quarta-feira, 20 de setembro de 2017

ILHAS DO CARIBE AFETADAS PELO FURACÃO IRMA PRECISAM DE SOCORRO INTERNACIONAL




       A devastação na ilha afetou duramente a indústria do turismo



Demorei demais para postar este blog. Há duas semanas, minha querida e dedicada filha Ana Cristina esperou pelo texto final, e houve sucessivos adiamentos. Passei vários dias praticamente grudado no canal 200,  CNN International, aterrorizado com as imagens que eles projetavam e seus competentes repórteres transmitiam ao vivo. Uma lição de seriedade,competência e profissionalismo, horas a fio, sempre num patamar alto.



Foi muito burocrática e deficiente, para não dizer displicente, a cobertura da imprensa televisiva brasileira (via Rede Globo, Band News e Globonews) sobre a devastação de um conjunto de maravilhosas ilhas do Caribe - como St. Maarten, St. Thomas, St.John's, Antigua, Tortola, Turks & Caicos, Jamaica, o já bastante sofrido Haiti, República Dominicana, San Juan  (Porto Rico) e outros paraísos marítimos na região, antes de o Irma atingir o solo continental dos Estados Unidos através de Key West, que fica a 90 km da costa de Cuba. Por sorte de Nassau,capital das Bahamas, desta vez a linda ilha do Resort Paradise Island não esteve na rota do furacão.



Importante lembrar que: 1) A temporada normal de furacões no Caribe vai de junho até fins de novembro, começando sempre no verão do Hemisfério Norte; 2) Cada furacão recebe um nome de homem ou mulher, logo no seu início; 3) Os navios que estiverem fazendo cruzeiros na região podem ser obrigados a alterar seus roteiros e, eventualmente, cancelar algumas escalas, e até o roteiro integral, defendendo seu patrimônio e a vida dos passageiros e tripulantes; 4) Tive a experiência de enfrentar, em navegação, grandes tempestades tropicais, com ondas de até 5 metros, mas nunca vivi - nos últimos 50 anos - a experiência de um furacão; 5) As estatísticas  comprovam que furacões realmente devastadores, como o Andrew em agosto de 1992 e o Irma agora, só ocorrem a intervalos de 10 anos, e os navios resistiram sempre bravamente à força das ondas e dos ventos, mas procurando rotas alternativas, sem enfrentá-los de peito aberto.

Voltando ao Irma na primeira semana de setembro: a partir de Key West, ainda como furacão de categoria 5 (ventos a mais de 260 km/hora), o Irma seguiu devastando tudo que encontrou pela frente e pelos lados, acompanhando o traçado da rodovia US-1 North, que se inicia no sul da Flórida e atravessa toda a Costa Leste, até chegar ao Maine e Massachussets, no extremo norte dos EUA, percorrendo  mais de  2.500 km de Key West O marco de pedra, o Southernmost Point, é o ponto inicial das Florida Keys. Não é regra geral, mas furacões podem mudar de rota e
tomar rumos inesperados, parecendo possessos e alucinados. Foi o que ocorreu agora.

Operadoras de cruzeiros marítimos precisam ajudar na recuperação das ilhas


Duas semanas depois, só agora a população das ilhas chamadas Florida Keys retorna  para ver o que restou de suas casas, carros e iates, nesses redutos de milionários aposentados em Key Largo, Marathon, Islamorada e os bancos de corais do Parque John Pennekamp. Esperava-se que o Irma ia fazer o mesmo trajeto do furacão Andrew, em 1992, devastando tudo que encontrou pela frente no caminho de Miami: as regiões de Florida City, Homestead (base aérea e pista de Formula Indy),  Kendall, Dadeland, Aeroporto Internacional de Miami e o centro da cidade (danos menores em Miami Beach e  a região hoteleira), e subindo na rota da autoestrada Interstate 95 North, rumo a West Hollywood, Opa-Locka, Miramar, Fort Lauderdale, Dania, Sunrise, Pompano Beach, Boca Raton, Delray Beach e West Palm Beach.



Desta vez, o furacão Irma, após atingir Miami, fez um desconcertante giro na direção da Costa Oeste da Flórida, atravessando o pantanal Everglades e atingindo inesperadamente Naples, Fort Myers, Amelia Island, Sarasota, Bradenton, St. Petersburg, Clearwater e chegando até  Tampa Bay. Essas cidades são raramente castigadas por furacões e tornados, e desta vez sofreram muito.

COBERTURA, VENDO  TUDO DE LONGE, É CÔMODA

A ilha de St.Thomas sempre disputou o 1º lugar em  beleza com St.Maarten

Ao contrário do que aconteceu com os alagamentos de Houston, a quarta maior cidade dos EUA, por outro furacão que perdeu intensidade,chegando ao nível 1 dos Hurricanes e depois se transformou em tempestade tropical,  quando a Rede Globo dedicou mais espaço aos assuntos, desta vez a emissora parou repentinamente a já escassa cobertura do Irma quando ele atingiu o solo do estado da Georgia. Perdeu-se todo o interesse pelo Irma, também transformado em tempestade tropical. Burocraticamente,  deixou de ser notícia. Mas ainda era.

O telespectador brasileiro ficou desinformado quando a tempestade passou pelas regiões de Orlando, Kissimmee, St.Cloud, Lake Buena Vista, Celebration  e dos vários parques de Disney, Sea World, Estúdios da Universal e o Busch Gardens em Tampa. Ficamos sem saber se houve afogamento de animais neste último parque, pois eles vivem confinados.

