sábado, 21 de novembro de 2015

COMO FALAR DE EMOÇÕES, VIAGENS E FELICIDADE EM MEIO A AVALANCHES DE LAMA E ATENTADOS EM PARIS?



  

Não tenho vergonha de confessar: estou perdido e sem palavras diante da brutal extensão do desmoronamento das barragens da mineradora Samarco na região de Mariana - a grande tragédia que configura o maior desastre ecológico dos 515 anos da nação brasileira -, e a bestialidade dos atentados perpetrados em Paris por terroristas fanáticos islâmicos na noite de 13 de novembro e os esforços das autoridades francesas para punir e sentenciar quem idealizou essa carnificina, criando um clima de pavor que pode tirar da Cidade-Luz milhares de visitantes com férias marcadas e passagens previamente pagas.



Enquanto, em Mariana  e seus distritos, dezenas de famílias perderam o quase nada que tinham, e vêm sendo enganadas e manipuladas pela mineradora, insensível à real extensão desse drama social - e continua a busca sofrida de corpos das vítimas, que podem ficar eternamente soterrados naquela montanha de detritos e resíduos da mineração, na França a grande tarefa  das autoridades, escudadas na vigorosa  união nacional, é  empreender uma caçada até que se encontre o último culpado, enquanto a nação e seus aliados europeus intensificam os bombardeios às bases do Estado Islâmico na Síria e Iraque.


Como conseguir, neste instante de perplexidade, ter frieza e lucidez para tentar mudar de assunto e fingir que está tudo legal em Mariana, e não haverá mais desmoronamentos - mas, ao contrário, está tudo errado, e ninguém imagine soluções drásticas e atitudes corajosas dos governos do Estado e da União. Multas bilionárias terão de ser aplicadas à mineradora Samarco, e às suas donas Vale e australiana BHP, e tais multas devem ser revertidas integralmente para as vítimas dos desmoronamentos das barragens, e prováveis futuras novas enchentes de lama e detritos de resíduos das barragens, matando nossos rios. Muitos deles, ou pelo menos o Rio Doce, talvez nunca mais se recuperem.





O atraso de vários dias para postar este novo blog demonstra meu estado de revolta e  perplexidade diante das duas monstruosas tragédias. Portanto, hoje não dá para me estender muito sobre alguns fatos importantes na aviação e turismo, como, por exemplo, a chegada a Guarulhos do superjato Airbus A380 da Emirates, lançando novas tarifas para vários destinos asiáticos servidos pela empresa de Dubai. Ou falar do voo inaugural da Azul entre os aeroportos de BH/Confins e Orlando, na Flórida Central, com  jatos Airbus 330-200, que aconteceu em 16 de novembro. Ou confirmar o cancelamento das rotas BH/Miami pela TAM, em meados de fevereiro de 2016 por falta de passageiros. Ou contar que a American está vendendo uma ida e volta de BH a Miami por apenas 325 dólares mais taxas até 15 de dezembro, com desconto de 80% em relação ao preço normal.


Estas e outras notícias que esperem mais uma ou duas semanas. Hoje, as prioridades têm de ser as barragens condenadas de Mariana e os covardes assassinatos de 129 turistas e ferindo mais de 350 pessoas inocentes que estavam visitando Paris e foram cruelmente metralhadas.




      O PREÇO  DA MINERAÇÃO EM MINAS GERAIS


É errado pensar que Minas não sobrevive sem a mineração. Aliás, poderia viver muito bem sem ela, ou apesar dela. Há séculos estamos buscando, no fundo das cavernas, pepitas de ouro, esmeraldas, turmalinas, topázios imperiais, ametistas, diamantes e vários tipos de pedras; assim como buscamos metais raros, como urânio em Poços de Caldas e nióbio em Araxá. Na nossa topografia, esta é a verdade nua e crua deixadas pelas mineradoras: crateras gigantescas, paisagens devastadas, rios contaminados e regiões degradadas que jamais vão se recuperar.





Que nenhum de nós seja ingênuo ou inocente útil, esperando que mineradoras como a Samarco,Vale, BHP e tantas outras respeitem o meio-ambiente, vão defender as nascentes, preservar a flora e fauna e vão recuperar todas as regiões que devastaram. Ou que têm algum  respeito pela nobre categoria dos profissionais da mineração, tão sofridos e espezinhados. 

