segunda-feira, 30 de outubro de 2017

REABERTURA DOS VOOS NO AEROPORTO DA PAMPULHA NÃO COMPORTA HISTERIAS E EXIGE AMADURECIMENTO



Fachada do Terminal da Pampulha, que fica a 9 km do centro de BH


Belo Horizonte, que é a única capital brasileira a não ter seu próprio aeroporto em funcionamento  normal,operando voos a jato para os principais destinos nacionais, recebeu autorização federal para que esses voos sejam radicalmente mudados - o que provoca discussões, debates passionais, argumentos ilógicos  e manifestações até esquisitas - porque desprovidas de lógica e bom senso. Chega-se a falar em um atentado contra a estabilidade operaciomal do Aeroporto Internacional de Con, como tudo que interessa ao turismo mineiro e à capital de Minas,em termos de economia e desenvolvimento, os assuntos são tratados superficialmente, e por amadores, na maioria das vezes. Falar é fácil, mas o importante é ter o respaldo do profissionalismo, da competência, da comprovada experi\\ẽncia no assunto e da base sólida de conhecimentos.



O tema é vasto e abrangente. Daria para fazer 5 blogs seguidos. Não importa agora se esta decisão do Ministério dos Transportes, publicada no "Diário Oficial da União" de 25 de outubro, foi uma entre as muitas vergonhosas barganhas  políticas patrocinadas pelo presidente Michel Temer para abortar  a ação penal movida pela Procuradoria Geral da República, acusando-o e  pedindo a perda  de seu mandato, e condenação, por corrupção, de dois de seus ministros.


Em fila, os antigos ATR 42 da Trip Linhas Aéreas


Por vias tortas, portanto,chegou-se à decisão de permitir voos nacionais a partir da Pampulha, operados por jatos com mais de 100 lugares, cobrindo longas distâncias, e abrindo esta possibilidade a todas as empresas interessadas: Gol, Latam, Azul e Avianca, e companhias menores e sem jatos, como a Passaredo. Antes, permitiam-se aviões turboélices para até 72 passageiros. Com esta abertura, a Gol pode colocar seus Boeing 737-800, com capacidade de até 184 pessoas, enquanto a Latam pode utilizar Airbus  das séries 319 e 320, variando de 108 até 140 viajantes. E a Azul pode utilizar seus jatos Embraer da série 190 (96 lugares) e série 195, com 118 poltronas. E pode, em rotas de maior demanda, acionar  os novíssimos Airbus A320neo, com mais de 140 lugares.



Depois de anos de ostracismo, após o esvaziamento provocado pela transferência obrigatória da maioria dos voos para o Aeroporto Internacional de Confins, o Aeroporto da Pampulha ressurge agora das cinzas, apoiado por muitos e contestado por outros, mas disposto a dar a volta por cima. Tomara que volte também a sigla antiga, que era BHZ. Há espaço no mercado tanto para a Pampulha (PLU) como Confins (CNF). Um não exclui o outro. Há possibilidade para manter os dois, pensando grande - o que, positivamente, não é um hábito no turismo mineiro, que vive de pires na mão e é um deserto de ideias.




DOIS AEROPORTOS NAS GRANDES CIDADES MUNDIAIS



Todas as grandes cidades do mundo contam com um segundo aeroporto - um internacional, mais distante da zona urbana, para os voos transcontinentais (como Malpensa,em Milão) , e outro mais central, para homens de negócios e viagens curtas (como Linate,em área densamente habitada na metrópole italiana). E ambos estão inseridos na realidade do seu turismo. Em vez de concorrentes rancorosos, eles se completam - cada um com sua fatia de mercado. Não há birras, nem ciumeiras. O importante é o desenvolvimento da cidade e da região. Ninguém reclama de barulho - aliás, os jatos nunca foram tão silenciosos como agora.

Em todas as grandes cidades europeias e norte-americanas, os aeroportos centrais ficam em zonas densamente povoadas e não há protestos ambientalistas, nem os moradores estão preocupados com questões menores. Era preciso fazer, em nome do progresso, e assim foi feito  - como em Londres (tem 3 aeroportos), Paris (3 também), Frankfurt, Berlim, Viena, Bruxelas, Amsterdam, Nova York, Atlanta, Houston, Los Angeles, Chicago, Detroit, Dallas, San Francisco etc (mais detalhes em futuras colunas, .com os nomes e siglas dos aeroportos principais e coadjuvantes).


