sexta-feira, 5 de agosto de 2016

MEU DEUS, COMO CONSEGUI PASSAR OITO ANOS SEM VISITAR SANTIAGO DO CHILE NO INVERNO?

A modernidade dos prédios de Santiago em contraste com a Cordilheira dos Andes

 

Não costumo fazer essas confissões públicas de remorso.  Mas, no momento, me pergunto como consegui, gostando tanto do Chile, passar oito anos sem visitar Santiago e as estações de esportes de inverno (Valle Nevado,  Farellones e El Colorado). Passamos lá oito dias, um  grupo de 4 adultos e 2 menores de 8 anos: os netinhos, seus pais e avós maternos, no período de 10 a 18 de julho.


Nossa opção foi voar LAN, apesar dos preços mais caros, pela qualidade dos equipamentos: ida pelo voo LA-751, Guarulhos/Santiago, pelo Boeing 787 Dreamliner, e retorno pelo Boeing 767-300, voo LA-750, gastando exatas 3h20 do Aeroporto Internacional Arturo Merino Benitez ao Terminal 3 de Guarulhos. Não vou fazer qualquer registro de serviço de bordo, parafernália eletrônica disponível, carta de vinhos e qualidade das refeições - tudo dentro do normal e valendo o que custou. 

Os avós não iam lá desde maio de 2008, quando uma simples viagem a Santiago, de 4 noites, pagas antecipadamente ao Hotel Crowne Plaza, se transformou em dolorosa experiência. A neta Julinha nasceu em Madison-WI, onde seus pais faziam Doutorado em Sociologia e Mestrado em Ciência da Informação. Já veio ao mundo com sérios problemas respiratórios, que nem a Medicina mais avançada do mundo conseguiu resolver. O Chile se tornou pesadelo, e voltamos logo ao Brasil, para refazer nossos projetos e embarcar para Wisconsin, via Dallas.

 De certa forma, Santiago ficou estigmatizada. Só agora, passados oito anos, tivemos ânimo e coragem para voltar - e mais em função dos netinhos, empolgados. Mas valeu a pena, pois tive a dimensão de tudo que perdemos. O Chile cresceu espantosamente. Só a expansão urbana nos bairros de El Golf, Vitacura e Las Condes equivalem ao conjunto de 10 bairros Belvedere em BH, somados e enfileirads, com aqueles  prédios todos, e mais altos ainda.

Esqui é assim: quanto mais cedo começar, mais rápido se aprende








COSTANERA CENTER, 64 ANDARES, DOMINANDO A PAISAGEM


Este é o prédio mais alto da América do Sul, com 64 andares – Costanera Center, em Santiago




Fazendo um maravilhoso contraste com  a Cordilheira dos Andes totalmente branca, a paisagem urbana de Santiago é dominada pelo Costanera Center, de 64 andares, prédio mais alto da América do Sul, com um espetacular shopping de seis andares, ligado por uma passarela de aço e vidro à estação de metrô Tobalaba. 



A paisagem da Cordilheira dos Andes,  imaculadamente branca, está linda. Este ano, a neve chegou mais cedo e em maior  volume.  O turismo do Chile está nadando em dinheiro. Tudo em Valle Nevado é caríssimo. O uso dos meios de elevação às partes mais altas da estação de esqui custa 48 mil pesos para adulto e 36 mil para jovens - de 60 a 80 dólares por dia.  


Para quem está indo, importante saber que pode-se trocar reais por pesos chilenos nas casas de câmbio. Um real equivale a 170 pesos; 10 reais, 1.700; cem reais, 17 mil pesos. Um dólar vale de 650 a 670 pesos, mas já esteve em 750. Uma corrida pequena de táxi custa 3 mil pesos - menos de US$ 5.


Acredito que, mais cedo ou mais tarde, o Chile vai acabar cortando três zeros. Os valores nas vitrines são altos demais, o turista tem dificuldade em saber quanto realmente custa. Exemplo: um par de sapatos por 65 mil pesos, que representam 100 dólares.


