sábado, 27 de fevereiro de 2016

O ÚLTIMO VOO DO AIRBUS A330-200 DA AZUL LIGANDO BELO HORIZONTE A ORLANDO, FLÓRIDA

Os parques e shoppings de Orlando perderam muitos turistas do Brasil



Era uma experiência que tinha tudo para não dar certo, com a economia brasileira vivendo sua pior  fase nas últimas décadas, e o dólar cotado a 4 reais - e realmente não deu. Nesta sexta-feira, 26 de fevereiro, está decolando o último voo entre Belo Horizonte e Orlando, na Flórida Central, operado pela Azul Linhas Aéreas com jatos Airbus A330-200, tendo capacidade para mais de 270 passageiros. Foi um fracasso completo. Nenhuma autoridade mineira, em nível estadual ou municipal  se esforçou para tentar manter o voo - o que não é novidade. 


Com a interrupção do voo internacional regular, a cidade de Orlando perde muito, porque reservas hoteleiras terão de ser canceladas. As atrações principais perdem frequentadores, como a gigantesca roda gigante Orlando Eye; os parques de atrações Disney World, Epcot, Disney-MGM e Reino dos Animais; os Estúdios da Universal, Ilhas da Aventura, Harry Potter e suas montanhas russas; os parques Sea World, Acquamarine e shows de tubarões e golfinhos amestrados; os parques aquáticos Wet' n Wild e Blizzard Beach;  as atrações noturnas de Orlando, como Medieval Times e Church Street Station.


Os voos lançados pela Azul começaram em novembro do ano passado, e não duraram nem 4 meses, apesar das passagens financiadas a longo prazo e sem juros, e do baixo custo de pacotes promocionais da operadora Azul Viagens. Embora a empresa se negue a revelar os baixos índices de ocupação nessas excursões, o desempenho financeiro foi decepcionante. 


Mas a empresa fundada por David Neeleman, que hoje responde por 30 por cento das operações aeroviárias do Brasil, e faz experiências nas rotas para o exterior, não está sozinha nesta crise. A TAM já cancelou os voos de BH/Confins para Miami, e a poderosa American Airlines deve, nos próximos dias, reduzir de sete para 3 voos semanais as ligações para Miami, o que prejudica conexões para Nova York, Dallas, Washington, Chicago, Los Angeles, San Francisco e outras cidades dos EUA. Os mineiros terão de ir via Rio ou São Paulo em determinados dias.

A última decolagem de Confins para Orlando será neste final de fevereiro, dia 26, sexta. O voo AD-8730, com A330-200, deve partir  para o Aeroporto Internacional de Orlando (MCO) às 10h18 da manhã, com chegada às 17h15 locais. Os bilhetes de ida e volta, neste voo de  despedida, custaram R$ 2.434,42, financiados em 10 parcelas sem juros no cartão. As taxas de embarque custaram R$ 495,12.

O Airbus A330-200 se despede de Confins encerrando os voos regulares para Orlando


Mas o voo de retorno da Flórida Central, daqui a alguns dias, terá de ser feito via Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, com o número AD-8707, e o A330-200 será mais moderno e melhor decorado internamente do que este que operou em Minas. Saindo de Orlando às 20h45, o jato desce em Campinas às 7h34 da manhã seguinte,  e os passageiros com destino a Belo Horizonte reembarcam às 9h20, pelo voo regular AD-2702, em jato Embraer 195, pousando em Confins às 10h40. A Alfândega terá de ser feita em Viracopos.

Muitas outras mudanças devem ocorrer, a partir de março, nas ligações entre o Brasil e  Estados Unidos. Além da American, também Delta, United-Continental e U.S. Air vão reduzir suas frequências, num corte mínimo de 20% nas rotas, podendo superar 30% se a má situação  econômica do país persistir. O Brasil acaba de ser rebaixado pela terceira mais poderosa agência internacional de risco, a Moody's, repetindo o que já havia sido feito pela Standard & Poors e pela Fitch. O país perdeu o selo de bom pagador e o turismo vive uma de suas piores crises.

Desde janeiro, as agências de viagens e operadoras esperam que o governo federal lhes conceda aquilo que o ministro do Turismo, Henrique Alves, lhes prometeu: o cancelamento da alíquota de 25% de imposto de renda nas remessas de dinheiro para o exterior, prevalecendo o imposto normal de 6,38 por cento, o mesmo dos cartões de crédito internacionais nas compras feitas no exterior.

As entidades que congregam as operadoras de excursões, como Braztoa e Abremar, garantem que centenas de empresas  de turismo vão encerrar suas atividades se o governo insistir no IR de 25%. Será uma quebradeira geral. O mercado de viagens marítimas, no próximo vero, será duramente afetado e virão menos navios.

