domingo, 9 de agosto de 2015

AIRBUS GARANTE QUE SEU A350 XWB COLOCA O BRASIL NUM NOVO PATAMAR DE TECNOLOGIA


Convidados especiais foram ver o A350 XWB em Viracopos- Campinas


A rápida passagem do superjato Airbus A350 XWB pelo Brasil, por iniciativa da Azul Linhas Aéreas e da Airbus Industrie, colocou o novo modelo no centro das atenções - pena não haver condições e tempo para apresentá-lo em outros grandes aeroportos nacionais. Este superjato, com autonomia para voar até 15.000 km sem escalas,  aterrissou na pista de Viracopos-Campinas na primeira quinzena de julho. Não foi possível falar dele antes porque fiquei fora do país entre 9 e 24 de julho - mas ainda é tempo.

Com motores Rolls-Royce XWB, o A350 é produzido  em Toulouse, no sul da França, num gigantesco complexo industrial  onde são fabricados também os Airbus A380 de dois andares e os modelos A321, A320 e A319, além dos turboélices ATR 72-600 utilizados pela Azul.

Pelas palavras de Rafael Alonso, presidente da Airbus Industrie para a América Latina e Caribe, este novo A350 vai fazer sucesso em nosso mercado, pelo que apresenta de novidade em tecnologia, potência, conforto e aerodiâmica.

Alonso ressaltou que a Azul é um dos principais clientes da Airbus na América do Sul. - "Este A350 XWB representa o que há de mais avançado em tecnologia aeronáutica. Com ele, o Brasil entra num novo patamar".

Nesta apresentação em Viracopos, David  Neeleman -  fundador da Azul e CEO da empresa - falou que o Airbus A350 vai mudar o conceito de viagens internacionais para os brasileiros, "porque será um produto diferenciado, somando alta tecnologia com maior conforto, baixo ruído a bordo, motores mais econômicos e cabines muito mais espaçosas, com mais opções de entretenimento".

A classe executiva do A350 terá  poltronas que reclinam 180 graus
Sobre a autonomia de 15.000 km, comentou que ela permite voos sem escala do Brasil para os cinco continentes. As quatro turbinas Rolls-Royce têm empuxo de 84.000 libras.


         OS A350 VÃO ESTREAR NAS ROTAS DOS EUA
  

A Airbus afirma que o A350 vai fazer muito sucesso na América do Sul


A Azul encomendou cinco modelos do A350 e os primeiros serão entregues em 2017, sendo colocados imediatamente nas rotas mais nobres, que são os voos diários de Viracopos para Fort Lauderdale e Orlando, nos Estados Unidos. Atualmente, estas llnhas para a Flórida são operadas por jatos Airbus A330-200.

Embora o superjato A350 possa transportar até 369 passageiros, numa configuração de 3 classes (primeira, executiva e econômica), as cabines na versão da Azul terão capacidade para 300 pessoas. As poltronas da classe econômica terão 46 cm de largura, sendo mais espaçosas do que as atuais.

A Azul destacou, como diferenciais, as janelas panorâmicas, os bagageiros com maior capacidade e as cabines mais espaçosas, silenciosas e confortáveis. Nas laterais, as fileiras terão 3 poltronas de cada lado da aeronave, e mais 4 no meio (configuração 3+4+3), total de 10 poltronas por fileira.

Comparando o A350 com seu principal concorrente, o Dreamliner da Boeing, a Airbus garante que o seu modelo possui uma cabine 12,7 cm mais larga, e há 5,61 cm de distância entre cada parede lateral. Outra novidade: todo o ar da cabine será renovado a cada 2 ou 3 minutos.

Tudo indica que será cada vez mais acirrada a competição entre o A350 XWB e o Dreamliner. Sabe-se que a TAM vai receber seu primeiro A350 em dezembro próximo, e utilizá-lo numa rota Guarulhos-Manaus para testes, porque depois será colocado nos voos para a Europa, começando por Madri. A chilena LAN também encomendou modelos A350. Muita coisa vai mudar por aqui.



