sábado, 13 de abril de 2019

TRAGÉDIA DAS BARRAGENS PREJUDICA A SEMANA SANTA NAS CIDADES HISTÓRICAS


Macacos sofre danos irreparáveis com o risco de rompimento da barragem.


Não vamos tapar o sol com a peneira, nem fingir que o problema não existe - seria uma mentira, uma fraude, uma deturpação e um embuste. Não é fácil ser escravo da verdade, ainda mais  sendo jornalista - porque a Bíblia da nossa profissão nos obriga a transmitir sempre a verdade dos fatos (doa a quem doer).

Mente-se muito no Brasil (agora, mais ainda). Mente-se descaradamente sobre quase tudo, de forma generalizada (o presidente Jair Bolsonaro que o diga). Deturpam-se fatos em escala crescente. Fabricam-se crises a cada minuto. Inventam-se divergências e discussões entre ministros. Parece que se criou um complô para não dar 1 minuto de sossego a quem precisa de trabalhar em paz para salvar um país do abismo ao qual foi atirado por uma corja de políticos bandidos safados e corruptos.

Vive-se no Brasil um tempo esquisito de Inquisição: condenar inocentes a qualquer preço, com ou sem provas, e sem direito a defesa. Programas de TV se transformam em tribunais de exceção, comentaristas com telhado de vidro atiram pedras em falsos culpados, dizendo-se defensores da lei. Colunas de jornais e revistas não se envergonham de estar serviço da difamação e da intriga. Falsas vítimas da ditadura põem à mostra seus ódios e frustrações, mas não renunciam às generosas indenizações que receberam "pela defesa da democracia".

Não posso, nesta espinhosa função de escravo da verdade, tratar desta Semana Santa como se não tivesse acontecido a tragédia da barragem de Brumadinho, com sua escalada de mortes e sofrimentos. Não posso rezar para que "tudo volte ao normal", porque jamais irá voltar - a tragédia só tende a aumentar, à medida que as mineradoras vão continuar derrubando as montanhas de Minas e aumentando o número de suas barragens de rejeitos de minério. E continuar subornando governadores, senadores, prefeitos e deputados estaduais e federais.

Não posso pensar que a Semana Santa será gloriosa e brilhante em Barão de Cocais, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo, quando se sabe que estas cidades continuam ameaçadas pelos riscos da barragem de Gongo Soco. Nem posso prometer que na sofrida Itabira do poeta Carlos Drummond de Andrade a comemoração da Semana Santa será a mais vibrante de todos os tempos, quando se observa que o Pico do Cauê foi totalmente destruído e há ameaçadoras barragens no entorno da cidade - sendo uma delas com  200 toneladas de rejeitos de minério de ferro.

Como imaginar toda a população envolvida pelo clima de meditação sobre a paixão e morte de Cristo, quando as cidades são atormentadas pelos apitos de sirene servindo de alerta para evacuar as casas? Como pensar que Congonhas do Campo dorme em segurança todas as noites, com aquela monstruosa barragem no alto do morro, de frente para uma densa área habitada na cidade?

Não estou prevendo que haverá uma debandada em massa (paulista, carioca, goiana, baiana, capichaba) de visitantes de Estados próximos, mas parece que não haverá tantos turistas como nos anos anteriores em Ouro Preto, Mariana, Sabará,Tiradentes, São João del-Rei, Congonhas e outras cidades. A força dos meios de comunicação, e a terrível imagem dos danos que o estouro da barragem provocou em Brumadinho, não encorajam as pessoas  a viajar indiscriminadamente. É preciso pensar bem e ter cautela.

Ilustrar esta coluna com imagens da Semana Santa em cidades históricas é uma forma de esperar que tudo corra em, não haja sobressaltos e nada de anormal aconteça - mesmo porque essa celebração da Semana Santa é uma das poucas tradições que restam ao turismo nesta Minas Gerais que foi governada por uma quadrilha de bandidos nos últimos anos. As feridas estão abertas.



LEMBRANDO O SAUDOSO COMANDANTE MARCÃO 
 
Marco Aurélio e minha netinha Mariana em um passeio de avião.
Já foram publicados 185 blogs em mais de 5 anos, e o computador registra as datas e números de postagens e acessos em cada edição. Um fato chamou minha atenção: a extraordinária repercussão que teve o blog publicado em 4 de dezembro do ano passado, falando da morte  do comandante Marco Aurélio Gori de Carvalho, pilotando um jato do Grupo ARG, ao fazer um pouso em Jequitaí, no norte de Minas, levando seu patrão e esposa para uma fazenda. Um acidente muito estranho, até hoje não devidamente explicado - e talvez nunca o seja.


