sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O CARNAVAL CABEÇA DE PRATA DO MINAS TÊNIS CLUBE FOI UM SHOW NOTA 10


A decoração do salão, em tiras  de papel laminado, homenageou o Minas e a Olimpíada 2016


Todos os anos, o baile pré-carnavalesco do Minas Tênis Clube Unidade II, no bairro Mangabeiras, é um tremendo sucesso em Belo Horizonte, com o salão sempre lotado e muito bem decorado. Acontece na quarta-feira anterior ao início do Carnaval. Este  ano, foi em 3 de fevereiro, de cinco da tarde às nove da noite. Os associados, que compõem a turma dos Cabeça de Prata (mais de 60 anos) pagaram R$ 40 por pessoa, em mesas de 4 lugares no andar superior, com direito a um show da Banda Via Láctea completa, com duas excelentes cantoras, e a um buffet de alto nível, trabalhando intensamente para deixar todo mundo bem servido.



Mais uma vez, se repetiu o tradicional concurso de fantasias, com 8 concorrentes em cada categoria - simples ou grupo. Uma comissão julgadora indicada pela diretoria do Minas, deu notas aos concorrentes após os desfiles individuais e em grupo.  O Rei Momo, acompanhado da rainha e princesa, ambas lindas e muito bem fantasiadas, foi uma das atrações da festa, tirando muitas fotos e selfies  com os associados e confraternizando-se com os foliões no salão. Nota 10 para eles, pela simpatia. Nada de pose e vedetismo.
Gente simples e acessível.

Com a excelente música da banda Via Láctea, a animação foi contagiante no Minas II


A grande sensação, no desfile de fantasias, foi a participação do Bloco Atletas da Alegria, homenageando o Minas e a Olimpíada de 2016. A tocha e pira olímpica, muito parecida com as originais, foi levada por Elizabeth Meyer. O mestre- sala foi Rogério Miranda, e Marialice Lamarca sua porta-bandeira. Representaram os Atletas da Alegria: Ilva Andrade, Mironga (Miriam Machado), Belinha (Ilza Costa), Lurdinha Lopes, Regina Paz, Terezinha Lopes e Marilú (Maria da Luz Canela).



A grande surpresa da noite, ovacionada, foi a sósia da Rainha Elizabeth II, num elegante traje amarelo, com chapéu da mesma cor. O tailleur de 2 peças foi uma réplica de traje utilizado pela rainha da Inglaterra em cerimônia oficial. Marília Rabelo Guerra, 71 anos, animada frequentadora da hidroginástica no Minas II e ativa participante de todos os programas sociais e culturais dos Cabeças de Prata, caprichou no figurino e na composição da personagem, imitando a soberana britânica nos mínimos gestos.

A vencedora do concurso, Marília Rabelo.




Marília Guerra, apesar de ser tão calorosa e expansiva, se comportou como verdadeira rainha, sentando-se sobriamente como a soberana faz, com as mãos cruzadas sobre os joelhos. Na sua bolsa preta, levou itens essenciais à presença de uma rainha em solenidade, até caneta a tinta, que os mortais comuns nem  usam mais. Os acenos de cumprimento e agradecimento foram feitos sempre com a mão direita, em gestos suaves. Ela não se esqueceu do colar de pérolas brancas grandes de 3 voltas, o brinco de pérolas, as flores no chapéu , o tradicional broche de brilhantes, o sapato preto com salto de 5 cm (exatamente como o da soberana) e as luvas brancas compridas.

Reunidos em frente ao palco do Minas II, os concorrentes ao concurso de fantasias



O bloco se inspirou no Império Britânico, com Big Ben e bandeira, porque o Minas Tênis Clube recebeu a visita do príncipe Henry em  junho de 2014 e será parceiro da Associação Olímpica Britânica durante os treinos de preparação para a a Olimpíada de 2016, em agosto, no Rio, inclusive utilizado as quadras, piscinas e ginásios do tradicional clube de BH, que acaba de comemorar 80  anos de glórias, tradição e uma forte presença no esporte brasileiro através da natação, tênis,judô, basquete e vôlei.



O Minas II brilhou muito no Carnaval pelas matinês infantis reunindo seus foliões mirins, de 16h às 20h, no domingo, segunda e terça-feira. Salão sempre cheio e músicas dos carnavais dos anos 60 e 70,que continuam na roda até hoje. Havia de tudo no salão: piratas, marinheiros, Homem Aranha, Supermen, Frozen, Bela adormecida,Cinderela,dançarinas espanholas, e até um menino de 7 anos, Rafael, fantasiado de  comandante de jatos Boeing. Sua irmã gêmea, Mariana, fantasiou de dançarina espanhola. Eles moram no bairro da Serra e têm o sobrenome Noce Fraga Mol. Se forem honrar o DNA carnavalesco dos pais e avós, eles têm futuro.





PS: Na próxima edição, um comentário geral do brilho do Carnaval de Belo Horizonte, onde a alegria dos foliões,sua irreverência  e seu entusiasmo contagiante superaram das falhas da organização, do policiamento e do controle (?) do trânsito. Uma análise sucinta do desempenho dos vários blocos, onde se destacaram Baianas Ozadas, Juventude Bronzeada, Chama o Síndico, Cidade Nova Pirô, Sambarreiro, Arrastão Eletrônico, Dalva Folia, Vai Tomar no  Cooler, Pula Pirata,  Baianeiros, Bloquim Dubem, Magnólia, Diga que Valeu, Caranguejo, Acadêmicos Rosa de Santê, e tantos outros. A Banda Mole continua brilhando e arrastando multidões, como faz há mais de 40 anos. Devia haver menos xixi na rua, menos menores embriagados, menos retenções no tráfego, menos violência policial (que não está lidando com bandidos). E o blog volta aos assuntos normais do turismo a partir do dia 20 de fevereiro.



