terça-feira, 22 de setembro de 2015

PRAGA É DESLUMBRANTE, UMA JÓIA ENTRE AS CAPITAIS IMPERIAIS DO LESTE EUROPEU


A iluminação das principais atrações transforma a noite de Praga numa festa
República Tcheca tem atraído um número cada vez maior de visitantes brasileiros, que voltam deslumbrados depois de ver um conjunto impressionante de atrações. Praga (escreve-se Praha),  a capital da República Tcheca, se consolidou, nos últimos anos, como uma das referências do antigo Leste Europeu, que ficou mais próximo de nós desde a queda do Muro de Berlim, no final da década de 80. Se antes era uma tremenda dificuldade ter acesso a cidades encantadoras, como Praga, Budapeste, Cracóvia e Varsóvia, a partir da década de 90 tudo ficou mais fácil. E,para nossa surpresa, tudo muito barato, se comparado com Roma, Veneza, Paris e Londres.

A Republica Tcheca tem recebido grande número de turistas brasileiros, e essas excursões às capitais imperiais do Leste sempre acontece entre maio e fins de outubro, porque depois os rigores do inverno prejudicam muitos roteiros, já que Praga é uma cidade para se conhecer caminhando, e com temperaturas agradáveis.

Razões principais para essa escolha de Praga e outras cidades tchecas, como Brno e Karlovy Vary: a beleza natural, a segurança para os turistas, os preços razoáveis dos hotéis,restaurantes e serviços em geral; o câmbio favorável da coroa tcheca em comparação como euro e dólar; importantes museus e belas obras de arte; as feiras de artesanato nas ruas e praças; os concertos de músicas clássicas em pequenas igrejas, uma das marcas registradas de Praga; e a excelente estrutura de hospedagem, com acomodações para todos os orçamentos, dos luxuosos 5 estrelas aos pequenos hotéis familiares de 2 estrelas.

Cortada ao meio pelo Rio  Vltava (Moldava), Praga encanta à primeira vista, e as boas surpresas se sucedem: a Ponte Carlos IV, com suas 
estátuas laterais; o Relógio Astronômico, obra-prima de engenharia, na praça principal, marcando as horas, dias e estações do ano; a Catedral de São Vito, no topo da colina, ao lado do palácio real; as lojas que vendem os cristais ds Bohemia, famosos mundialmente; museus e galerias de arte; igrejas belíssimas por dentro e por fora (mais dentro);  a excelente comida a baixo custo e a cerveja Pilsen, considerada a melhor do mundo - pois a cidade de Plizen foi o berço da indústria cervejeira (a primeira fábrica foi aberta em 1842). Cerveja aqui é pivo,basta pedir ao garçom.

Hoje, vamos dar um passeio por Praga e descobrir alguns de seus encantos.


A CIDADE DAS TORRES, 156 IGREJAS E BELAS PONTES

Ponte Carlos IV, com seus monumentos laterais, encanta os turistas

Praga é um deslumbramento à primeira vista, e você já descobre isso no caminho entre o Aeroporto Ruzyné e seu hotel. Basta dar seus passos iniciais para se impressionar com a beleza de seus prédios, torres e cúpulas. Caminhar pelas ruas estreitas, becos, vielas e praças é um exercício agradável e instrutivo. Em Praga, os vários estilos de arquitetura se harmonizam: o gótico, o barroco e o romântico.

São 156 igrejas para os turistas conhecerem, de todos os estilos, e algumas parecem pequenas capelas, como as próximas à entrada da Ponte Carlos IV. Há concertos de música clássica na maioria delas, duas vezes ao dia, na alta estação, de maio a outubro. Os guias para visitantes falam que a cidade tem 500 torres e miradouros. E são 18 pontes disponíveis para cruzar o Rio Vltava e ir à outra margem. Barcos de cruzeiros fluviais passam sob essas pontes.

Essas torres apontando para o alto, essas cúpulas douradas e pináculos ajudam a contar os 12 séculos de história da capital tcheca. O turista deve caminhar bem devagar, olhando para cima e para os lados, sem perder os detalhes arquitetônicos que encantam.