Não faz sentido reclamar do barulho excessivo dos aviões, que nunca foram tão silenciosos e econômicos. No tempo dos Boeing 707 e Douglas DC-8,voando a mais de 10 mil metros de altura, eles perturbavam a gente cá embaixo com o ruído de seus 4 reatores. As turbinas ecológicas e silenciosas são um dos ganhos reais e visíveis dos tempos modernos. Nos anos 50, quando a Pampulha era muito menos habitada, a população sofria (sem reclamar) com  o excessivo barulho das turbinas dos jatos da época. Perguntem a quem morava lá nos tempos do Boeing 727-100 da falecida Varig. Perguntem a quem se lembra dos barulhentos Boeings 737-200 da extinta Vasp e, pior ainda, dos estridentes BAC One Eleven da mesma empresa. O barulho de suas turbinas britânicas era ensurdecedor. Tentem se lembrar dos Boeing 727-100 da Transbrasil, escandalosos.

A realidade da Pampulha é outra hoje, com tantos bairros novos - como Jaraguá, Santa Amélia, São Luiz, Bandeirantes, Planalto, Céu Azul, Itapoã, Santa Mõnica, Santa Terezinha  e outros. As Associações de Moradores têm o direito de defender os direitos dos moradores, negociando com a Prefeitura de BH e a Infraero o encerramento das operações diárias às 23 horas. Tudo pode ser conversado.  Não argumentem, por favor, que o barulho dos aviões vai perturbar o sono das capivaras que infestam a região da Pampulha.


Um antigo Boeing 727-100 da Transbrasil, um jato com ruído excessivo


Creio que é possível, se as discussões forem menos apaixonadas e radicais, que haja uma proveitosa convivência entre o Aeroporto da Pampulha e a nova gestão do Aeroporto de Confins (administrado pela BH Airport). Os dois podem cumprir suas missões distintas. A BH Airport, que se julga prejudicada, já entrou na Justiça para se defender. A Prefeitura de Belo Horizonte está certa em lutar pela reabertura e dinamização da Pampulha, para desempenhar um novo papel no desenvolvimento da Capital e do Estado de  MG. 


Mas a Pampulha precisa de obras, investimentos inteligentes e solução de problemas difíceis, como o alagamento constante do terminal de passageiros em dias de enchentes, com o repetido  transbordamento dos córregos vizinhos. A estrutura de atendimento do aeroporto precisa ser substancialmente melhorada. É inconcebível que a Pampulha tenha estacionamento para 121 veículos (deviam ser 800 vagas, no mínimo), e banheiros para 15 pessoas.

A Azul pode trazer alguns de  seus jatos Embraer 195 de volta à Pampulha


Até para justificar sua existência - carregando há anos a pecha de ser um cabide de empregos de familiares de militares -, a Infraero tem de ter uma postura mais proativa, enfrentando todos os problemas crônicos do terminal da Pampulha. Está na hora de mostrar. Ela precisa agir como protagonista, não um órgão burocrático cheio de apadrinhados. Ou os aspones negligentes trabalham, ou seam demitidos.  







CAPACIDADE DE 2,2 MILHÕES DE PASSAGEIROS/ ANO  


Em 2013, o Aeroporto da Pampulha quase atingiu 1 milhão de passageiros embarcados e desembarcados, fechando o ano com 989,5 mil. Foi o período em que havia forte presença da Trip Linhas Aéreas, com seus turboélices ATR 42/500, mais tarde comprada pela Azul, tendo extensa rede nacional e operando voos regionais para o Vale do Rio Doce, Vale do Aço e Norte de Minas. A partir de 2013, os números das operações começaram a cair, como se vê: 945,5 mil embarques em 2014; 712,5 mil em 2015; uma brutal queda para  300 mil em 2016; e até junho deste ano, os embarques e desembarques somam 110,6 mil passageiros. A Azul concentrou em Confins toda a sua frota de ATR-72/600. Ela responde por mais de 40% das operações no Aeroporto Internacional, com mais de 80 decolagens por dia, mas faz sentido trazer de volta alguns aviões para os voos com destino ao interior mineiro. Sejamos sensatos: a Pampulha fica a 9 km do centro de BH, e Confins está a mais de 42 km.