Até agora, este blog foi visto por 16.935 pessoas, sendo recordista de acessos. Só para efeito de comparação: um blog anterior, sobre o Natal Luz de Gramado e o 30º Festuris (Festival de Turismo)  teve 15.491 visualizações. O número de acessos vai só aumentando, e já se passaram quatro meses. Isto deve ser um motivo de muito conforto e apoio moral para a família do comandante Marco Aurélio: sua mãe, dona Angela; sua irmã Luciana Carvalho Carpeggiani; Carolina, sua única sobrinha e afilhada; sua viúva Juliana, tão jovem e bonita, e sua filhinha Anna Victoria, de 11 anos, uma menina linda.

Na época do blog, Luciana me enviou uma mensagem de agradecimento, citando os parentes de Marco Aurélio igualmente gratos, como Cristina e Valéria. Acho que todos serão recompensados agora, ao saber que tanta gente  continua lendo a história dele.
 Perdi uma espécie de velho amigo recente, porque ele tinha o maior carinho por nossa filha Ana Cristina, seu marido Cássio e os netos Rafael e Mariana. Ele prometeu ao Rafa que seria seu instrutor na Escola de Pilotagem. Mas ajudará de outras formas, com certeza, lá de cima.

Como já escrevi antes,  espero que o poderoso Grupo ARG vai cuidar de Anna Victória e sua mãe, não as deixando desamparadas. É seu dever moral.



     O IMPORTANTE LEGADO DE DONA LUCINHA
 Dona Maria Lúcia Clementino Nunes inspirou uma nova geração de chefs de cozinha mineiros
Perdemos nossa Estrela Guia. Ela foi muito importante para a história do turismo de Minas e nossa gastronomia. Foi a embaixatriz de nossa comida típica no plano nacional e assim se tornou conhecida. Dona Lucinha Nunes (Maria Lúcia Clementino Nunes), natural de Serro, espalhou simpatia, bondade e carisma por onde andou. Morreu nesta segunda semana de abril, aos 86 anos, deixando o marido José Clementino Nunes, de 90 anos, e uma família de 11 filhos e 25 netos. Tive a honra de ser seu amigo e cliente, levando muitos colegas jornalistas de outros Estados a seus restaurantes nas ruas Sergipe e Padre Odorico (pagando as despesas no cartão, é claro). Nunca lhe pedi nada.

De fala mansa, Dona Lucinha era educadíssima, e seus olhos pareciam duas águas marinhas. Mesmo um tanto retraída nos últimos anos (e eu mais ainda, ausente de quase tudo no Turismo), claro que ela vai fazer muita falta nesses tempos de virtudes tão raras, como tolerância, boa convivência, harmonia, dignidade, decência, amor ao trabalho, respeito ao próximo e dedicação a uma causa. Ela mereceu não apenas coroas de flores, mas homenagens de verdade, dessas que precisam ser feitas com a pessoa em vida. Como dizia Mestre Kafunga, goleiro histórico do Atlético, "não quero nada depois de morto - se quiserem fazer algo, que o façam agora" (mas não  fizeram).

Dona Lucinha ficou conhecida nacionalmente por simbolizar os temperos e sabores de Minas e inspirou, no Carnaval de 2015, o tema-enredo do desfile da Acadêmicos do Salgueiro: "Do fundo do quintal, saberes e sabores  na Sapucaí", baseado no seu livro clássico "História da Arte da Cozinha Mineira". Ela se tornou referência da comida de seu Estado.

Além dos dois restaurantes em Belo Horizonte, Dona Lucinha teve um em São Paulo (Moema), cuja tradição tem de ser mantida por seus filhos e netos. Claro que merece ser nome de rua ou praça não só em  Belo Horizonte, mas em outras cidades históricas mineiras, e uma estátua em Serro. Espera-se que, iluminados pelo Divino Espírito Santo, alguns vereadores atualmente entregues a nulidades cuidem realmente de homenagear quem merece e quem trabalhou pelo turismo de Minas. Pessoas como Dona Lucinha Nunes não podem ser esquecidas, têm de fazer parte de nossa memória histórica.

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Desejo uma boa Semana Santa a todos, que é mais especial ainda porque o feriado de Tiradentes acontece em pleno Domingo da Ressurreição. Se vão viajar, cuidado com as traiçoeiras estradas federais e estaduais mineiras. Não cometam  o desatino de beber e dirigir. Não ultrapassem na faixa dupla continua. Respeitem o  bom senso e os limites de velocidade.Não façam de seu carro uma arma de guerra, pois as vítimas podem ser vocês. É uma vergonha nacional que o nosso trânsito seja tão incivilizado, tão agressivo, tão  bárbaro.

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Belo Horizonte-MG,Sudeste do Brasil
Dia 13 de abril de 2019
Editor - Hélio Fraga
Postagem e edição - Ana Cristina Noce Fraga

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