A República Tcheca tem mais de 2 mil palácios, e muitos estão em Praga e arredores.  Mais de 500 palácios e castelos estão disponíveis para visitas no país e nas construções predominam a  arquitetura medieval, neoclássica, barroca, renascentista, cubista e algumas em estilo art-nouveau.

O turista se encanta com os cristais da Bohemia, o rico artesanato em madeira, as imagens do Menino Jesus de Praga, as porcelanas pintadas à mão e as recordações de viagem, como o pequeno relógio de parede que custa 5 euros e reproduz o relógio astronômico.




As lojas de Praga são uma festas para os olhos. As melhores casas especializadas em cristais ficam ao final da travessia da Ponte Carlos IV, na subida  para a Catedral de São Vito, o antigo Parlamento e o Castelo Real. Os preços são incrivelmente baixos, pela alta qualidade e a lapidação perfeita.

PRAGA PODE SER DEFINIDA COMO A VERDADEIRA CAPITAL DA MÚSICA

Para quem gosta de música clássica, Praga é "o lugar". Logo na minha primeira visita, em 2008, eu imaginava que a cidade tinha  apenas uma grande orquestra - a mundialmente famosa Filarmônica de Praga, que eu havia visto  num concerto vespertino ao ar livre em Salzburg, Áustria. Mas descobri que a capital tcheca tem sete orquestras sinfônicas de altíssimo nível, mais duas orquestras de teatro.

A capital tcheca tornou referência mundial em música erudita, e se intitula o maior Conservatório da Europa. Alunos do mundo inteiro vêm se aperfeiçoar aqui, e Praga tem ótimos professores de piano, violino, violoncelo, flauta e tuba. Jovens instrumentistas tchecos frequentam escolas de música procurando evoluir e fazer carreira.  O degrau máximo é chegar a uma das sete Sinfônicas.

Em qualquer passeio pela Ponte Carlos IV, é inevitável escutar jovens solistas tocando peças de Dvórak, ou interpretando sucessos internacionais em violino, flauta e acordeon, com um chapéu ou boina a seus pés para que os passantes atirem algumas moedas, com as quais vão pagar comida e aluguel. Há sempre solistas e pequenos grupos tocando na praça principal, a do relógio astronômico, e circulando entre os restaurantes com mesas ao ar livre, no verão e parte do outono.

Quando a gente caminha pelas ruas e ouve sons de músicas, vai conhecer ou recordar as principais composições de Antonin Dvórak (1841/1904), espécie de unanimidade nacional.  Ele é o mais reverenciado entre os monstros sagrados da música tcheca no passado. Importante lembrar também outros compositores: Leos Jamaceck (1854/1928) e Bedrich Smetana (1824/84). Mas, nos concertos nas igrejas, ouvem-se muitas composições de Mozart, Beethoven, Chopin e Bach.

A Catedral de São Vito fica no topo da colina, junto ao palácio real
Os concertos nas igrejas são geralmente às 19h30. Junto à Igreja de São Francicso, perto da entrada da Ponte Carlos IV (facilmente identificada por uma torre escura),  o ingresso custa 13 euros - barato demais para a categoria e prestígio dos músicos, nem todos jovens.
A acústica do templo é perfeita, parece que o órgão está na cadeira ao lado. Além das obras de Dvórak, o segundo na preferência é Ludwig van Beethoven.


  MAIS DE 40 ANOS SOB O DOMÍNIO  DA RÚSSIA

Não se trata de evitar reabrir cicatrizes, ou dar uma de vítima, mas aqui fala-se pouco da Primavera de Praga, em abril de 1968. Só se o turista insistir muito com a guia sóbria e competente. Elas dizem que isso faz parte de um passado que o país tenta esquecer. - "Hoje a situação é muito diferente, você pode ver", diz a bela guia. E não se fala mais nisso.

