domingo, 19 de fevereiro de 2017

FAZENDO HISTÓRIA NO TURISMO MINEIRO: OS NOVE ANOS DOS VOOS DIRETOS DE LISBOA



Aconteceu em  11 de fevereiro de 2008, quando  o turismo mineiro e o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte passaram a conviver com uma nova e promissora realidade: a abertura da primeira rota aérea  direta de Minas Gerais para a Europa. Eram  15h20 em Confins quando pousou um jato Airbus A330-200, com a bandeira verde e vermelha da TAP Portugal, com o prefixo CS-TOF e batizado com o ilustre nome do Infante Dom Henrique. Foram 8h35 de voo direto a partir de Lisboa. 


Para demostrar ao governo do Estado e aos mineiros que a TAP levava muito a sério sua chegada a Belo Horizonte, os primeiros passageiros a desembarcar foram o presidente da companhia, o brasileiro Fernando Pinto (ex-Varig), e o diretor geral no país, Mário de Carvalho. Alguns convidados especiais participaram deste voo inaugural. O que pouca gente sabe é que o Estado do Paraná esnobou a TAP, e Minas, rápida no gatilho, convenceu a empresa portuguesa de que era a melhor opção -  o que foi comprovado pelos fatos.



Resumindo a história: o governo do Paraná ficou enrolando e demorou muito a decidir, não tendo inteligência para entender o impacto econômico, politico e social  de uma ligação direta entre Curitiba e Portugal. E Minas Gerais, com visão de futuro, aproveitou a oportunidade e se comprometeu a dar apoio institucional e ser uma parceira da TAP neste projeto, através do então governador Aécio Neves.


Mais do que passageiros viajando a Portugal em férias, ou portugueses vindo visitar parentes aqui,  Minas estava de olho na abertura de novos mercados para exportações.


         APOIO DO TURISMO MINEIRO E "HOJE EM DIA"

Inicialmente, seriam três voos por semana, mas a TAP recebeu forte apoio dos mineiros inclusive das entidades do turismo (Abav/MG, Abih/MG, Skal, Afeet/MG, Abrasel/MG, Sindetur/MG e outras. E decisivo apoio da imprensa também, principalmente do Caderno de Turismo do jornal "Hoje em Dia", do qual tive a honra de ser o criador e editor por quase 2 décadas (e mais tarde consultor e colunista até 2012). Recuando a fevereiro de 2008, creio que a TAP jamais imaginou que um Caderno tão premiado internacionalmente, tão forte e respeitado,  lhe daria - de graça - tanta cobertura, meses a fio, até que o voo se consolidasse. Sem jamais pedir algo em troca.






Outras surpresas da TAP: o jornal jamais iria forçá-la a anunciar (podendo ou não) em troca de apoio redacional; e o editor do Caderno iria pagar todas as suas viagens ao custo normal, financiadas em 5 parcelas no cartão Visa ou Master. Em geral, o "costume" é ganhar passagens e hotel de graça e depois escrever matérias elogiosas - o que considero prostituir a profissão. Sei que as companhias aéreas são achacadas - e se não toparem as mutretas e conchavos, serão retaliadas e denegridas (o custo zero sempre foi nossa norma de conduta). Algumas empresas aéreas e marítimas e gerentes locais custam a entender o que é liberdade de opinião. 



O sucesso da rota BH/Lisboa foi tanto que, em curto tempo, foram lançados o quarto voo, o quinto e o sexto, até se tornar diário na alta estação. Nas épocas de menor demanda, houve redução para cinco ou seis voos semanais. Esta rota, inicialmente com os números TP-137 (vinda)  e 138 (volta), tornou-se uma das mais rentáveis para a companhia portuguesa, vendo BH concorrer com nove cidades  brasileiras também com voos diretos para Lisboa. A média de ocupação dos 266  assentos dos A330-200 foi sempre superior a 80 por cento. Vocês se recordam que, no ano passado, a TAP premiou o milionésimo passageiro que viajou a Portugal saindo de BH/Confins.


  JATO INFANTE DOM HENRIQUE ENTROU EM MINHA VIDA


Para redigir este blog, consultei minhas agendas de viagens. Através delas, fiz um levantamento geral. No anos 70 e 80, para os EUA, só dava Pan Am, United, Delta, American e Continental (antes da fusão com United) e Varig. Nas viagens à Europa, antes de fevereiro de 2008, eu ignorava a TAP. Indispensável dizer que fui passageiro frequente, com cartão de milhagem,  das principais companhias aéreas do Velho Mundo: British Airways, Lufthansa, KLM, Air France, SAS-Scandinavian Airlines (já voou para o Brasil por muito tempo), Swiss International (antiga Swissair), as extintas Sabena e  Spanair, e Alitalia e Ibéria. A TAP sempre foi minha última opção. Mas, com a inauguração da rota Lisboa/Confins/Lisboa, revoguei todas as preferências anteriores. Senti, como cidadão mineiro nascido em Jaraguá-GO, que eu tinha o dever de trocar de companhia, prestigiando a primeira europeia a voar para Minas.



Praticamente, ignorei todos os cartões de milhagem anteriores, e optei pelo Victoria da TAP (cuja comunicação com os clientes é falha e descuidada). Torci para que meu primeiro voo para Lisboa fosse no jato Infante Dom Henrique, o CS-TOF. E, por sorte, ou feliz coincidência, foi ele mesmo. De meados de 2008 até 2010, foram três voos nele. Era como se eu estivesse reencontrando um velho amigo, esse estranho pássaro de ferro e aço que atravessa o Atlântico em 5 horas e meia, sobrevoando Mossoró-RN, Fernando de Noronha, Cabo Verde, Tenerife (Ilhas Canárias), costa da África e Funchal, capital da Ilha da Madeira. Sempre tive a mania de anotar prefixos de aviões, suas matrículas e seus nomes. 