Não faz sentido pagar 1.200 pesos por um empanada de carne e queijo; 4.500 pesos por uma garrafa de vinho chileno comum (mais caros lá do que no Brasil, basta comprovar em BH no Verdemar e Super Nosso). Preço médio de um almoço para 4 adultos e 2  crianças no restaurante Donde Augusto, o mais caro do Mercado Central, varia de 48 mil pesos a 65 mil. Em dólar, de US$ 80 a 100. Ouvi vários brasileiros reclamando, a maioria com sotaque paulista. É que, no cardápio, um  filé de côngrio com salada custa 9.500 pesos - cerca de 15 dólares. A cerveja Cristal, 500 ml, sai por 10 dólares.


Com ou sem neve, Santiago tem muita diversão para crianças. Apesar de 2 os netinhos, quando mais novos, terem conhecido Nova York, Miami, Fort Lauderdale, parques de Orlando, Panamá e Punta Cana, Rafael e Mariana vibraram com o Chile, e querem voltar. Brincaram muito nos parques, entraram num simulador de voo, e se divertiram muito no Kidzania, perto do shopping Parque Arauco, e no parque infantil Fantasylandia.



Talvez nem aguentem esperar por julho de 2017, quando o mesmo hotel já foi reservado: Santiago Park Plaza, Av, Ricardo Lyon 207 (www.parkplaza.cl), próximo da estação de metrô Los Leones, no coração do bairro Providencia. Diária de US$ 140 por apt. com café da manhã incluso. Piscina aquecida no terraço do andar  T, que equivale ao 13º, com teto de vidro e aço. Tivemos péssima experiência em dois flats alugados, como se verá adiante. A troca pelo hotel salvou nossa viagem.



   CHILE MOSTRA UMA ORGANIZAÇÃO IMPECÁVEL


Desnecessário dizer ou  repetir, pois o povo chileno desfruta de admirável padrão de vida e parece estar nadando em dinheiro e progresso. Sou fã de carteirinha do Chile, que considero o país mais organizado e desenvolvido da América do Sul, e o único digno de ser considerado integrante do Primeiro Mundo. Mesmo tão severamente castigado pela natureza, através de destruidores terremotos, a nação tem mostrado um extraordinário poder de recuperação. No Chile, tudo funciona;

O diagrama das cinco linhas de metrô na capital do Chile


O visitante fica impressionado com a limpeza das ruas, respeito às faixas de pedestres, o fluxo organizado do trânsito, a quantidade de túneis e viadutos, as vias expressas. Outro destaque: a quantidade de parques públicos, áreas de lazer, pistas de patinação, quadras de tênis, áreas de recreação infantil. No Chile se pratica qualidade de vida - bem diferente de viver, como em BH, sempre num estado de insegurança, com medo de assaltos, com transporte público vergonhoso, trânsito caótico, prédios pichados e passeios esburacados.

Em quesitos fundamentais de cidadania, nota 10 para a educação do povo, limpeza urbana, saneamento básico, preservação da natureza, noção de conservação dos bens públicos, e um metrô tão moderno, pontual, eficiente e rápido que a gente parece estar na Europa. E então conclui, com uma ponta de inveja - que o grande e imortal Armando Nogueira considerava o mais subalterno dos sentimentos da alma humana -  que o Chile é um  bom exemplo para o Brasil copiar. Onde se tom água de torneira, como nos EUA, por saber que é pura e tratada.

O Chile acerta mais do que erra. Tem instituições sólidas. Não está atolado na lama da corrupção. E o Judiciário não protege e acoberta bandidos de colarinho branco.



RESPEITO DOS CHILENOS PELOS EXILADOS BRASILEIROS


Esse amor e respeito pelo Chile nasceram em janeiro de 1968, quando Ana Maria e eu, fazendo o maior esforço para pagar passagens aéreas da Varig, e viajando de Boeing 707, fomos visitar em Santiago nossos amigos Guy de Almeida, Clélia Bacha de Almeida e seus cinco filhos, então exilados políticos naquele país: Arnaldo, Beatriz, Artur, Guilherme e Guy Afonso eram pequenos ainda. Fomos comemorar 1 ano de casados com seus pais, já que não puderam ser padrinhos de nosso casamento. A pequena casa de Los Cipreses, cheia de flores, se tornou pensão por um final de semana. Artur Almeida é hoje, como editor e apresentador do MG TV, um dos importantes nomes da Rede Globo em Minas. E, por coincidência, ele foi com a família a Santiago para rever o Chile de sua infância.