A Trip chegou a ter a liderança na operação de voos na Pampulha

Até 2004, a Pampulha tinha um desempenho considerado brilhante, atingindo 3,1 milhões de passageiros,com a transferência dos voos mais importantes para Confins, como as três pontes aéreas (de BH para o Rio, São Paulo e Brasília), ao final de 2005. Assim,  ficou comprovada a perda de prestígio do aeroporto regional: queda geral de 1,3 milhão de passageiros. E seria ainda pior nos anos seguintes: 800,9 mil em 2006; 759,8 mil em 2007; 561,1 mil em 2008; e ligeira subida para 598,3 mil em 2009; e número acima de 700 mil nos embarques e desembarques em 3 anos consecutivos, como 2010 (757,6 mil), 2011 (793,3 mil) e 2012 (774,8 mil).

No ano passado,os 300 mil passageiros praticamente não justificaram que a Pampulha esteja operando, porque perde mercado sucessivamente; e pior ainda este ano, até junho (110,6 mil). Não vai chegar aos 200 mil em 31 de dezembro. Assim, a mudança da qualidade das operações veio na hora exata, com a Pampulha à beira da desativação. A primeira meta será turbinar a Pampulha para atingir sua capacidade de 2,2 milhões de viajantes por ano, que parece ser o limite de seu terminal de passageiros (4.629 metros quadrados).

Não parece ser necessário, no momento, ampliar as dimensões da pista, que são de 2.364 x 45m. O pátio 1, com 139.310 metros quadrados, comporta oito aeronaves ao mesmo tempo,enquanto o pátio 2 pode abrigar 43 aeronaves. Isso dá para o gasto. Mas são bem-vindas ampliações futuras, e a Infraero terá de ficar muito alerta quanto a essas novas demandas. Mexa-se.



    GOL SAI NA FRENTE ANUNCIANDO 33 NOVOS VOOS

Várias vezes, pela imprensa, os brasileiros souberam de financiamentos da Gol Linhas Aéreas para partidos políticos e governantes. E os fatos comprovam que, de fato, a Gol parece estar sempre bem informada. Agora, a empresa da família Constantino, de Patrocinio/MG, está na "pole position" à espera de uma autorização da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) para iniciar a operação de 33 novos voos com destino a 14 cidades brasileiras, principalmente com praias e hotéis de luxo no Nordeste.  A Gol espera iniciar as operações em 15 de janeiro, o que parece não fazer sentido, pois a temporada de verão  e festas de fim de ano começa em dezembro. Assim. deve haver uma antecipação.

Entre os destinos contemplados com esses voos, estão Ilhéus, Porto Seguro e Salvador, na Bahia (Ilhéus vive reclamando a falta de voos procedentes de Belo Horizonte), e ainda ligações diárias regulares para Natal-RN, Maceió-AL, Recife-PE, Fortaleza-CE, Belém do Pará e São Luís do Maranhão. Haverá ligações também para Goiânia, Vitória, Santa Maria-RS , Florianópolis e o interior paulista (Presidente Prudente e Ribeirão Preto).

A Latam Airlines, com sede em Santiago do Chile, não informou ainda seus planos em relação à Pampulha. Quanto à Avianca, ela pretende voar da Pampulha para o  Rio (Galeão e  Santos Dumont), São Paulo (Congonhas e Guarulhos) e Brasília. Para não perder espaço, a Azul Linhas Aéreas deve revelar seus planos os próximos dias. Pode voltar alguns ATR-72/600 à Pampulha para as rotas do Norte de MG, Vale do Aço e Vale do Rio Doce, e colocar alguns jatos Embraer 190 e 195 para rotas mais nobres,como as capitais do Nordeste. A Gol parece querer consolidar a liderança nas operações domésticas, enquanto a Azul quer se estabilizar na terceira posição. A Latam é a maior incógnita  no momento. Aguardemos o que os irmaos Cueto vão decidir em sua luxuosa sede no Alto de Las Condes, parte nobre de Santiago do Chile