Coincidência maior aconteceu na semana passada, no aniversário de 9 anos de operação desta rota: o jato que fez o voo foi o Infante Dom Henrique, que continua firme no batente, operando tanto as rotas do Brasil como dos Estados Unidos. Já deve estar completando uns 20 anos de operação, e passando por todas as revisões, parecendo zero km. Não deixa  de ser um atestado da boa manutenção da TAP, atual dona da antiga VEM, empresa do Grupo Varig.


Em vez de começar as excursões  por Londres, Paris, Zurich, Frankfurt, Roma, Amsterdam ou Madrid, todos os roteiros são feitos agora via Lisboa, inclusive viagens caras da Abreutur, de Portugal, que podem começar por Bruxelas, Viena, Milão, Munique ou Praga (e o passageiro escolhe a aérea de sua preferência). Se os cruzeiros marítimos partem de Veneza, Savona ou Gênova, ou de Hamburgo, Amsterdam, Kiel ou Copenhague, pode-se ir via Lisboa. A TAP resolveu meus problemas, inclusive em circuitos por Praga,Varsóvia, Budapeste, Helsinque, Tallin (Estônia), Bratislava (Eslováquia), Dubrovnik (Croácia) e São Petersburgo.


Ninguém pense que os passageiros que saem de Confins são apenas da classe média ou alta. Há muita gente da Grande BH ou  do Leste mineiro (Vale do que restou do Rio Doce, Mucuri e Vale do Aço), indo para Europa em busca de emprego. É também pela TAP que voltam a Minas os deportados que não se comportaram bem em Portugal e se envolveram em atiividades ilegais.



Depois do Infante Dom Henrique, já cruzei o Atlântico em jatos batizados com os nomes de Padre Antônio Vieira (CS-TOK), Fernão de Magalhães (CS-TOO), Nuno Gonçalves (CS-TOH), Dom João II (CS-TOJ), João XXI (CS-TON) e Pedro Álvares Cabral (CS-TOE). 


A média era de 2 viagens por ano, quase sempre em classe econômica,e raras em executiva (conseguindo o up-grade pagando com 25 mil milhas Victoria). As quatro cirurgias em menos de 3 anos me fizeram cancelar algumas viagens. Já está na hora de recuperar o tempo perdido. A condição de "revenue passenger" (aquele que paga suas passagens aéreas, hotéis, comida, trens, metrôs e até ingressos em museus (para não dever nada a qualquer governo) me deixa muito tranquilo, com a consciência em paz.

        OS A330-200 MAIS RECENTES DA FROTA DA TAP




Um dos projetos editoriais deste blog para 2017, em seu 4º ano de existência, é falar mais da aviação civil (brasileira e mundial), lembrar fatos do passado, mostrar fotos de aviões antigos e atender às expectativas de pessoas que, como meu netinho Rafa, amam a aviação  e querem conhecer mais. Antes de completar 9 anos, ele e sua irmã Mariana já voaram de Boeing 787 Dreamliner e 767-300  (LAN), Boeing 737-700 e 737-800 (Copa Airlines), Boeing 767-200 (TAM), Embraer 190 e 195 (Azul), Grand Caravan fretado e vários A320 (Latam) e B737-800 (Gol). Eles nasceram 22 dias antes do voo inaugural da TAP - as fotos que ilustram este blog foram gentilmente cedidas por Carlos Dias, representante regional da empresa, e mostram o jato CS-TOF sobre  a pista única de Confins e estacionado em frente ao portão 9 do Terminal 1.



Com ajuda de Carlos Dias, conferindo os jatos voados e seus prefixos, descobri dois voos no CS-TOL (João Gonçalves Zarco, descobridor da Ilha da Madeira (outra paixão de minha vida)). O último voo, em 2015, foi no CS-TOM (Vasco da Gama). Para meus arquivos, falta agora estrear nos quatro últimos A330-200 da frota, com essas matrículas sequenciais, significando que foram lançados nos 2 últimos anos: CS-TOQ (Pedro Teixeira), CS-TOR (Bartolomeu Dias), CS-TOS (João Vaz Côrte Real) e CS-TOT (John dos Passos). Espero viver para completar esta meta. Rezemos ao Senhor Jesus e a Nossa Senhora de Fátima - amém.



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PS: Apelo a todos aqueles que vão viajar com a família, namoradas ou amigos para as praias no Carnaval: cuidado, mil vezes cuidado. Não brinquem com a vida humana - a sua e as de seus acompanhantes. Se beberem, não dirijam. Jamais ultrapassem em faixa dupla contínua. Não abusem da velocidade, nem do álcool - cuja combinação com o volante provoca tragédias de todos os tipos e tamanhos, todos os anos. Voltem sãos e felizes para casa. Nesse desgoverno em que vivemos, nessa imundície da politica corrupta, Lava Jato neles. A  gente nunca sabe o que nos espera. Não podemos desanimar, nem perder a esperança.



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Belo Horizonte-MG, Brasil

16 de fevereiro de 2017

Editor- Helio Fraga
Postagem e Edição - Ana Cristina Noce Fraga 

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