sábado, 28 de janeiro de 2017

CAI PARA 3% PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA AMARO, CRIADORA DA TAM, NO CAPITAL DA LATAM



Para quem ainda tinha dúvidas, a verdade é clara: a TAM se torna cada vez mais chilena e menos brasileira. A família Amaro, dos herdeiros do fundador e presidente da TAM, comandante Rolim Adolfo Amaro, morto há 16 anos, vendeu por US$ 110 milhões, na Bolsa de Valores de Santiago do Chile, um número de ações equivalentes a 22% do capital da Latam Airlines, maior companhia aérea da América Latina. O fato era desconhecido pela  maioria dos executivos da aviação civil brasileira, e foi revelado pelo jornal Valor, na sua edição de hoje, 27 de janeiro, na capa B1  do Caderno Empresas.

A verdade dos números: os irmãos chilenos Enrique e Ignacio Cueto são donos de 28,3% do capital da Latam Airlines. A participação brasileira vem sendo reduzida rapidamente: era de 13,8 por cento em junho de 2012, mas caiu para 12,02$% em dezembro de 2014 e para 5% em dezembro de 2016, ano em que  a Qatar Airways adquiriu 10 por cento da empresa chilena. Com a venda das ações na Bolsa de Santiago, a participação da TAM se reduz a 3,02 por cento do capital da Latam.



Nesta matéria assinada pelo especialista João José Oliveira no jornal paulista, a estrutura de capital da Latam Airlines estava assim distribuída  em 31 de dezembro do ano passado; Grupo Cueto, 28,3%; investidores estrangeiros, 10%; Grupo Eblen, 5,9%; Família Amaro, 5%; fundos de pensão, 17,4%; Qatar Airways, 10% (negócio fechado em julho de 2016, eu estava em Santiago e acompanhei tudo pela imprensa local (como o jornal La Tercera).

Latam Brasil se tornou   novo nome da antiga TAM, e seus jatos estão sendo pintados com a nova logomarca. Um acordo assinado pelos irmãos Cueto e a família Amaro (cujos nomes mais conhecidos são Maurício e Claudia Amaro) garante que os Amaro terão o poder sobre as operações no Brasil. Antigamente, o rosto visível da TAM era o de seu presidente, Rolim Adolfo Amaro, de pé junto à escada de acesso aos aviões, na pista do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, às seis horas da manhã, cumprimentando os passageiros que embarcavam ainda no tempo dos Fokker 100 - dos quais ele tinha orgulho, tanto que os manteve na frota.

Tive a honra e privilégio de ser considerado amigo de Rolim. Sua morte repentina o impediu de cumprir a  promessa de me levar ao Museu TAM em São Carlos-SP. Mas o sonho permanece: conhecer uma preciosa coleção de aviões utilizados na Segunda Guerra Mundial.


Com seu preparo intelectual, habilidade comercial, magnetismo pessoal e estilo envolvente, Rolim marcou a história da aviação civil brasileira. Existem duvidas de que, se não morresse tragicamente naquele acidente de helicóptero, perto de Ponta Porã,  teria acontecido o acordo com os donos e fundadores da antiga Lan Chile, que sempre considerei uma empresa muito profissional e bem dirigida.

Sendo amigo de Rolim, fica difícil analisar a performance empresarial de seus sucessores. A Lan poderia ter criado uma Lan Brasil, assim como fez em Buenos Aires (Lan Argentina) e em Lima (Lan Peru). Criar a Latam foi uma forma de manter viva a memória da TAM, aquela empresa que reafirmava, a cada final de qualquer voo, seu "orgulho de ser brasileira".

Como os tempos mudaram.Ela já não fala isso, através de seus comissários, há mais de 10 anos.







GOL TOMA DA LATAM O PRIMEIRO LUGAR NO BRASIL

A aviação civil brasileira continua vivendo uma séria crise, com redução de demanda de passageiros e venda ou arrendamento de 50 aeronave para não ficarem ociosas. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanowicz, o setor teve o pior desempenho desde 2003, encolhendo 5,47 por cento se comparado com 2015. O número de passageiros embarcados - 87,5 milhões de viajantes - teve redução de 7,55% em relação ao ano anterior.