   EXCURSÕES  PARA  FERIADOS DE NOVEMBRO

Buenos Aires é sempre um bom programa para viagens nos feriados


1) FERIADOS EM BUENOS AIRES: com saída em 2 de novembro, as agências de viagens estão vendendo um pacote de 5 dias para Buenos Aires, com 4 noites de hospedagem (com café da manhã) no Hotel Unique Executive Central, 3 estrelas. O pacote inclui passagem aérea, traslados e passeio pela capital portenha. Custo de R$ 1.992 por pessoa à vista, ou parcelamento em 12 sem juros de R$ 166.Dica de compras: o shopping Galerias Pacifico, no centro da capital da Argentina.


2) PRATAGY BEACH RESORT em Maceió: um pacote de oito dias na bela capital de Alagoas,com passagem aérea, passeio pela cidade, traslados de e para aeroporto,e sete diárias de hospedagem,em regime tudo incluído, no Pratagy Beach Resort,  de 5 estrelas. Custo por  pessoa de R$ 3.268, ou 12 parcelas mensais sem juros de R$ 272. Preço válido para saída em 25 de novembro


3) LA TORRE RESORT EM PORTO SEGURO: embarque em 4 de novembro para a Terra do Descobrimento do Brasil,com passagem aérea,traslados, passeio pela cidade e sete dias de hospedagem no famoso La Torre Resort. de 5 estrelas, com tudo incluído. Custo por pessoa de R$ 3.078,ou 12 prestações de R$ 256 sem juros. Outras opções e tarifas para as férias de dezembro, passagem de ano e toda a temporada do Verão 2018. 

4) NOVEMBRO EM PORTUGAL : saida em 2 de novembro,direto para Lisboa, iniciando um pacote de 10 dias,com guia acompanhante falando português durante toda a viagem. Hospedagem sempre com farto cafe da manhã. São 3 diárias de hotel em  Lisboa,  uma em Coimbra, uma em Évora e 3 na Cidade do Porto. Passeios panorâmicos em Lisboa, Évora,Coimbra, O Porto e cidade de Guimarães. Custo final de R$ 6.696 por pessoa,com financiamento em 12 mensais de R$ 558. Serviço de maleteiro incluso em todos os hotéis. Um programa da CVC à venda em suas  lojas nos principais shoppings de BH.

5) HOTEL RITZ LAGOA DA ANTA, EM MACEIÓ: um roteiro da Azul Viagens para as praias alagoanas, com 8 dias e 7 noites no Hotel Ritz Lagoa da Anta, passeio pela cidade de Maceió e praias do Litoral Norte. Diárias com café da manhã. Saída em 19 de novembro. Preço por pessoa de R$ 1.944 à vista ou dez pagamentos de R$ 194 sem juros.Pacote à venda nas principais agências de BH.


6) NOVOTEL BARRA DA TIJUCA: de frente para   o mar, no posto 7 da praia de Sernambetiba,o Novotel Barra tem uma oferta especial para os feriados de novembro, tarifa de R$ 310 mais 5% de ISS por casal com filhos, que se hospedam de graça. Piscina com raia no terraço do hotel, com bela vista; serviço de bar, e ainda academia de ginástica,ducha e sauna. Serviço de assistência na praia. Um café da manhã que está entre os melhores da hotelaria da Barra. Reservas diretas pelo fone (21) 3504-3000.Central de reservas Accor: 0800-703-7000, De frente para o mar, a famosa barraca do Romarinho. Perto dos principais  shoppings da Barra.


           A piscina com raia no último andar do Novotel Rio Barra


PS:  Se for viajar, cuidado em dobro com tantas estradas pessimamente conservadas e mal policiadas. Mais dicas de viagens na próxima edição.


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BELO HORIZONTE/MG - BRASIL

30 de outubro de 2017

Editor - Helio Fraga
Postagem e edição -Ana Cristina Noce Fraga

(E-mail: hfraga.rmj@gmail.com)




Um comentário:

  1. Como sempre, vc foi correto e isento na matéria sobre o Aeroporto de BHZ- ou seria PLU ?
    Parabéns pela clareza de idéias !

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