quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

CARNAVAL DE BELÔ GANHA MATURIDADE E PROVA QUE NÃO HAVERÁ RETROCESSO

As Baianas Ozadas conseguiram lotar a Praça da Estação


Como justificar o espantoso crescimento do Carnaval de Belô nos últimos anos, arrastando multidões para as ruas, enfrentando todo tipo de problemas - como cruzamentos bloqueados, carros estacionados no percurso dos desfiles, desorganização generalizada do trânsito, necessidade de mais banheiros químicos, algumas brigas e tentativas de assaltos, depredação de bares e lanchonetes por foliões embriagados?

Há que se fazer um estudo sério de prós e contras, todas as variáveis e condicionantes, e tentar consertar aquilo que não deu certo. A verdade é que o nosso carnaval ganhou maturidade, e atingiu um nível tal que não admite retrocessos. Tem de ser impulsionado para melhorar cada vez mais. Dizem que gerou 6 mil postos de trabalho temporário e foram mobilizados 4 mil funcionários da PBH. 

Por que tanta gente não colocou o carro na estrada, como era costume nesta época? Porque viajar ficou cada vez mais caro com sucessivos aumentos de combustível, taxas em geral e pedágios. Muita gente realmente ficou em BH, mas muitos vieram de outras cidades para cá: de Montes Claros, Gov. Valadares, Ipatinga, Juiz de Fora, do Jequitinhonha, da Zona da Mata, Triângulo e Alto Paranaíba.

A folia se espalhou de tal forma por Belo Horizonte pela sábia decisão dos blocos que desfilavam: evitar zonas de congestionamento, como Savassi, Praça da Liberdade e Praça Sete. Então, os blocos se espalharam por avenidas, ruas e praças da Floresta, Santa Tereza, Barro Preto,  Santo Agostinho, Anchieta, Sion, Serra e outros bairros. Uma festa que pode ser resumida em tudo junto e misturado. Havia espaço para todas as tendências.

Caras pintadas de azul no Bloco Pena de Pavão de Krishna

Os instrumentos musicais foram os mais variados: surdos, taróis, tamborins, chocalhos, xequerê de cabaça, cuícas, pandeiros, guitarras, baixos, trombones de vara, trompas, pistons e até berimbaus - uma festa democrática em que todos participaram do som, à sua maneira. Todo mundo se agitou neste balanço de ritmos e sons.


O branco predominou nos trajes, um pedido explícito de mais paz. As pessoas que desfilavam tentavam espantar o azar: xô zika virus, xô shikungunya, xô dengue, xô mazelas da saúde no Brasil - e um xô redobrado para o desemprego, greves do INSS, hospitais caindo aos pedaços no Rio, bandidagens estagnação financeira, inflação alta, desmoralização política, desgoverno, irritação com tudo de sujo e desmoralizante que está acontecendo.



Além dos sambas antigos e marchinhas dos carnavais passados, houve muito axé, ritmos afro, até jazz. E aconteceram incríveis surpresas, como o crescimento o grupo PPK, Pena de Pavão de Krishna, com centenas de lindas moças de cara pintada de azul,e tiras na testa, desfilando por 6 km do Taquaril até Sabará e bloqueando o acesso ao Minas Country. 


Destaque obrigatório do carnaval de 2016: o bloco Baianas Ozadas, com muitos falsos baianos de bigode e barba grande. Arrasou, literalmente. Reuniu mais de 40 mil participantes em seu desfile, todos animadíssimos. O bloco tem a tendência de dobrar de tamanho nos próximos carnavais. Caiu no gosto do povo. E põe ousadia nisso; as Baianas Ozadas botam prá quebrar.

O branco, pedindo paz, é a cor predominante no Baianas Ozadas


Não dá para citar e avaliar todos os blocos, que participaram de 257 desfiles em diferentes regiões da cidade. Mas mencionar  alguns  não é fazer injustiça aos demais, mesmo porque não foram vistos desfilando. Daquilo que foi possível ver, merecem destaque os desfiles do bloco Manjericão em Santa Tereza, I Wanna Love You na Sagrada Família, Bloco da Papuda na Praça da Liberdade e Caranguejo nos Funcionários (Ceará com Contorno).