CIAS AÉREAS PRECISAM RENEGOCIAR SUAS TARIFAS

O superjato tem autonomia para voar até 15 mil km sem escalas

Assim como acontece com os demais setores da economia brasileira, o turismo vem sofrendo em dobro porque as sucessivas altas do dólar e do euro estão inviabilizando muitos projetos de viagens, sejam excursões familiares ou em grupos. As agências se dispõem a renegociar com as companhias aéreas as tarifas das viagens previstas (como as de Réveillon)  porque os preços ficaram muito defasados. Em certos casos, o valor  da excursão quase dobrou.

Agentes de viagem pediram minha opinião, e aqui está:

1) Sou claramente a favor de que empresas como a TAP, Iberia, TAM, Alitalia, Air France-KLM, American, Air Canada, Delta, Copa e demais companhias aéreas se disponham a renegociar suas tarifas, atingindo um limite que seja acessível ao viajante. Melhor voar ganhando menos do que com ocupação baixa de assentos. Não adianta manter as tarifas altas demais e depois a excursão ser cancelada por falta de passageiros.

2) As grandes operadoras internacionais, como a Abreutur, também podem estudar formas de reduzir seus custos até um limite aceitável. Manter os preços inalterados em dólar e euro significa obrigar o passageiro a pagar 40% mais do que inicialmente previsto. Naufragam todos os orçamentos.

3) Essa proposta  de flexibilidade das tarifas, entre companhias aéreas e operadoras, vai permitir que muitos brasileiros ainda possam sonhar com uma passagem de ano realmente diferente, até para compensar todos os sobressaltos que estão vivendo - e voem para Nova York, Paris, Roma, Londres, Lisboa, Miami, Las Vegas, Disney, Cancún, Punta Cana, resorts do Caribe  ou Ilha da Madeira.

4) Agências de viatgens que bloquearam 80 lugares nas companhias  aéreas, para saídas entre o Natal e o Ano Novo, por enquanto não atingiram nem 20% da ocupação prevista. Renegociar é indispensável. As aéreas tem de se adaptar às evidências do mercado. O panorama geral é sombrio.


GIANFRANCO (PANDA) BETING, PERDA IRREPARÁVEL


Quando se fala em perda irreparável, a primeira impressão é de que o personagem teve sua vida bruscamente encerrada, se foi e não volta mais - daí esta sensação de perda para sempre. Mas Gianfranco Beting, conhecido apenas como Panda no meio da aviação e da imprensa, está bem vivo, e em plenas condições de saúde, esbanjando o conhecido talento que o transformou num dos maiores historiadores e personagens da aviação brasileira.

Por que, então, perda irreparável?

- Porque ele deixou a Azul Linhas Aéreas e está se mudando com a família para Miami, onde pretende abrir uma consultoria e, eventualmente, prestar serviços futuramente à própria Azul, que voa de Campinas para Fort Lauderdale, a 45 km de Miami, e para Orlando. Ele participou da gestação, nascimento e estruturação da empresa fundada por David Neeleman, muito antes do voo inaugural em 15/12/2008.

Se a Azul tem uma Bíblia, foi Panda quem a escreveu. Foi o braço direito de David Neeleman e envolveu-se com tudo: nome da empresa, logomarca, manual de procedimentos, filosofia de trabalho, central de reservas (o melhor Call Center do Brasil), criação da UniAzul, política de comunicação etc, No relacionamento com a dita "imprensa especializada", em vez de distribuir passagens de graça e cortejar colunistas com bajulações e agrados, ele lhes entregou informação correta, honesta e confiável. A Azul sempre foi uma empresa aberta, onde o passageiro tem vez e voz.

