segunda-feira, 6 de junho de 2016

OS ETERNOS LAÇOS DE AMIZADE E RESPEITO QUE LIGAM MINAS GERAIS E A NAÇÃO ITALIANA




Não era preciso provar nada a ninguém, mas pode-se classificar como retumbante, até extraordinário, o sucesso da 10ª edição da Festa Italiana em Belo Horizonte, no meio de uma crise múltipla que se prolonga indefinidamente  - instabilidade política, economia esfacelada, desemprego, insegurança, falta de dinheiro, desânimo e desesperança diante de tantos escândalos e adversidades juntos a um só tempo. A festa deste ano foi a maior de todas, e com mais espaços. Acredita-se que o público foi superior a 100 mil, recorde de 2015.

Foi, antes de tudo, uma festa da família: avós com filhos, genros, noras, netos e bisnetos; muitos casais novos com crianças pequenas ou de colo; vizinhos de condomínios da região reunidos; famílias italianas uniformizadas e muitas bandeiras; camisas do Milan, Juventus, Roma, Napoli e Inter de Milão; e dezenas de carros com placas do interior - veio gente de Juiz de Fora, Barbacena, Lafaiete, Sete Lagoas, Divinópolis, Pará de Minas, Ouro Preto, Tiradentes, Esmeraldas, Curvelo, João Monlevade, Vespasiano, Lagoa Santa, Pedro Leopoldo etc.
Tenores vieram especialmente da Itália para dar um concerto aos mineiros

Como bem disse Raffaele Peano, presidente da Acibra/MG, a entidade que congrega a colônia italiana, com 180 membros, "esta festa é um momento de integração, confraternização e celebração da amizade entre italianos, descendentes e brasileiros e, para nós da Acibra, é uma alegria enorme chegar em 2016 neste importante marco - uma década fortalecendo o laço entre as duas comunidades, duas culturas que compartilham uma conexão tão importante nesta cidade."

Vantagens principais desta décima edição, em 29 de maio, domingo ensolarado;: maior oferta de comidas e bebidas, mais espaços entre as barracas, maior quantidade de mesas e cadeiras à disposição. Criou-se uma área infantil na Rua Tomé de Souza, com escorregador e outras brincadeiras. O palco foi armado na esquina de Getúlio Vargas com Inconfidentes e Rio Grande do Norte; e o espaço vip da Acibra ficou na Inconfidentes, no quarteirão do Consulado.


Passei cinco horas na festa, de 11h às 16h, e não tive chance de falar com a cônsul Aurora Russi, para cumprimentar pelo sucesso desta promoção, já inserida no calendário oficial de eventos em Belo Horizonte.Fica a sugestão de que, a cada 3 horas, ela apareça no palco e faça uma saudação e agradecimento aos presentes. Pega sempre bem este reconhecimento, inclusive pela doação de milhares de quilos de alimentos, que serão distribuídos entre 35 entidades carentes.

A partir de 12h, se apresentaram no palco Sonia Gargiulo, grupo folclórico Stella Bianca, concerto de tenores (inicialmente 3 e depois mais 3), exibição da banda estadual da PMMG, grupo Tarantolato. grupo La Serenissima e show de Paola Gianinni às 18h. Não deu para esperar o show dos dois tenores italianos às sete da noite - Claudio Mattioli e Masssimiliano Barbolini, vindos diretamente da Itália.

A festa foi promovida pelo Consulado da Itália e realizada e organizada pela Acibra/MG, tendo patrocino master da Fiat, Fundação Torino, TIM, Vilma e Caixa, e apoio de instituições financeiras, indústrias  e entidades - entre elas, Teksid, Denso e Magnetti Marelli. Os organizadores agradeceram ainda o apoio do Corpo de Bombeiros, BHTrans, Servas, Copasa, CDL-BH e Abrasel.
Vários shows e grupos de artistas se apresentaram no palco principal

A gastronomia italiana em Minas esteve representada por Osteria Degli Angeli, Maurizio Gallo, Pizza Scuola, La Botte, Massa Nostra, Rossignol Patisseria, loja Dumont, Pizzaria 68, Peccatore, Anela. Verdiano, Osteria Mattiazzi, Pizzaria Casa Grande, Foccaccia Zanini, Barollo, O Sentido do Gosto (com 3 barracas), Miracolo, Un' Altra Volta, Chokonobre, Nonna Carmela, Go Pasta, Trigaria, Bistrô Deslandes, Sorveteria  Universal, Adega Oásis, Verona Pasta & Pizza, Salumeria Central, Barollo e Pellati Pizzaria.