Os filhos de Guy estudaram em  ótimas escolas. A partir daquele 1º contato, nós nos tornamos devedores morais do Chile, pela maneira digna e respeitosa como os exilados foram tratados. Muitos países confundem exilados com marginalizados. O Chile lhes deu dignidade. Entre outros, além de Guy, estavam por lá José Maria Rabelo e a saudosa Terezinha, Edmur Fonseca, e Antônio Ribeiro Romanelli, meu companheiro das peladas de futebol no Clube Forense.


Guy e sua família acabaram ficando 11 anos entre o Chile e o Peru, vizinho de cima, pois a situação política mudou radicalmente com a derrubada de Salvador Allende em 1973 e a tomada de poder pelo governo militar sanguinário de Augusto Pinochet. A ditadura chilena durou  17 anos, com atrocidades condenadas mundialmente. O palácio presidencial de La Moneda foi bombardeado pela Força Aérea. Tentou-se provar que Allende foi "suicidado". Foram anos duros e difíceis  Mas o Chile deu a volta por cima. E hoje esbanja dinamismo e progresso. Um país nos trinques.

O funicular dá acesso à parte mais alta do Cerro San Cristóbal



TRANSFORMANDO ESCOLHAS ERRADAS EM CERTAS 



Viajando, nem sempre a gente acerta nas escolhas prévias, como tantas feitas na internet - mas, tendo errado, é importante ter coragem de  mudar e tomar novas decisões. Como este blog existe para prestar serviço gratuito, as experiências narradas a seguir merecem sua atenção, já que há muitos casais jovens brasileiros alugando flats em Santiago nas férias de inverno e a economia feita acaba se tornando desastrosa:

1) Primeira escolha errada: alugar dois flats no bairro Providencia, via internet, ao custo de US$ 95 cada, por dia, pelo período de 8 dias (10 a 18 de julho). Total de US$ 760 pelo período, cada unidade. Ocupamos os aps. 217 e 510. Não tinham a qualidade exigida, nem serviços de hotel (apenas arrumadeira). Estavam razoavelmente mobiliados, e bem equipados  em termos de geladeira, fogão, micro-ondas e utensílios. Fazia muito frio no Chile.  No ap. 510, a falha no aquecimento ocorreu desde a primeira noite, com evidente desconforto. Um frio de lascar. Como não teve solução, apesar de sucessivos pedidos, e promessas burocráticas de resolver os problemas, o jeito foi interromper a locação na manhã do 4º dia (13 de julho). 

Solução encontrada: buscar um hotel próximo, bem localizado, com café da manhã padrão 4 estrelas   piscina aquecida e outros confortos. Tentamos primeiro o  Hotel Torremayor, junto à estação de metrô Los Leones, ao custo de US$  240 cada  apartamento por dia, mas estava superlotado. Por indicação do gerente da Recepção, fomos para o vizinho Santiago Park Plaza, onde pagamos US$ 140 ao dia, cada, pelos apartamentos 1007 e 1010, muito bem decorados, com vista lateral da Cordilheira do Andes nevada e do Costanera Center, 64 andares, ícone da cidade e desde junho de 2012 o prédio mais alto da América do Sul.

2) Segunda escolha errada: tentar contratar previamente serviços de recepção e traslado em Santiago, utilizando empresa indicada pela agência de viagem da Savassi, que emitiu nossos 6 bilhetes da  LAN, que custaram mais de R$ 14 mil. Conhecendo tão bem o Chile, e tendo ido tantas vezes a Santiago, sabia que no Aeroporto Arturo Merino Benitez há empresas de receptivo muito bem qualificadas. Mas era um domingo de inverno, desembarque em  SCL às 20h e havia 2 crianças conosco - daí a preocupação de ter algo rápido e exclusivo. O prestador de serviços brasileiro em  solo chileno. com quem fiz contato prévio via internet, aumentou o preço combinado na véspera do embarque (de 50 mil pesos para 70 mil, e não concordei, por considerar falta de respeito ao cliente). A solução encontrada não podia ser melhor: fui ao balcão da Transvip, paguei US$ 42 no cartão e fomos para o bairro Providencia com conforto e segurança, bastante espaço - a empresa não cobrou pelas 2 crianças. Cada adulto pagou 7.600 pesos. Na volta, utilizamos a van exclusiva do Park Plaza, zero km, ao custo de 30 mil pesos - amplo espaço interno, motorista ótimo, serviço impecável. A impressão da Transvip foi tão boa que recomendo seus serviços. Informações e reservas no Chile pelo fone (562) 2677-3000.

