribuiu com 17,33 milhões; o Reino Unido em terceiro, com 3,97 mi; o Japão em quarto, com 3,58 mi. Depois da China em 6º lugar, foram estas as colocações na lista dos Dez Mais: Alemanha em sétimo, com 1,97 milhões de visitantes; França em oitavo, com 1,62 mi; Coreia do Sul em nono, com 1.45 mi; e Austrália em décimo, com 1,28 milhões.
Em função dos acordos comerciais assinados entre EUA e China, e facilidades na obtenção de vistos pelos próximos 10 anos, houve um crescimento de dois dígitos no número dos visitentes chineses, e em 31 de dezembro próximo eles podem chegar a 2,3 milhões. Comparando-se os anos de 2013 e 2014, o crescimento dos chineses foi de 21 por cento, o maior de todos, superando os 19% do Mexico. O Reino Unido teve aumento modesto (4%), enquanto França e  Alemanha ficaram nos 3%. Na lista dos Top 10, os únicos  números negativos foram do Canadá (menos 2%) e do Japão (menos 4%). 
Mas um dos aspectos mais importantes deste IPW 2015, em Orlando, foi a constatação de que o prestigio do Brasil continua o mesmo, e os nossos turistas chegam a ser festejados, porque têm a maior média de gastos entre todos os visitantes internacionais. Isso será tema de futuros blogs. Nos veremos então.

E muito obrigado pelo prestígio e confiança, como sempre.

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Belo Horizonte-MG / Brasil
13 de junho de 2015
Hélio Fraga - Editor

Postagem e edição: Ana Cristina Noce Fraga

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