Os preços podiam ser mais razoáveis, parecendo excessivo o chope a R$ 8; taças de vinho a R$ 15; e por ser um dos patrocinadores, a cerveja Wals também podia custar mais barato. Não faz sentido cobrar um  prato minúsculo de massa a R$ 25 ou 30, quando estava bem pago por R$ 15. A sugestão de reduzir os preços em 2017 se estende aos expositores Donna Belinha, Piu Pizza & Birra, La Traviata, Paloto, Pizzaperitivo e Empório Paraiso.
A cônsul Aurora Russi esteve presente no evento 

Se houver inteligência e planejamento na rede hoteleira de BH, pode-se pensar em diárias especiais e pacotes de 2 noites para quem vier de pontos mais distantes do Interior de MG, como Alto Paranaíba, Triângulo, Norte de Minas, Zona da Mata e região do Cerrado . E espera-se que a Acibra/MG  e o Consulado façam uma divulgação maior e distribuam seus folhetos com antecedência.

Acostumado a esta consultoria pública a custo zero, e como a Data Nacional da Itália, 2 de junho, cai numa sexta-feira em 2017, o natural é que a Festa Italiana seja confirmada para o domingo, 4 de junho. A divulgação tem de ser feita pelo menos 15 dias antes. Creio que meu amigo Artur Almeida teria a maior boa vontade de abrir espaço no MG TV do meio-dia para uma entrevista da cônsul Aurora Russi e do sr. Raffaele Peano, presidente da Acibra/MG,



   NA MULTIDÃO, TANTOS SOBRENOMES ILUSTRES
 


Vendo aquela multidão que lotou a Av. Getúlio Vargas por quatro quarteirões, desde a esquina com Av, Afonso Pena até a Praça da Savassi, fiquei imaginando quantos descendentes das famílias pioneiras da colônia italiana estariam reunidos ali, e lembrando como Minas e a Itália caminharam juntas por tantas décadas. E os laços que nos unem serão cada vez mais fortes, se  continuar esse clima de mútuo respeito.
As duas pistas da Av. Getúlio Vargas foram tomadas pela multidão

Comecei então a anotar, numa folha de papel, os sobrenomes italianos mais ilustres e participativos da história mineira, começando pelo Esporte: os Fantoni (Niginho, Ninão e Benito); os Isoni, como Guerino; os Pampolini; os Lazzarotti; os Piazza (como Seu Wilson); os Rossi; os Noce (Aurélio, Alfredo, Batista e Humberto, fundadores e pioneiros do Palestra Itália, hoje Cruzeiro vulgo China Azul; os Miraglia, como a campeoníssima Marta no vôlei; os Gramiscelli; os Brandi e Furletti, descendentes de Felício e Carmine, dupla histórica; os Lambertucci, como Edmundo e Cláudio Arnaldo; os Granata, como Claudio Humberto; os Fratezzi (como Italo, o Bengala), os Triginelli (como Natalino);  os Calicchio (como os Nicola); os Perrela e Aluotto; os De Filippo, como Rosária, Vilma, Angelo e Teodoro, na antiga Rua Monasita, hoje Doutor Gordiano; os Peluso, tão presentes na gastronomia e turismo; os Fantagguzzi e Magnavacca; os Piacenza,como o Italo Oscar, meu ex-colega no Santo Agostinho); os Bianchi e Gaetani, tão em evidência no turismo, esporte  e meio empresarial.

Lembrando antigos colegas de Imprensa, da Infantaria do CPOR/BH e da Faculdade de Direito da UFMG, foi fácil anotar outros sobrenomes de descendentes de italianos: Pedersoli, Carnevalli, Agostini, Piancastelli, Paoliello, Fontana, Cicarelli, Federici, Pardini, Ricci, Nocchi, Angelini, Gazzolla, D'Angelo, Carrara, Farina, Muzzi, Grosso, Lunardi, Antonini e a família de William Zuppo, na antiga Rua dos Andes, na divisa de Prado com Calafate, todo mundo cruzeirense (meu maior amigo na juventude).