Merecem ser citados, também, os desfiles dos blocos Então Brilha, Juventude Bronzeada, Garotas do Baque da Mina, Coco da Gente na Rua Conselheiro Rocha, Bloco do Peixoto em Santa Efigênia, Pula Catraca e o bloco Magnólia, no Caiçara. Votos de sucesso nos futuros carnavais.


BLOCO DO CAIXÃO, TRADIÇÃO DE OURO PRETO

Há uns 10 anos, espremido no meio da multidão que ocupava a Rua Direita, em Ouro Preto, assisti pela primeira e única vez a um desfile do irreverente Bloco do Caixão, subindo a estreita ladeira de pedras até chegar à Praça Tiradentes. Este ano, assisti a parte do desfile pelo MG-TV de meu amigo Artur Almeida, na Rede Globo. O bloco cresceu e se encorpou. Havia muitos mascarados com caveira branca e túnica preta com uma fita lateral roxa. Entre os foliões, muitos pareciam moradores das tradicionais repúblicas de estudantes na antiga Vila Rica.

O Bloco do Caixão é o mais tradicional de Ouro Preto


Um fato interessante foi a presença de muitas mulheres tocando tamborim na bateria do Bloco do Caixão, a maioria sem fantasia, outras com chapéu longo de feiticeira. Pelo depoimento de quem foi, havia 3 mulheres para cada homem na cidade. Bebeu-se muita cerveja, caipirinha, energéticos e batidas com açaí e catuaba.

Pela tradição e empolgação, Ouro Preto recebe turistas de várias partes do Brasil e alguns do exterior durante o carnaval. Pena que os desfiles resultem em tanto cheiro de xixi nas estreitas calçadas, e tanta sujeira acumulada nas ruas. Em matéria de civilidade, os anos passam e a gente não consegue melhorar.

Também por informações de amigos e ex-colegas da Cemig que moram no interior, e citações nos jornais, entre as cidades que brilharam em 2016 pela animação dos blocos e escolas de samba estão São João del-Rei, Tiradentes, Lagoa Dourada, Entre Rios de Minas, Barbacena, Ubá, Carandaí, Matias Barbosa, Lagoa da Prata, Ponte Nova, Viçosa, Montes Claros, Teófilo Otoni, Ipatinga, Acesita, Coronel Fabriciano, Januária, Curvelo, Paracatu, Pirapora, Araxá, Patos de Minas, Araguari, Uberlândia, Uberaba, Ituiutaba, Tupaciguara, Três Marias, Sacramento e outras. Minha Santo Antônio do Monte brilhou também nos bailes do tradicional Glória Clube.

LEMBRANDO OS GRANDES CARNAVAIS DO PASSADO

Um conjunto de foliões em frente à Casa Santo Seabra na Rua São Paulo



Recordar é viver. Estou perto de completar 79 anos, em abril, e continuam vivos na minha memória os grandes carnavais do passado em Belo Horizonte. Eu tinha 16 anos quando a família deixou a Fazenda Santa Helena, no Oeste de Minas, perto de Santo Antônio do Monte e Bom Despacho, e se mudou para cá, em julho de 1953. Meu primeiro carnaval na vida foi o de 1954, com a turma de amigos e vizinhos nos bairros Prado e Calafate, como foi lembrado em blog recente.



Não estava enturmado para integrar nenhum bloco, nem tinha dinheiro para a fantasia. Assim, o jeito era ficar no passeio da Av. Afonso Pena, aplaudindo a passagem dos blocos. Foi meu primeiro contato com os Imigrantes da Abissínia, que desfilavam com as cores do Fluminense, time carioca para o qual eu torcia na época, só por causa do goleiro Castilho.



Gostava de todos os blocos, em geral, principalmente das Domésticas de Lourdes, estudantes universitários que desfilavam de patins, sempre ousados e irreverentes, vestidos de mulher e com cara pintada. Davam um show subindo e descendo  Rua da Bahia. Fui reencontrá-los anos mais tarde, ao ser convidado (já nos anos 70) para um júri de escolas de samba e blocos, pela Prefeitura de Poços de Caldas. Eles desfilavam lá e faziam sucesso.