(Apenas com registro, vale lembrar que, falando ao MG TV da Rede Globo, e perguntado se a Samarco ia pedir desculpas à população por ter arrasado os distritos de Mariana, devastado a região, destruído escolas e casas e matado centenas de peixes, um engenheiro da empresa disse que não se sentia obrigado a pedir desculpas. Mas foi desmoralizado publicamente pelo presidente da empresa, horas depois, na mesma emissora. Ele pediu desculpas a tudo e a todos; lamentou profundamente a tragédia (nem que seja da boca para fora); assumiu o compromisso de recuperar as áreas devastada (tarefa impossível, mesmo que se gastem 100 anos). Só falou ele completar o discurso anunciando, publicamente,  a demissão de seu empregado, nota zero em matéria de sensibilidade e responsabilidade social).


Quantas famílias já não perderam pais e filhos soterrados nos escombros? Quantos mineradores em Nova Lima não morreram pobres e abandonados, vítimas da silicose? E quantos operários ficaram cegos na explosão de dinamite, sem terem sido retirados previamente do fundo da mina, ou não serem alertados por sirenes a tempo de escapar?


Desde o o dia 5 de novembro, data do desmoronamento das barragens em Mariana, destruindo tudo que havia pela frente, tenho me espantado com a desfaçatez dos verdadeiros culpados por esta tragédia, e um certo conformismo, como se fosse obra da natureza ou do destino. Não é verdade: a culpa é da Samarco,  a quem cabe pagar indenizações bilionárias, até o último centavo. Prometer gastar 1 bilhão de reais tentando compensar todos os danos é um acinte, uma zombaria, um tapa na cara dessas famílias.


E que o governo federal, que demorou uma semana a esboçar a primeira reação, cobre as multas máximas que o caso permite, mas reverta tudo para Mariana, os distritos e a população atingida. Que cada família tenha sua casa própria decente e equipada;  receba salário, remédios e alimentação. Que haja hospitais e escolas para todos.A Samarco não faz mais do que sua obrigação.


Em vez de sermos eternos dependentes da mineração, vamos mudar os rumos de nossa economia. Já produzimos carros e utilitários da Fiat  e caminhões da Iveco; montamos helicópteros em Itajubá; temos uma agropecuária forte; exportamos frutas, carne, cereais, café, milho e soja. Enviamos rosas de Barbacena para os europeus. Temos diversificados polos de moda, malhas, bordados, tricô. Nossos laticínios têm produtos de alto gabarito. E uma pequena cidade mineira, São Vicente, produz queijos emmenthal, brie, cammembert e gorgonzola de categoria internacional.





Em vez de devastar tanto  nossas montanhas, para extrair minério vendido a preço de banana caturra, a economia de Minas Gerais pode viver muito bem do turismo, desde que seja explorado com um minimo de competência e gestão profissional. Temos rios e lagos, temos grutas e parques ecológicos, fontes de águas medicinais milagrosas, temos a melhor comida típica do Brasil, temos doces e queijos, temos artesanato e folclore, temos festivais e mostras culturais, produzimos cachaças,licores e vinhos, temos a maior feira de arte popular do país. 


Pena que isso tudo não seja divulgado, no mercado interno e no exterior, por quem tem a obrigação de fazer isso: os órgãos de promoção do Estado e dos municípios.


   PARIS PODE PERDER MILHARES DE VISITANTES




O povo francês jamais vai esquecer esta data: 13 de novembro de 2015, aparentemente uma sexta-feira normal de outono, prenúncio de alegre final de semana, mas que se tornou um pesadelo mundial. Não foi apenas Paris quem pagou caro, foi toda a França, e grande parte da Europa Ocidental, principalmente os vizinhos belgas, holandeses, suíços, britânicos e alemães.