É importante recordar que Praga resistiu a duas guerras mundiais e enfrentou toda a opressão do nazismo. E teve de conviver com o regime russo por mais de 40 anos. A vida na antiga Tchecoslováquia foi dolorosa, traumática e opressiva.
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São nove pontes cruzando o Rio Vltava (Moldava), que corta Praga

A invasão russa em abril de 1968, tentando esmagar a Primavera de Praga, movimento de libertação nacional, teve uma característica de brutal repressão, com tanques em fila nas ruas de uma cidade sitiada, canhões apontando para civis inocentes e desarmados, e rebeldes mais extremados sendo fuzilados à queima-roupa.

As pessoas, hoje na faixa dos 70 anos,  ficaram traumatizadas com tanta barbaridade. Havia ninhos de metralhadoras instalados na praça principal. Mas a população deu mostras de grande coragem, altivez e patriotismo. Sabia que dias melhores viriam - como vieram. Hoje, vive-se muito bem em Praga, e o turismo injeta muito dinheiro na economia do país. Restaurantes sempre cheios de gente bebendo vinho tcheco e cerveja Pilsner Urquell.

Hoje, Praga brilha como uma das estrelas fulgurantes do Leste Europeu, que viveu tantos anos sob uma verdadeira Cortina de Ferro, nome mais do que apropriado.

REPÚBLICA TCHECA TEM POPULAÇÃO DE 10,3 MILHÕES
Os cristais de Praga estão entre os mais famosos do mundo

País membro da União Europeia desde 2014, mas já merecia ter entrado antes, a República Tcheca tem extensão de 78.864 km2 e uma população de 10,3 milhões de habitantes. Na divisão do território da antiga Tchecoslováquia, a nova república da Eslováquia ficou com uma área de  49.036  km2 e tem Bratislava como capital - por sinal, cidade linda, que tive oportunidade de conhecer em outubro do ano passado, numa excursão da Abreutur pelas capitais imperiais. A Eslováqua tem população de 5,3   milhões de habitantes.Os dois países convivem em paz.
A República Tcheca tem fronteiras com Alemanha, Polônia, Áustria e Eslováquia. Sua moeda é a coroa tcheca, sempre bem cotada em relação ao dólar e euro. A capital Praga tem 1,2 milhões de moradores. Para quem sai de Belo Horizonte pela TAP, há conexões diárias em Lisboa para Praga, num voo de 3 horas com Airbus A320.
Algumas distâncias para quem vai dirigir, partindo de Praga: Berlim fica a 360 km, Munique a 400, Cracóvia a 550, Dresden a 170, Viena a 305 e Budapeste a 550 km. Você vai ficar impressionado com a qualidade das rodovias e modernidade da frota. E com a quantidade de carros das marcas Saab, Skoda, BMW, VW, Audi e Mercedes-Benz.

Em Praga, os bancos abrem de 9h às 17h, de segunda a sexta, mas fecham mais cedo às sextas. Há casas de câmbio abertas nos dias úteis e finais de semana. As cotação nessas casas é mais favorável do que nos hotéis. Evite troca de dinheiro em aeroportos e estações de trem, que pagam menos.  

As casas de câmbio costumam fechar às 18h. É melhor informar-se previamente sobre a comissão que elas cobram, pois varia muito. Recomenda-se, obviamente, não trocar dinheiro com cambistas na rua, pois podem ser mais espertos do que você.

     O SISTEMA DE DEVOLUÇÃO DO IMPOSTO I.V.A.
Funciona na República Tcheca o sistema de devolução do imposto IVA pago, mas a compra tem de ser superior a 2.500 coroas (Kcy). Você preenche os formulários e os apresenta  autoridades aduaneiras no aeroporto, quando deixar o país. Como nos demais países, recebe a devolução em dinheiro.
Alguns telefones que podem ser úteis aos turistas: emergência, 112; polícia nacional, 158; polícia local, 156; ambulância e socorro médico, 155; e bombeiros, 150.
Para informações turísticas em geral: www.czechtourism.com; informações específicas sobre Praga, www.prague-info.cz e e-mail turinfo@pis.cz. Entradas para eventos culturais: wwwticketpro.cz ou www.boemiaticket.cz
E por aqui ficamos na matéria de Praga, e ainda havia muito mais a falar da República  Tcheca, mas não se pode perder a oportunidade de criticar e condenar o Governo da Hungria e os atos covardes de sua polícia contra centenas de refugiados que tentavam entrar no país como rota de acesso à Áustria e depois à Alemanha, destino final da maioria. São milhares de seres humanos agredidos,  humilhados e espezinhados, como se já não bastassem os horrores vividos desde que deixaram seus países em guerra e se arriscaram a cruzar o Mediterrâneo  em embarcações sem segurança - e muitos pagaram com a própria vida esta louca travessia. Vamos lá.