3) Excursão aos centros de esqui de Valle Nevado e El Colorado/Parque Farellones: decidimos comprar através de agência de rua na Nueva Providencia, e o custo para  4 adultos e 2 menores foi de 100 mil pesos. Viagem com conforto  e segurança, inclusive correntes nas rodas traseiras para atingir as partes mais altas dos Andes. Tudo correu bem, sem reparos.Claro que a empresa e o condutor não sabiam que eu era jornalista. Geralmente não me identifico. Não preciso de desconto.

O acesso às partes mais altas da estação de esqui é como um voo panorâmico


4) Serviços de táxi em Santiago: frota nova, bandeirada inicial a 300 pesos (meio dólar), motoristas muito educados e gentis. Rodamos muito por Las Condes, Vitacura, Alameda Bernardo O'Higgins e região do Mercado Central. Fomos ao Cerro San Cristóbal, mas o teleférico estava em manutenção e o funicular ficou sobrecarregado, com espera de mais de 1 hora  na fila. Caímos fora.

5) Metrô de Santiago: quem o viu nos anos 70, com apenas 2 linhas, se surpreendeu agora com 5 linhas em operação e mais uma em construção. Um serviço primoroso, que Belo Horizonte já devia ter há mais de 40 anos, mas não consegue viabilizar por culpa de sucessivos péssimos administradores. O metrô de Santiago é nota 10.  Serviço rápido, moderno, eficiente e confortável. Média de 8 a 10 vagões por composição, estações amplas e bem sinalizadas  (mas podiam ter mais escadas rolantes). Preço médio de bilhetes variando de 610 a 720 pesos dependendo do horário (cerca de 1 dólar). Estações com fácil acesso e sinalização correta. A maioria das trocas de linhas é feita nas estações Baquedano e Los Héroes.




Nós utilizamos mais a linha vermelha 1, San Pablo-Los Dominicos. A estação mais próxima era Los Leones, a 2 quadras do hotel. Vidrado em metrô, o netinho Rafael logo decorou, nos 2 primeiros dias, as estações mais próximas a partir de nosso embarque: no sentido San Pablo, direção centro, eram Pedro de Valdivia, Manoel Montt, Salvador, Baquedano, Universidad Catolica, Santa Lucia, Universidad de Chile. La Moneda e Los Héroes. Na direção contrária (Los Dominicos), a partir de Los Leones, as estações são Tobalaba (que tem passarela suspensa em vidro e aço iigando-a ao Costanera Center), El Golf, Alcântara, Escuela Militar, Manquehue e Herando de Magallanes.



Importante lembrar que o metrô é o acesso mais fácil e cômodo a todos os parques públicos de Santiago. A estação de Manquehue, perto do shopping Parque Arauco, e de vários hotéis e prédios executivos de alto luxo, dá acesso a um espetacular parque cheio de quadras, pistas de patinação e skate, balanços, quadras de basquete - lugar para se passar o dia inteiro.


Resumo da ópera: o Chile continua sendo um destino ideal durante o ano inteiro e vale a pena. Ótimo comércio, boa comida, vinhos excelentes e baratos. E seu futebol esta valorizado pela conquista das duas últimas Copas América,  ambas contra a Argentina. Por falar em bola, o netinho Rafael resolveu torcer pelo Colo-Colo.

Melhor ficar por aqui. Preciso guardar algumas informações para uma matéria especial sobre o Chile para a revista "Qual Viagem", de São Paulo, a convite de sua diretoria e do editor geral Roberto Maia, corintiano dos melhores.



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Belo Horizonte-MG / Brasil
Dia 04 de Agosto de 2016
Hélio Fraga - Editor
Postagem e edição - Ana Cristina Noce Fraga

(hfraga.rmj@gmail.com)
(www.blodgohelio.com.br)

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