Os atentados covardes e traiçoeiros dos terroristas fanáticos do Estado Islâmico tiraram de Paris o encantamento habitual. O turismo francês já vem pagando um preço altíssimo, pois Paris é a cidade mais visitada do mundo - pelo menos 74 milhões por ano. O impacto das bombas e rajadas  de metralhadoras russas kalishnikov foi imediatos: atrações turisticas fechadas, a Torre Eiffel às escuras e Catedral de Notre Dame interditada; e caos por toda a cidade.


 Dos atentados, emergiu uma Paris radicalmente transformada, parecendo ter perdido a alegria de viver: todas as linhas do metrô bloqueadas; mais de 1.500 policiais fortemente armados nas ruas; dezenas de viaturas e ambulâncias com estridentes sirenes ligadas; cancelamento dos shows noturnos no Lido, Moulin Rouge e Pigalle; fechamento apressado dos restaurantes, bistrôs, brasseries, lanchonetes  e danceterias.

Enquanto o presidente François Hollande decretou guerra sem tréguas contra fanáticos islâmicos, e autorizou bombardeios aos centros de treinamento do EI na Síria e Iraque, os aeroportos franceses adotaram o esquema de segurança máxima, ampliando o rigor nas inspeções eletrônicas e  manuais de pessoas e bagagens. Outra providência imediata foi o fechamento das fronteiras francesas, para impedir a fuga de terroristas.



Segurança máxima foi decretada também no sistema de metrô e transporte por trens e ônibus urbanos. A inauguração do sistema de decoração natalina da Av. Champs Elysées foi adiada por 2 semanas, quando normalmente começa no feriado de Ação de Graças. A Torre Eiffel, que ficou totalmente às escuras, reapareceu iluminada pelas  cores da bandeira francesa. Os barcos que fazem passeios pelo rio Sena voltaram a circular, mas tudo sob vigilância ostensiva. 

Para reduzir o impacto dos atentados no fluxo turistico do país, seu órgão de promoção internacional (Maison de la France) está planejando uma série de ações de marketing em nível mundial, para tentar reativar as reservas de viagens aéreas canceladas. Mas Paris sabe que o Réveillon de 2016 não terá o mesmo brilho, nem a superlotação de espaços como o Arco do Triunfo, Hotel de Ville (Prefeitura), Place de la Concorde e sua roda gigante e redutos turísticos como Montparnasse, Ópera Garnier, Trocadero (a melhor vista da Torre Eiffel, Quartier Latin e Place de la Republique.



Velas acesas e montanhas de flores, com fotos das vítimas dos atentados, continuam fazendo parte do novo cenário de Paris. Em vez do mar de lama em Mariana e arredores, e por todo o vale do Rio Doce, há um mar de silêncio e solidariedade na capital francesa. Mas Mariana ganha, disparada, a batalha do voluntariado, com os  mineiros socorrendo as vítimas do desmoronamento das barragens. A generosidade do povo, incluindo todas as classes sociais, é uma bela demonstração de respeito à dor alheia e ao sofrimento dos seres  humanos. Seria muito bom se a Samarco e os governos agissem assim também.  



FACULDADE DE DIREITO UFMG: FORMANDOS DE 1965


Compartilho com vocês uma comemoração muito especial: os 50 anos de formatura da turma de 1965 na Faculdade de Direito da UFMG. Éramos 150 formandos naquela época, hoje somos cerca de 120. Lembrando  com saudade aqueles que se foram, vamos tentar reunir o máximo possível de  colegas num jantar de confraternização no dia 21 de novembro, a partir de 19 horas, no Automóvel Clube de Minas Gerais, em Belo Horizonte.


Tendo como paraninfo o saudoso mestre Raimundo Cêndido, e Antônio Álvares da Silva como orador oficial, os bacharéis de 1965 se destacaram como uma turma brilhante na Magistratura Mineira, ilustrada pelos desembargadores Roney Oliveira, Célio César Paduani, Lucas Sávio Vasconcelos Gomes (falecido recentemente), Pedro Henriques de Oliveira Freitas, Jarbas Carvalho Ladeira Filho, Roberto Borges de Oliveira, Paulo Sérgio de Abreu e Silva e importantes juízes e procuradores dentro e fora de Minas Gerais.