  HUNGRIA: SEUS ATOS ENVERGONHAM O MUNDO

Não dá para ficar calado diante de tanta humilhação a pobres seres humanos sofridos, pisados e desrespeitados em seus direitos civis. O que a Hungria tem feito nos últimos dias, tentando impedir os refugiados de passar pelo seu território a caminho da Áustria e Alemanha, é uma vergonha mundial. A Hungria nos mostra uma face desconhecida e cruel. Ninguém imaginou que fosse possível chegar a tanto. Há uma repulsa mundial. E vez de desapontamento,  provoca nojo.
O dinheiro que se gastou fazendo esta horrível tela de proteção e arame farpado, para intimidar e barrar os refugiados famintos e maltrapilhos, poderia ter sido utilizado em dar comida, água e abrigo temporário a esses pobres farrapos humanos, e até facilitar seu acesso às fronteiras de outros países no caminho, como Croácia e Sérvia.
Ao longo dos últimos dias, estarrecida, a população do mundo civilizado assistiu a cenas de selvageria - espancamentos, bombas de gás, jatos de água e outros "meios de convencimento" para amedrontar os intrusos. Os refugiados deixaram seus países devastados pela guerra, e largaram tudo para trás, visando encontrar abrigo e guarida em outras nações. Depois de anos de dominação russa, será que foi isso que a Hungria aprendeu?
Ninguém esperava que a Hungria escancarasse suas portas, e abrigasse milhares de pessoas que ela não tem condição de sustentar. Mas, pelo menos, que tivesse um mínimo de compaixão pela dor dessa multidão anônima, que tem fome e sede de justiça. Esses desabrigados já não sofreram o bastante? Ainda tem de enfrentar estas máquinas de fazer maldades, vestidas com uniformes policiais e armadas, prontas para agredir, refugar e matar se for preciso?
Sempre tive uma grande admiração pela Hungria, sua cultura, seus compositores e instrumentistas, os livros de Monsenhor Tihamer Toth na minha juventude, a Rapsódia Húngara que embalou tantos sonhos nos anos 50. Eu me encantei à primeira vista com Budapeste, o Parlamento, os museus e monumentos, suas igrejas, seus concertos· Gostamos tanto que visitamos os lados Buda e Pest três vezes nos últimos cinco anos. Fomos a espetáculos folclóricos e jantamos a bordo de um barco no Rio Danúbio, à luz de velas e ao som de violinos. Ana Maria e eu até aprendemos a fazer "goulash" na escola de gastronomia Chef's Parade.
Não tenho como apagar tantas boas lembranças em minha memória, mas diante de tudo que a Hungria fez nos últimos dias, e a maneira como tratou esses refugiados famintos, isso me faz perder aquilo que tinha de melhor para dedicar ao país: o meu respeito.

Neste momento, eu me torno  um ex-visitante e dou adeus permanente à Hungria. Jamais pisarei seu solo de novo. Destruirei nos arquivos tudo que se refira ao país - livros,discos, CDs, folhetos e informações turísticas em geral. Mais de 40 postais foram para o lixo, junto com fotos da Seleção Húngara nas 3 Copas do Mundo que cobri nos anos 60 e 70. Joguei fora até uma foto minha entrevistando Florian Albert, o grande nome do time. Nada mais faz sentido agora. É preciso que esse rompimento seja radical. É adeus mesmo.


Seria ingenuidade esperar que, um dia, o governo da Hungria vai pedir desculpas pelas atrocidades que cometeu.

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Belo Horizonte/MG - Brasil
22 de setembro de 2015
Editor - Hélio Fraga
Postagem e edição -Ana Cristina Noce Fraga
,o rande nome do time

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