Havia um grande interesse turístico,pela quantidade de brasileiros nesta área. Nunca se soube o que realmente aconteceu, as emissoras e ficaram devendo.

Então, fiquei praticamente em frente à TV ligada na CNN desde os primeiros dias  de setembro até hoje, dia 19. Varei madrugadas tomando notas. São dezenas de páginas de anotações e estatísticas, seguindo até as medições da intensidade dos ventos. Mais de 6,5 milhões de familias  tiveram de abandonar suas casas, obrigadas pelo governo, que mandou abaixar as catracas dos pedágios nas estradas federais e estaduais.

Apenas a título de observação, é impressionante como os repórteres e cinegrafistas da CNN se expõem e se arriscam a perder a vida, levados pela tempestade, às vezes mal conseguindo ficar de pé e levando tombos, totalmente ensopados. No padrão de "realismo" da emissoras tupiniquins,  geralmente os repórteres falam de  dentro dos hotéis  ou de seus estúdios. Assim, é fácil serem "correspondentes de guerra". Eu gostaria de vê-los na rua, no fogo cruzado de um tiroteio em Damasco ou Mossul, e não na suíte de um Hilton 5 estrelas.

Tortola,uma das joias do Caribe Francês,também foi duramente castigada

A ILHA DE ST. MAARTEN ESTÁ GRITANDO POR SOCORRO

 
Num mundo de tantas guerras, St. Maarten é identificada mundialmente pela fraterna (e inteligente) convivência de duas nações, tendo duas pequenas metrópoles: Philipsburg, capital da parte holandesa, e Marigot, capital da porção francesa. O dólar é a moeda local.

A passagem do furacão Irma por St. Maarten foi devastadora, destruindo casas nas montanhas e atingindo pesadamente a orla litorânea e tudo que a cerca - como cabanas, cantinas, lojas de praia, bares e restaurantes. Os ventos de mais de 250 km/hora atingiram os barcos nas marinas, uns por cima dos outros. As praias ficaram cheias de entulhos e árvores caídas. Hotéis continuam vazios, e os melhores restaurantes fechados.

Não imagino como St. Maarten possa se recuperar, talvez demore 1 ano ou mais. O turismo, base da riqueza da ilha, deve estar enfrentando a maior crise de sua história. O Aeroporto Internacional Princesa Juliana teve algumas portas de embarque danificadas (os chamados fingers ou gates). Era a maior atração da ilha, por causa dos grandes jatos que passavam a baixa altura sobre as pessoas concentradas na Maho Beach, que tornou St. Maarten famosa mundialmente,pelos pousos arriscados dos Jumbos 747 da KLM e dos Airbus A340-500 da Air France, que atraíam turistas do mundo inteiro.


Penso que os governos da Holanda e França vão dar atenção máxima à salvação da ilha caribenha, pelo que ela representa para a região, e que organizações internacionais  que se preocupam com o sofrimento alheio devem se mobilizar para ajudar na recuperação da ilha franco/holandesa - aliás, de todas as ilhas afetadas. Espera-se a doação conjunta de milhões de dólares por parte das companhias marítimas, que devem ter todo interesse em continuar operando seus roteiros caribenhos, e têm o dever moral de ajudar financeiramente na recuperação dos portos e rede hoteleira.



Sem aviões descendo com turistas, e os navios trazendo milhares de visitantes por dia,  St. Maarten não vai conseguir se levantar novamente. Já tem gente passando fome e sem água para beber. O socorro internacional tem de ser urgente, e devem ser mobilizadas organizações como a Unicef, Cruz Vermelha, Médicos Sem Fronteiras etc.



Como Vovõ Hélio é um bom cumpridor de promessas, ele esteve na ilha em 25 de julho passado (há menos de 2 meses), a bordo do navio italiano MSC Divina, para pagar a promessa feita ao netinho Rafael: levá-lo à Maho Beach para ver os grandes jatos descendo.

Ele foi a St. Maarten em companhia dos pais,avó materna e sua irmã gêmea Mariana. A escala foi tão boa, mas  tão  curta, que a gente planejou uma volta em breve, por 3 dias, via Panamá, com a Copa Airlines,cujos serviços continuam decadentes, e a rota Confins/Panama/Miami merece jatos melhores,com indispensável TV a bordo (em julho, fizemos 4 voos e só o último tinha as telas individuais.) Para ser mal servidos, já basta a American Airlines,que coloca seus piores jatos B-767 na rota BH/Miami.






PS: Agora que se decidiu a postagem do blog, aos 48m do segundo tempo, surge a informação de dois terremotos no México e um novo furacão categoria 5, chamado Maria,que já devastou a ilha de Dominica e estava a caminho de Porto Rico, por onde também passou o Irma.

Assuntos relativos a destinos turísticos não faltam. Preciso lhes contar a história de um taxista de St.Maarten que queria nos extorquir US$ 50 para nos levar (3 pessoas) do centro de Philipsburg a Maho Beach, mais US$ 50 para nos trazer de volta. Fizemos isso a US$ 2 por cabeça, numa van comunitária que opera a rota normal. Em vez de US$ 100,gastamos 12 dólares. É essa ganância que estava prejudicando o turismo em St.Maarten. A vida agora lhes ensina que não se pode ganhar muito e sempre. O visitante merece respeito.



 Próxima edição em 27 ou 28 de setembro.



======= ===
 BELO HORIZONTE/MG - BRASIL
19 de setembro de 2017
Editor - Hélio Fraga
Postagem e edição - Ana Cristina Noce Fraga








Nenhum comentário:

Postar um comentário