Foi uma turma eclética , pois nela estavam dois futuros comandantes gerais da Polícia Militar de MG, coronéis Waldir Soares e Leonel Archanjo Affonso; os deputados Leopoldo Pacheco Bessone e Kemil Said Kumaira; e brilhantes jornalistas como Carmo Ribeiro Chagas, Adauto Novais, Antônio Beluco Marra, José Otávio Alkmin Henriques, Hilton Morera Ferreira e Marton Victor dos Santos. E um dos bacharéis de 65 acabou se tornando o psiquiatra Marcondes Franco e Silva.


Nossos estimados mestres sempre tiveram muito orgulho desta turma - como Alberto Deodato, Carlos Horta Pereira, Lídio Machado Bandeira de Melo, Washington Albino, Jair Leonardo Lopes, José do Vale Ferreira  e Abgar Renault.


Primeiro, vamos lembrar alguns dos bacharéis falecidos (recorrendo à memória e arquivos do colega Paulo Nonato Passini): Alexandre Jorge Bogliolo, Álvaro Chaves, Jair Reis Filho, Nioeldo Mendes Pires, Helena Quintão de Souza, Mayesse Mahmud Ganen, Fernando Viegas Marinho, Dagmar de Araujo Lima Ferreira, Antônio Martins Machado, juiz Hiram Couhi, Justino de Barros Frossard, cel. José Satys Rodrigues Vale, Paulo Márcio Aleixo Angelo, Marcos Teixeira Gontijo, Waldir de Salles Oliveira, Sebastiana Cunha do Nascimento, Demétrio Bassalo Yanez, Maria Ignez Lage de Oliveira Savergnini, Marisa Parreiras Bouchardet, Elias Procópio Duarte, Durval Fernandes Caixeta, Edgar Ferreira dos Santos, José Mário Leite Ribeiro e outros involuntariamente esquecidos.


Então, agradecendo ao bom Deus o dom da vida - a maioria já na faixa dos 75 aos 78 anos -, celebremos alegria nosso cinquentenário de formatura: Adriannus Johannes Utervaal (que deve vir do Rio); Aécio Bastos Fonseca, Nilma Goulart e Simão Guimarães de Souza (vindos de Brasília), Francisco de Assis Simões (Brasilia de Minas), Namildes Souza Mendes (Nanuque),  Valdir Curi (Lavras), Rogério Luiz Moretzsohn da Silva (Piranga), Célio de Carvalho (Uberaba) - e estes mais próximos, como Ronaldson de Oliveira Naves, Vicente Nazareno de Azevedo, Mauro Marcos de Castro, Gilvar de Pinho Tavares, Glaucio Gontijo Amorim, Paulo Nonato Passini, Dilermando de Mello (organizador da festa), Roberto Lobosque Neves, Juarez Silva Dantas, Nazareth de Abreu Argemiro de Castro e seu marido Roberto Rogério de Castro. E mais Amado Cândido Rodrigues, Ana Maria Braga e Silva, Helena Aparecida Barbosa, Angela Maria de Freitas Senra, Plauto Afonso da Silva Ribeiro, Raimunda Ramos de Almeida e outros.


Estarão no Automóvel Clube, dia 21,  mais estes colegas: Plauto Afonso da Silva Ribeiro, Maria Thereza Santoro Pinheiro Lima, Bernardo Pinto Monteiro, José Eugênio Cordeiro, Antônio Franklin da Cunha, José Célio Horta, José Justino Braga Neto, Jonas Emerick de Almeida, José de Aquino Perpétuo, Nilce Madureira Leão, Laerte Paulo da Silva Freitas, Josué Neves, Trajano Serafim de Oliveira, Élio Martins, Romilda Iris de Queiroz Mansur, Dirceu Capanema Barbosa, Aloísio Quintão Bello de Oliveira, Plácido Araujo, Guaimutes Gonçalves dos Santos, Walter Assumpção Valle, Manoel Sales Coutinho,  e outros mais, que a memória não permite registrar. Listas de nomes podem conter falhas e desatualização. Pedido antecipado de desculpas se alguma omissão ocorreu.

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Belo Horizonte-MG / Brasil
20 de novembro de 2015
Editor - Hélio Fraga
Postagem e edição - Ana Cristina Noce Fraga

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