Analisando os últimos desempenhos, o presidente da Abear garante  que os números deste mês de janeiro serão inferiores aos de janeiro de 2016, comprovando que a recessão econômica continua - isto é  o que se pode se chamar de "herança maldita". As taxas de ocupação de assentos foram altas (80,14%) porque houve grande redução de voos e todas as companhias reformularam suas malhas - a Latam à frente.



No ano passado, a Latam Brasil teve participação de mercado reduzida de 37,04% para 35,01 por cento, perdendo o primeiro lugar doméstico para a Gol, que atingiu a marca de 36,27% .Mas não deixou de ser grande surpresa. A diferença sempre foi pequena entre elas, mas, no momento, a Latam parece não ter condições de recuperar a pole position. A Azul, que detém, com folgas, a liderança nas operações  em BH/Confins, com mais de 80 voos diários, terminou o ano de 2016, em termos nacionais, com 17,19% da demanda, contra 17,15% do ano anterior.

A Avianca, que não tem mais operações em BH/Confins, nem informa se pretende retomar algumas rotas, teve o melhor índice de crescimento em 2016, subindo de 9,53% para 11,55%. Não se conhece nenhuma iniciativa de lideranças (?) do turismo mineiro para convencer a Avianca a voltar a Confins. De certa forma, a empresa dos irmãos José e German Efromovich ficou marcada pela sua insistência em chamar de MK-28 os jatos Fokker 100 que operavam suas poucas  rotas mineiras.

Persiste a dúvida no  mercado mineiro: a Avianca volta a BH/Confins em futuro próximo ou remoto? Embora não seja hora de muito otimismo, nem de assumir  riscos, parece que a Avianca pode retomar suas antigas rotas, não apenas ligando a Região Metropolitana de BH a Porto Alegre, Rio, São Paulo e Brasília, como criando serviços pioneiros tipo ligações para Manaus e Belém, ou voando para capitais do Nordeste  como Fortaleza, Recife, Natal e Salvador - a não ser que sua diretoria se conforme, resignadamente, em ser a lanterna entre as 4 companhias que disputam o mercado nacional.

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Em  futuras edições, haverá um blog especial sobre o Terminal 2 de Confins, mostrando os grandes desafios à frente da concessionária BH Airport: uma obra tão cara e importante, anunciando uma nova era para aquele aeroporto que, nos anos 80,era chamado de "elefante branco", no exato momento em que o turismo vive uma séria crise, reduzindo voos e com menos passageiros naqueles amplos espaços do T-2. Escrevi um artigo para o jornal "O Tempo", mas o texto extrapolava o limite de 2.900 caracteres. Em vez de desfigurá-lo com tantos cortes, retirando informações essenciais, achei melhor transformá-lo num blog. Aguardem.


EM 26 /03, SUPERJATO A380 DA EMIRATES NO BRASIL



Uma  grande novidade neste começo de ano para a aviação da América Latina: a Emirates Airline, verdadeira potência dos Emirados Árabes,  vai colocar seu superjato Airbus A380 nas rotas de Dubai para o Brasil, a partir de 26 de março próximo, em substituição aos Boeing 777-300, com acréscimo de mais de 300 lugares por voo. A primeira classe da Emirates é considerada a número 1 da aviação mundial. Tem até banho de ducha durante os voos. Uma viagem sem escalas, de Guarulhos até Dubai, dura 14 horas .

Em Dubai, que tem um dos aeroportos mais espetaculares do mundo, haverá conexões para todo o Oriente Médio, Ásia e a parte rica da África. Então, será muito mais fácil voar para o  Japão, China, Singapura, Tailândia, África do Sul, Camboja, Laos, Ilhas Maldivas e Mauritius e Hong Kong.   

Os superjatos A380, de dois andares, podem transportar até 850 passageiros, e  são fabricados pela Airbus Industrie em Toulouse, no sul da França. O DNA desta gigantesca fábrica não podia ser melhor: foram montados lá os sete Concorde da Air France, na década de 60, um deles exposto no Museu da Aviação anexo, que já tive a honra de visitar.

Saindo na frente, como sempre, a CVC vai lançar novas excursões para esses mercados servidos pela Emirates e colocá-las à venda em suas 1.100 lojas no Brasil. Ver mais detalhes no site www.emirates.com.br

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