Fui fã dos Bocas Brancas da Floresta, Loucos por Saias, Aflitos do Anchieta, Tangarás e uma porção de blocos formados por jovens de Santa Tereza, Floresta, Carlos Prates, Barroca, Anchieta, Serra, Sagrada Família, Cachoeirinha, Renascença, Santa Efigênia, Pompeia  e outros bairros. Os blocos caricatos desfilavam na carroceria de caminhões Chevrolet GMC, Ford, Fenemê e International Harvest. As batucadas atraíam multidões, que seguiam pela avenida, atrás deles e eu no meio. Não tinha dinheiro nem para comprar um boné de marinheiro ou colar de havaiano. Só  dava para o bonde Gameleira e Calafate, cujo ponto final era na Rua Carijós com Praça Sete.



O carnaval de rua da capital mineira deve muito aos estudantes e jovens desses bairros, que faziam de tudo para juntar dinheiro e desfilar na avenida. A festa já começava nos ensaios das baterias. Assim de relance, me lembro muito do Braguinha (Elson Coutinho) no bloco Loucos por Saias; Geraldo Sebastião Silva (futuro colega da Infantaria no CPOR) nos Bocas Brancas da Floresta e o saudoso Antonimar Carias de Miranda (Mazinho), amigo de juventude e funcionário exemplar da extinta TV Itacolomy, um apoiador constante dos blocos de seu bairro.



É importante que tenham surgido novas turmas para manter essa tradição dos blocos caricatos e das escolas de samba. Por sinal, segundo a Belotur, os campeões de 2016 foram a veterana escola de samba Canto da Alvorada e o bloco Mulatos do Samba. Estão de parabéns. Vamos esperar que a festa de 2017 seja ainda maior e melhor. Estamos no bom caminho: basta deixar o povo brincar na rua, chega de tantas portarias municipais, regrinhas e restrições. O melhor que o Poder Público pode fazer é não atrapalhar.

As mulheres bonitas da época em carros dos anos 20



    ALGUMAS PAUTAS DE PRÓXIMAS EDIÇÕES


Já na nova edição, o blog vai retomar os assuntos importantes ligados à aviação, hotelaria e turismo em geral. Na próxima segunda-feira, dia 22, estarei no Buffet Catharina para mais uma festa do Troféu Guará, reencontrando amigos do futebol mineiro no passado e conhecendo a nova safra de jogadores em MG. Esta é uma festa de gala do esporte, comandada por Emanuel Carneiro, diretor da Rádio Itatiaia. Talvez dê um blog interessante para os saudosistas. E sempre bom rever Raul Plassman, Piazza, Dirceu Lopes, Palhinha, Evaldo, Nelinho, Paulo Isidoro, Zé Carlos, Amauri Horta e outros ex-craques. 



Outros assuntos em futuras pautas: uma matéria sobre Dubai e outros Emirados Árabes Unidos, resultado da viagem recente dos amigos Túlio e Bete Cambraia; o cancelamento de vários voos dos EUA para o Brasil, em função da retração do mercado; a entrega de 17 jatos Embraer 195 da Azul para reforçar a malha aérea da TAP Portugal; uma justa homenagem aos 40 anos do jornal Brand News, do colega Odair Camillo, Lourdinha e Claudia Camillo Prieto em Poços de Caldas; outra homenagem a Coimbra e sua Biblioteca Joanina, a cidade do Penedo da Saudade e da universidade dos fados e capelos; uma matéria sobre Nova Orleans, que será sede do congresso turístico IPW 2016 de 18 a 22 de junho deste ano. Vida que segue, como diz o colega e amigo Rogério Perez, irmão de Luiz Fernando Perez Pereira - uma dupla de peso nos quesitos de idoneidade moral, trabalho de qualidade e dignidade profissional na Imprensa mineira.



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Belo Horizonte-MG, Sudeste do Brasil

17 de fevereiro de 2016

Editor - Hélio Fraga

Postagem - Ana Cristina Noce Fraga


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