Orlando Eye, a roda gigante de Orlando com vistas da cidade em 360 graus



       SHOPPINGS SENTEM FALTA DOS BRASILEIROS



Acabou-se o que era doce. Não há mais aquela invasão  barulhenta  de brasileiros nos shoppings de Orlando, onde a média mensal era de 1,5 bilhão de dólares gastos por eles em seus grandes centros comerciais - como os Premium Outlets do Grupo Simon, o Florida Mall, o The Mall of Millenia e as grandes lojas de departamento, como Target, Sears, Burdines, J.C. Penney (dona da Renner no Brasil), Bed & Bath Beyond, The Sports Authority, K-Mart, Costco, Marshall's, Neyman Marcus, Waccamaw e lojas tradicionais como Polo Ralph Lauren, Banana Republic, Gap, Tommy Hilfiger, Nike, Reebok, Puma, Fila, Old Navy, Brooks & Brothers etc.

                                        Lojas mais vazias nos Premium Outlets de Orlando



Em 2014, Orlando bateu o recorde de visitantes domésticos e internacionais nos Estados Unidos, com mais de 62 milhões de turistas. Entre todos, os brasileiros foram considerados os mais gastadores, pois o dólar estava a menos de R$ 2,30· Eles torravam alegremente mais de US$ 2,1 bilhões por mês no exterior.

Já no ano passado, como resultado de sucessivos erros na política econômica e agravamento da crise política e financeira, e endividamento das famílias, os gastos de brasileiros no exterior recuaram 32 por cento na comparação com 2014. Agora, a situação se deteriorou completamente, Comparando-se janeiro de 2016 com 2015, os gastos de turistas nacionais lá fora caíram 62% nesses 30 dias. E não se vê nenhuma luz no fim do túnel.

A desvalorização do real diante do dólar assusta os viajantes. Ao fazer as contas, verifica-se que uma cerveja nos EUA sai por mais de R$ 20; um café expresso, mínimo de R$ 15; e uma água mineral, R$ 12. Uma pequena corrida de táxi do aeroporto ao hotel pode sair por mais de R$ 70. Se for mais longe, R$ 150/200.
Na Europa, o euro vale mais de R$ 5; e a libra esterlina, mais de R$ 6. Um táxi do Aeroporto de Heathrow ao hotel, no centro de Londres, não sai por menos de R$ 300.

Embora algumas companhias aéreas da Europa estejam vendendo uma passagem de ida e volta a Paris, em econômica, por menos de 600 dólares financiados, ou R$ 2.400, a baixa ocupação dos voos pode obrigar algumas empresas a reduzir suas frequências para o Brasil, de março até fins de junho. Sugere-se a prováveis futuros viajantes ficarem atentos aos sites de companhias como Air France, Iberia, Alitalia, Lufthansa, Swiss, TAP Portugal, KLM e British Airways. Elas podem lançar tarifas de baixíssimo custo, após 21 horas, e valendo só até meia-noite.




        ATR-72/600 DA AZUL ABANDONA A PAMPULHA

A partir de 4 de abril, o ATR-72/600 da Azul não decola mais da Pampulha.

Outro casamento desfeito com data marcada na aviação comercial brasileira: a partir de 4 de abril, segunda-feira, a Azul Linhas Aéreas interrompe os voos de seus turboélices ATR-72/600 no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte. Fabricados pela Airbus Industrie em Toulouse, no sul da França, têm capacidade para 70 passageiros.
Mas o motivo não são as enchentes que, de vez em quando, invadem o saguão do terminal batizado com o nome do poeta Carlos Drummond de Andrade. São razões técnicas e operacionais, visando redução de despesas, que levam a Azul a transferir todas as suas rotas mineiras para Confins. Será um baque para o aeroporto, dando aquela impressão de ociosidade.

No momento, decolam da Pampulha dois voos regulares da Azul para o Rio e dois para Congonhas-São Paulo, com conexões para várias cidades paulistas, como Ribeirão Preto, São José dos Campos, Taubaté, Campinas, Bauru etc. A Azul voou também para Brasília, com baixas tarifas.

A partir de 4 de abri, partem de Confins os voos para Montes Claros e Governador Valadares. No caso do Vale do Aço, a crise seríssima vivida pela Usiminas obrigou a empresa a desistir da administração do aeroporto que serve à usina siderúrgica e ao Vale do Aço, no município de Santana do Paraíso. A Anac, que regula a aviação nacional, decidiu impedir quaisquer voos para Ipatinga a partir de 12 de abril.

Isso vai afetar a nova empresa Flyways, desconhecida do grande público. Ela opera um voo regular da Pampulha para Ipatinga, com ATR-42 de 50 lugares, partindo do Rio e escalando em BH. Por enquanto, ela só possui uma aeronave mas planeja estender suas rotas a outras regiões. Seu gerente na Pampulha é Eduardo Schettino, ex-Azul.


Uma das soluções previstas para Ipatinga é o aeroporto ser administrado em conjunto por prefeituras da região, com rateio de custos entre elas. Com a palavra, esses prefeitos.Vamos aguardar.




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Belo Horizonte/MG - Sudeste do Brasil
26 de fevereiro de 2016
Editor- Hélio Fraga
Postagem e edição - Ana Cristina Noce Fraga

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