Panda chegou a ser a própria cara da Azul, se Neeleman não estava por perto. A vida e a história da empresa se confundiam com ele. Deu o maior suporte aos presidentes Pedro Janot e Antonoaldo Neves, e José Mario Caprioli (Trip).  Parecia ter superpoderes,  embora seu cargo fosse titular da Diretoria de Comunicação, Marca e Cultura. Formou uma equipe brilhante, abriu portas, construiu pontes e canais na área jornalística. A Azul nasceu predestinada a ser grande, e Panda foi o inspirador de suas principais decisões. Imagino a falta que Carol Constantino, Fábio Davidsohn Abud e seus colegas vão sentir dele.

Filho do legendário Joelmir Beting, que nos deixou há 2 anos, Panda sempre foi apaixonado pelo jornalismo e o transporte aéreo. Tinha o maior arquivo fotográfico da aviação civil brasileira, Imagino que sejam mais de 100 mil fotos, de todas as companhias vivas ou já falecidas - tudo que se possa pensar e se relacione com Azul, TAM, Gol, a grande e inequecível Varig, Panair do Brasil, Ocean Air (depois Avianca), Cruzeiro do Sul, Vasp, Transbrasil, Webjet, Rio-Sul, Nodeste, Fly, Trip, Total, Taba, Passaredo, Sadia, Lloyd Aéreo Brasileiro etc.

Documentou, no ar em em terra, aviões das maiores companhias aéreas mundiais - Pan Am, American, Delta, United, Continental, USAir, Emirates, SAS, Singapore, British Airways, Lufthansa, KLM, Air France, Qatar, Etihad, Ethiopian, Lan Chile, Alitalia, Iberia, Air Europa, Swissair (depois Swiss International), Crossair, Qantas, Air New Zealand, JAL, Korean, All Nippon Airways, Copa, Aerolineas Argentinas, Austral,  Austrian Airlines etc, e das falecidas Air Inter, Air Florida, Sabena, Ladeco, Viasa,  Spanair, Fawcett, Republic, Allegheny, AeroPeru etc.

Panda fará uma falta tremenda à Azul, imagine-se a dificuldade para se encontrar um substituto. Deixa a empresa num momento crucial - e eu imaginava que ele estaria à frente de muitos projetos relativos à revitalização da TAP Portugal, nova logomarca, política de comunicação, novo estilo de se relacionar com os clientes.

O Brasil, que está vendo tantos filhos amados indo embora, porque se cansaram de tudo que aí está, também perde demais com a partida de Panda para os Estados Unidos, onde se dá grande valor ao talento e à competência. Nossa aviação perde seu maior escritor, porque Gianfranco Panda Beting foi o Armando Nogueira da imprensa aeronáutica, e não haverá outro como ele (como aconteceu com Armando no futebol).

Embora distantes, vamos continuar amigos. Num rasgo de generosidade e altruísmo, ele sempre me chamou de "meu mestre", mas o grande catedrático sempre foi ele, que deve ser quase 20 anos mais novo.

Desejo-lhe que, na ensolarada Flórida, se abram novos caminhos, e a família se sinta bem e segura. Sem ele, a aviação brasileira perde um de seus ícones.

Ficam, como lembrança dele, os livros sobre a Varig - Eterna Pioneira e sobre os primeiros sete anos de vida da Azul. Nossas crianças e jovens vão aprender muito neles e com eles. Foi lendo o livro do Panda que meu netinho Rafael, antes de completar 4 anos, viu as primeiras imagens  do Constellation, Caravelle, DC-3, Avro, Electra II, DC-10/30, DC-11, Boeing 737-200 e 300, Boeing 707-320C, Jumbão e Jumbinho, Boeing 727, Boeing 747-300 e 400, Boeing 777-200 e tantos outros aviões, sobre os quais ele fala como se fosse professor.

... Aliás, não consigo imaginar por que meu netinho Rafa, aos 7 anos e meio,  gosta tanto de aviões e sabe identificar as logomarcas de mais de 30 empresas internacionais. Alguém deve ter ensinado a ele. Não faço a menor ideia de quem foi...
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Belo Horizonte-MG / Brasil
10 de agosto de 2015
Editor - Hélio Fraga
Postagem e edição_-  Ana Cristina Noce Fraga

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