Rafael, Mariana e o amigo Diego curtindo o Carnaval do Minas

EMBALADOS PELAS MARCHINHAS CARNAVALESCAS
Para  matar a saudade dos foliões acima dos 45 anos, que se lembram de antigos sucessos dos carnavais das décadas de 50 e 60, aqui vão algumas das músicas sucessos que a banda Via Láctea tocou no Minas II:


- Se a canoa não virar, olê olê olá / eu chego lá (bis). Rema rema rema remador / quero ver depressa o meu amor/ se eu chegar depois do sol raiar / ela bota outro em meu lugar...



- Daqui não saio, daqui  ninguém me tira (bis) / onde é que eu vou morar? /o senhor tem paciência de esperar / ainda mais com 4 filhos onde é que eu vou parar?



- Quem sabe sabe / conhece bem / como é gostoso / gostar de alguém (bis) /Ai, morena, deixa eu gostar de você / boêmio sabe beber / boêmio também tem querer...



- Menina vai, com jeito vai / senão um dia a casa cai, menina vai (bis) / se alguém te convidar/ pra tomar banho em Paquetá/ pra piquenique na Barra da Tijuca / ou pra fazer um programa no Joá, menina vai...


- O teu cabelo não nega, mulata /porque és mulata  na cor / mas como a cor não pega, mulata / mulata eu quero seu amor...



- Foi numa casca de banana que eu pisei, pisei / escorreguei,  quase caí / mas a turma lá de trás gritou, chi / tem nêgo bebado aí, tem nêgo bebado aí ...



- Sassassaricando, todo mudo leva a vida no arame / sassassaricando, a viúva, o  brotinho e a madame / o velho, na porta da Colombo (confeitaria famosa do Rio /é um assombro, sassaricando./Quem não tem seu sassarico, sassarica mesmo só / porque sem sassaricar, esta vida é um nó ó ó ó ó...



- Nós, nós os carecas/ com as mulheres somos maiorais / pois na hora do aperto / é dos carecas que elas gostsam mais - nós nós os carecass (bis). / Não precisa ter vergonha / pode tirar o seu chapéu / pra que cabelo, pra quê seu Queiroz / a coisa agora está pra nós...



- ô jardineira por que estás tão triste / o quê que foi que te aconteceu?/ foi a camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu (bis) / Vem, jardineira, vem meu amor / não fiques triste porque o mundo é todo teu /tu és muito mais bonita que a camélia que morreu...



- Chiquita Bacana, lá da Martinica / se veste com uma casca de banana nanica (bis) / Não usa vestido, só usa calção /inverno pra ela é pleno verão /existencialista, com toda razão / só faz o que manda o seu coração, oi!...


- Você não é mais meu amor / porque vive a chorar / pra seu governo, já tenho outra em seu lugar (bis) / Pedi para voltar / porém você não me atendeu / agora o nosso amor / pra seu governo já morreu ...


E foi assim durante as 4 horas do baile dos Cabeças de Prata no Minas ii - verdadeira hora da saudade, gente pulando no salão e lembrando os artigos bailes e matinês de carnaval. E falando dos piratas da perna de pau / dos que atravessaram o deserto de Sahara e o sol quente queimou a sua cara / chegou a turma do funil / mulata bossa nova / bandeira branca / um pierrô apaixonado que vivia chorando pelo amor da colombina / olha a cabeleira do Zezé / Maria sapatão / taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim / a Estrela Dalva no céu desponta, e a lua anda  tonta com tamanho esplendor .../e o pequenino grão de areia que era um pobre sonhador.



No salão do Minas II, por alguns momentos eu me transportei às matinẽs infantis nos cines Brasil e Tupi (depois Jacques, hoje Shopping Cidade); à Batalha Real pela Av.Afonso Pena até a Rua Goiás, com o Rei Momo e sua corte real, cada princesa mais gostosa que a outra; os bailes carnavalescos no Clube Belo Horizonte, na Rua da Bahia; o corso dos carros antigos pela Av. Afonso Pena ainda com os ficus; os sucessos carnavalescos que a gente ouvia ao longo da avenida, pelo serviço de som Italo e Andrade, nas vozes de Emilinha Borba, Linda e Dircinha Batista, Jorge Veiga, Zé e Zilda, Marlene, Isaurinha Garcia, Ruy Rey, Trio Irakitan, Carlos Galhardo, Francisco Carlos, Dalva de Oliveira etc. Que tempo bom aquele.


Meu primeiro Carnaval em Belô foi em 1954, já fazendo o 1º ano científico no Colégio Santo Agostinho. Meus introdutores na folia foram amigos e vizinhos  dos bairros Prado e Calafate: o inesquecível William Zuppo (Nêgo), Paulo Maia Ramos, Toninho Milan, Sebastião Costa Lima, Zezinho Gordiano e os irmãos Agripino e Castinaldo Bastos Santos, Alexandre Mathias, Rômulo Inácio Fonseca, Hélio Campolina, Eduardo Dinis de Souza, Mauro Menezes, Juracy Magalhães (Juju)   Quanta saudade dos amigos que se foram...



Belo Horizonte-MG/ Brasil

12 de fevereiro de 2016

Hélio Fraga - Editor
Ana Cristina Noce Fraga - Postagem e edição
FOTOS de Ignacio Teixeira da Costa


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