Ao longo dos anos, outros sobrenomes italianos se incorporaram à lembrança, alguns  até sem  conhecimento pessoal, apenas citados por amigos: os Romagnolli, Cielo, Bassani, Tomaselli,  Rovelli, Gentili, Bardi, Biadi,  Lucchesi, Maestrini, Polizzi, Pagotto, Lunardi, Modenesi, Anastasia, Ridolfi, Menotti, Chiari, Tasca, Bruzzi, Fontanell e os Molinari de Poços de Caldas (Cristais São Marcos), grandes exportadores de cristais de murano para 60 países.

Para encerrar a lista com fecho de ouro, indispensável lembrar os sobrenomes De Mingo,  de Francesco (Chiquinho), da Alfatur Turismo, um dos vultos marcantes na maravilhosa história da pioneira Varig; o conceituado advogado José De Isola, ilustre sócio do Minas T.C. e caminhante diário na Praça JK, no Sion; e Chivitaresi, de Amadeu Ângelo, duplo cidadão italiano e brasileiro, grande apreciador de vinhos da Toscana,  tomados na origem (Siena e San Gimignano).



    A IMPLANTAÇÃO DO PADRÃO LATAM AIRLINES
 

A chilena LAN assumiu de vez a nova realidade de sua presença no Brasil, como controladora da TAM. Não se discute se esta mudança devia estar sendo feita de forma gradual, sem assustar o mercado - está sendo imposta de cima para baixo, e depressa. Acostumem-se, portanto, ao padrão Latam Airlines, que vocês estão conhecendo agora na foto acima pela nova pintura do Airbus A320 da TAM de prefixo PR-MSY, já com as novas cores e logomarca.

 Quem voa pela ex-TAM vai ter de se acostumar à falta de distribuição das balas, marca do início de cada voo. Elas desapareceram. O espaço entre as poltronas será cada vez menor. O novo nome da revista da TAM é Vamos Latam. A nova logomarca da TAM Viagens é Latam Travel.

Vai demorar muito tempo para que todas as lojas, balcões de aeroportos, veículos, capas de bilhetes e todos os aparelhos da frota da ex-TAM tenham a nova pintura. E tudo isso em nome da integração da América Latina, que, para nós, parece começar em Santiago do Chile, e com as 3 cores da bandeira  chilena.


Vocês se lembram que, antigamente, na mensagem final de todos os voos, a aeromoça agradecia e falava "em nome da TAM, uma empresa que tem orgulho de ser brasileira". Isso já não existe há mito tempo. Mas tomara que o pessoal da nova Latam nunca perca este orgulho de nascer, viver e trabalhar no Brasil.
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PS-1: No meio de tantas noticias ruins, em breve farei comentário sobre uma tentativa da Anac de cobrar taxas pelo despacho de malas dos passageiros, em voos domésticos, aceitando pressões das companhias aéreas. Isto é um absurdo. Mais uma forma de tomar dinheiro dos viajantes, já sobrecarregados com altas tarifas e taxas exorbitantes. A Anac deve se colocar a favor dos passageiros, não das transportadoras.


PS-2: O mercado de cruzeiros marítimos  no Atlântico Sul vai cair drasticamente na temporada do Verão 2016/17, e este será um dos temas nas próximas edições deste blog. Por enquanto, serão apenas dois navios da Costa Cruzeiros  (Costa Pacifica e Mediterranea) e dois da MSC - total de quatro. Pouco demais para quem já recebeu, de novembro a março, todos os anos, uma média de 10 a 12 navios estrangeiros, chegando a 16. As causas não estão apenas na retração do mercado turístico. Elas começam pelos portos com operações caríssimas, apesar de deficientes e mal equipados; e continuam com a ganância na exploração de serviços variados, como reabastecimento, operações nos terminais, pacotes terrestres, taxistas etc. Talvez a CVC consiga fretar um navio, mas não se sabe qual. A Royal Caribbean não terá nenhum desta vez, nem sua afiliada Celebrity - mas o Infinity fará cruzeiros saindo de Buenos Aires, onde os custos portuários são menores. Um dia o Brasil vai  aprender a tratar os cruzeiros marítimos de outra forma, num mercado que tem potencial de 1 milhão de passageiros por temporada.

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Belo Horizonte/MG - Brasil
Dia 6 de junho de 2016
Editor - Hélio Fraga
Postagem e edição - Ana Cristina Noce Fraga 

(E-mail: hfraga.rmj@gmail.com)

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